O Olho de Jurupari

De Enigma
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O Outro Nome do Medo -- Capítulo Seis -- Sol Cajueiro

Um livro de Future Pop Adventure -- Estágio -- O Grande Jogo

Nota: Todos os Direitos reservados (Sol Cajueiro).

Este texto foi publicado em 13 de Novembro de 2020.

Feliz Sexta-feira 13 para todos! Venha ler! Está lindo.

Dedicatória

À minha filha, minha motivação; aos meus pais, irmãos, de sangue e de caminho; aos amigos, de coração, a quem sempre deu apoio, em corpo, mente e espírito, e está agora digno de minha eterna gratidão.

Obrigado.

Cap 6 – O Olho de Jurupari

Os exames chegaram, e era uma loucura. Tomi estava surtando. É claro, que você só não conseguiria passar se tivesse dormido em todas as aulas do ciclo, porque a prova era em cima de todas as suas redações, e a desconstrução que o mestre e o androide haviam feito para você, a partir delas. Mesmo assim, ele estava à beira do insano. É óbvio que ele não tinha nem de longe a média, fora os olhares. Elyfa estava hospitalizada. Elliot, ele havia ficado em coma e, com a ajuda de especialistas, estava de volta. Assustador, como sempre. Todos os alunos, todos mesmo, estavam envolvidos em seus próprios delírios, tentando responder questões que valiam nota, e diferente dos demais alunos, o mago ficou de bota que a média ali era mesmo muito alta, setenta por cento, nada menos que isso; e também era necessário os três pontos – sem eles, bomba.

Não houve provas de xadrez, e todos se perguntavam se o professor dessa matéria ainda era professor, afinal ninguém sabia da prova de Asha.

Parecia ser o fim,... além disso, a melhor aluna Asha iria perder o seu lugar para sua melhor amiga, a novata Nina, mas a pequena não parecia nem um pouco preocupada. Assim, ele lutava para não incomodar as amigas, em sua disputa boba. Elas não sabiam. Tomi passou a maior parte do semestre sem falar com elas, por culpa delas mesmas, mas Nina havia de fato feito as pazes com ele, os Deuses sabem lá o porquê, dessa vez.

O último dia de aula, e última prova, Cosmologia, matéria do professor Asal Gusa, que era bastante assustador, um tipo de ave de rapina que parecia saber o que você está pensando, e deixa claro que pra ele não existe isso de pontos,... "Se você erra, considere que, em uma situação real, você morreu",... era o que ele dizia; chegou. Herói, não muito consciente do que estava fazendo, decidiu usar todos os conhecimentos que conseguiu em Ofícios, porque parecia ser a única opção, ele era muito ruim em todas as outras coisas. Ah, sim, e pra ajudar, sua amiga Nina passou em todos os testes, Faca, Varinha e Orbe, estava intragável, uma aluna do primeiro ciclo, que nunca havia visto Magia na vida,...

..,. vestida com o tartã certo, coldres no lugar, bolsa, tudo.

Tomi já estava na penúltima questão, quando viu Pylyp Pavel, e o gordão que age como seu segurança na porta da sala, tentou ignorar; ele esperava Fif Kassai, seu amigo. Afinal, que garoto estranho, Pylyp. Ele era um dos únicos que respeitava Tomi. Além de Elyfa e Lucrécia, e o gordão, Iohannes, os alunos mais favorecidos pelos professores, menos por Gusa, Elyfa até lhe havia ajudado explicando a diferença entre passagem planar natural e artificial, que ele viu ser a última questão, fácil: você só precisa saber se existe Propósito, que era pra ser uma magia simples, básica, quase tão simples quanto saber se há um espírito ali, assim, simples; – "Arrâ",... pensa ele, "Mas a teoria ajuda",...

Ao terminar, Tomi viu que era o primeiro a terminar. Descansou caneta, borracha, e os demais equipamentos estranhos, bússola planar, mapa dimensional de nascença genérico, um monte de objetos que tinha de identificar, e explicar. Assim que cruzou os braços, olhou nos olhos de Asal Gusa, Tamara, de Amadeu, seu maestro; e o androide Llugýr, que veio conferir se havia algo que podia fazer por ele; pegou a prova, parecendo saber o resultado.

– Passou, mago? – perguntou Pylyp, quando Herói saiu da sala.

– Acho que não. Acertei todos os equipamentos, não sei nenhum feitiço,... fiz tudo o que podia, mas acho que não devo ter esperança.

Pylyp parecia alegre, e riu dele, de um jeito sarcástico.

– Acho que erraram o método pra você, Tomi – diz ele, bem áspero – Isso não vai ser assim no semestre que vem. Desistir não é uma opção, predador.

Tomi só sorriu sem graça, e baixou a cabeça. Era muito estranho como Pylyp parecia ser legal, só que não, ao mesmo tempo.

Assim, Herói esperou pelo resto da turma terminar, sabendo que todos deviam ter notas melhores que as dele. A janela do primeiro andar, à direita do lado de dentro, dá vista para o bowl, onde daqui a pouco os alunos mais velhos e que ele não fez amizade, skeightas e comerciantes de pano xadrez vermelho e branco, vão para comemorar. Eles dizem que esses alunos estão na escola há mais tempo que todo o resto. Não formam. Há uma lenda que diz que eles estão esperando alguma coisa, porque alguns têm uns vinte e seis ou sete anos, e isso parece que não incomoda à Diretoria, nem à Nação; na verdade, no segundo ciclo há um aluno com quarenta e nove anos, na sala de Nikolai, ao lado da sala da melhor aluna.

Asha vem do seu andar, descendo, e torce a boca ao olhar Tomi. Na mesma hora, os alunos de várias turmas começaram a sair das salas.

Bem atrás de Asha, vinham as colegas de cormitório dela, sorrindo. "Gatas", pensa o garoto, mas não faz ideia de como chegar a elas, talvez Asha tenha se esquecido de que ele só se convenceu a ajudar por isso,... – “Garotas”,... ele se sente um egoísta, um umbigonauta, pensando assim.

– Passei! – a dançarina de roda deu início.

– Eu também, Bruna! – diz Branca.

– Parabéns! Pra todas nós! Todo mundo passou, né? – declara Nina, ao chegar, de olho nos olhares de todo mundo; "É até legal, quando você só tem amigas meninas", pensa Tomi, mas rapidamente desvia o olhar para o chão, e evitando de propósito o olhar de Nina, que foram procurar por ele.

– Relaxa, Branca,... Ela é avoada assim mesmo – Asha diz, calma, mas parece que tem um tom de voz bem do tipo "Melhores amigas", de novo.

– Vou acabar ficando com raiva – Nina se defende, feliz.

– De mim? Por ter te ensinado tanta coisa, ou por você ter sido a melhor aluna?

– Affe,... – e Nina ficou vermelha – Arrâ, ambas as coisas, parece,... Acho que eu meio que fiquei louca, esse semestre. Oi, Tomi,...

– Fala, Nina – ele dá um sorriso torto – Oi, Asha. Ei, meninas.

– E você, Tomi? Passou? – Nina captou, no ar.

– Olha pra cara desse capeta, Nina, e me diz que ele ficou.

– Ai, Klaura. Até você? Que que vocês têm? – e olhou de novo pro seu amigo – Você não passou, não é?

– A ilusão está nos olhos de quem vê, Nina – resumiu formalmente Klaura.

– Affe pra vocês. Mas parabéns. Todo mundo passou – ela olhava Tomi.

Tomoe? – dessa vez, foi Asha que tinha a voz preocupada.

A meio oriental estava em silêncio. Ninguém acreditou. O olhar dela estava baixo, do mesmo jeito que o de Tomi.

– Passei nas notas, mas não consegui os três pontos.

– Ai-ai, que tenso – Nina torce o rosto – Será que eu posso te dar um ponto?

Tomoe não respondeu, porque sabia do que Nina achava que estava falando, e isso elas não podiam nem falar nunca mais. Foram proibidas. Sem solução, solucionado está. Tomi se adiantou, e passou o braço pelo ombro de Tomoe como consolo. Nina era a única que estava chocada, seu rosto estava morto. Asha olhou, e deu de ombros, mas Tomi viu o olhar, como o de um predador; ele não sabia, mas Asha sim, ela via o olhar de Nina.

Nina estava com ciúmes de Tomoe, e Asha dela.

– Mas bem – Asha raspou a garganta duas vezes, e Tomi largou Tomoe – Você acha que ficou nos três pontos, e ficou nas notas, exceto em Ofícios.

– Isso mesmo – disse ele – Não sei como você sabe. Mas olha, parece que não há nem mesmo um único segredo pra você nesse mundo, Asha. Isso sem dúvida é impressionante pra caralho.

A melhor, ou diria, a agora segunda melhor aluna rosnou, e olhou. Então, tinha um sorriso torto, e ele reconheceu, era o seu sorriso – ela o estava imitando, seu sorriso,... seu sorriso, perfeitamente.

Asha é a melhor aluna não é a toa, Herói.

Assim que Nina falou isso, Tomi olhou nos olhos dela. Eles estavam lhe pedindo as maiores desculpas do mundo, mas sem falar uma palavra.

– Tá – Asha evitou o assunto – Meninas, nos vemos na festa. Nina, Tomi, está na hora de a gente ter uma palavrinha, antes de você voltarem pra Beagá.

Tomi seguiu Asha e Nina para fora do corredos das salas de aula, pela saída dois, que leva ao bowl. Ele vê a Torre Sul à esquerda, a Torre de Observação Três, entre eles e o lugar onde, daqui a pouco, os alunos vão para se divertir, e o seu dormitório, ao longo do Edifício Núcleo, indo para o sul. Dá pra ver a sua janela, de onde estão. Então, Asha lhe guia para o oeste, passando pela Torre Sul, e indo para os Jardins de Bronze da ala sul, entre as Mansões de Kamarati, Gomes, Dantas, a ruína de um templo da época dos escravos, e contornando a Mansão de Takamatsu, mais para protege-los do Jardim de Bronze da entrada da Escola, ele vê também a Mansão de Szafir; assim, Asha lhes leva até a alameda, e para.

– Ouddle! – Asha conjura cadeiras, sem varinha; na verdade, banquinhos.

Ela se senta, e espera que eles façam o mesmo, deixando ali aquele ar de estamos nos reunindo para uma conversa séria.

– Parabéns – diz a bruxa – Vocês sobreviveram ao primeiro semestre.

– Não foi tão ruim assim,... – se defendeu Nina.

– Hmmmh,... fale isso por você, Nina. Enquanto você se tornava a melhor aluna, eu não tenho nenhum amigo, ninguém fala comigo, quase, também sou o pior aluno da escola, e pra ajudar, mago.

Asha ficou em silêncio, e Tomi decidiu ficar também.

"Elliot,... Você tá aí?", Asha mentalizou. "E como eu não estaria, Asha?", ela ouviu sua resposta, a voz tranquila do seu protetor. "Hoje é um bom dia pra falar com eles, sobre o que eu quero fazer?", ela duvida da resposta. "Asha,... Hoje é o melhor dia que existe entre o antes e o depois pra fazer tudo que você quiser", ela ouve; Asha abaixa a cabeça, pensativa.

– Eu,... preciso que vocês me entendam – pede a bruxa. Tomi sentiu pela primeira vez, na voz dela, que ela pedia desculpas, e isso lhe deixou um pouco confuso. Afinal, ele também tem segredos, que decidiu não dividir com elas, mas só,... por enquanto; deixaria elas saberem, quando fosse possível.

– Você está,... pedindo desculpas? Por quê?

– Ai, Tomi – Asha suspirou – Eu te meti numa fria, não foi? Pode falar. Eu não sei se um dia eu vou me perdoar, por ter feito isso.

– Do que vocês estão falando? – quis saber a pequena wicca.

Nina,... – Asha respirou fundo, pra encontrar as palavras, e continuou – Tomi não é um aluno normal,... nem você – ela baixou a cabeça, de vergonha.

Dessa vez, Nina ficou calada, e Tomi achou que finalmente a expressão no rosto dela era adequada para a melhor aluna – inteligente, sagaz e especialmente paciente.

– Você resolveu que pode nos contar a verdade, pra variar?

– Não posso, devo, Herói – Asha juntou as sobrancelhas, pedindo desculpas – Você não acredita mesmo que esse seu apelido seja a toa, né?

– Queria que você não tivesse dito isso,...

– Vocês dois são esquisitos mesmo, hein? Tá, eu sou a melhor aluna agora, Asha, e o que isso tem a ver com eu não ser normal? Aonde você quer chegar?

Asha suspirou mais uma vez, sabendo que tentava era evitar o assunto.

– Eu, você e o Tomi nascemos no mesmo dia, Nina – revela a bruxa, séria – Isso quer dizer que os nossos destinos são traçados. Na verdade, "eu" tenho um destino terrível, sofrer de amor e vencer na guerra, mas não sei qual é o de vocês,... Não consegui desvendar, e fica pior com o tempo, mas agora não tem mais jeito mesmo, e eu tenho de conversar sobre essa verdade com vocês.

Tomi preferia abrir um livro pra ler, que falar sobre verdades.

– Me deixa ver a sua varinha, Nina – pede a bruxa. Nina quase dá um passo pra trás, e se levanta pra ir embora com esse pedido, mas ficou parada.

– O Professor Gusa me disse pra nunca entregar a varinha a ninguém – se defendeu a wicca, com um olhar estranho nos olhos quase calmos.

– Eu não estou disputando a varinha com você – explica Asha – E seria pior se eu pedisse a sua faca, Nina. Eu não quero tomar a sua varinha de você, e ela vai saber. Isso é certo. Magia é uma coisa muito exata, você já percebeu.

Tomi viu aquele olhar de Asha de novo, mas Nina, mesmo inclinando sua cabeça um pouco pra direita, retira a varinha do colete tartã vermelho e preto, e com listras brancas. Tomi sente arrepios, toda vez que vê alguém segurando esse troço.

Assim, Nina empresta a varinha a Asha, que mede o comprimento, o peso, Nina quase teve um ataque quando ela envergou de leve pra ver a dureza, olhou da guarda para a ponta, e então, devolveu à amiga seu ítem precioso. Nina guardou no coldre. Asha, assim, olha para o seu amigo, que ergue as mãos para se defender, como quem diz "Eu não tenho", mas os olhos da bruxa estavam perdidos, em Andrômeda, tentando decifrar um enigma muito difícil.

– H-hum,... – Nina raspa a garganta.

– Ah – Asha pisca os olhos – Número Nove, Azevinho, onze polegadas. Onde foi que você conseguiu comprar uma varinha?

– Meu pai me deu de presente. Por que?

Karla,... – Asha murmura – Só pode ter sido ela – e olha pra Tomi de novo, meio que deixando ele constrangido – Você não sabe quem você é, Tomi.

– Além de ser o "mago" mais odiado da escola?

– Você não é um mago – Asha ainda está pensativa – Nunca foi.

– Você não tá brincando, quando diz falar sobre verdades, né? Eu tive um semestre dos piores que já tive, e eu estudei em várias escolas bem ruins, antes.

– O que você fez? Por que queira a minha varinha?

– Eu explico – pede a bruxa, erguendo a canhota. Ela pega a própria varinha, do bolso interno da jaqueta, e analisa – Número Um, Mestre: "eu", Salgueiro, doze polegadas até a ponta,... meio-flexível – ela analisa as linhas mínimas de telluron, que fazem diagramas de canalização – Tem de haver uma relação, mas não consigo ver qual é,... Plastínka,... Metálicos de Cura,... é possível, uma das Nove Técnicas,... Mas como é que a Conselheira sabia?

– O que você quer dizer com "Você não é um mago. Nunca foi"? – agora, Tomi está de fato preocupado; ela está falando de coisas muito sérias.

Asha guarda a varinha, e saca a faca ritual. Tomi imediatamente se vê em prontidão pra qualquer maluquice dela, mas a bruxa sorri; ela percebeu isso dele, e deixou ser óbvio, erguendo as sobrancelhas como quem diz.

Hieronimus Oljo TomiAsha olha em seus olhos – Se prepare. Você é um Caçador. E,... se eu estiver certa, você é o caçador que iria me caçar, e devia me matar, mas mudei seu destino, ao fazer um Ritual pra gente se encontrar aquele dia. O Ritual, pelo que parece, também foi mais longe do que eu pensava, e hoje estamos aqui, em plena Quinta Capela, no final do semestre, falando verdades que não deveriam ser ditas. Mas, tenho certeza que estamos seguros. Eu tenho proteção, hoje, e estamos afundados nisso, então, é a hora da verdade.

Tomi, que já estava se acostumando com a ideia de ser odiado por ser um mago, não conseguiu fazer outra coisa a não ser abrir a boca.

Ele vê Nina ao seu lado, apertando os olhos, e parecia calculando quantos seriam os alunos que iriam tentar matar seu amigo, no semestre que vem.

Alguns momentos de falta de assunto se seguiram. Tomi tenta se distrair da faca em mãos da sua amiga bruxa, que já o atacou com ela, e percebe que os tons sob os paraluzes, na tarde linda de dezembro se modificam, de frios para quentes. Asha, então, fica ali girando a sua faca, reta e curta; como naqueles filmes em que militares fazem isso, porque parece que isso faz o tempo passar mais rápido, ou porque não conseguem evitar.

Nina, essa varinha funciona? – Asha questiona, intrigada.

– Acho que sim – ela ficou confusa – Mas eu só sei Soder, o encanto de ânimo. Ah, e Illuminos, de criar luz, e Evado, pra desviar feitiços; mais nada.

– Curioso,... muito curioso. Me mostre – Asha pede.

Nina retira a varinha do coldre do colete, com a destra, e ergue, respirando para não se perder na tentativa.

– Illuminos! – e uma luzinha se acende, na ponta da varinha.

– Que,... Praestos,... interessante,...

– Que isso? – Nina quis saber, inclinando a cabeça.

– Significa "Efeito", e a sua luz é de pérola.

A wicca ia perguntar, mas concluiu que a bruxa não sabia por quê.

– Tá, tá,... – Asha se levanta do banquinho, e começa a andar de um lado para o outro sem parar, murmurando "Tá, tá",... o tempo todo. Tomi se sentia um burro. Idiota. Como é que ele foi se meter nisso? Logo, logo que alguém ficar sabendo,... mas ninguém precisa saber, ou seja, se Asha não falar nada com ninguém, ele está seguro. Ele vai poder estudar Ofícios, ser um dos artífices mais importantes do mundo, ainda, e não vai ter de se preocupar com todas as tão numerosas tentativas de assassinato que ele prevê, agora; Nina apaga a luzinha.

– Ninguém precisa ficar sabendo – pede ele.

– Não dá mais, Tomi – ela para, e olha em seus olhos – Eu me tornei discípula do Professor Gusa. Asal Andreas Gusa, Dlaíohm ou Dlíam, é meu Mestre, agora. E não, eu não posso ter nenhum tipo de segredo com ele. Ele vai saber. E então, a escola vai querer aplicar as técnicas, que o nosso sistema de educação tem, sobre treinamento de um caçador, que eu não faço idéia de como elas são; mas não se preocupe, você vai aprender magia, sem dúvida.

– Mas eu não quero aprender magia – revela ele.

– Então, o que é que você está fazendo numa Escola de Magia? Não me diz que você veio aqui porque acha a gente bonita – Nina se revolta – Não vem com essa! Você vai ter de explicar, agora não adianta mais, Hieronimus. Porque você veio estudar aqui?

– Mas eu já disse – ele se defende. Sabe que é uma meia verdade, mas não pode falar tudo; está mesmo muito ferrado – Eu quero estudar Tecnomágica, as tecnologias que não se pode estudar em nenhum outro lugar; é sério!

– Isso não é toda a verdade, não é, Tomi? – pronto. Asha é mil vezes mais difícil que a avoada da Nina de enganar, ele sabe.

– Não – ele se sente deprimido, acabado, marcado para morrer – Você quer tornar a minha vida mais difícil do que já é.

– Não – Asha desiste – Nina, nós temos de desvendar o seu segredo, a não ser que você queira ter uma vida mais difícil do que já é, como diz o Tomi. Não sei qual é. Mas agora eu tenho uma coisa pra falar, e isso é nossa prioridade.

Tomi se sente um pouco melhor, agora que o foco é o "nós". Não que quando ela diga isso, quer dizer que isso seja bom; ele se arrepia.

Há nuvens no horizonte, pardas e cinzentas.

– Eu consegui a liberação pra estudar O Espelho – os olhos de Asha faíscam – Sabem o que isso significa? Que nós vamos desvendar um segredo perdido. O Espelho é o verdadeiro coração de uma Escola, ou seja, sem ele criar novas escolas é impossível, mas a pessoa que criou eles não explicou a ninguém como se faz um,... Vocês estão entendendo isso?

– Tá, mina,... – Tomi olha de lado – O que você quer?

– Só existem "oito" Capelas porque ninguém mais sabe como criar uma, e assim que a gente descobrir como se faz um Espelho de Mil Faces a gente vai poder criar uma Escola; o resto do mundo vai depender de nós.

– Você pensa muito alto pra mim, guria,... Eu boto fé – Tomi torce o nariz. Depois, dá um belo de um sorriso torto, e percebe Nina olhando pro seu sorriso.

Tomi para, olhando nos olhos doces de Nina.

Sua amiga sustenta o olhar, e passa a língua nos lábios, e ele sente o sorriso dela ir se transformando aos poucos, mas então, ouve a voz de Asha.

Nina, cuidado – alerta a bruxa.

Assim, a wicca desvia os olhos para a bruxa, e fecha uma expressão que Tomi não faz ideia do que quer dizer, mas que lhe deixa em sentido de alerta.

Tomi é um caçador – explica Asha, meio tensa – Não use nada nele,... Ele existe pra caçar pessoas como eu e você, bruxas.

Nina respira com dificuldade, antes de se defender. Em sua cabecinha, ela luta contra a vontade de bater em sua amiga, ao mesmo tempo que entende o que ia fazer.

– Eu não sou uma bruxa – foi o melhor que conseguiu.

– Ah, é sim! Você é uma wicca, e isso te torna uma bruxa, agora. Não é porque você por acaso é um tipo de bruxa que não tem aptidão de nascença, que fazer qualquer tipo de encanto sobre um caçador vai passar a funcionar. E é pior. A wicca é uma sacerdotiza, o que quer dizer que você "encanta" muito mais que eu, uma conjuradora. Mas Tomi – ela se vira, para olhar – Você é um caçador – e de volta pra Nina – A magia não ia funcionar, da mesma forma que o meu Ritual pra juntar a gente. Ele funcionou diferente do que era pra ser.

Tomi sentiu um agouro funesto nessas palavras. O que ela quis dizer? Nina ia lançar uma magia nele? Assim, sem varinha nem nada? "Essa bruxa é uma louca", pensa ele.

– Magia não funciona comigo? – não evitou perguntar.

– Não é isso – Asha de repente está tentando encontrar as palavras – Você deve ter um tipo de proteção natural contra magia, e ela sai errada.

– To começando a gostar disso – revela ele.

– Não vai com tanta pressa, Herói. A gente vai ter de combinar umas coisas. Eu vou ter de exigir ser a pessoa a trazer vocês de volta à Escola. A partir do semestre que vem, todos os alunos vão vir pra escola por Portal, e como vocês não são de família mágica, um agente da Tropa teria de ir trazer vocês, mas isso pode ser uma oportunidade pra mim. Vocês, por favor, fiquem em Beagá e, se forem se encontrar, fiquem sempre em lugares públicos; e não usem o tartã, viu, Nina? O mundo todo sabe que a Magia existe. Todos estão loucos, ou atrás de qualquer sinal; os comuns estão procurando as Escolas,... Eu vou buscar vocês.

– Tá, mas – Tomi sentiu o porém – O que mais tem nisso?

– Minha mãe vai se casar,... Vocês são meus convidados. Ela me disse que eu podia convidar até duas pessoas, então as meninas do dormitório vão ficar com raiva de mim, pra sempre, mas não tem outro jeito de fazer isso. Eu preciso de vocês comigo.

– Eu vou – Nina confirma – Acho que meus pais deviam ir,...

– Acho que minha mãe vai adorar isso – Asha sorri, meio sem graça – Minha mãe vai ficar muito feliz, afinal, ela é meio-comum, cresceu entre os comuns, tem um trabalho comum, sente falta de assuntos superficiais.

Ambas olham pra Tomi. Ele sente que não tem escolha, olha para baixo, tentando saber o que falar, mas sem encontrar muito bem as palavras, saiu.

– Meus pais morreram num acidente de carro,... Moro com a minha tia. Ela é, talvez, a pessoa mais legal do mundo, mas eu não quero que ela vá. Sei lá. A tia Avilá me trata bem, muito bem, mas não é a mesma coisa que ter pais,... – ele secou os cantos da boca, por puro reflexo – Aproveitem enquanto vocês têm pais, é o que eu digo.

– Entendo o que você diz, Tomi. Meu pai morreu – Asha compartilha – Ele morreu quando eu nasci, mas minha mãe fica furiosa quando eu falo nisso.

Houve, então, um momento de silêncio, meio triste.

– Tá – Nina decide quebrar o clima – Então, menos um segredo pra gente se preocupar. Agora, que seja, isso quer dizer que "eu" sou o mistério. O que é que a gente vai fazer?

Asha não conseguiu pensar em nada bom pra falar.

De tudo o que pensou, todas as opções incluíam testes que sabia que Nina não tinha noção, de que eram todos testes muito difíceis. Alguns incluíam dor. Outros, desvendar o que pensa, mas não. Não pensamento superficial; desvendar os segredos da alma são uma coisa muito difícil e tensa de fazer; e Asha sabe, porque conhece alguns de si mesma, está se obrigando a isso. Ainda mais depois de ter vencido Elliot em uma disputa de preto e branco, aquele dia.

Ela sabia que não tinha escolha, mas será que Nina tinha?

– Não faço ideia – disse Asha – Mas vou descobrir.

– E a gente vai tentar não morrer. Pode deixar, Asha – diz Tomi – Vou tentar não sair de Beagá, mas isso significa que eu talvez tenha de ficar em casa sozinho, porque todo ano a minha tia Avilá vai pros Pampas. Ela viveu a vida toda lá, quer dizer,... é, antes de eu ir morar com ela, só que ela é enfermeira, está aposentada, e eu vivi um tempo na rua, ou seja, ela sabe que eu sei me cuidar,... então. Que seja. Garanto que eu vou poder ficar em Beaelorizont, sem problema.

– Então, vamos – Asha encerra a reunião – Vocês, jurem que não vão se envolver com as manifestações, hein? As revoltas estão acontecendo no mundo todo.

Nina e Tomi botam a mão fechada sobre o coração, pra jurar. Abaixaram a cabeça de leve, e voltaram à vida escolar.

Fim de ciclo, 15 de Dezembro, festa de último dia.

Todos se reuniram no Anfiteatro da Tragédia, totalmente reconstruído, e o Diretor da Capela, desta vez Odéle Otolo Olanguèe, filho de Xango, que parecia querer um discurso longo.

– Boa noite – começou Odéle, falando baixo, mas todos ouviam.

Fez uma pausa, e parecia esperar todos prestarem atenção. Elliot estava lá, sentado na mesa dos professores; Tomi sentia que a atenção dele estava nele, o seu colega de dormitório, e em Asha e Nina.

– Este foi um semestre singular. É com pesar que falo sobre isso. Não esperava viver para ver este dia. É o fim do Segredo. Segredo, que todos já sabem, que está sendo publicado, em todos os jornais. A Magia existe – fez uma pausa – Sendo um segredo, é direito de todos nós, aqui, saber sobre ele. Agora, o mundo inteiro está lá, usando os seus tradutores piratas de árabe, chinês e russo – fez outra pausa, cautelosa – principalmente de inglês, e tentando entender esse passado que não é deles. Só os japoneses sempre souberam. O Segredo. Devo alertar todos vocês, nossos alunos. Deixem que seus Mestres, e seus pais, lidem com os documentos, estudem o que está acontecendo. Não tirem conclusões de primeira, apressadas, nem tolas. Porque o mundo, o mundo está em guerra.

Nenhum aluno perdia nem mesmo a respiração dele.

– As revoltas acontecem em todos os aglomerados e cidades, e muitos comuns agora voltaram a andar armados. Tomem extremo cuidado. Estamos trabalhando para que soluções possíveis sejam encontradas, todos nós. Bruxos, Bruxas. Wiccas. Sacerdotes, Manifestadores, Feiticeiros. Monges. Conjuradores psíquicos. Artífices. Psiónicos. Professores, soldados. Saiba que nossa Nação é organizada. Mas, não se esqueça,... de que estamos em guerra.

Nina engoliu em seco, ouvindo isso.

Era a primeira vez que ouvia palavras tão claras, ditas a crianças, que tal como ela, só deveriam estar estudando e, sempre, brincando.

Ainda assim, sabia que havia muita necessidade naquelas palavras. Tomi sentia como se seu pescoço fosse ser colocado a prêmio, nas próximas frases. Ele queria muito mesmo ter se adaptado, mas alguma coisa lhe afastava da magia.

Tomi, esperando ser atacado a qualquer momento, viu o olhar do Diretor, mas para a sua verdadeira surpresa, ele olhava Nina, e ele a vê engolir em seco.

– Eu estou, como Diretor da Quinta Capela de Alma Attenta, Aul-a Wattar, na língua código da Nação da Magia, em contato com todas as outras sete Capelas. Todos os Diretores, sem excessão, concordam comigo em uma coisa – Odéle fez uma pausa – Vocês não devem se preocupar com a guerra. Não, vocês devem ter um infância. Uma infância sadia, e todos nós Diretores vamos lutar por isso, é a minha promessa a cada um de vocês, e ao futuro.

Odéle sabia como segurar uma platéia, todos ficam quietos.

Além disso, ele parece não precisar colocar a mão ao lado da boca, um truque muito comum entre os bruxos, mostrando assim que é mais poderoso que a maioria pensa.

– Vamos nos lembrar de SabarbaOdéle tocou o peito – Abbel Sabarba era um homem sério, devotado à educação, era um herói. Ele, sabemos, morreu defendendo a Escola, e a sua estátua será inaugurada no início do semestre que vem, aqui ao lado do Anfiteatro; e, uma excelente novidade, as memórias dele foram salvas, então seu Busto irá ficar aqui, por exigência dos Diretores.

Houve alguns que comentaram, em voz baixa, comemorando.

Sabarba – ele ergue a voz, de leve, para captar a atenção mais uma vez – tinha um projeto, muito importante, e administrativamente difícil,... A Magia foi revelada ao mundo, e todos os comuns agora procuram pelas Escolas,... Tomem cuidado. A partir de agora, a regra que alguns de vocês às vezes ignoram, os mais velhos tomam conta dos mais novos, mesmo apenas em caso de menos conhecimento, deverá ser respeitada; e sempre! Aconselho aos mais velhos que ouçam os mais jovens com conhecimentos que ainda não possuem, pois vocês sabem que as técnicas de ensino são adaptadas a cada um em particular. Assim, não é a sua idade que diz quanto você sabe, ou não, alguma coisa, mas sim o resultado do seu esforço pessoal.

Odéle raspa a garganta, duas vezes, e olha para os professores. Depois, de volta para o mar de alunos que ocupa o Anfiteatro da Tragédia, calmo.

– Estamos entrando em contado com todas as Escolas do mundo, para formar uma força conjunta, educacional, que tem como objetivo promover a educação saudável de todos vocês, e de todos os alunos de todas as Escolas.

De repente, Tomi sentiu um arrepio, um agouro, e viu que Asha estava de pé, ao seu lado e de Nina, que também estava de boca aberta.

Asha está de mão erguida, esperando para falar.

Asha el Sauza,... – diz Odéle, com um pequeno sorriso – fale.

– Eu,... – ela para, e aponta dois dedos para a própria garganta; a sua energia da cor de sua família, vermelha e branca, fica visível – Eu sugiro aos alunos com as maiores notas, e ou pontos, um Sistema de Intercâmbio – todos ouviam a voz dela, apesar de baixa – Isso pode ser nossa melhor chance de criar uma relação de verdade com as outras Escolas, e permitir que alunos de qualquer lugar do mundo possam participar, em reciprocidade. Isso também vai dar a todas as Escolas, além disso homenagear Mestre Sabarba, a chance de manter segredo Magia, Manifestação e Poder sob o controle das Nações que, como a Nação da Magia, vão ter muitas dificuldades a enfrentar de agora em diante.

Tomi até piscou várias vezes, acompanhando a fala dela. Asha ficou ali, parada, como se esperasse que sua sugestão fosse aceita imediatamente.

– Obrigado pela sua sugestão, Sauza – o rosto negro e velho de Odéle sorri – Pode se sentar, agora. A sua sugestão será levada ao Conselho por mim.

Houve um burburinho, que se espalhou como um clarão, e rapidamente, alunos de todas as idades estavam cochichando. Tomi ouviu alguns ao seu redor.

– Intercâmbio? – murmurou Bruna, de olhos arregalados.

– A gente vai poder ir pra qualquer lugar? – disse outra.

– Eu vou poder ir estudar no Cairo? Com os djines? – disse uma lourinha, Tomi nem sabe o nome dela, só que ela está no Segundo Ciclo; sala do Nikolai, talvez.

– Para a Escola de São Pedro, em São Petersburgo? Waaaw,...

– Eu quero ir pra Associação Amerika – disse um menino de cabelo lambido, mas que Tomi reconhece ser um dos melhores alunos, e sabe que ele lhe odeia.

– Egito, sem dúvida nenhuma – fala um garoto mais velho.

– A Escola dos Adivinhos, do Irã, é claro – disse um, com muita certeza.

– Torre de Londres,... – comenta alguém, o seu sonho.

– A Escola de Kali,... As Torres da Bretanha,... nossa, que lindo,...

– Isso é incrível! – zumbe uma menina; ela quase pula pra dar um beijo em Asha, mas não tem coragem, e ali está ela, calma; assim sendo, ela se senta para ouvir a próxima parte do discurso.

E então, Tomi vê que, ao se sentar, Nina segura a mão da amiga. Elas se olham, como duas cúmplices dessa ideia maluca, mas sem dúvida maravilhosa.

– A localização das escolas é um sigilo da nossa sociedade, e vamos manter o acordo com o Instituto Estrada Real, para que isso continue assim. Agora, o Conselho procurou no último mês, além disso, o Instituto Brazilka, e a Nação Bra está de acordo que os alunos precisam de prioridade, e a sua segurança será garantida. Todos os Institutos ligados à nossa Nação estão em alerta, e estão preparados para isso, mas vocês vão ter de aprender as novas regras definidas pelo Conselho, com apoio legal de todos os Praetors bruxos, psiónicos e monges da nossa nação, além dos poucos manifestadores e vampiros, nossos irmãos, e todos, até os que não se encaixam nas classificações, conjuradores psíquicos, e os demais, todos devem se esforçar para nunca atrair a atenção das pessoas comuns às suas atividades.

Maýra – o Diretor Olanguèe chama o avatar do computador da Escola, que aparece em um terninho cor de areia, com a gola branca. Todos os tut-tuts dos profetas aconteceram ao mesmo tempo, e Maýra faz uma suave saudação, se inclinando, olha para o Diretor, e então, some em pleno ar, deixando os alunos todos com a sensação de seriedade.

– Devo avisar – diz Odéle – Deixem as investigações aos adultos.

Odéle Olanguèe deu um olhar severo a todos, na esperança de que suas palavras, de alguma forma, fizessem sentido em cada uma das cabecinhas.

– Vocês vão para casa nestas férias, mas há excessões – o Diretor continua – De agora em diante, vejam bem, todas as excessões serão especiais. As novas normas de segurança estão todas em seus computadores. Mas bem, vamos às notas,... Nina – ela abre a boca – Não seja tola, pequena, levante-se – ele esperou, até que a pequena wicca, muito tímida, se levantasse, vermelha como um tomate diante de todos – Você tem as melhores notas do semestre.

Todo o Anfiteatro reconstruído lhe avaliava, e Asha, a seu lado, sorri.

– Não tenha vergonha do seu sucesso, o mérito é todo seu. Agora, temos mudanças na pontuação, como em quase todos os anos. Tábata Tunna, levante-se – Nina ficou feliz porque a atenção foi desviada, e se sentou – Você não conseguiu os três pontos, mas como a aluna mais velha, você liderou uma turma de iniciados bem,... promissora, e teve muito sucesso, por isso vamos lhe dar o ponto que está faltando para você ir adiante. Fique tranquila, mas estude mais.

Tábata olhou para seus colegas, que lhe deram tapas na mão. Os que estavam mais distantes ousaram um – "Parabéns!", e todos se prepararam.

Asha Sar el Sauza – disse o Diretor; alguns não entenderam.

Assim, Nina ouviu um aluno mais atrás perguntando – "Ela mudou de nome? Quando foi que isso aconteceu?", mas Asha se levantou, ciente de todos os olhares à sua volta, mas cheia de expectativa.

Asha, você recebe cinco pontos, por serviços prestados à Nação, e peço a todos que não questionem – Odéle dava um sorriso duro. Ele sabia que todos iriam questionar – Você, então, reconquista o seu bravo desempenho de Melhor, desde que está na Escola. Isso irá lhe garantir, agora, se você quiser, o status de representante da Quinta Capela, tanto para outras Capelas, quanto no Sistema de Intercâmbio sugerido, em ocasiões oficiais em Bealae, e para o Conselho.

O silêncio foi quebrado por Tomi, que bateu palmas. Ele batia palmas sozinho, e ficou tenso, alguns segundos, até que de repente todo mundo sem nenhuma excessão imitou seu gesto.

A ovação foi quase longa, e Asha fez uma reverência para cada lado. Esquerda, e depois direita, e então, à frente. A bruxa faz um V de vitória com a canhota, se senta, e bate o punho no punho de Tomi, à frente de Nina.

– Agora, Asha, Nina, Hieronimus, Sura, Sibel, Tomoe e Fif, vocês recebem cada um, um ponto, dado pela recém desperta hoje, Elyfa Brant Bitencourt, a nossa caixinhos de ouros, por causa dos segredos que vocês lhe revelaram.

Tomoe! – todas as meninas gritam – Você passou!

Tomi se sentiu miserável, mais uma vez, mas tentava esconder isso, evitando o olhar de sua amiga Nina, que ele sabe que já passou ele nos estudos umas mil vezes.

– Isso – diz o Diretor – Nunca abandone a esperança, Andrômeda. Isso serve para todos, não se esqueçam – ele esperou as meninas se aguentarem – Agora, Tomi. Não tenha medo, meu jovem. Levante-se, vamos – esperou – Nós temos de lhe dizer que erramos, e que isso foi uma lástima, HieronimusTomi, ali em pé, achou que ia fugir – Mas bem, erramos o método para você, e vamos lhe dar um ponto. Você não é um mago.

Ele passa a mão direita na orelha, e respira fundo. Afinal, ele já sabia, mas ao mesmo tempo todas as cabeças olham para ele, que preferia se enfiar num balde.

Assim, o silêncio foi momentâneo, mas bastante profundo.

– Você é um caçador – sentencia o Diretor Odéle.

Deu pra sentir um calafrio que não é seu, em todos ao redor.

– Além disso, HieronimusOdéle continua – Você vai receber três pontos dos Maestros de Tecnologia e Ofícios, e um de Defesa, retroativo, dado por Asha, por ter se defendido na investigação da base em Bealae, de uma Melhor, e então, com cinco pontos, suas notas não importam mais. Você passou.

Tomi abre a boca, e olha ao redor. O silêncio foi quebrado por Asha, que começou a bater palmas, bem alto, forçando todos a bater palmas, também, mas sem entusiasmo. Ele olha Nina – "Passei!", ele diz a ela, ainda sem acreditar, e Nina bate a mão na dele, abertas e depois fechadas, comemorando com ele.

Ele se senta, agora imaginando as tentativas de assassinato que iria sofrer, de agora em diante, mas pela primeira vez feliz, desde que se meteu com esse bando de loucos.

– Em nome do Láscio! Asha descobriu isso só de olhar, na primeira vez que encontrou ele? – se exaltou Iohannes Kjang, o gordo – Ela é a Melhor mesmo!

Pylyp balança a mão, sentado ao lado, para ele falar mais baixo.

– Isso – Odéle continua – Agora, vocês não vão mais voltar à Escola de transporte, como sempre fizeram. As regras estão em seus computadores. Vocês vão receber a visita de um oficial da Tropa de Elite, em sua casa, e este vai trazer vocês à Escola. Mas devo avisar a todos, também, que agora que a Magia foi revelada, e estamos em estado de guerra, que os comuns vão estar procurando vocês. Não lhes dêem motivo. Sabem as técnicas para não revelar a eles a sua Magia, e as aulas de Saber Comum vão ter o dobro de horas. Não sabemos o quanto a organização, ou melhor, estes que estão revelando os segredos que nunca deveriam chegar aos olhos dos comuns vão revelar, e um Labirinto planar será construído, e a Escola vai passar a ser na cidade, Diamantina.

Até Asha abre um pouco a boca, dessa vez. Tomi vê, e ela cochicha – "Isso significa que os comuns não vão mais chegar à escola, mas também que nós não vamos poder sair, então; ou melhor, sair sem autorização".

Isso, ele entendeu, é problema.

– Agora, então, aos alunos e alunas que já são casados, sua barraca está nos planos, e vocês vão encontrar a passagem nas Oficinas. Boas festas, e até o semestre que vem.

Todos bateram palmas, menos Nina, que estava de boca aberta. Asha meio se estica e despenteia os cabelos de Tomi, e se prepara para ver a apresentação de Roda. Odéle Otolo Olanguèe anda até a mesa dos professores, na lateral, e os cumprimenta, um a um. De repente, o famoso Mestre Coelho aparece, sempre de branco, e vários dançarinos de todas as Escolas também, juntos.

A apresentação arranca palmas, cadenciadas, acompanhando o tambor, o berimbau, e dessa vez, o acordeão, além é claro, de arrancar admiração, nessa mistura de Magia, Teatro e Dança sem igual.

Depois, Asha agarrou as mãos de Nina e Tomi sem pensar duas vezes, e tirou eles do Anfiteatro, antes que alguém viesse perguntar ao garoto o que não devia. Ela apressa eles, e vai para a barraca dela, dizendo – "Alunos do ciclo básico não têm barraca", mas logo Tomi viu que devia haver mais alguma coisa nisso, ela sempre pensa nas coisas antes de fazer qualquer uma delas, mas preferia esperar, dessa vez. Afinal, seu segredo foi revelado, e queria mesmo falar com elas sobre esse fato; mas, era verdade, estava feliz por ter conseguido.

– Está feito, Tomi – diz Asha, de sobrancelhas erguidas – Não tem mais que esconder, quero dizer, eu não tenho mais de esconder nada.

– Como assim alunos e alunas casados? – pergunta Nina.

– Olha o preconceito, Nina. Cuidado – avisa Asha – Nós temos alunos de todas as idades, porque não é tão simples identificar Aptidão em uma pessoa.

– Não era só fazer uma magia e, .. descobrir?

– Não; não é simples assim, NinaAsha pesa as palavras – Eu tenho a minha teoria sobre isso, mas isso não importa. Tem gente que só descobre que tem Aptidão mais velho, ou melhor, depois dos vinte, trinta, ou mais, até depois dos oitenta. Esses alunos e alunas não convivem com a gente, que somos do turno do dia, isso é norma da Escola, e na verdade eles estudam a noite, e eu e você podemos andar a noite; mas eu não vou me casar, se você quer saber.

– Nunca? – pergunta Tomi, confuso.

– Não sei,... – Asha suspira – As casadas não me falam nada, porque dizem que a sua família tem prioridade, e a Meta-Lei me impede de perguntar. Minha mãe é wicca, e eu tenho de alcançar a maioridade, se quiser me casar, mas isso não estava nos meus planos. Querer, eu queria, obrigada por perguntar.

– Relaxa, mina – diz ele.

– Relaxa, mina, relaxa mina, eu vou te bater, Tomi! Seu sampês às vezes me irrita – Nina levanta a voz, e a sua respiração se acelera – Stephen! Eu quero você aqui, agora – e o seu avatar aparece – Me explica isso, se puder.

– Eu vou morrer, eu tenho certeza – solta Tomi.

– Na verdade, minha Mestra – diz o avatar – Eu tenho observado sua amiga bruxa, o tempo todo, e você pode aprender com ela muitas coisas. Em teoria, ela está correta, e se uma pessoa não quer falar de sua vida particular, a Meta-Lei a protege; e faço questão de deixar claro, pois é muito importante para você que pretende Repórter como tipo de cidadão. Há nações em que a orgia é a forma básica de casamento, há nações onde a virgindade é idolatrada. Na Nação da Magia, uma família pode ser não binária, ou pode ter três cônjugues, e isso tudo depende de direito; direito, que garante a Magia aos bruxos e bruxas, porque a mesma Magia tem muitas formas. Se casar é importante. Se quiser, eu posso ter um banco de dados sobre isso; mas, mais porque eu percebi que você não tem uma tendência binária e, então, você precisa conhecer seus direitos. Isso quer dizer que seus pais seriam obrigados a respeitar sua "escolha", se é que podemos chamar isso de escolha, mas só se uma de vocês se emancipar.

Nina parecia mais enfurecida com o computador que com Asha – "Tendência binária", pensa ela. Ela para e respira fundo, e mais uma vez, tenta pensar, antes de continuar.

– Ninguém está nem aí se eu morrer, é isso?

– Ai, cala-boca, Tomi! – Nina tenta se conter, de novo, sem conseguir – Está bem. Você foi muito preciso nessa sua explicação, Stephanus. Obrigada.

O avatar do computador faz uma reverência, e desaparece. Asha mordia os lábios, ao ver essa situação.

Uma sombra se move, sem que os três percebam, do lado de fora da tenda de Asha Sar el Sauza – "Pyrlain",... – ele faz uma pausa – "Maccracken, esta menina vai perceber a minha presença, se eu aparecer" – mas ele insiste – "Aella, vamos deixar as diferenças de lado? Ela aceitou Gusa como Mestre, e Qal havia sonhado com isso antes de isso acontecer; ela está segura" – "O que você quer?" – "Eu quero saber porque Eguthathugua está em nosso mundo, a primeira consciência, além de arquétipo do Herói, e apareceu pra essa jovem wicca; mas tenho outra dúvida, relativa à presença de Windmeister" – ambos aguardam o trio.

– Você está certa, Nina. Está sim. Você vai ter poderes que eu nunca vou ter, uma vez que vai se registrar como Repórter, e deve investigar tudo. Tudo. Mas tudo não quer dizer se meter na vida dos outros. Isso pode te deixar numa posição ruim, veja a Michaela. Ela era a mais importante repórter da Nação Mágica, e foi presa, foi investigada. Agora, mesmo sendo total e completamente inocente, ela não consegue emprego em lugar nenhum.

– Mas,... ela tentou matar o Elliot! Como você pode? – Nina estava de boca aberta, ao ver Asha defender a repórter.

– Cala-boca, Tomi, cala-boca Tomi, vai ser sempre assim? – ele se revolta – Eu to aqui, meu, preocupado em manter minha pele sobre a carne, e é isso que você me dá?

Tomi está certo, NinaAsha ergue a mão para pedir calma, e se ajeita no banquinho que ela mesma conjurou. A wicca nem percebeu, agora acostumada à Magia, que eles estavam em uma barraca imensa por dentro, com poltronas de couro, uma bandeira girando no meio, com o símbolo da Nação da Magia, que ela passou o semestre aprendendo, e é uma pessoa com um livro, e as pernas fora do círculo querem dizer liberdade, a cabeça acima também quer dizer isso e, então, Asha continuou – Acabou que Elliot era o culpado. Não. Não me peça pra explicar isso, porque está tão além do que você vai ser capaz de entender, que até mesmo se eu passar um ano inteiro explicando, você só vai ver a beirada do bolo.

Nina suspira, resignada, sabendo que perdeu a discussão.

Forçando a memória, ela realmente vê pessoas mais velhas, até uma senhora que devia ter oitenta ou mais, vestindo mantos variados e tartã como os dos outros alunos, mas realmente também se lembra que nenhum dos alunos especiais da noite interagem com os do dia,... "Isso deve ser obrigatório", pensa. Seja ou não, ela não pode negar que também vê alunos e alunas jovens andando a noite.

– Key, TomiAsha se vira pra ele – Agora, você vai jurar que vai ler as novas regras, e que vai seguir todas elas, sem excessão, e também, que vai comprar um analisador de venenos novo.

Emoções, conflitos, e inveja passam voando pela cabeça dele. Imaginação à cor da prova.

– "Não posso lhe dizer, Maccracken" – passa uma aluna ao lado do Sonho, e não percebe sua presença, enquanto ele responde – "Eu sei que você está mesmo forjando sonhos sem a minha participação. Isso não é proibido. Mas, de quem você está escondendo essa verdade? Da Torre?" – "Não, meu amigo Sonho, foi a Torre que se virou contra mim, e foi por causa de Sar, mas não; estou ocultando aqui a Luz que precisa sobreviver" – "Ela conseguiu trazer um Corruptor de volta ao estado de integridade",... – "Isso também me impressionou" – "Você não disse porque Eguthathugua está aqui,... Só você vai conseguir tirar dele esse porquê, e nos revelar o que é esperado; esta menina, tem a ver, não tem? E quem são o outros dois?" – O que eu descobri, até agora, Maccracken, foi que Asha mudou o destino deles, ao fazer um Ritual para unir o trio" – "Vou ficar de olho neles, por que estou sentindo que o balanço está entortando na direção deles; não sei é o futuro que os aguarda,... Você vai me dizer?" – "Não" – "Então, vou ficar sabendo pelos sonhos deles,... A sociedade revelada nos documentos existe, e você sabia disso, não sabia? Eles se esconderam de mim, não sei como" – "Sabia, sim; isso foi o que eu descobri: eles existem em cinco por cento dos mundos, a Teocracia tem o interesse em dominar tudo que existe" – "Não podemos permitir! E você sabe disso, Aella!" – "Acho que nosso mundo é uma experiência,... Isso está sendo feito para que a Teocracia saiba o que acontece, se Deuses não existirem; o que seria do mundo sem eles",... – "Entendi; o que você quer?" – "Eu? Eu quero destruir essa prisão em que nós fomos aprisionados" – "Entendi; e mais alguma coisa?" – "Não vejo porque fazer mais nada de importante, além disso" – "Você vai ter um monte de surpresas no seu caminho; eu sei os seus sonhos" – "E não vai contar, não é isso?" – "Não posso! O Sonho deve ser neutro" – "Então,... No dia em que o vidente Elliot caiu,... Asha viu os olhos do Inimigo: azuis anil,... Isso quer dizer que ele é um sobrevivente, já enfrentou a morte muitas vezes" – "Entendi; e você, iria me contar isso, quando?" – "Não iria; mas, se você quiser saber o que eu vi, e vou fazer, eu quero eliminar esse Inimigo Sem Rosto" – "Não custe o quê? Você tem planos para esse trio? É isso?" – "Na verdade, existe um monte de provas de que estão usando viajem no tempo, Sonho, e isso, não podemos permitir. Mas bem, o destino deste trio eu mesma estou cuidando deles. Você não pode manipular eles de jeito nenhum!" – "Não?! Você está obsecada! Eu preciso saber de tudo, o que vai acontecer" – "Então, vamos ter de fazer um acordo" – "Feito", diz ele, e ele se concentra em Asha, Nina e Tomi, "Inimigo sem rosto?",... pensa ele, então.

Dentro da tenda, brigadeiro, biscoitos e refrigerante.

Barraquinhas,... Brindes, e brincadeiras. Vozes. Alegria. Nem parecia que o mundo lá fora estava um caos.

Abaixo dos paraluzes, que iluminam a noite de tons quentes, Tomi não acredita que passou, mas sabe que vai ser muito difícil. Caçador,... Imagina quanto tempo vai demorar até que os demais descubram, que tem um garoto que existe pra servir de controle de natalidade de seu povo entre eles, e apenas se empurra para a frente, acompanhando Asha – "Dessa vez, os alunos estão nos pátios de bronze, e os pais, nas mansões", diz a bruxa.

Não andaram muito, mas passaram pela Oficina da escola, que lhe garantiu passar de ano, pelo menos dessa vez, pela árvore antiga do Pátio entre os dois dormitórios femininos, de Santa Wicca ao norte e de Santa Antonieta ao sul, e então, minutos de caminhada, até a mansão de Brikkomi. Elliot estava lá. O olhar de que ele sabia tudo que Tomi estava pensando lhe incomodava, mas o professor tenso que vê coisas só baixou a cabeça, bem de leve, um cumprimento que agora foi que o Herói se acostumou, e retribuiu.

– Oi, prazer. Nina Blatt – disse ela, sorrindo. Tomi para um segundo, pra entender como ela consegue sorrir tão abertamente, com tanto problema.

– Prazer, Nina. Mojde el Sauza, eu sou mãe da Asha. Pode me chamar de Mojde. Sei quem você é. E você deve ser o Tomi.

– Prazer, senhora Mojde.

– Não precisa do senhora, por favor.

– Oi, eu sou a Asha – disse ela para o casal vestindo roupas sérias.

– Sim, Asha – diz sua mãe – Estes são os pais de Nina, Doutor Obert Blatt e Dona Ewá Donzel Blatt. Nós estávamos esperando vocês.

– Muito prazer, Asha; e Tomi – cumprimenta o doutor Blatt. O aperto de mão dele é um pouco forte, meio demais. Ele é louro e ela é bruna, praticamente Nina, só que mais velha, e Tomi reparou no sorriso – é o mesmo.

– Ficamos muito felizes de conhecer os melhores amigos de Nina – ela diz, e sorri mais uma vez – Estamos impressionados com a escola.

Nina reparou que Asha colocou a mão no peito, e só agora ela percebeu que esse é mesmo algum tipo de cumprimento. De repente, Nina também viu seu rosto, espelhado no rosto da melhor. Durou até Asha olhar pra outro lado. Então, a melhor, por um momento, fez uma expressão indecifrável, como se algo doesse, ou se ela tivesse visto qualquer coisa absurda – ela olha em volta. Tomi, alertado aí por sua amiga menos cuidadosa, ficou pronto para qualquer coisa.

Ainda na mesa dos professores, Elliot vê, enquanto conversa com Rei e Amadeu sobre equipamentos, os pais de Nina conversando – "Alguém podia ter se ferido!", dizia o Doutor Obert, e Ewá estava a ponto de chorar – "Mas é tudo que ela quer, .. por favor", "Não, Ewá, eu não quero que ela passe por isso! Eu não devia ter permitido, desde o começo. Sabia que isso não ia dar em nada de bom, você sabe,.. Esse acidente é, .. você sabe. Não! Chega". Eles estavam em casa, mas falavam de Nina, e ele imediatamente procura a mente de Asha.

"Asha, tenha muita atenção", ela ouve a voz de Elliot – "Você lê a minha mente o tempo todo, é?", e ouve – "Não, mas os pais de Nina vão tirar ela da Escola, no semestre que vem, me parece que devido a um,.. acidente. Tenha cuidado" – "Isso não pode acontecer. O que tenho de fazer pra evitar isso?", ele para e se concentra, ainda conversando, e diz – "Diz a verdade. Diga, deixe as coisas claras para eles", "Obrigada" mentaliza ela, e então, suspira.

Nina é melhor aluna que eu – Asha capta as atenções.

– O que é, filha? – sua mãe abre a boca.

– Tá,... Vai demorar muito pra ela fazer isso – e estala os dedos, soltando as suas faíscas vermelhas e brancas.

Asha! – sua mãe tem o rosto severo – Se exibir é feio.

– Não, mãe, .. não é isso. Tá,... desculpa – ela se virou para os pais da amiga – Nina ainda vai ter de estudar muito, mas já aprendeu que não se brinca com Magia, e acho importante se ela errar – ela se vira pra Nina – Se você errar, e até mesmo os professores às vezes erram, você vai aprender mais. E os monges conseguem curar praticamente qualquer coisa, a não ser que você perca mais de setenta por cento do seu corpo; aí, vai ter que virar ciborgue.

Nina se espanta – "O que é isso?", pensa a wicca.

Obert estava com uma expressão séria, como se ela tivesse tocado em um assunto dos mais indesejados, e a bruxa viu.

– Me descupe – ela sentiu as sensações vindas dele; suspirou – Nem tudo parece tão simples, na teoria. É melhor na prática, que isso. Mãe? – e se vira séria para sua mãe – Porque ele não veio?

Todos olharam para Mojde, e ela não evitou engolir em seco.

Asha, .. por favor – ela ficou olhando em seus olhos, pedinte, miserável – Você sabe que ele é um mago, e não poderia vir.

Nessa hora, Tomi se sensibilizou.

– Entendo perfeitamente, senh-... ehr, Mojde.

– Tá, .. Ele entende – ela se vira para os pais de Nina – Eu passei, quero dizer, Nina me ensinou muita coisa. Concluir que todo mago é mau e que todo bruxo é bom seria a mesma coisa que dizer que todo erro é ruim por completo.

"Você conseguiu", "Obrigada", e para pra pensar – "Preciso saber a hora certa em que eles vão aceitar ir ao casamento", e dá um sorriso para sua amiga.

– Estou impressionado com você, Asha – diz Obert, e se vira para sua mãe – Como é ter uma filha bruxa, e ao mesmo tempo tão inteligente?

– A Magia, ela herdou do pai.

– Hehe – Asha ri, sorri e ergue a mão para o alto para apertar a bochecha de sua mãe, que aperta o seu nariz em resposta.

Essa era a primeira vez na vida que Asha vira sua mãe rir, quando seu pai era o assunto, então, deu um suspiro longo, e a atmosfera se encheu de alegria.

"Agora, .. Deixe claro que Nina nunca viu um casamento e, se quiser, deixe claro que pode ser importante pra ela se ela sonha em se casar", "Sério?", ela achou estranho a parte do "se ela sonha em se casar", mas deixou quieto.

– Doutor Obert, Dona Ewá,... eu, .. Nina nunca viu um casamento – ela faz uma pausa antes de continuar; sente funcionando – Acho que para alguém que sonha em ter uma vida normal, digo, crescer, formar, trabalhar, e tal, .. acho que é importante, ... E vai ser o casamento mais importante do ano; entende.

Houve uns momentos de silêncio; Nina, de boca aberta.

– Digo, se Nina sonha em um dia se casar, acho que ir a um casamento pode ajudar, e acho que vocês deviam ir também ao casamento de minha mãe.

Ewá Blatt apertou o braço de Obert, e prendeu a respiração. A resposta pareceu vir do fundo da mente dele, que piscou umas duas ou três vezes.

– Entendo, .. Isso é bom, na verdade – ele puxa e solta o ar, pensando – Nós somos um pouco diferentes do povo da sua Nação. Somos acadêmicos. Nina tem o direito de ver isso, é óbvio, assim eu, nós,... realmente. Nós só temos como aceitar; iremos também.

A mãe de Asha sorria, uma lágrima dependurada. Nina ainda estava de boca aberta, o que só percebeu por que Tomi lhe observava, e fechou.

– Vai brincar, minha filha – e Mojde bateu em suas costas, de leve, com muito carinho. Ela ia saindo, quando parou e fez uma reverência, a mão sobre o coração e baixou a cabeça.

Assim que saíram, Nina não se aguentou.

– Você está doida, Asha?

– Acabo de salvar você, e é assim que você retribui?

– Você é completamente louca.

Andaram até os pátios, e foram se sentar com as colegas de dormitório de Asha e Nina, e Elliot apareceu, também. Havia comida, e era hora de comemorar, assim então... O vidente parou, dizendo "Muita salsicha, né?", riu para Asha, que transpareceu preocupação, mas abaixou e abanou a cabeça como quem prefere nem pensar em um problema sem solução.

– Salsichas,...

A bruxa captou aquilo, na sombra da voz dele.

– Sei,... O mal do urubu é pensar que o boi tá morto – resumiu ela – Isso é tão velho quanto se jogar no chão na área.

– O que foi?

– Nada não, Nina. Obrigações – diz a bruxa.

– Ah é, Tomi. E como foi o seu Ritual? Nossa, desculpa. Acho que eu fiquei doida de tanto estudar.

– Não foi tão divertido quanto o da semana seguinte, mas sim, sintonia, e tal e tal; e um belo galo na testa, que você não percebeu.

– Ai – e ela decidiu não dizer mais nada, depois disso. Aquela, pensava Nina, era a sua verdade, felicidade, a sua fortuna.

– Ai – disse Asha – Estamos no próximo semestre! Vocês dois, se cuidem, e vamos comemorar! Você vai precisar de Sintonia, Herói.

Ele pareceu não perceber o que ela quis dizer com isso, só fez um tipo de cumprimento de rua, as costas da mão com três dedos, mas a bruxa se virou e fez o mesmo que ele – "Eles são os melhores alunos", pensa o Sonho, pegando uma salsicha frita com mostarda, "Vai ser fácil!",... pensa ele, com sua maquiagem bem borrada, que era pra ser branca, "Só preciso que eles se tornem adultos muito mais rápido do que o normal; a bruxa, já está feito, ela vai precisar saber como é a vida de adulta, mas eu já sei o que é necessário. Que bom,... Só que eu sinto que estou sendo observado,... Acho que Eguthathugua está,... observando; e não tenho como evitar, ele parece muito poderoso".

Asha começou a se comunicar por manifestação, mas Nina não tem esse costume, e preferiu dizer que não era hora para isso.

Bealae veio chegando, pela janela do transporte coletivo, mas a diferença é que você pode perceber a mudança definindo a distância entre as indústrias e os bairros, e quanto mais se aproxima da capital bruxa, mais a sintonia faz sentido. Está tudo lá. Era verdade, mesmo que ele não quisesse saber. Não é medo, ele repete, pensando um pouco no assunto. A bruxa maluca está certa, e com um mínimo de treinamento você percebe. Existem sinais muito, mas muito sutis, da presença dos bruxos em sua capital; um jardim de uma casa tinha ervas que você precisa para poções, foi possível ver pela janela de um apartamento um espelho de duas vias, para comunicar a distância, um homem lia o jornal de óculos de sol, e olhava o relógio de bolso – "Me diz aí, quem é que usa relógio de bolso, em pleno século vinte e três?".

O mais importante é que agora Tomi sabia ler, e todos os sinais eram muito simples, nada que chame a atenção, mas pode identificar um membro da Tropa de Elite a paisana, na hora exata em que o transporte entrava na cidade: ele colocou a mão direita ao lado da boca para avisar que haviam chegado; o Diretor não estava brincando, mesmo.

Assim, deveria se sentir seguro.

Havia só um problema, que não o deixaria mais dormir com os dois olhos: ninguém falava com ele, no transporte.

O transporte de Nina era caro, pago. Mas Tomi, como uma grande parte dos alunos, que não tinha um pai cientista, político ou terapeuta, ia de transporte público. Tomi viu seu bairro ficar para trás, e ficou preocupado.

Antes, eles rodaram toda a cidade, deixando os alunos em suas casas, sobrou apenas ele, o motorista e o controlador, depois que os irmãos Natan e Praestina desceram, nervosos por estarem sozinhos com ele – Natan erguia os ombros, para proteger a irmã, da outra sala. Mais algumas ruas, e então, Tomi viu o bowl do seu bairro, ali era o seu lugar.

Desceu do transporte, e parou. Era certo que ali, também, se respirasse errado, seria morto, mas por causas comuns.

Traficantes, putas e andarilhos.

Isso sim é o que ele pode chamar de casa.

Então, ele suspira; o ar, poluído.

Ainda assim, você sente um certo tipo de alívio quando a maioria das pessoas não está armada, ou pode soltar um raio e te matar. Morrer com tiro, quando a maioria ali só pensa mesmo em fumar, beber e pegar mulher, bom, sim sim, mexer com a mulher errada pode lhe garantir a azeitona e o paletó de presunto, não duvide. Outra morte comum. Nada de virar um peixe, e ser torturado com poções mágicas, preso no aquário de alguém, sem a menor chance de falar, fugir ou mesmo de não comer a comida que, claro, vai te manter preso na forma preferida do algoz – era mesmo terrível que bruxos sejam criativos.

Tomi se arrastou, levando uma mala pela entrada do edifício, mas logo que o viu na entrada ao abrir o portão, Cláudio, o porteiro, veio lhe ajudar – "Pode deixar, Hiel, que eu carrego pra você", caraca, tinha esquecido do apelido. É tudo Senhor Tomi pra cá, Senhor Tomi pra lá, mas agradeceu – "Obrigado, Cláudio", mas o porteiro parou. Ele se lembrou, com dificuldade, que nunca havia dito o nome dele – "Sem problema", disse o homem – "Você está em uma escola nova, né? Como é?", e ele pensou rápido – "Acho que tive o pior semestre da minha vida, e o semestre que vem vai ser pior", "Mas está vivo. Sua tia",... – a sintonia lhe diz que ele o enganou – "Minha tia está em casa? Preciso falar com ela", o homem torceu o nariz – "Acho que sim. Boa tarde" – "Boa tarde".

Não esperava por isso.

Sem pensar, estava sendo formal com um porteiro, dizendo obrigado e preferindo que sua tia estivesse em casa; não era a toa que ele estranhou.

Teria de ser mais cuidadoso, daqui em diante. Teve aulas demais de Saber Comum, pra entender que isso foi um erro, e grave.

Semestre que vem terá o dobro delas. As aulas não são difíceis. Só que ver o mundo desse ponto de vista era realmente muito estranho.

A porta estava aberta, quando Tomi chegou.

– Alô – chamou, entrando em casa.

– Estou na cozinha – disse Avilá, quase gritando. E então, você não tem mesmo como fugir disso, um cheiro mais que delicioso, de comida.

– O que é isso, tia? Arroz, batata assada com queijo, lasanha, limonada, e aquilo ali parece salada ceasar – ele estava na porta da cozinha, parado. Sem que pudesse evitar, o seu estômago roncou, e ela ouviu, é claro. Tons laranjas e quentes entram pela janela aberta, enxendo de vida o apartamento deles.

– Você aprende a cozinhar, na escola? – Avilá franziu a testa – Você me disse o dia que devia voltar, e eu pensei que você devia comer mal, por lá. Sabe? Não é todo dia que você consegue encontrar comida, eu sei; eu estudei em um internato, também. Mas você parece gordinho, guri; deixa eu olhar pra você – e parou, desconfiada.

– Tia,... Eu sei me virar – desviou o assunto.

Avilá não pareceu convencida, mas suspirou e foi se sentar. Olhou a mala, e antes que ele tivesse tempo, ela disse logo.

– Vem comer, se não esfria.

Tomi deu o seu sorriso torto, só seu, e ele percebe que sua tia conhecia o sorriso, pelo olhar dela; sorriso esse, que só agora ele sabe que tem.

E, então, se sentou à mesa.

A despedida havia sido rápida. Asha ia ficar na escola. Nina sabia que não podiam questionar isso. Não queria, afinal ela sempre lhes dizia mesmo, ou não, porque se disso dependia algum tipo de segredo, ela e Tomi tinham de descobrir sozinhos.

– Minha mãe vai se casar dia dezenove de janeiro, e eu quero você na minha casa, ou melhor, lá, pelo menos um dia antes disso. Sem falta. Tomi concordou. O casamento vai ser no Templo de Santa Wicca, minha avó.

– É mesmo, seu padrasto não estava no festival de fim de ano.

– Não, Nina. Ele estava em Ouropretana. Mas Éjjelég vai estar no casamento, mesmo que eu não quisesse.

Não deu muito tempo, depois de Nina partir, e [eElliot]] lhe chamou. Deixou claro desde o início o que era. E assim, a importante bruxinha veio parar aqui.

(Beaelorizont, Aglomerado Sudeste, 3 de Janeiro de 2214, 20:13)

– Tem pipoca?

– Claro.

– Você é impressionante. Como sabia que eu ia querer pipoca?

Seu silêncio fala mais que qualquer palavra. No canto, ele vai até lá e aperta o botão do forno; branco, parecia estar ali só para isso.

De novo e de novo, ela só balança a sua cabeça.

– Posso perguntar? – examina ele.

– Porque da pipoca?

Silêncio.

– Ah, que graça tem assistir um evento militar secreto sem pipoca?

– O que nós estamos esperando, senhor Gulanta? – Essa era uma resposta há muito esperada que devia aguardar, assim, pela manifestação da pergunta.

Olhou ao redor, e depois para cima, repensando tudo.

Havia um supercomputador montado no alto do edifício Malaga Office, onde ele e a equipe estavam acampados. Nenhuma nuvem no céu. E, enquanto isso, chove em toda a região. Sempre chove nesta época do ano. O imenso shopping a céu aberto, a tão charmosa região da Savassi, toda negra, e tenebrosa, e a praça vazia em pleno início de ano. Até a decoração de fim de ano havia sido desligada. Até as árvores pareciam saber. Sentir. Não se conseguia ver nenhuma luz. Nenhuma janela acesa. O ar, pesado ali, parecia ser a primeira demonstração, ou aquela sensação de frio no meio do verão, todas condições que, ele sabia, estavam sendo anotadas cuidadosamente pela equipe.

– Olhe para cima, Don senador Bartolomeu Andronikos.

– Não tem nuvens – concluiu o feiticeiro, pensativo. Aquela era a hora de jogar, e ou de deixar uma marca no silêncio sob os paraluzes.

O tempo observa, e é maior que todos nós.

– Os satélites de controle do clima abriram toda a área, para a nossa operação, que não pode falhar.

Don Takamatsu! Então, a Academia também está envolvida.

– Mais que isso, senador. Vê a estrela em cima de nós? Ela não se moveu, desde a hora que a noite começou, e não vai se mover. É um satélite. Uma arma militar de destruição em massa, capaz de eliminar mais ou menos uns dez quilômetros quadrados de uma só vez, e está apontada para nós, agora.

– Isso é um absurdo!

– Não é. Não, senador, não é um absurdo. Eles podem nos ouvir, também, e estão gravando tudo que acontece aqui.

De repente, o senador ficou mudo.

– Nossa missão é muito importante. Do nosso sucesso depende o estudo que deve ser feito pela Academia. Não se trata mais de lados, – diz Elliot, vendo a expressão no rosto do senador, que olha sem parar para a multidão fora dos escudos – mas sim de que cada um tem o seu papel nesse mundo, ameaçado, e a ameaça é contra todos nós; todos, sem excessão.

O senador feiticeiro olha para as entradas e saídas da praça, e os tanques, dois prontos para atacar o que vier, e mais dois virados para fora da praça.

Estava muito claro que houve integração de várias nações, aqui. Mas isso é muito claro. Andronikos sabe, foi ele que conseguiu isso. Seu rosto demonstrava a dúvida sobre sua participação. Bem,... Agora, se isso der errado, ele vai levar a culpa – e pior, ele sabe que os comuns estão gravando todos os detalhes e, sem a menor das dúvidas do mundo, isso está na interface. Antes que ele fosse falar qualquer coisa, o vidente lhe interrompe.

– Não podemos nos dar ao luxo de falhar hoje, Andronikos, nem de declarar todos os nossos homens nessa missão.

De repente, a menina tossiu, duas vezes. O feiticeiro olhou para ela, e seus olhos se apertaram, um feiticeiro assombrado.

– Eu não acredito que trouxeram uma criança para ver isso.

– Esta criança é minha segurança, Don Senador. Não sou um bruxo, e acredito nela mais que em qualquer homem que você poderia indicar para a função. Mas a nossa missão se consiste de limpar a sugeira de outras pessoas, séculos de erros, e ela é minha segurança, sua presença é essencial. Não faça de conta que não a conhece; sei que vocês sabem quem ela realmente é, Asha, a bruxa profetizada, e que vocês feiticeiros chamam ela de Onijó, A Dançarina.

Asha para de olhar, para evitar o contato visual com o senador, porque sabe que um olhar pode revelar muito sobre uma pessoa, ou demais.

Assim, seus olhos vão para a praça. Há sem dúvida membros de Tropas de diversas cidades do Aglomerado Sudeste; Orrio, Petropolis e Sampa. Aliás, de mais de uma nação. Ela questionou a sanidade do seu amigo vidente, quando ele disse que comuns iriam ajudar, mas foi exatamente aí que ela percebeu o que acontecia no coração desse maluco. Ela entendeu. Sabarba lhe ensinou que esse era o maior poder que existia. O amor. Agora, a bruxa sentia as narinhas se expandirem, ao pensar em seu antigo Mestre e, então, esvaziando a mente, encontra as linhas bruxas, nos dois lados à direita e mais à frente na avenida. Via também os vampiros guerreiros Týr, vestidos de negro, e também sabia que era deles essa tecnologia exclusiva, e única, de escudo, que estavam usando. Os escudos eram de um alaranjado escuro, quase preto.

Mais distantes, estavam os ciborgues, a equipe médica que veio da Nação do Oeste, e que tem o juramento de servir a vida – "Jura estranha", Asha pensa.

Sem querer, ela percebe, estava torcendo a boca – mais que rápido, ela se reprograma para não fazer mais isso, pois uma melhor não pode ter nenhuma reação tipificada, e estala os ombros para relaxar, focando os olhos mais à frente. A noite é negra. Não há janelas acesas. Há mais estrelas no céu do que se imaginaria haver, quando se está em uma cidade, mas está tudo apagado.

Depois de tudo isso, e junto dos seus tanques, os comuns que Elliot fazia questão de estarem ali para participar. Soldados vestindo um verde quase negro, camuflado com cinza quase preto, protegendo as únicas chances de eles fugirem, os símbolos de teleporte, se tudo der errado.

Só os gritos de protesto dos comuns fora dos escudos rompe o silêncio que aguarda, para rugir e romper o tecido da revolta ignorante dos manifestantes.

Uma brisa suave passou por eles, de repente.

– Oba,... – diz a menina, e sentiu o arrepio de Elliot – O que foi? Visão?

– É melhor.. – ele inspirou para se acalmar – eu não te dizer o que é.

Elliot se liberta, e para. Não consegue entender que sensação é essa, que lhe arrancou de seu autocontrole por uma instância mínima. Elliot estreita os olhos, e em seu canto, Asha também.

Era como se hoje fosse ontem, só que não. O amanhã nasceu, mas morreu ao mesmo tempo, e tudo o que existe é o aqui e o agora.

Ele foi até a beirada do edifício, olhando para o centro da praça. O vento balançava as árvores, devagar, dando um aspecto absolutamente sobrenatural ao destacamento.

Havia uma presença, que ele sentia, todos sentiam, a presença...

,.. do medo.

– Wow! Wow-ow-ow-ow-ooow, há! Dois e oito, o que vocês tão pegando, aí no equipamento? – é a voz do maestro meio doido, que botou medo em todos os alunos do ciclo básico.

– Distúrbio na gravidade, Major Dukes – diz o homem de colete verde – Estou com a frequência,... campo magnético,... uma frequência ultrabaixa,... e ionização, semelhante à que é gerada pelo echtoconduíte,... não há medição de radiações nocivas,... e um tremor de terra, que mede agora dois na escala Richter, Major. Positivo, começou.

– Meninos e meninas, adeus ao Paraíso, porque o show vai começar – ele pôs seus óculos de proteção, baixando eles sobre o rosto – "Óculos alfas",... Asha percebe e pensa, quieta em seu canto comendo pipoca.

– Obrigado, Muñóz. Continue – diz Dukes, e Elliot pega o seu comunicador, uma tecnologia especial bruxa.

Aproximou-se da posição de observação, e chamou com um aceno de mão, Asha, e também o senador feiticeiro, Bartolomeu Andronikos, para ver. No outro lado do terraço, o bruxo e comandante, Gusa, está de veste de combate retraída até o bíceps, apoiado sobre sua perna com o braço direito, olhando atentamente o que ele já viu, um ano e um dia atrás, é o que ele está pensando.

– Isso,... é o que nós estávamos esperando, Senador.

No meio exato da praça, então, as Luzes surgem.

Dentro, surge uma fenda, negra e terrível, e eles quase não conseguem olhar para ela diretamente, deixando a clara noção de que o que quer que seja,..

,.. é pura energia negativa.

Aquela visão lhes deu a sensação clara de que ou essa operação tem sucesso, ou eles vão ter um problema maior do que eles vão conseguir lidar.

– O primeiro inimigo: O Olho de Jurupari.

(Fim do Cap 6)