Sobreposição de Intervalos Inflexíveis

De Enigma
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Silêncio sob Os Paraluzes -- Capítulo Sete -- Sol Cajueiro

Um livro de Future Pop Adventure -- Estágio -- O Grande Jogo

Nota: Todos os Direitos reservados.

Este Capítulo foi publicado no dia 13 de Outubro de 2018.

Dedicatória

À minha filha, minha motivação; aos meus pais, irmãos, de sangue e de caminho; aos amigos, de coração, a quem sempre deu o apoio, em corpo, mente e espírito, e está agora digno de minha eterna gratidão.

–– Obrigado.

Cap 7 – Sobreposição de Intervalos Inflexíveis

– Então você desmaiou mais uma vez, Elliot – começa Asal, tocando a cafeteira ao dizer "Inkantanna Hat!", ela imediatamente fumegou. Ele está sério, ao se servir de café. A informação era óbvia, mas o garoto já aprendeu que o Professor bruxo gosta de deixar tudo claro; o bruxo olhou para todos: ele, Najka, Tamara e um espírito, para então completar – Tem café.

– Obrigado – diz Elliot, se levanta e se serve também; mas senta quando ele vê um lugar: de aspecto militar, só que por apenas um décimo de segundo: muros altos com arame e soldados armados em guaritas; uma fila de presos magros, ossudos e carecas, ladeada por mais militares, caminha de cabeça baixa; uma letra egípcia, que o vidente não conhece, está sobre uma banda no braço dos prisioneiros, sua intuição diz ser a letra "Rh" – Ah! – diz ele, e cai sobre o sofá. Ele capta o sorriso no olhar de Najka que, calma, percebe que nem uma única gota do café foi derramado; dor – Não foi nada. Não foi nada.

– O que isso significa? – questiona Asal, calmo.

– Bem, Asal – começa Tamara – Eu acompanhei todo o processo. Aliás sou eu que faço as poções que o Iko tem de tomar todos os dias. Auspitia Serpentae, essa é uma poção dos vampiros, um segredo; eu não sabia a formulae, ela é bem complexa. Nossa enfermeira diz que ele não tem nenhum tipo de doença. É perfeitamente saudável. Na opinião dela, o que acontece é que Iko é mesmo um Vidente, e tem um tipo diferente de Segunda Visão, o Dom que classifica alguém como um Profeta desde os tempos antigos.

– Hmmmh,... Isso explica muita coisa – comenta Asal, pensativo.

– Eu estou nas Profecias? – questiona o jovem, ao olhar para o bruxo, e capta a emoção do professor, refletindo sobre o que já se sabe.

– Não sei, Elliot – isso era muito melhor do que ele esperava – A série de anotações que consegui mostram uma Grande Guerra. Há muitos jovens, como você; e volta e meia pessoas que se achavam mortas aqui e ali aparecem de novo para tomar parte no Evento e você pode estar entre eles. Na verdade, Iko,... esse apelido foi dado pela Asha, não foi? Bom, você iria morrer naquele lugar de onde nós lhe resgatamos. Isso... é o que está nessas Profecias; ao menos nas partes que eu estudei e entendi até agora; mas muitos videntes – meddiums, oráculos e videntes, diz o texto,... são coisas diferentes; são citados em todo o texto.

O maestro estava sendo direto, e até o garoto prefere desse jeito; sabia que era melhor assim. Mesmo porque o vidente não sabe muito sobre si mesmo, ou quase nada. Anoiteceu. Agora à noite, Najka se aproxima da janela. Não há luz, a não ser das estrelas; e os imensos paraluzes lembram lençóis, transparentes, a refletir toda essa imensidão da noite sem colorir o véu, nem também as nuvens, apenas hoje, de uma maneira singular: há um calafrio no ar.

Tamara se serve de café e Asal respira forte algumas vezes – "Será que isso é alguma técnica mágica?", pensa Elliot. Asal desfoca os sentidos para perceber os detalhes, entrando em sintonia.

– Santa Wicca deve saber disso, Professor – diz o espírito, todo de negro, mas com as mãos e rosto a mostra, muito brancos ou prateados – Nós, espíritos, em geral não interferimos, mas uma Guerra, Dlaíomh... Não vou poder guardar segredos, dessa vez.

Elliot sente arrepios, ao ouvir a voz dele. Asal parecia acostumado a ouvir; porém, o bruxo viu que o jovem estava assombrado, e decide explicar.

– Preto é um Exu, Elliot – explica Asal, e se vira para o espírito – Vou ter de pedir que você mantenha isso em segredo, Preto. Não temos ideia do que pode acontecer, se vazar que estamos investigando. Desculpe,... Não desconfio de você, não,... Mas não há como você garantir que outros espíritos nos entreguem, você vai entender quando vir as anotações, estamos sob ameaça,... todos os dias. Você é o Orixá da nossa Escola, é o espírito do nosso Terreiro, na Quinta Capela; espero que me entenda.

– Você... – o orixá para e pensa – pode estar certo.

Assim, Asal Gusa pede uma tela ao seu profeta, e a estende sobre o ar entre eles, com a atenção ainda sobre o espírito – ele precisa ter certeza de que o orixá está do seu lado, antes de revelar mais – mas sua atenção é interrompida pela vampira. Antes mesmo de ela falar, seus olhos se voltam a ela, que percebe sem reação que ele é muito mais atento do que a maioria dos mortais, ele é uma pessoa especial; talvez Asal seja o guerreiro que ela procurava!

– Foi o Arcano XIII – afirma a filha da noite – Foi Aella quem colocou vocês em nosso caminho para nos salvar. Vocês não mudaram as Profecias, e sim Aella, mas o que eu tenho de perguntar é se não há outra referência a ele; se podemos considerar se ele estar vivo agora mudou a história, a sequência do evento.

Aquilo merecia ser investigado.

O vidente sentia vertigem ao ver um jardim, de relance, onde o que parecia ser uma estátua de um anjo lhe olhava nos olhos.

Sentia a palavra para descrever fugir de sua memória. O nada. Não sente a aproximação do desmaio. Apenas a presença do medo; e ouvia também uma rizada na voz de uma criança, nesse lugar vago, a zombar dele, feliz, como se sua fraqueza fosse engraçada.

– Talvez, Najka – suspira o bruxo – Sem dúvida, isso modifica um pouco o futuro terrível que você vem falando, desde janeiro. Ainda teremos de esperar alguns outros eventos. Não há como investigar As Luzes. Não, não. Se a Tropa de Elite da Academia sempre chega, é impossível. A Academia regula que as pessoas que forem envolvidas pelas Luzes devem ser mantidas em quarentena, e agora nós sabemos que isso é porque elas são afetadas pelas Luzes. O que eu vi é com certeza uma criatura, sedenta e nefasta.

O jovem vidente se levanta. Devagar, se serve mais café e, percebendo uma visão, se concentra – ele vê a Sala Oval e as estantes, mas viu jovens ali de pé à frente da mesa. Três crianças. Asal, Esmeralda, a bruxa que os aportou para longe da clínica e para a Capela, mas também um menino muito pálido e assustado, que olhava para Asal e, então, de volta para a professora e de volta. Mas lá, ao mesmo tempo, também uma maestra ainda jovem, a atual Vice-Diretora, que ele não lembra o nome, a observar os estudantes, todos com expectativa; mas havia algo... horror em seus olhares – Uma revelação? Punição? Será que ele agora está começando a ver as memórias das pessoas? De Asal? – e a visão desaparece, silenciosa, enquanto ele mexe o café; ninguém parecia perceber.

– Isto é óbvio nas Profecias? – o garoto havia parado para não cair, assim aproveita e questiona. Tentou rever na mente o rosto daqueles alunos diante da professora; e concluiu que o outro garoto sentia medo. Muito. E ele parecia saber – "Vou morrer", à espera do inevitável. Elliot não sabe ainda como é a punição em uma Escola de Magia – "Como será?",... questiona calado.

– Sim – respondeu sem pensar o bruxo. Então, se lembrando que eles ainda não sabiam tudo o que aqueles textos falavam, ele se levanta suavemente.

Asal vai até a estante e abre o cofre, com um gesto. E, chamando o seu avatar – "Toidle", o professor pede – "A mesma exposição, por favor".

– Sentem-se – e conjura – Klamma! Na mesma hora, como se viesse do fundo desse cofre, uma mídia veio parar em sua mão, de forma suave.

Tamara serviu café a todos, inclusive para o orixá presente. Asal saca a faca ritual, ergue-a até o alto, e desce sobre o lugar onde estão.

– Evado a Nemesis! – guarda a faca; aponta sua mão para a lareira – Ahura Mazda! – a chama quente surge, aquecendo os ânimos. Elliot sente poder, vindo daquele fogo, como se todos os seus problemas houvessem de repente, sem explicação, acabado.

Asal saca a faca de novo, a encosta sobre o peito e move num círculo pequeno, como se cortasse o ar à frente do seu peito – Mówku! Guarda a faca e retira uma orbe da lateral da bolsa preta; olha para ela, ao se concentrar – Speculum Interdico! – e põe o item sobre um tripé de prata em sua mesa de madeira escura, enquanto surge névoa dentro dela.

O jovem profeta observa a energia, verde e negra, enquanto o professor bruxo protege a reunião, e a filha da noite vê seus olhos ao fechar a janela.

A sensação de que, se houver qualquer problema, suas visões sem dúvida lhe avisarão, talvez antes até mesmo da orbe, surge à mente dele.

Tamara retira uma pequena pedrinha do bolso.

– Kiweh! – ativa a alquimista. A pedra começa a levitar e fica flutuando acima da reunião; Elliot observa tudo com um olhar bastante confuso.

– Bem, Elliot – Asal fala, com pesar – A não ser que um dia você se torne arcanista, essas palavras não vão dizer muito.

– Não, Gusa – interrompe Tamara, e se vira para Elliot – São todas Magias de Proteção: afastar da mente dos inimigos; O Fogo da Sabedoria, que protege contra identificação de "gatilhos"; uma magia de alerta; além do impedimento de observação. Mas o que eu fiz, isso é uma Pedra de Poder: tem um encantamento preparado e está aí para nos avisar de vários tipos de manifestações. Nós damos o nome de manifestação a tudo que não tem explicação. Acho que você merece saber. Você agora vive entre nós, a Nação dos bruxos, feiticeiros e magos desse aglomerado; e mesmo que na maioria das vezes nós façamos esses feitiços sem chamar a atenção sobre isso, acho importante você saber.

Asal deixa a mídia sobre seu profeta. Ele deixa o seu computador sobre a mesa e coloca o pequeno objeto sobre ele, enquanto Tamara fala.

– Vocês – comenta Elliot – fazem parecer fácil.

– Hmf,... Não é – Asal sorri – As magias mais simples, são. Se você quiser ser um arcanista um dia, ou magiker e estudar o saber das trevas ou, mais difícil, um tecnomancer, vai ter de estudar muito, Gulanta. E pode apostar um olho que isso vai transformar total e completamente como você vê o mundo.

– Obrigado pelo aviso. Mas... não sei se eu posso.

– Vamos aos fatos – Asal começa – Esses aqui são os vinte e dois livros que eu comprei. Vejam: eles se parecem com livros antigos, no holograma, apesar de não serem. Os originais estão em segurança. As capas são feitas de couro de cobra e cera. Todos têm o seu número, em numerais romanos; e são divididos em estrofes. Sim, vejam – ele faz um movimento e um dos livros se abre, revelando seu interior – Não há divisões internas; e isso não é papel. É couro. O material foi feito pelo próprio vidente, que morreu em 2209, no Dia da Serpente, ou seja: no equinócio que dá início ao Zodíaco, Ostara ou Estrela do Leste, no norte; Páscoa, para os religiosos; mas é Dia da Serpente aqui, Dia da Coruja no norte.

Os livros passam a impressão de ser envelhecidos. Todos ali sabem que não, pois eles foram feitos há pouco tempo.

– Os originais parecem estar te observando – releva Asal.

Nem mesmo Elliot reprimiu o arrepio. Só Najka parecia conhecer coisas piores, que fariam esses livros parecerem coleção de contos de fadas.

– Talvez o Profeta tenha morrido devido a um Ritual, que ainda desconheço, para que a sua alma fosse transmitida para os livros,... isso é só uma hipótese, no máximo.

Asal decide explicar o que ele já sabia. Os vinte e dois livros, na verdade, eram bem confusos, gerando diversas interpretações: elas são dúbias, talvez também com segundos e terceiros sentidos para tudo.

– Vejam – diz o bruxo – Aqui fala da noite em que você iria morrer, Elliot, e neste dia o Arcano XIII iria morrer. Eu e Amadeu, que não é do meu grupo, mas é o maior especialista em tecnologia que eu conheço, decidimos que a Morte era uma entidade muito importante para deixar que isso acontecesse; e foi então que nós decidimos interferir e bem,... isso vocês já sabem.

Todos observavam, muito atentos. Esta era a hora esperada pelo vidente, desde que aquilo não eram visões que ele estava tendo. Eram visões; e o garoto vê no texto uma forma de descrever Profecias, transformadas em poesia.

– Essas profecias pode ser modificadas. Digo, infelizmente, não pudemos evitar a morte do desembargador. Foi obra da aplegia. Mas bem, meu Círculo está estudando o que nós podemos fazer, Najka, e eu consegui o apoio sem restrições de Mestre Coelho, meu mestre. Ele será o contato com O Conselho por nós. Não recebi a resposta do nosso Praetor, mas ele foi treinado pelo Grande Conselheiro – Kalai O Cinzento – em pessoa; vejam que as poesias falam, mais à frente, de praetores, publicamente, como aliados essenciais em tudo isso.

Tamara estava incomodada e Asal faz uma pausa. Afinal ele sabe que o pai da bruxa fora assassinado pela aplegia. A filha da noite sente um "trauma" no ar; e Elliot é o único ali que não tem treinamento, mas sabe que os outros têm este tipo de percepção.

O silêncio deles o fez perceber. Ele não entende. Sua única opção é esvaziar sua mente. Asal sabe que o Diretor ordenou ensinar o jovem a entrar em Sintonia, assim ninguém se preocupa com as impressões vindas dele, como se elas fossem sujas e de compreensão difícil.

Ele sente medo. Isto, Najka já percebeu e usa como indicação de quando o garoto tem visões, ou quando ela precisa estar atenta.

– Agora – continua o bruxo – Vejam que existem citações a inúmeras crianças que são apontadas como videntes. Isso é um absurdo. Quase completo. Se existissem tantos videntes assim, o futuro estaria destruído antes de começar, porque toda a sociedade saberia o que vem pela frente. Ou salva – e olhou para Najka – Isto é o sinal dos problemas – apesar disso – e não a solução. Os diários se referem a três tipos distintos: meddiums são as âncoras do tempo, videntes são manifestadores e oráculos... a guerra irá acontecer por causa deles.

Adiantou para as partes mais afrente da mostra. O vidente vê um campo de batalha, e soldados. Isto lhe diz que aquilo é uma visão do passado, porque também consegue ver uma praia, e um sem número de homens aportando, para invadir, sob a chuva de balas. Sua visão é arrebatada. De repente, ele atravessa o véu para, indo rapidamente, chegar a uma Torre. Ela é negra, e torna o dia negro tal como ela só pela sua presença; há um poder terrível aí. Um mago, com uma Cruz de Ferro no cajado, está pronto para conjurar uma tempestade e já começa a pronunciar as palavras estranhas; mas o que parece seu discípulo, muito mais jovem, lhe apunhala as costas – "Herr Faun?!" – murmura o mago – "Lâmina... envenenada"... – ele já começa a tremer, indo ao chão – "Porquê?"... – e só então é possível ver que o jovem não é humano, pequenos chifres retorcidos à cabeça – "Sua guerra não significa nada, mago", ele para de se preocupar com o mago e, o que quer que ele seja, seus olhos encontram o vidente para lhe dizer: – "Entenda, oráculo, que não é o futuro que está em jogo – nunca foi – mas sim a existência do mundo. As linhas do tempo estão em perigo. Acorde...".

Elliot recobra a visão da Sala Oval; ..,. "oráculo".

Todos esperam parados ele retornar. O professor preferiu não comentar, depois que o jovem balançou a mão pedindo para ignorar e limpando a testa na mão, suando de olhos arregalados. Tenso, ele volta a si.

– O que você viu? – questiona a filha da noite.

– Eu... vi um "fauno"... matando um mago – responde ele. Asal ergue a sobrancelha, e faz uma pequena pausa, antes de continuar.

– Não foi só isso que você viu – a vampira sabe.

– Ele olhou para mim; e eu sei que o que ele falou foi para mim! Não tenho como explicar, mas ele disse: "Entenda, oráculo, que não é o futuro que está em jogo – nunca foi – mas sim a existência do mundo. As linhas do tempo estão em perigo. Acorde...", mas isso quer dizer que eu sou,... um...

– "Oráculo" – Najka repete – Isso explica muito,...

O jovem sem memórias para, pensativo.

– Veja, Elliot: você é citado aqui. Ou talvez; não podemos saber, ao certo, porque pode ser outro vidente. A diferença é que Najka parece ser citada junto, e foi daí que concluí que pode ser você, mas isso é estranho... oráculo,... porque você aparece como morto nesta parte, que foi a operação de resgate: dezessete de janeiro, vê? Há um sem número de revelações públicas feitas por incontáveis videntes, e há palavras que não existem em diversas partes.

– Quem é o inimigo? – questiona Najka, firme.

Ela sempre fica com as perguntas mais interessantes pra ela, pensa o jovem; e se lembra que deve esconder seus pensamentos – "A respiração é o segredo, Elliot; ela ativa diversas partes do cérebro. O mais importante é ter a consciência de saber que ela está aí, mas não que você deva se concentrar nela todo o tempo, a não ser para estar em sintonia constantemente, que só é útil à magia, manifestação e poder; mas não posso garantir nada. Sem você aprender o Ritual semanal, isso será apenas uma atividade parcial", foi a introdução que Asal lhe deu sobre a Arte da Meditação há apenas quatro dias, na Torre. A vantagem da Torre de Meditação é o silêncio absoluto: terrível; mas isso facilita tudo.

O vidente acaba de crer que eles têm na verdade mais problemas que solução para eles, mas decide não falar isso. Não parece haver saída. Suas visões lhe dão a sensação de que há tanto mais para se entender que ter essas Profecias sem dúvida é apenas o começo, e não um fim em si mesmo.

– São vários, e é esse o problema. As Luzes. Fala de criaturas que vêm delas, ou são formadas por elas; são outra coisa. Juru é um, acho. No dia dois de janeiro, eu fui a Béalae e confirmei que os Diários são verdadeiros. A praga, não sei o que é. Só se entende que essa praga será usada para “dominar o mundo”, ou não... que é uma doença de tipo desconhecido. O Portal, (também não explica o que é) irá “Abençoar o Amor”, diz aqui. Mas olhe: aqui, aqui,... todas as citações de amor são também relacionadas a pressão, guerra e, como gostam de dizer os imortais nekron: "Dor, sofrimento, e desespero", O Inferno. Vejam.

Asal fez uma pausa, antes de continuar; Elliot parece bem.

– O Primeiro. Surge aqui e aqui, mas a descrição faz entender que não são a mesma pessoa. Vejam. Ele é citado como aliado, aqui e aqui, e como inimigo, aqui, onde começa a ficar estranho. Vejam isso: ele cita um Senador, só que este é um vampiro; e ele está fazendo um discurso em frente ao Palácio Imperial da monarquia Klai, em Petrópolis, para uma platéia de pessoas comuns.

– Santa Wicca! Que idéia absurda, essa – exalta Tamara, roendo o nó do seu dedo polegar, de tanta atenção que presta às imagens da mostra.

– Não é só isso que é absurdo, Tamara. Veja que o vidente também fala dos heróis de grafic novels, quadrinhos, digiramas e vários filmes em inglês e em várias outras línguas, que mostram seres sobrenaturais, bruxos, além dos outros povos, todos envolvidos no Evento. Veja, essa é a parte.

Asal-sã para e vai a uma geladeira, que parecia uma mesinha, para pegar uma cerveja; olha do canto do escritório para eles e volta, dando um gole.

– Estão preparados?

– Acho que sim – responde Tamara. Ela é mais velha que o seu colega, mas até o vidente percebe a admiração dela; e a bruxa não parece ser uma pessoa a se tirar do sério. Usa roupas formais comuns, quase sempre; e parece ter um lugar na Diretoria, ao lado do Diretor e Vice-Diretora, representando os professores, ou ao menos é o que o garoto entendeu: que ela é mais que professora.

– Olhem: aqui diz que a humanidade tem apenas dois caminhos a seguir, e ambos são muito ruins. Ou será destruída, ... Ou, então, será amaldiçoada para toda eternidade. Há uma doença, e é citada como necroforma – aqui Iko, a necroforma é uma energia ligada aos mortos-vivos; desculpe pela palavra, Najka – e ou a doença será destruída, ou também pode levar a humanidade à sua destruição para sempre. Temos de lutar contra a Oculta ou deixar de existir.

– E o inimigo? – a filha da noite volta direto ao assunto.

– Bom, Najka,... Neste caso, fala de um líder, um político... mago. Não sei, mas aqui diz também que "O Último se repetirá, se não for vencido". Talvez isso queira dizer que outra coisa pode levar à destruição da humanidade, uma força externa, olhe esta estrofe “Todos os lugares são um único lugar”, e logo depois “Só o amor pode evitar o fim, a prisão, e nefer”, mas a palavra "nefer" sempre aparece relacionada a ser humano, como sinônimo ou oposto. A palavra é egípcia e quer dizer “A Bela”, o que pode indicar Bealae como o palco central dessa série de eventos; não conheço essas palavras... Toj, Mal-ec, ly'éne, entre outras.

– A guerra não pode ser evitada? – duvida Tamara. Ela vê Najka cheirar o ar, sentindo as aulas lá fora e, sóbria, fica observando a vampira.

– Não, Tamara – revela Elliot – O fato é que essas Profecias podem ter sido na verdade plantadas por esses futuros videntes; e indicam caminhos a se seguir para que tudo aconteça da maneira correta.

– Isso é impossível saber, Elliot – corta Asal – Você está bem melhor, mas o que acaba de dizer é meio... impossível, até onde sabemos.

O jovem se levanta, e começa a andar pela sala.

Tentando ter uma visão, ele descobre que não sabe como pode fazer isso de propósito.

– Najka – Elliot decide perguntar – Meu tio se chama Garlmagog, e tem uns setenta anos, rosto redondo, um metro e setenta, não é isso?

Todos olharam por alguns segundos para a vampira. Nem ela esperava que ele soubesse disso.

– Sim. Esse é mesmo seu tio, por parte de pai. Seu pai está desaparecido, mas vivia no aglomerado oeste europeu, de onde nunca saiu. Viveu toda a sua vida lá, em Berlin, onde trabalhou como secretário e não tinha nenhuma relação com magos. Magog enganou até a mim, com sua aparência de comum. Isso foi um erro; e vamos lutar para não acontecer outra vez, porque agora nós temos noção disso e estamos nos preparando.

– E minha mãe? – o vidente vê um homem alto e magro, olhando para ele de cima para baixo, e decide se sentar de novo.

– Sua mãe era bra, nasceu em Kampina. Era comum, mas tentamos outras vias para provar qualquer informação contrária. O que é mais estranho é que não existem referências que comprovem que ela esteve envolvida na sua criação. É como se ela nunca tivesse tido filhos. Minha suposição é que você era mantido em um outro lugar. Garlmagog devia ter acesso a você. Ele deve ter te acompanhado a distância, mas o motivo ainda não está muito claro para mim, já que ele voltou para o aglomerado leste europeu, de onde sua família vem, porque sua família é de magos há talvez muitas gerações.

– Gulanta,... – Asal murmura, e troca olhares com Tamara. Najka fez uma pausa, mas decide perguntar depois. Assim, ela continua.

– Aquela enfermeira que o droide da Teocracia matou era um clone.

– Quê?! – exaltou-se Tamara – Clonagem é Ciência Negra! Isso é proibido por todas as convenções científicas, desde a Terceira Guerra Mundial.

– Não acho que eles se importam com leis. Ainda mais porque manter uma criança – sim, Elliot era apenas uma criança quando foi separado de sua mãe – longe da mãe, também é crime. Seqüestro. Todos nós sabemos que as guerras secretas da Oculta ignoram as leis comuns. O conceito de lei se aplica ao conceito do crime, mas é falho ao lidar com o de inimigo. Ela era um clone. Há várias provas na identidade biológica que mostram que ela foi clonada mais de vinte vezes em dez anos. Eles devem ter a original mantida viva em suspensão, no exato momento em que estava disposta a ser a enfermeira daquela clínica e a clonam, repetidamente, para cuidar desses pacientes cativos.

– E o médico? – duvida o vidente – Eu o vi hoje, em uma visão. Ele estava em frente a uma igreja barroca. Parece... que ele estava cuidando, contra a vontade dele mesmo, de um paciente. Eles estavam movendo ele de uma cadeira de rodas para uma plataforma flutuante; e a pessoa, bem, ela ou ele tinha uma aura visível e que era obviamente sobrenatural; estava envolto em bandagens, e doente; parecia... uma múmia; foi o que pensei.

– Muunka,... – murmura Najka – Um inimigo, finalmente.

Agora, essa era mesmo uma informação nova para a caçadora. Ela relaxa a expressão facial, e de repente dá um sorriso de leve.

– Comum. Foi subornado, provavelmente por Magog, e foi para a Europa, o que indica que ele é parte de um esquema. A Ordos que você disse que estava no controle dos droides de combate, Asal, essa Teocracia está por trás disso.

Todos ouviam atentamente as informações.

Elliot estava em dúvida, mas o medo não o acuava, o que era de fato um bom sinal de que estavam indo, agora. Assim, ele contou com alguma série de detalhes o que ele acabara de ver hoje ao desmaiar. Gogol, Garlmagog, a aliança com a Teocracia; além da citação sobre uma outra organização, chamada Tática. Os símbolos que eles usavam. A águia e o cachorro. Isso fez todos ficarem preocupados. Não é uma informação qualquer, mesmo que Asal tenha dito que é perigoso aceitar as visões como única fonte de informação; Tamara lhe lembrou: eles são bruxos! Eles sabem que as profecias existem, e é dever dos bruxos saber o que elas significam, para agir na oportunidade certa.

– Existe alguma citação de Asha nas Profecias? – pergunta Elliot; Asal inclina a cabeça para o lado esquerdo; houve algo diferente na voz do garoto.

– Não sei bem. Sem dúvida ela tem um futuro sombrio pela frente, e que envolve ter de fazer escolhas que podem decidir a vida e a morte de pessoas que ela realmente ama, se é que é isso que quer O Conselho. Ela é citada como a bruxa mais poderosa de todos os tempos, parte da profecia sobre ela. Aqui, fica uma dúvida. Não sei. Olhem: "A bruxa se ergue, depois da passagem", e aqui, livro dezenove: "A escolha dela, uma vez bruxa, decide o destino". Parece que ela vai receber ajuda, e ou deixar de ser bruxa. As decisões dela sobre o que fazer podem leva-la à morte, e é ela que vai acabar com a guerra. Ou não: pode ser você, Najka.

– Meus anciões esperam exatamente isso de mim.

– Então, se damos crédito ao Hauki, ou seja, os Vetallas estão certos, você é a pessoa que vai matar o inimigo.

– Estou preparada para isso há vários anos, bruxo. Não há uma única noite em que eu não me prepare para a missão e não pense nisso.

– Não duvido nem um pouco disso, Windmeister, mas agora você sabe o que o futuro aguarda, sofrimento, destruição... e morte. Parece existir, também, uma necessidade de uma liderança. Não estou desacreditando em você, hora nenhuma; mas lembre-se: você viu o que o futuro guarda. Liderança, em resumo, quer dizer mediar nações muito distintas; e você pode precisar liderar até mesmo seus inimigos, os monstros. Isso exige mais que apenas resolver tudo com uma definição de quem é o inimigo e onde eu posso causar mais dano.

Najka se levanta. Elliot sente um arrepio, mas nada vê. Passou ali meio de repente um vento frio, inadequado para a época do ano.

– Entendo o que você diz, e não levo para o lado pessoal. Mas agora tenho uma coisa que preciso investigar antes de lhes falar. Preciso ir.

A interrupção foi tão brusca que todos foram pegos de surpresa. Tamara se levantou, e foi até a porta.

– Eu levo você à Sala de Ritual, para que você possa aportar.

– Não vou embora, Tamara – responde a filha da noite – Eu devo voltar logo que investigar isso.

Asal se levanta e olha para Najka; Elliot sente-se tonto. Tamara foi também, dizendo "Eu volto", e ficaram só Asal e o garoto, meio sem entender o que a vampira concluiu, ou o que ela suspeita.

– Você precisa das Profecias que estão com o Conselho.

– Isso não vai ser fácil, Iko – conclui Asal – Eles mantêm a maior parte oculta, por causa da guerra contra nossos inimigos, os magos.

– Ninguém disse que seria fácil – resume o oráculo.

O jovem Elliot se levanta. Olha para o bruxo e parece pronto para ir embora. Ele se aproxima da janela, olhando para fora e procurando alguma coisa, sem dizer o que é. O garoto olha pela janela. O céu noturno estrelado se abre acima deles. Há alunos do lado de fora; e já está no meio da noite.

Asal vê que ele está preocupado com outra coisa. A idéia veio se formando em sua mente, mas não se concluiu. Ele ainda precisa de informações. Isso tem mesmo se repetido várias e várias vezes; e ele entende.

– Eu preciso de "gatilhos",... para ver as coisas – Elliot conclui. Parando por um segundo, ele olha novamente o acampamento ao ar livre, lá fora.

– Asal, que aula é essa, à noite?

– Astronomia, Elliot, alunos da noite. Muito importante para Rituais, em respeito à maior regra da Técnica de Balanço,... Balanço é um dos cinco métodos da Magia. Balanço, Mudança de Paradigma, Desejo, Necessidade e Não-Método são os cinco métodos, ordenados em um Pentagrama. Cada um deles tem uma cor; e as datas, um animal: tudo parte da Roda do Ano, o calendário.

A porta se abre e Tamara entra.

O garoto percebe de imediato o tamanho do livro que ela carrega, e dá um passo para a frente.

– Que livro é esse, Tamara? – ele franze as sobrancelhas – Sinto como se ele estivesse... com... um chiado muito baixo... me chamando.

Tamara para, séria, mas decide explicar.

– Não me impressiona você ouvir O Chamado das Trevas, mas saiba que não é um livro qualquer. Nós Professores temos acesso à Seção Reservada, uma parte da Biblioteca para pesquisa sobre as Trevas e outras coisas terríveis; e que só os que passam em todos os testes têm acesso, além de nós. Gusa, – ela põe o livro sobre a mesa do escritório do bruxo – achei. Olhe aqui. A Teocracia é citada nesse grimório por Bartolomeu Morrigan, e você sabe que ele é o responsável por muito do que sabemos sobre os magos europeus. Isso não seria possível sem a famosa Tomada da Torre de São Paulo, em 2161, no dia antes do fim do ano; os livros estavam lá. Veja, leia isso. Olhe o parágrafo.

O professor lê rapidamente, e olha para a colega.

– Isso quer dizer que eles têm poder sobre todas as Profecias do mundo, ou seja, eles sabem – o bruxo sai andando – e que... vão saber que nós sabemos. "A Ordos em questão, a Teocracia possui o poder de Todos os Oráculos",... isso muda... tudo.

Alguém bate à porta, cinco vezes.

O bruxo apenas move a mão e a porta se abre, para a surpresa de Elliot, que está novamente diante de sua salvadora.

– Eu gostaria de pedir – diz Najka ao entrar – que vocês recebam Aella, Minha Deusa, pois ela diz ter alguma coisa muito importante a fazer.

– Seja bem vinda, Arcano XIII – Asal põe o punho sobre o coração; ele de repente percebe o que fez: a autorização – A que devemos a honra?

A Morte entra, vestida de destino. Parece observar tudo o que há, seja visível ou invisível. Ela olha uma miniatura de ciborgue policial nihon, presente do maestro de karate do agora também maestro Dlaíomh, mas não diz uma única palavra. Elliot percebe que isso é para ele. "Talvez ela não possa,... falar"... Assim, a Morte caminha e para sobre o holograma globo, e daí para o calendário na parede, e daí para a janela – e para cima. "Ela está,... me dizendo alguma coisa" – pensa o garoto. Aella serra o punho. E então, apresenta o seu dedo indicador, e depois três dedos, dedão, indicador e médio – e olha para Elliot; mas bem, todos ali olham, agora, pois há uma aura visível ao redor dele, translúcida.

– Ninguém pode saber, Akael – diz a Morte – Só você pode saber, por enquanto; mas estamos investigando isso com todas as nossas forças. Eu e todas as outras Entidades estabelecemos uma trégua. Agora, você entende.

– Aahhh!,... – ele treme. Ia sentar, mas se levanta e olha para suas próprias mãos, vendo a energia estranha, como ondas de calor sobre a estrada quente, só que... era obviamente... alienígena.

De repente, a energia sumiu e o vidente se ajoelhou. Tinha nos olhos uma revelação, e todos ali sabem que a Morte acaba de lhe escolher – seja para o que for, ele foi marcado mais uma vez. Todos sentem. Assim, Aella se encaminha para a porta, e deixa a todos eles a sensação de dúvida e morte, afinal, entidades só interferem por extrema urgência – "A Escolha é dos mortais", dizem.

Najka fecha a porta atrás de si, e os deixa também.

– Volto já – diz a vampira.

Asal Gusa ajuda Elliot a se levantar, mas as suas pernas não se firmam, ele está parecendo abismado – "Não vamos interferir", Asal emana para sua colega, que só acena com a cabeça e, ainda que não saibam o que é, sabem que o jovem acaba de ser escolhido para uma missão, seja ela qual for.

Demorou vários minutos até o garoto se mover.

– Vou para o meu quarto – foi o que ele disse.

– A-ã, garoto – interrompe Asal Gusa – Você fica exatamente onde está.

Ao dizer isso, o bruxo aponta para o chão.

– O que você quer?

– Você espera que A Morte entre pela minha porta, lhe faça uma revelação, e você não vai dizer nada? A-ã, vamos conversar.

– Estou cansado.

O bruxo parece pesar se é justo com o garoto fazer isso, mas então Najka bate à porta, e Tamara a recebe.

– O que foi isso, Najka? – questiona Asal.

– Não sei – revela a vampira – Aella sempre me diz o motivo de fazer alguma coisa, mas dessa vez ela não quis dizer.

– Vocês precisam procurar mais aliados – diz o exu – As outras Entidades podem ser um ponto de partida. Vou dizer uma coisa. Aella é uma entidade, como os Orixás, e se ela decidiu escolher ele para uma missão, a missão é dele, só dele, e nem eu entraria nessa discussão, sem pensar umas mil vezes.

Elliot suspira agradecido para o orixá.

– Você vai nos dizer – afirma Asal.

– Eu me vejo tomando um tiro; é,... mais uma visão – ele está de olhos arregalados – Se eu puder, digo; logo que eu puder, eu falo.

Asal avalia a situação; e vê Najka lhe observando.

– Hmmmh,... – diz Asal, contrariado – Está bem. Najka, quanto tempo você garante que pode dedicar a estudar os vinte e dois livros?

– Os vampiros dormem uma vez por semana, bub-ka, se não houver a interrupção de uma transformação. Tanto tempo quanto necessário.

– Pode fazer isso? Quando não estiver em missão.

– Sem dúvida, provavelmente talvez.

Aquela resposta deixou Elliot tonto mais uma vez, mas ele se vê deitando na cama, e sente alívio.

– Vamos terminar a reunião – encerra Asal.

O fim da reunião ao menos disse mais a Elliot que tudo o que eles haviam dito até agora; e a ação de Najka pode ter sido boa. Asal parece ter aceito que Aella deve ter uma excelente razão, apesar da raiva. Sabendo o que enfrentar, ou ao menos uma parte do que está para acontecer, Elliot se despede dos maestros, logo que Tamara lhe ajuda a se por de pé; ainda sente vertigem. Sua revelação lhe deu uma outra dica: os tantos videntes. Oráculos. Decide voltar suas atenções a esses que, como ele, vivem fora do tempo.

Elliot sente uma afinidade natural com os arcanistas.

Ele está basicamente morando na Capela agora; e já que não tem um lar para ir, ele se decide ir para dormir mais uma vez.

– Boa noite, Asal. Tamara, Najka – diz ele, agora já conseguindo andar.

– Boa noite também, Iko – responde a alquimista.

– Vi du – diz Najka, e parece apressada.

– Não se esqueça que aqui você está seguro, Elliot. Ao menos, contra o seu tio mago. A magia nos torna mais poderosos que qualquer mago, dentro de uma de nossas escolas capela; e a magia te proteja. Tenha sonhos mágicos – deseja o bruxo, tentando eliminar a tensão.

Depois que Elliot se foi, Asal ficou sozinho com Tamara e Najka foi se reunir ao seu grupo, em Béalae. Mas o bruxo estava sério, quando a alquimista falou.

– Ele ainda está se recuperando, Dlaíomh.

– O que você acha, Preto? – ele se virou para o exu.

– Depende – responde o exu – Qual é o papel dele nas Profecias?

– O maior de todos, sem dúvida. Liderar.

– Então, a Escola vai dar a ele o treinamento que ele precisa. Eu mesmo vou garantir que os alunos lhe ensinem tudo o que for necessário.

– Você quer fazer uma pergunta.

– Sempre me surpreendo com o seu nível de treinamento, mas sim. Qual é o papel que as Profecias que você tem reservam para você?

Asal Gusa suspira, um pouco tenso.

– Não tenho certeza – o exu duvida com o olhar; e Asal decide falar – Acho que vou ter que convencer o Diabo a nos ajudar na guerra.

Elliot sente sua mente acelerada. Descanso, seu único pensamento, ainda atordoado pelo saber. A responsabilidade de saber lhe fez ignorar tudo e todos, no caminho desde o Edifício Núcleo e até a mansão Brìkkomi, onde os estudantes foram avisados por Asal para não lhe perturbar.

Deitou-se para dormir.

O sono chegou, mas não dormiu,... Não viu o Nada. Na reunião, a entidade lhe mostrou: os inimigos que eram citados, eles já agiram. A situação era ruim, mas a verdade é maior. O que acontece se ele falar? Que bom que pelo menos os bruxos eram organizados. A visão sobre a Torre de Ferro se mistura às sensações do corpo, como se estivesse sofrendo uma mudança.

– O que eu vou fazer, agora?

A presença de Najka acalma sua mente.

Admirou-se do Arcano XIII. A mulher que um dia o fez levantar da cama por ser a emanação da sua única esperança.

Aquele dia foi como gritar no meio do vazio.

Sentou-se de imediato.

Aquilo tudo se formou em sua mente, como um retrato a se desbotar, só que ao contrário; e mais uma peça encontrou o seu lugar.

– É isso... Aquele dia,... – murmura.

Será?

(Fim do Cap 7)

“Antes, a Morte.

Ela, eu compreendo.

Todos são iguais perante A Morte, que é igual para

de facto todos, e ninguém, ninguém se oculta de sua

Experiência.

O que não entendo é o que as pessoas chamam

de Vida”.

Tainá el Sauza, Santa Wicca; Nação da Magia.