Prelúdio da Dança dos Espelhos

De Enigma
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Silêncio sob Os Paraluzes -- Capítulo Quinze -- Sol Cajueiro

Um livro de Future Pop Adventure -- Estágio -- O Grande Jogo

Nota: Todos os Direitos reservados.

Este Capítulo foi publicado no dia 17 de Abril de 2019.

Dedicatória

À minha filha, minha motivação; aos meus pais, irmãos, de sangue e de caminho; aos amigos, de coração, a quem sempre deu o apoio, em corpo, mente e espírito, e está agora digno de minha eterna gratidão.

–– Obrigado.

Cap 15 -- Prelúdio da Dança dos Espelhos

– Wiccas! Sua mãe vai se casar, Asha. Que legal! O que você vai dar a ela de presente de casamento? Como é que ele é? Será que é bonito? Ai, nem sei o que dizer; ou vai dizer que você não pensa em alguém? Hã-hã? Tem o Nikolai, ele tem recursos: o seu pai é empresário, do ramo de itens mágicos. Hã? Ah, porque a careta? Já sei: você ainda não pensa em ninguém. Duvido!

– Tô muito preocupada com o Carnaval, Branca. Só isso. A Nina vem, e eu ainda não sei como eu vou fazer.

A sua amiga olhou para ela em dúvida.

Acusação em silêncio.

É óbvio que está aprontando alguma das suas.

Só não quer falar.

Assim que Nina entrou no transporte, o seu coração disparou, só de pensar que iria passar o Carnaval na Quinta Capela. Lá, pensava ela, tudo é mágico – mesmo! E só de lembrar que talvez fosse estudar na escola, a menina não cabia dentro dela mesma de tão feliz.

O transporte foi rápido, até, mas tudo parecia se colorir com uma aura que nem em toda a sua vida ela havia percebido, deixando a antiga Estrada Real muito mais bela; e ficou imaginando as guerras secretas dos bruxos, aqui e ali achando que via algum tipo de sinal de energias mágicas na beira da estrada.

Ao chegar, sua amiga estava esperando por ela.

– Oi – disse ela ao descer do transporte.

– Oi-lá – responde Asha. Elas iam se abraçar, mas ficaram meio sem jeito; parecia que a bruxa não sabia o que fazer, para surpresa da amiga.

– Vem – diz a bruxa – A gente tem uma tenda só pra gente. Vantagens de ser a melhor aluna, né.

E sorriu um sorriso sincero, dando a mão a ela para irem juntas.

– E o Herói? Falou com ele? – quis saber a comum.

– Ele vai pegar o transporte daqui a uma hora, acabou de me mandar aqui uma mensagem – resume a bruxa, parecendo muito feliz.

Toda a escola está cheia de tendas. Todas brancas e de madeira clara, talvez natural. Talvez feita com magia. Havia crianças por todos os lugares, brincando; e Nina achou que veria alguma delas fazendo magia, mas não aconteceu.

E então, chegaram à sua tenda.

Asha entrou primeiro, mas Nina ficou de fora.

Daí, a bruxa botou a cabeça pra fora da tenda de novo, com um olhar meio de dúvida sobre a amiga.

– Não vai entrar?

– É que... – respirou, e entrou – ..,. eu achei... achei que...

– Que seria um castelo por dentro; eu sei.

Era exatamente isso que se passava na cabeça dela; e a bruxa parecia saber que isso iria acontecer também.

– Nina, tem umas coisas que eu preciso te explicar, – e a bruxa puxou uma cadeira de madeira, de armar, pra amiga se sentar – mas não pode ser agora.

Elas ficaram se olhando, por algum tempo. A pequena Nina fez muita força, mas se manteve focada naqueles olhos negros engolindo em seco.

Asha se lembra de quando descobriu que ia estudar na capela, quase que ouvindo mais uma vez a voz do Diretor: "Oi, Sauza. Seja bem-vinda. Aqui está sua primeira lição: Magia não é brinquedo; e no fim desse semestre vou lhe perguntar sobre isso novamente para ver se você entendeu a lição".

– Nina... você está deslumbrada. Me fala de você: tudo o que puder; até Herói chegar. Ah!, e de preferência: sem parar.

Aquilo não era uma pergunta, nem um pedido.

– Tá com fome? – adivinha a bruxa.

Ela coloca a mão reta ao lado da boca, diz – “Lanche, na barraca cinquenta e oito; mas sem pressa”, e parou, avaliando a amiga.

– Eu sei que o Senhor precisa de Elliot, Diretor. Sim, só que minha discípula vai se apresentar – disse Odéle Olanguèe, sério e feliz – Vai ser diante de todos os convidados, e ela está um pouco tensa. Precisamos das visões dele, Abbel, meu velho. Você sabe tanto quanto eu que Asal começou uma coisa que sem dúvida não terá mais fim e nós precisamos saber tudo o que pode acontecer a todos os bruxos. Nós não temos como fazer isso por todas as outras Capelas, mas acredito que minha discípula está pronta para realizar nossa missão. E, ao mesmo tempo, creio que Gulanta pode fazer uma equipe cem por cento com ela, porque tenho certeza que os poderes se completam perfeitamente.

O Doutor Sabarba, movendo-se devagar, parecia pensar sobre.

Aparentemente, não havia problemas nisso.

– Sim, Odéle. Eu queria que ele estivesse me acompanhando, pois temos vários convidados muito importantes dessa vez. Mas sim, eu posso dispor dele. Você tenha em mente que ele ainda está se recuperando dos males psíquicos, ainda que ele esteja mesmo se recuperando de forma impressionante; mas ele tem interesses próprios. Eu tive de dar a ele a permissão para acessar a Seção Secreta, porque ele quer entender tudo o que se sabe sobre videntes; mas você sabe,... Você sabe o que ele vai fazer, tanto quanto eu.

– Sabemos disso, Abbel – Odéle parou de sorrir – Vou orientar os especiais sobre essa necessidade de treinamento, se não se importar.

Hieronimus chegou de coletivo, que demora muito mais tempo que o da amiga Nina, que é pago. Na verdade, Asha disse por mensagem que o Professor Amadeu Xzaviér Polstpomppère estava esperando ele na estação confusa e cheia de androides e ginoides e que o levaria até a sua tenda. Desta vez, Tomi iria ficar na tenda ao lado da delas; Asha queria garantir que a missão fosse um sucesso, deixando todos sem saber o que ela estava realmente planejando.

Nina pensava que Asha era uma bruxa a quem não se devia interromper.

As luzes estão valorizando o verde, o branco, o marrom e os tons que tornam o dia abaixo dos paraluzes mais vivo.

Agora são mais ou menos nove horas da manhã.

A bruxa estava com uma esfera de uma substância obviamente estranha, e ouvia cada palavra; deixou Nina ler as regras da escola, que passou para o profeta da amiga, ao que parece, sob ordens da Professora Toromago. Ela desviava os olhos para Asha, enquanto falava, lia e comia, quase que a todo momento. Não conseguia evitar de pensar em magia.

Enquanto isso, Tomi foi recebido pelo Professor de Tecnomágica, História e também de Cultura, Amadeu, que lhe deu as boas vindas à Capela.

– Mas então, porque você é chamado de Herói?

– Ah, Herói? – disse o garoto – Eu sou um Busyboy, mas esse é o meu nome de tela entre os Skeitas. Eu não sou religioso. Você quer uma falsificação? A Arte imita a Arte. Eu sou bom.

– Não duvido – disse o bruxo, sorrindo – Você não parece comum, e o seu nome me lembra... você sabe, o de um Filho dos Deuses.

– Mas é quase essa, a ideia. Hieronimus é muito difícil de dizer, então fica bem mais fácil de se impor. Você conhece O Jardim das Delícias Terrenas? Pois é, eu sou como ele, ou quase isso. Eu sou o Paraíso, a Prova e a Condenação. Sou eu que "faço" as artes que a Mídia diz que são originais. Depende de você saber que parte de mim você merece.

– Filho de Hephaístos,... Entendi. Isso é muita coragem, Tomi, porque qualquer um pode saber quem você é pelo seu nome de tela, e bem, sem falar que andar pelo Molde da Interface é perigoso.

– Eu não vou mudar o meu nome por causa de o que as pessoas podem pensar ou deixar de pensar. Mas onde é que você quer chegar com isso? Precisa de alguma coisa que só nós das Tribos Urbanas podemos fazer? Arte? Ou tu só tá me perguntando pra saber?

O bruxo estudou um pouco o garoto, enquanto andavam. Há uns dois ou três minutos da tenda aonde ele deveria levá-lo, parecia querer conversar mais, só não havia tempo. Teria de começar e deixar os detalhes para depois.

O garoto esperava uma resposta, já.

– A Capela tem grupos de estudo de extensão, que podem te ajudar; e não precisa estudar aqui pra poder participar.

– Parece bem melhor que negociar com o Elliot.

– Que bom! Você deve ser bom pra ele querer negociar com você. Mas acho que ele queria negociar outras coisas. Não importa. Vou inscrever você no programa e te mando o convite. Aquela ali é a sua tenda, ao lado da tenda das meninas, a da entrada branca e vermelha; e elas estão te esperando já.

– Porque a entrada da minha é cinza?

– Pra todos saberem que você não é um comum, mas que você não é um bruxo. Isso é uma norma da escola. Significa "Área Cinza". A Asha te explica mais sobre o nosso sistema de cores, se você quiser saber melhor.

– Valeu! Manda lá – disse, meio em dúvida.

E o bruxo se despediu dele, entrando no meio das tendas e sumindo logo em seguida em meio a tal quantidade de pessoas.

– Alô – disse ele, à entrada da tenda.

Assim, ouviu alguém apressadamente vindo à entrada; e Tomi viu então o rosto de Asha, que olhou para ele e verificou as pessoas que estavam ao redor, de uma forma bem rápida, (e "Suspeita",... pensou ele, rindo por dentro).

– Então? Entra logo, Herói – disse ela.

E abriu a entrada, mas só um pouco, o bastante para ele ver que Nina estava em um canto, lendo uma tela no ar.

– Belza, mina.

– Deixa eu ver se entendi. Você quer minha ajuda, porque eu sou um busyboy, e não vai me deixar saber o porquê? Mina, deixa eu te explicar uma coisa: eu sou das Tribos, sou um busyboy e nós não trabalhamos sem informação. Valeu? Ou você me fala qual que é a parada, ou eu não vou entrar em mais uma das suas idéias malucas, tipo aquela de invadir uma base militar secreta sem plano de fuga, valeu?

A bruxa apertava os olhos.

Sabia que sua nova amiga era muito fácil de manipular, mas Tomi era uma outra onda e, como precisava dele, ela não tinha escollha.

– Ow... Não vai rolar – foi a resposta dele.

Aquilo deixou ela com raiva, mas ainda teria uma série de coisas que poderia usar pra convencê-lo.

Há caminhos que se cruzam e só o Destino é capaz de explicar.

Ainda que música seja uma de suas coisas favoritas e, pela sua nobreza, ela não teria como recusar, A Capela parecia um lugar estranho, como o de histórias que sua ama lia para ela dormir. Sua preferida era a do Sapato. Não, pensa ela com ela mesma, a da lenda do Grou era mais simples de entender, mas já sabia o seu objetivo e não era ficar sentada no meio de um bando de velhos assistindo a dança de roda, quieta, fingindo estar interessada, não – essa oportunidade seria única e seu pai iria se orgulhar dela ao menos uma vez na vida; mas hoje é o dia, o dia de desvendar o segredo dessa misteriosa nação mágica bra.

Sabia que a qualquer momento, quando visse que era possível, daria o perdido na sua segurança para investigar esse povo estranho.

Dentre todos ali, ela era a única comum que sabia demais.

“Eles são macumbeiros!”, pensava, sem a mínima noção do que a palavra quer dizer realmente – “Eu tenho de descobrir onde está o livro de feitiços deles, ou eu vou precisar do beijo de um amaldiçoado, ao invés de me casar com o mais lindo dos príncipes e de me tornar a rainha de copas”, delirava, em meio a tantas saudações e apresentações.

Nota-se que o desespero de uns é a motivação de outros. Ainda é a hora do almoço, na Capela; e o vento anuncia uma noite fria, hoje.

– Ei! Isso é salada! Eu gosto quase tanto de salada quanto eu gosto de magia; e eu quero comer outra coisa!

– Eu gosto de salada, Tomi.

A menina olhou para sua amiga bruxa, interessada em saber se existia algum tipo de orientação mágica para isso.

– E você, Asha? Você gosta de salada?

– Eu como quase qualquer coisa que seja necessário.

O garoto esbugalhou as órbitas, e sorriu.

– Meu! Se eu fosse um adulto eu teria medo de você, sabia? Olha só pra você! É uma menina de onze anos e fala como se fosse um soldado veterano de guerra – e ficou feliz com o molho de salsichas, que foi levado à mesa por uma garota de uns quinze anos, ruiva, vestindo mantos e um colete xadrez tal como a maioria ali, vermelho de linhas pretas e xale, muito bonita.

Fez questão de ler no crachá dela “Sibel Maffei, Terceiro Ciclo”, e a garota notou que ele observava seu crachá.

– Tem mais algum pedido, você? – disse sorrindo.

– Meu, essa Escola é o paraíso! Eu nem mesmo me lembro de ter pedido alguma coisa e meu prato favorito chegou na mesa.

– Obrigada – sorriu linda a menina ruiva, se retirando.

Agora, Asha observava Tomi com ar de triunfo; e o garoto viu que ela lhe mirava com aquele olhar: o olhar de um predador estudando a presa,... sabia que tinha ido longe demais, agora; enquanto a doce Nina ainda conversava com ela mesma sobre as vantagens de uma alimentação saudável.

Pronto.

A aliança estava feita.

– Vocês entenderam o plano?

– Isso não muda em nada o que eu já disse – resumiu ele, absoluto – Se a gente for pego, você me forçou. A culpa é toda sua. E é você que vai ser expulsa, então eu não tenho mais nada a dizer. Mas bem,... se você está certa,... eu posso fazer a Arte, sim.

Afinal, se eu fizer isso e descobrir pra você qual é o Segredo por trás de tudo, isso meio que serve como um pagamento pelo trabalho.

Bom, isso queria dizer que ele havia entendido tudo.

– Você é louca! – disse a amiga.

– Nós vamos descobrir o que está acontecendo, Nina. Esse é o nosso objetivo; e é por uma boa causa, você entende?

– Sei não, Asha – continuou ela – mas eu não entendi porque eu tenho de ir com vocês. Eu não sei nada de magia; e (sentiu um calafrio),... e tenho medo porque da última vez aquela, aquela... “coisa” olhou como se fosse comer a gente como sobremesa; e eu tenho medo das suas ideias malucas.

A bruxa imediatamente dá-lhe uma explicação.

– Sem dúvida tem enigmas matemáticos, que a gente vai ter de decifrar; e é por isso que você tem de vir junto: não vou conseguir sem você.

– Do que você tá falando? Você é meio doida, Asha – Nina viu que Tomi era um eco, concordando, como quem diz – "Você está coberta de razão".

– Vamos ter de fazer a Dança dos Espelhos – Asha diz, a meia voz; e meio doida, mesmo – A Sala do Tesouro é um labirinto! De espelhos, claro. Mas a gente precisa ignorar as riquezas que os espelhos mostram! E vamos ter também de decifrar a matemática deles pra entrar e sair, além das armadilhas.

Meio a contragosto, a amiga aceitou, resignada. Não havia mais nada a fazer, já que a bruxa precisava dela também.

– Pronto! Vamos ligar os profetas.

Imediatamente, o avatar do computador de Nina aparece. Olha para eles, por uns instantes, avaliando, bastante preocupado.

– Você não precisa me desligar.

– Era uma conversa muito íntima, e por isso que eu tive de desligar – mas o avatar fez uma pausa, e franziu a testa.

– Você é Asha – afirmou ele, olhando para ela.

– Sim, sou eu mesma.

– Eu já percebi que você é uma bruxa.

Aquilo chocou Nina; e Tomi ficou de boca aberta. A bruxa engole em seco, mas a hora é de necessidade, a coisa com a qual ela é mais acostumada; e decide falar antes que Nina fale qualquer coisa aleatória.

– Sim – começou – Ainda estou estudando, mas sim, eu sou,... Onde você quer chegar?

Tomi ficou mais impressionado com ela do que com o avatar, desviando sua atenção para ela.

– Eu analisei as Regras da Escola, que você me transmitiu. Elas são talvez as melhores regras que já vi. Não é seguro para minha mestra que eu seja desligado e eu posso citar diversas leis que garantem que eu tenha esse direito, mas essa não é a questão que quero propor.

"Agora. Diga o que você quer", pensa a bruxa.

– Peço a você que me inclua no programa da Escola. Diga ao Diretor que os pais de Nina vão matricular sua filha. A decisão já foi tomada. Eu percebo pela rede que os alunos têm Profetas e que eles não precisam ser desligados, como me tinha sido dito anteriormente. Eu prefiro assim, pela segurança da senhorita Nina, minha Mestra, respeitando a Meta-Lei e as leis que regem a segurança e a independência dos mestres com esta ação.

Asha se deu por satisfeita; ao falar, sorria.

– Key. A decisão é sua, Nina – virando-se para a amiga – Eu acho isso certo, já que os seus pais já vão te matricular na Capela.

A menina não sabia o que fazer, mas os argumentos eram bons; e ela não sabia que seus pais já tinham decidido.

– Tá.

Depois de um entardecer verde musgo, laranja e azul anil, os ânimos estão todos exaltados, pois agora começa a Concentração. E então, a música invade os ouvidos dos que lotam o Anfiteatro da Tragédia, nesse último dia desse semestre, quatorze de junho, absorvendo o salão aberto e cadeiras numeradas, o espaço dedicado às artes na Escola de Segredos Aul-a Wakka, a Quinta Capela.

– Vamos começar, Elyfa – disse o bruxo – Elliot, fique aqui atrás de mim; e fique bem perto, por favor.

– Eu não entendi em que eu tenho de ajudar, Professor. Exatamente pra que você precisa de mim, essa noite?

– Muito simples, Gulanta. Você fica do meu lado e observa. Agora, – ele diz à sua discípula – você começa, pois faltam só quinze minutos para você ir para o palco – e olhou para Elliot, mais uma vez – Ela vai "ler" todos os presentes, e se não estou muito enganado, isso vai servir como "gatilho" para suas visões. Você, então, logo que Elyfa for para o palco, vai me dizer tudo o que viu; e tente não desmaiar, como treinamento. Agora você entendeu?

A jovem olhou bem para a platéia e Elliot parecia perceber, mesmo que ela fosse muito jovem mesmo, um nível de concentração que ele não tinha visto em ninguém, a não ser em magos – somente em magos – em suas visões.

Sentiu que ela estava usando algum tipo de "poder". Não era Magia. Não havia como dizer o que seria aquilo; e a voz dela é parte da "coisa".

– Há quatro cadeiras vazias, Mestre – alguma coisa na pronúncia fez o garoto ver a palavra com letras maiúsculas – A sombra que está ao lado do Diretor e as três cadeiras atrás dele. São pessoas que estão para morrer: hoje.

Odéle congela, e seu rosto se mancha de preocupação. Elyfa parecia olhar através do que as pessoas chamam... sem exatidão... de Destino.

– Tem certeza, minha discípula?

A garota confirmou, com a cabeça e Elliot sentiu dor, ao ver ele chamar um garoto que vinha passando nos bastidores. Sentiu um dente se quebrar. Ao passar a língua sobre o dente, ele estava lá, inteiro.

Ele vê um enorme vazio chegando.

– Mas, Professor, eu e a Bruna vamos nos apresentar logo depois da Elyfa, e não posso ir fazer isso para o Senhor. Desculpe, eu não posso – disse ele como resposta, quando então Elliot sentiu o primeiro momento de tonteira; e voltou a si muito rápido, o suficiente para ver que Odéle o observava – Pede pro Nikolai.

"Nikolai?!", Elliot ouve um grito, atordoado; Asha?

– Está... bem, Kleyton. Nikolai! – chama o professor.

O garoto estava carregando os ítens que seriam usados nas apresentações e, lá do fundo, deixou os ítens com um colega e veio ver o que era.

– Sim, Professor?

– Asha.

– Não, Professor. Ela só vai se apresentar no encerramento, e por isso ela não está nos bastidores.

– Preste atenção. Vou te dar uma missão – o garoto prendeu a respiração, só de ouvir essa palavra vinda dele, o Professor de DCC.

Odéle fez alguns gestos com a mão, que só Elliot percebeu. Sentiu o que parecia ser um espírito, invisível e apoiado em seu ombro, ir embora.

– Asha está em perigo. Ela e seus dois convidados, Nina e Tomi. Há uma outra pessoa, que deve estar com eles. Você deve ir e encontrar Asha. Te dou permissão para usar qualquer tipo de Magia necessária, mesmo as que são proibidas, não se preocupe com punição da Escola! É uma missão, Nikolai. Você entende que a nossa sociedade é feita disso, estou certo. Você entendeu?

– S-sim, Professor – disse ele, depois de uns dois segundos.

O velho negro escrevia alguma coisa num pergaminho, enquanto isso e, logo que o fez, se virou para o aluno, segurando seu ombro duramente.

– Se você exitar como fez agora, ela pode morrer. Está entendendo? Ainda não sei o que está acontecendo. Agora, entregue essa nota ao Diretor, antes de sair do Teatro. Peça licença e não chame atenção ao que está fazendo, porque nós temos muitos convidados importantes essa noite, Hussel! Você deve salvar Asha e seus amigos. Sem medir esforços! Vá.

O garoto saiu, fazendo uma reverência de quarenta e cinco graus que Elliot só havia visto feita aos reis, em sua reeducação na holografia.

Odéle se vira para Elliot e Elyfa suspira.

– Vamos continuar, Elyfa. Não ignore nenhum detalhe! – diz Odéle – E Gulanta, é a sua chance de provar que a sua vidência pode salvar vidas.

Elliot se sente irreparavelmente tonto, perto dela.

Acima da platéia, um teto holográfico transforma em linhas o céu, para que se possam ver as constelações, sobre as luzes contraditórias.

Amarelo, púrpura e verde musgo, o céu.

O mostrador dos bastidores se acende, em pleno ar; mas é de uma luz fria, tecnologia sem nenhuma magia – e as visões começam.

Dez minutos para o início da Concentração.

(Fim do Cap 15)

Qual é o certo: "A Profecia acontece porque ela foi proferida, ou não, é A Profecia que é feita porque vai acontecer"?

–– Antigo Ditado bruxo.