Sobre o Eco dos Fractais

De Enigma
Ir para: navegação, pesquisa

Silêncio sob Os Paraluzes -- Capítulo Treze -- Sol Cajueiro

Um livro de Future Pop Adventure -- Estágio -- O Grande Jogo

Nota: Todos os Direitos reservados.

Este Capítulo foi publicado no dia 3 de Abril de 2019.

Dedicatória

À minha filha, minha motivação; aos meus pais, irmãos, de sangue e de caminho; aos amigos, de coração, a quem sempre deu o apoio, em corpo, mente e espírito, e está agora digno de minha eterna gratidão.

–– Obrigado.

Cap 14 -- Sobre o Eco dos Fractais

E abril se tornou junho, aos poucos.

O frio chegou, trazendo roupas mais quentes, chocolate quente para os que ainda são menores de 16, com conhaque para os adultos, na Capela. O fim do ciclo também chegou e todos têm de estudar muito. Provas. Além, é claro, das preparações para o Carnaval. O Festival da Carne acontece de quinze até o dia vinte e dois de junho, ficando o último dia com as Juninas; e a Concentração com as rodas, que neste ano envolvem um pouco mais do que muitos anos anteriores, pois vão vir diversos convidados especiais; e mais, as apresentações do ano serão todas em Diamantina e região, reunido bruxos e suas famílias, e comuns.

Elliot se tornou cada dia mais intrigado com a pequena bruxa.

Tentando fazer com que ela não perceba, ele a segue a distância; e algumas vezes tem visões com ela e os alunos com que a Melhor fala.

– Você vai dançar, não vai?

– Não sei, Kleyton – respondeu Asha – Assim; a Bruna já vai dançar.

– Mas você é uma das principais dançarinas da Capela. Você é a melhor aluna da nossa escola, Asha, e você tem de dançar! Porque as outras sete Capelas mandaram os seus melhores dançarinos! E você é quase uma monge! Ninguém é tão bom; nem a Tomoe! Seu treinamento vem desde que você era pequena. Isso não é uma opção; e eu não aceito não como resposta!

– Ah, Asha. Dança com a gente?... – insistiu Bruna, sabendo que isso podia ajudar, pedindo a ela com o rosto mais doce do mundo.

– Olha, – disse – não vai dar. Mesmo. Desculpa.

Aquilo deixou os dançarinos de Roda tristes, afinal, Asha é a melhor aluna da escola; e ela não tinha como recusar, sem isso ser ruim, ou estranho.

– No encerramento, então.

– Perfeito! – exaltou Bruna, feliz. Asha vê Bruna e Kleyton indo para a aula, mas não dá atenção a Elliot que, muito calmo, observa ao lado das Oficinas, que ficam bem no meio dos prédios da Escola.

O oráculo vê uma grande explosão, mas diferente daquela que ele viu e que não aconteceu, no feriado de Santa Wicca.

Ele se sente em dúvida: o que fazer?

Acredita que o Diretor, Doutor Sabarba, é um homem ocupado, a quem as suas visões poderiam explicar muito; ele próprio não entende.

Mas o ancião o deixou de fora, na reunião.

Seguiu para os jardins, a uma distância segura, de onde sabe que vai ver a Melhor quando ela sair da aula de Cosmologia; Asal-sã,... Ele devia ter lhe incluído na reunião; mas não. Tudo parece tão calmo, quando não se tem visões dos seus parentes e seus planos de dominação, assassinato e ascenção social, às custas de jovens como ele; Elliot conclui que os jovens estão em transe. Ninguém em sã consciência iria servir a uma organização terrível como aquela, ou pior, a única explicação seria eles não terem escolha; servos sem vontade.

O dia muda de tons rosados para amarelos.

A notícia do terrremoto no aglomerado oeste, Kalifórnia, chocou a todos, mas ajuda de todos os lugares foi enviada. Isso reavivou sentimentos da Terceira Guerra, em que as várias Nações de menos poder no mundo foram alvo, mais precisamente das potências militares da época; a antiga Nações Unidas teve uma ativa participação para garantir os avanços logo após a guerra. Felizmente, foram apenas dois mortos em um evento tão impressionante. Não ouve outras perdas. A mídia disse que os dois mortos eram índios, da tribo Miwok, e eles viviam lá, no famoso parque Yosemite, subúrbio a apenas seis horas de Angeles.

Os anciões foram encontrados nús debaixo de escombros, região próxima a Angeles, numa casa de campo. O curioso foi que o casal de índios foi encontrado ao lado de um coyote, de raça já considerada extinta há mais de um século; foi encontrado morto sem causa aparente, disse a repórter, e o animal aliás não seria nativo daquele parque em específico.

Não foi só o frio que chegou.

Asha percebe que havia visitas diferentes à Capela e, todos os dias e noites, o Diretor se reunia com um ou vários convidados. Oyá, Asal e Najka saíam todas as noites e voltavam tarde. Tamara estava sendo muito severa, e isso era um mau sinal. Erê está muito aflito com os professores. O Professor Gulanta, Elliot, que só se reúne com eles quando é alguma reunião de professores, também está sempre parecendo preocupado; ela sente tremores, ao vê-lo de longe.

A menina começa a pensar que o Diretor só transformou Iko em professor pra não ter que mandar ele embora. Erê concorda com isso.

Todos os professores estão sérios, mais que o normal.

A coisa está acontecendo, mas não parece haver nem uma única forma de conseguir arrancar dos professores o que é.

E então, os exames chegaram.

No aglomerado, as notas são muito importantes para se conseguir um bom emprego no futuro; você tem já de pensar no que quer fazer desde os treze anos. Falta um ano e pouco apenas, para Asha. Mas isso não a preocupa. Afinal, ela é a melhor aluna da Capela, e pode seguir a profissão que quiser.

– Oi, eu sou a Asha. Vim receber você porque o Asal está em reunião.

– Então, você é a Asha – disse o homem que chegou pelo teleporte, um homem indiano, talvez, de olhos cheios de poder, quarenta anos, mas de traços finos, o que a deixou um pouco confusa; era um vampiro, ela entendeu.

– Você me conhece? – ela soltou.

– Asha el Sauza. Me chamo Akar Harish Pushpa; eu sou do grupo de Najka. Prazer. Onde está o Diretor?

– Doutor Sabarba está na diretoria.

– Me leve até ele.

Asha fez uma reverência e foi guiando o homem pelos construtos. Reparou que ele carregava uma caixa; devia ser pesada. Este homem, a menina pensou, não sabe se é de falar. Melhor ficar quieta. Está tudo tão estranho, e parece que a Najka mandou alguma coisa pro diretor. Mas, será qu-,...

– O que vocês estão "fazendo"? Todo dia tem reunião e todos estão tão sérios; eu nem vejo mais o sensei Gusa. Parece até que o mundo vai acabar.

Harish parou, e ela foi forçada a parar também. Olhos bem nos olhos da menina, pensando sobre o que deveria falar.

– Você não vai conseguir essas informações dos adultos, criança. Eles estão cuidando da sua segurança; e não vai ajudar te colocar a par do que acontece no infinito universo fora das montanhas da sua escola.

Fez uma pausa e ela percebeu que ele tem um olhar mau; mesmo. Não acha que vai fazer mal a alguém ali, nem a ela mesma, mas lembra um pouco o olhar de um predador avaliando a caça – mas não um olhar oportunista.

E então, ele se aproximou dela, devagar.

– Te dou uma dica – e começou a falar devagar, em voz baixa – Foi você que nos disse quem é o nosso real inimigo, desconhecido, mais secreto que todos os outros, uma Facção desconhecida; e nós vampiros vamos nos lembrar do que você fez, e da sua coragem, criança. Não duvide do Nekron.

Ele parou, e ela sentiu um pouco de medo dele. Parece que ele percebeu, pois ele cheirou o ar, antes de continuar.

– Você sente medo, então, criança? Achei que o diretor tinha me dito que você era "desperta" para a visão do sobrenatural.

Aquilo poderia ser uma ameaça? Porquê?

– Não estou te ameaçando, criança – e ficou ereto – Só estou te avisando que existe muito mais que o que você conhece. Imagine! Afinal, imaginação é uma prática mágica. O universo é muito maior que o que você está pensando; e nós estamos cuidando de você, da sua segurança. Sua e de todos.

Ele retirou um cigarro do bolso e acendeu.

– Aprenda a esconder sua mente, urgente, pois você é um livro aberto para qualquer um ler, criança. E se eu posso dar um conselho,... – se abaixou, mais uma vez, sussurrando, agora – Você é a única "peça" livre nesse imenso tabuleiro que estamos investigando. Não sei porque. Tenha muito cuidado.

Ele se endireitou, dando um trago. Asha tinha a sensação de que ele a conhecia, ou de uma forma muito estranha, via seus olhos nos olhos dele. Ele disse ser do grupo de Najka, ou seja, ele é um vampiro – "Será que ele conheceu minha avó?", pensa ela, pois essa seria a única explicativa para aquele olhar, tão fora de lugar, de familiaridade; como que reconhecendo seus olhos.

– Vamos – pediu ele – Tenho um compromisso com o Diretor. São quase nove horas, bubka, e eu tenho muito a fazer.

O sonho havia sido sobre uma nuvem negra, perto de Taiwan, desta vez; mas mais se parecia com um monstro apodrecido. Elliot não entendia todas estas simbologias e tinha de meditar. O diretor o havia elogiado, mas talvez fosse só uma maneira de tentar ensinar alguma coisa a Asha; ou seus sonhos talvez sejam algum tipo de aviso, também, tal como as visões.

Ainda não se acostumou com o avatar.

Ele se levanta como todos os dias. Se veste como todos os dias. Toma café como todos os dias. Ao sair do edifício, pega seu carro para dirigir até o trabalho, afinal, hoje em dia um administrador tem muito trabalho, para seguir na linha os planos que estão tão perto de se tornar realidade – O Sonho Dourado. A sua participação é pequena, claro, se comparada à dos grandes líderes. Mas bem, ainda assim, ele sabe que administrar negócios que provém recursos para todos os demais é muito importante; ou seja, sem ele e outros como ele, o futuro nunca seria alcançado, estaria ameaçado: A Aurora nunca chegaria.

Ao entrar em sua sala, ele vê um homem de pele castanha. Está ali sentado em sua mesa, segurando uma varinha em sua mão direita – ele, sem dúvida, está lhe apontando a arma para o coração e pronto para usá-la.

– Quem é você? – então, ele vê o colete xadrez e os mantos negros, ao ouvir o som de passos atrás de si. Está totalmente cercado, sem saída.

– Veja bem,... – diz o homem armado com a varinha – Você tem duas opções. Ou você vem sem resistir,... e você pode tentar manter seu disfarce, claro, até que leiam a sua mente e você ganhe perpétua,... ou pior. Ou, então, duelamos aqui mesmo.

– Ankkora! – ele ouve no corredor, atrás de si.

Uma energia alaranjada corre o chão, e ele sabe que será impossível fugir, mesmo se chegar ao Ritual, cuidadosamente oculto em seu construto.

– E então? O que vai ser?

– E então, Professor Gulanta?

– Sim, sim. Acredito que o senhor Kamarati deve restaurar a mansão, pois a impressão que eu tive é que a mansão ia cair, quando olhei.

A Vice-Diretora Karla olhava, interessada.

“Será que ela sabe sobre eu ter as visões e saber sobre coisas que vão acontecer no futuro breve? Deve saber; mas é estranho ela nunca ter conversado sobre isso comigo, ou que o Diretor a deixe meio a parte. Na diretoria, também; a participação dela é mínima" – pensa, em silêncio, Elliot – "Na verdade, não a vejo fazer nada. A não ser o Clube de Duelo, em que a Asha mais uma vez é a melhor aluna. O que ela realmente faz? Eu sinto que existe um segredo, aqui”.

– Faça um favor à família Kamarati, e avise o Diretor.

Elliot se despede, enquanto pensa que a professora Marta de Karla sempre age desta mesma forma: se esquivando dele; fugindo, talvez.

A única coisa que o deixa tranquilo é que Asal-sã vai até ele todos os dias, para lhe perguntar o que ele vê em visões. O bruxo diz a ele que "Estamos em um momento muito difícil, Akael. Não podemos errar, de maneira nenhuma, mas vamos usar as Profecias da forma que você nos mostrou, como um caminho a seguir. Acredite. Temos um ano raro pela frente; e a oportunidade de ganhar a guerra, em nosso território,... Mas eu preciso que você fique de olho em todos, na escola. Asha, em especial.

Mas também nos visitantes, os outros Professores, e me alerte sobre qualquer coisa que você prever". Elliot sente que isso é importante; e o está fazendo todos os dias.

– Eu vejo uma grande explosão – confessou.

– Explosão? Hmmmh,... Não tem isso nos diários. O que mais você vê, além da explosão? Tem certeza que é uma visão, Elliot?

– Eu vejo um enorme clarão; e o,... Nada, só isso.

Mas isso não foi confirmado pelos diários.

Asal Gusa diz que, dizem os vinte e dois livros, existe mais de um tipo de dom para prever o futuro, o destino; e o oráculo concorda.

– Vou avisar Doutor Sabarba – diz Asal.

– Avise Najka – Asal lhe olha os olhos, franzindo a testa – É ela que deve ser avisada sobre isso; tenho certeza, é o que eu sinto.

O major e professor apenas concorda com a cabeça.

A escola de segredos parece tranquila; mas não está, na verdade. Todos os professores estão atentos. A Torre de Meditação foi interditada.

Além disso, Elliot vê que os animais mágicos da escola parecem também ter sido avisados e estão de guarda.

– Windmeister. Sim, é esse mesmo o nome.

– Obrigado, Pablo. Sobre os investimentos da Britklai Sintéticos, Senhor Mat Knox, acredito que o Rei saiba que tem aliados no aglomerado sudeste. Digo, aqui em Sampa e em todo o aglomerado, a Soft Corps guarda a sua influência sobre projetos, na forma de crédito. Você sabe. É preciso formar profissionais sob a devida orientação da filosofia e seus defensores, tão importante e sem fronteiras religiosas, longe da aplegia terrorista; e eu tenho uma informação para o Senhor e a Britklai, que pode mudar a perspectiva sobre o sangue escocês.

O jantar está servido, no famoso restaurante de Santana.

Seria um jantar normal, como o de todas as outras mesas no local, a não ser pela presença de Mat Knox, sacerdote e cientista da Britklai e do empresário Odjo Kaole, que discutem os projetos da área farmacêutica, segunda em tamanho e a mais importante indústria do aglomerado; Odjo ergue sua taça.

De repente, Odjo se engasga e começa a tossir. Ele murmura: "Neu-ro-t-tox-...", e vai ao chão, levando o pano da mesa com ele. Tudo cai sobre ele. Isso evita todos a visão dos seus olhos, e a visão da morte neles estampados.

Rapidamente, o droide mestre sai de seu lugar, preparando uma seringa para um possível envenenamento.

Infelizmente, para o empresário, o aplegista era muito maior conhecedor do que ele mesmo estava discutindo do que ele próprio.

Não puderam evitar, nem mesmo o droide, que parou, a caminho dele, e não pode administrar antídoto algum. Desligado, depois foi comprovado que todas as suas memórias haviam sido de fato apagadas, no exato momento do desligamento, por um vírus desconhecido; e por obra de um assassino frio, um terrorista calculista, capaz de esperar a única chance de agir.

Isto aconteceu no primeiro dia do inverno.

A Mídia, tanto em inglês quanto japonês, não para de falar disso; e até os alunos da Quinta Capela estão preocupados, pois a aplegia tem ocorrido com vinte vezes mais frequência. Parece óbvio. Uma guerra está acontecendo. E então, todas as normas de segurança da escola foram aumentadas. O Oráculo não diz nada, mas os rumores de que prisões estão sendo feitas vazou; dessa vez nem os Dezesseis Melhores podem dizer o que acontece, nem mesmo Asha, Santiago, ninguém, a não ser Elliot vendo os lances da guerra o tempo todo.

O professor Gulanta; ele teoriza sobre isso, em silêncio.

Elliot teve mais um sonho.

Sobre Lambert.

O garoto estava transfigurado: os olhos eram fogo vivo.

Verde.

Assim, o homem entra em sua sala e para. Diante dele está um outro homem, com a pele castanha e uma varinha à mão. "Você tem duas opções", dizia ele, mas o tempo de resposta não existiu. Ele imediatamente conjurou seu cajado, "Thorn!" – enquanto o outro lhe apontava e dizia "Enervo Mortis!", apenas para ser negado por um grito de "Enervate!", que soou bem alto. Lá atrás, no corredor, ouve-se "Ankkora!". O mago grita: "Tentacula!" e surgem uma série de tentáculos de sombra, que prendem e imobilizam o homem sentado atrás da sua mesa de trabalho, mas ouve "Kor!" atrás de si. De repente, cordas surgem e imobilizam seu corpo, mas não os tentáculos. As sombras atacam. No corredor, um enorme homem de pele negra luta para não ser imobilizado, com sua faca. Ouve-se "Ergo!", e o cajado Thorn é arremeçado para o alto, saindo da mão do mago. Do outro lado do corredor, ele vê uma mulher, de mantos verdes e ouve à sua cadeira a sua sentença, "Tausthau!".

Assim, o homem negro, tenso, diz: "Teneate!", para negar os tentáculos, que desaparecem do chão e paredes tal como apareceram; e se aproxima.

– Você não podia usar seu Sáwwaba, simplesmente? – questiona o negro, ainda um pouco ofegante – Ele está paralizado. Perfeitamente. Eu não sabia que você era mestre em paralizar, Major, mas não tem mais importância, agora.

– Estava tudo sob controle – o homem de mantos negros se senta atrás da mesa, e pega sua varinha, aliviado – Senti que você usaria seu raio,... Obrigado por não usar. Nós precisamos deles vivos. Eu não vou matar ninguém, a não ser que realmente seja a única opção, mas sim, eu sei que isso pode ser necessário. Precisamos das memórias deles. Não sabemos como abrir os construtos, e,... Sei que eles são a solução que nós estamos procurando.

A mulher gordinha chega perto, e fica ali a postos para apagar a mente de qualquer comum que surgisse, enquanto o negro arrasta o prisioneiro e coloca para dentro da sua própria sala, fechando a porta. O bruxo em mantos aponta para a câmera, deixada ali com uma magia especial, a tecnomágica da repetição. Nada do que aconteceu nessa sala foi ou poderia ser gravado, ou nem mesmo visto, em nenhum momento.

– Ele sabia – conclui o bruxo em mantos. Seu grupo para, esperando – Esse foi o sétimo que capturamos. Ele sabia. Sei disso. Não será mais tão fácil.

A bruxa retira um pano mágico, envolvendo o homem, e ele desaparece, deixando em suas mãos apenas um pano vermelho mal enrolado. Ela ergue com "Levita!" o cajado, que por um momento tenta reagir à sua magia, mas a bruxa estava pronta – ninguém é mestre em Ergo e Levita ao mesmo tempo – e o enfia em uma bolsa de couro para, então, olhar para o bruxo em mantos negros.

Não havia como encontrar o construto, eles já sabem disso.

– Vamos – diz o líder – Temos provas o bastante para ir à Tropa; e então, vamos nos dirigir ao Conselho, com as Profecias. Missão cumprida.

– Wiccas, Branca! Você tem certeza?

A menina olhava para os lados, e voltou a sussurrar.

– Tenho, Klaura, sem dúvida. Tenho uma amiga em Seattle, a Kate, ela disse que lá foram sete assassinatos; e não é aplegia! Todo o sangue se torna um sal, que dizem que é planar. O peito é aberto e enquanto isso é feito estímulo da dor, tipo uma coisa parecida com a magia de tortura – Testor – até a pessoa morrer totalmente louca, torturada até a morte! E aí, todos os órgãos são retirados, quer dizer, pedaços deles,... Ninguém sabe quem é o assassino.

Agora, a garota põe a mão na boca, de medo, e não sabia o que falar, pois um garoto da zona sul de Béalae acabou de morrer assim. Foi ontem na reserva florestal de Hort, e a investigação é sigilosa, disse o Oráculo de hoje.

– E foram também três no aglomerado central; bem, dois, porque um foi na Grande London. Os outros sim, ao redor de Berlin-kapital.

Rapidamente, o empresário foi esquecido. Todas as normas de segurança foram ampliadas; e até mesmo o antigo uso dos detectores de venenos tornou a ser novamente usado, além dos Profetas. Todos os computadores receberam mais uma atualização; e Asha percebeu visitas diferentes à escola capela.

– O que está acontecendo com o mundo, Asha?

A pergunta de Branca não encontrava uma resposta fácil de ser dada, desta vez nem mesmo pela melhor aluna da escola.

“É isso”, pensa ela, "Está acontecendo, né",... ela conclui, em silêncio, "Agora, chegou a hora de agir, já que nenhum adulto vai explicar o que é".

Todos os alunos e alunas da Quinta Capela, nesse final de semestre, logo perceberam que o modelo de provas mudou completamente. Santiago, como o melhor aluno, teve todos os demais lhe perguntando "O que é isso?", "É possível fazer isso sem a ajuda do Profeta?", "Como eu vou saber as datas da Terceira Guerra sem consulta?", "Cabral?", "Porque temos de saber o nome dos Deuses indígenas?", "Cruzada?", "Merlin?", "Confúcio?", "Diz aqui que eu tenho de saber o método secreto de Rasputin"... "O que é um supersoldado?", "Como eu vou saber porque os Magos dividiram a Europa em duas? Constantino? Qual é o lance aí dessa pegadinha?", "Týr?", "Leonardo?", "Papus?", "Morrigan?", "Qual a causa dos Defensores de Sócrates e como ela define a Academia hoje? E de Rumi? E de Santa Wicca?", "Se nós temos vários animais mágicos, porque só cinco caem nas provas?", "Quem foi esse tal de Anktonnius Augustinus Eber Drakley Blut, Doutor Professor Blut?", foram questões que ele teve de dizer o que eram aos demais, enquanto cumpria a sua missão, sem silêncio.

Sem dúvida que, dentre todos que queriam passar esse semestre, Asha também era questionada sem parar pelos outros alunos.

Assim, Santiago teve de encontrá-la muito mais que o usual. A menina, muito mais jovem que ele, estava admirada do seu conhecimento. Ele até lhe perguntava sobre o que ela achava: se Ayna Angela era mesmo a alquimista que inventou a Espelho Mágico; e ela concordava. Ele era um gênio, ou então deveria ser o único homem que sabia tudo o que a menina achava que só ela sabia; mas bem, vamos além das aparências: ele captava os pensamentos dela.

O último dia de prova chegou, e ambos foram para as salas.

Todos estavam bastante concentrados, hoje, mas Santiago estava fazendo apenas o que ele mais sabia fazer.

Durante a semana, Santiago observou que a Escola era mesmo visitada por vampiros: uma era a que parecia a líder, branca de olhos doces; caçadora. Outro, saído de uma pintura indiana, aparentava ser o mais velho. Também havia a visita de políticos: o Diretor, Doutor Sabarba recebeu a visita do Senador Bartolomeu Andronikos, basicamente o bruxo com maior poder nas Nações Mágicas, depois do Premier e do Conselho. Todos os alunos, que temiam por isso, se sentiram aliviados por, nesse fim de semestre, a punição na Câmara, que fica na Torre de Meditação, estar cancelada. Ele observou uma bruxa gordinha, bem baixinha, e um negro alto com cara de mau, ambos guardando as entradas e saídas dessa mesma Torre, e também, além disso tudo, que o novo Professor, Elliot Akael Gulanta, onde quer que Asha estivesse, lá estava ele: um urubu, a distância.

Depois da prova, ele não parou no caminho.

Ao chegar em seus aposentos, ele se senta sobre a cama, pensativo e, então, pede a presença de seu avatar.

– Não quero que você pesquise na Interface, Madame Reuel – disse ele – Mas, eu preciso que você me diga que em meu banco de dados da Escola existe ou não o nome, ou melhor, qualquer nome com o sobrenome Gulanta.

A mulher abaixa a cabeça, e segundos depois responde.

– Sim – ele ouve – Karl Gast Gulanta era o Arquimago e Grão Mestre da Torre de São Paulo, o qual se rende ao bruxo Ambrosius Sabarba e, assim, coloca-se um ponto final à tão famosa Grande Guerra de Libertação, em 2161.

– Obrigado. Era só isso.

– Tem certeza?

– Sem dúvida, Gulanta é um sobrenome incomum – ele funga, passando a mão sobre a barba recente – O que devemos fazer?

– Hmmmh,... O Conselho lhe agradece – diz a voz de ancião – Vamos ter uma reunião sobre o Senhor Gulanta, em breve.

– Não vai me dizer nada em troca?

– Você devia me chamar de Senhor, em respeito.

– Não vai me dizer nada em troca, senhor?

– Hmmmh,... Não.

– Acredito – ele se impede de sentir raiva – Acredito que desta forma nós não temos como fazer o que vocês mesmos exigem de nós.

– O que você quer saber?

– Asha,... Sobre ela. Me diga tudo.

– Senhor?

– O Senhor Ancião, por favor pare de exigir tanta reverência, se não for nos dar as informações que precisamos para cumprir nossa função.

– H´f!,... Insolente, você. O que você quer?

– Os Invisíveis não estão preparados para o que O Conselho quer; e sei que essa aluna é especial. Qual é a relação dela com o vidente?

– Asha precisa perder, para ganhar. Você quer as Profecias, não é? Ela é esperada como a bruxa mais poderosa de todos os tempos. Mas não está muito certo o que ela vai fazer com isso. Há uma coisa que vocês podem fazer, você na liderança, aí em Alma Attenta: a Profecia diz que "Todos os lugares são o mesmo lugar", e queremos tirar este segredo dela. Seja cuidadoso. Sabemos que há mais de um invisível aí que não gosta dela. Acredito que ela deve precisar de audácia para ir além do que um treinamento normal oferece; mas forçá-la a ir além vai nos dar menos controle sobre ela, então estejam preparados.

– Tem certeza? Isso a torna uma escolhida,...

– Sempre me surpreendo com o que vocês são capazes de compreender, mesmo tão jovens – diz o ancião; o profeta tem o símbolo da Nação Mágica, não mostrando quem é o interlocutor – O que você acredita que deve fazer?

– Como vocês permitem um mago em nossa escola?

– Hu-hum,... – ele raspa a garganta – Pergunte ao velho Sabarba. Eles nos afastou da educação dela; de propósito. Parece que ele tem planos próprios em meio a um Evento de enormes proporções,... ele quer forçá-lo. Alguma coisa está mudando no mundo, jovem. Sabemos que A Morte conseguiu um tratado de paz entre todas as entidades; mas ainda não sabemos o porquê.

– Tem a ver com os assassinatos, então?

– Hu-hum,... Não se sabe quem está fazendo isso. Tenho certeza de que não é boa coisa. Não, não... Isso é coisa de necromante.

– O urubu tem alguma coisa a ver com isso?

– Elliot?! Não,... A família dele foi expulsa na guerra. Mas sabemos que ele foi encontrado em uma clínica de doentes mentais; em nosso território. Isso não vai ficar assim,... Vamos esperar ele recuperar as memórias. Precisamos disso, para entender como um Gulanta está de novo por aqui, mas vamos precisar de uma desculpa para processá-lo; e conto com a ajuda de vocês.

– O Doutor Sabarba está exigindo mais esforço no treinamento de Asha, como se ela já não recebesse tudo que podemos dar.

– Duas coisas: ele está certo. Segundo, a ele você chama de "Doutor", mas se recusa a chamar um Conselheiro de senhor?

– O Conselho nos exime de todas as formalidades.

– Bem lembrado,... Se vocês cumprem a sua missão: e a sua missão é dar a Asha todo o treinamento que for necessário.

– Entendi – ele suspira – Vocês estão criando um supersoldado vivo; e isso é perigoso, mas,... está bem,... Ela ainda é jovem demais. Aconselho dar a ela o treinamento para ter experiência de vida; se nos permitir isso, digo que em no máximo um ano ela vai estar preparada. Feliz, agora? Não vai me dizer porque vocês concentraram todo o nosso trabalho nisso? Nós merecemos.

– Hmmmh,... Não. Tenha uma boa noite.

"Arrancar alguma coisa de vocês é difícil, hein?", pensa ele.

– Boa noite – então, a ligação é interrompida.

Suspirando, ele vê alguns alunos do turno noturno sentados ao lado das piscinas, se preparando para os exames; e, sem chamar a atenção,...

– Madame Reuel: apague esta conversa; e localize o professor Gulanta na escola, agora e o tempo todo. Quero ele no radar.

"Barba infeliz!", pensa ele, "Tudo o que ele quer, tudo o que ele quer; mas cumprir o seu contrato com os invisíveis, nada".

A visão começou quando Asha se reuniu com as amigas, para comparar as notas e ver se passaram de ciclo; ele sabe o resultado.

Havia um mansão enorme e separada do nada ao redor por grades altas que, sem dúvida, não eram proteção suficiente. A presença era clara; mas não o bastante para os soldados perceberem. Elliot sentia o garoto. Sentia toda a sua raiva, do mundo, de todos. Por um segundo, quase desejou que o djine nunca lhe considerasse um amigo; rapidamente, evitou isso. Djines sabem quando uma pessoa tem um desejo verdadeiro; e mesmo a qualquer distância, Lambert iria saber que alguém o estava observando, em silêncio, em algum lugar.

Assim que o primeiro psiónico dormiu, ficou claro.

O menino estava invadindo o lugar; mas que lugar era esse, perdido no meio do,... espera! Dentro da mansão há uma figura na parede! Ao ver aquilo, a certeza de que essa Área Cinquenta e Um havia sido dominada pela Associação Amérika, durante a Terceira Guerra, surgiu. E junto a certeza de que ninguém a invadiria sem saber estar desafiando uma Ordos inteira, ou pior, uma das facções mais importantes do mundo, tais como A Sombra, A Nação Mágica, As Torres da Bretanha, A Corte de Londres, Os Templários que dominam uma das regiões mais poderosas, Angeles – ou Duplo-A – e Kami, só para citar algumas.

Assim que adentrou a mansão, o soldado do lado de fora acordou, mas sem saber que havia dormido; e o mesmo aconteceu com o segundo. Ali dentro, o garoto avançava, entre corredores antigos de um mausoléu, certo de aonde deveria ir, como se alguma força o guiasse. Ah!, A Torre... Sim; ao seguir o fosso do elevador, flutuando, o djine parou por instinto: alguém dormia lá dentro; e ele decidiu roubar seu desejo durante o sono, só para garantir.

Nas profundezas, depois de onze galpões subterrâneos, ele entrou em um tipo de corredor; havia um arquivo antigo, daqueles de caixinhas compridas na parede... Não; haviam dezenas delas. Impossível saber onde o que se procura está, a não ser que você seja um djine e saiba por instinto; isso pode querer dizer que tem algo de ruim, amaldiçoado ou nefasto no que ele procura.

Ele para e, de repente, tem um papelzinho em mãos.

Seus olhos de fogo verde não mentem: ele encontrou; o que quer que ele estivesse procurando, encontrou – e continuou – dali para um dos galpões, mais acima. O psiónico estava dormindo, tal como os outros. Só alguém que vê de angulos estranhos, em uma câmera que aporta sem saber qual é a cena a vir a seguir poderia, no mínimo, dizer que o djine está fazendo uma coisa errada, das que você sabe que vão libertar um demônio, ou até coisa pior.

O galpão tinha um espírito que, incapacitado de dormir, acabou entrando em um dilema consigo mesmo; o que, claro, o impedia de trabalhar.

Enfim, o djine encontra, em meio a dezenas de cúpulas de cristal, orbes de poder e até um sarcófago, uma pequena chavinha dourada. Ele, de repente, a tem em suas mãos. Não abriu a pequena cúpula. Ele sabia qual era o nome da cúpula que guardava o que ele queria. Sem explicações, ao menos enquanto a visão continua, ele vai para a saída; sem que a Associação Amérika perceba que acaba de ser invadida; mas, com certeza, vai atrás dessa pessoa.

A visão acabou, na mesma hora que a conversa das meninas, mas Elliot vê ao fundo, no lado oposto ao que a aluna mais velha vai.

Santiago conversa com Sabarba, mas sua atenção não está no ancião, e sim, nele, o vidente, o novo professor. E, também, aquele que acaba de dar uma lição a alguém. Elliot vê que o Melhor sorri; e que percebe, mesmo de longe, que a expressão da sua contraparte – Asha, a bruxa – não é de satisfação, mas de profunda surpresa, daquelas desagradáveis, que nunca se esquece.

O Doutor Sabarba convida o Melhor para um café.

"Espera",... Elliot pensa – "Eles estão fazendo o mesmo que eu,... eles estão observando "a ela", ou "a mim"? Não dá pra saber",...

Eles se vão, calmamente, para o outro café.

Elliot não sabe se sua intuição está certa.

Intrigado, ele parece ter acertado: Asha é mesmo importante, tanto que ele percebe vários alunos e alunas prestando atenção nela.

Mas não vê nada! Nada sobre nenhum deles.

"Encontrei!", Elliot conclui – "O ponto em que me apoiar para ver, para ter certeza,... de quem é quem, de qual é o Segredo dos bruxos. Agora, tenho no quê me apoiar; basta que eu consiga a confiança dessa bruxa, a Melhor, para me proteger, porque eu sinto que estou em perigo, o tempo todo".

Ao esvaziar a sua mente, coisa que já consegue fazer, ele examina o que sente pela bruxa, Asha, e ergue as sobrancelhas.

Sente por ela uma amizade profunda, e muito sincera; coisa que ele nem mesmo imaginaria, apenas desejando sobreviver.

Afinal, sabe que é um alienígena, aqui.

– Passei!

– Eu também, Branca! – exalta Tomoe.

– Fiquei em matemática, de novo – disse Bruna.

– E você, Asha? – pergunta Branca.

Todas estavam olhando, mas sua expressão não era das melhores.

– Fiquei,... em Xadrez.

– Eu passei – disse Branca. Assim, as colegas se reuniram em volta de Asha. Não passar era uma coisa que elas nunca haviam pensado em ouvir dela.

Era uma tarde linda, a aurora gerada pelos paraluzes estava alaranjada e também verde esmeralda; e agora, todos os alunos estavam lá, aproveitando a beleza da tarde e o turno noturno esperava as provas finais.

Todos, menos Asha, pareciam felizes.

– Ora, vamos – disse Olívia, do dormitório ao lado do delas – Não é uma matéria tão essencial assim, não é, Asha? Você não precisa ficar com uma cara de monstro dessas porque não passou em xadrez.

Asha parecia que ia chorar.

– Não, Olívia – corrigiu Branca, balançando a cabeça – Xadrez envolve as idéias de capacidade de gerência e também de liderança e isso tem valor muito relevante para a escolha de líderes.

Asha suspirou, tentando contar os pontos: ainda tinha oito pontos, o que iria lhe manter como a Melhor; mas por apenas mais um semestre.

E então, Branca abraçou Asha pelo ombro.

– Escute: Não é o fim do mundo. Eu te ensino tudo que eu aprendi; não precisa se preocupar. Você vai aprender. Entendo que para você, que é a melhor aluna, isso é meio pesado. Mas olhe pelo lado bom: Você ainda tem os pontos e o seu título! Vou te ajudar, tá? Melhor agora que depois; e ainda dá tempo de recuperar no semestre que vem.

Apesar disso, a sensação dela não era de felicidade. Foi a primeira vez que sentiu a sensação de derrota na vida, e isso não é pouca coisa.

Só sorriu por amizade a Branca.

– Olha – riu-se dela outra aluna, ao passar por elas – que existe pelo menos um professor "bom" nessa Escola, hein?

Tomoe dá um passo para o lado, e fica pronta. Bruna à direita, enquanto Branca faz uma carranca para a mais velha, mas a aluna vai embora sorrindo, para ir se juntar às amigas lá debaixo das árvores, ao lado das piscinas.

A Melhor nem se moveu.

– Esquece a Lucrécia, Asha – diz Branca, enquanto lhe aperta o ombro – Tem gente que se alegra com a tristeza alheia.

(Fim do Cap 14)


Agora, o Capítulo Quinze: Prelúdio da Dança dos Espelhos.

Venha ler mais um Capítulo! Neste Capítulo, está acontecendo alguma coisa, Asha tenta convencer Herói a fazer o que ela quer que ele faça, enquanto Elliot ajuda sem entender muito bem o que está fazendo, mas mais ainda, tem visões o tempo todo: O que são essas visões? O que espera o futuro? O que vai ser da bruxa mais poderosa de todos os tempos?

E Obrigado por ler.