O Efeito Exxina

De Enigma
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O Outro Nome do Medo -- Capítulo Quatro -- Sol Cajueiro

Um livro de Future Pop Adventure -- Estágio -- O Grande Jogo

Nota: Todos os Direitos reservados (Sol Cajueiro).

Este texto foi publicado em 17 de Setembro de 2020.

Dedicatória

À minha filha, minha motivação; aos meus pais, irmãos, de sangue e de caminho; aos amigos, de coração, a quem sempre deu apoio, em corpo, mente e espírito, e está agora digno de minha eterna gratidão.

Obrigado.

Cap 4 -- O Efeito Exxina

Nina viu que Herói não conseguia entender, então decidiu pensar em outra coisa, a se dedicar a usar tudo que aprendia na aula mais importante que tinha, e sem dúvida era a aula de Administração. Não tirava da cabeça que, a partir do momento que fizesse o Ritual, iria realmente aprender Magia. Sendo comum, ela sente a sorte grande de estudar numa Escola de Magia. O mês seguia adiante. Testes. As aulas eram duras, era o que seu melhor amigo dizia: "Mais difícil que voar"; mas Herói não fazia idéia do que se passava no coração de sua amiga, em seus pensamentos. Ela estuda. Fif, um dia, lhe disse que se estudasse mais, – "seus cabelos serão brancos, em dois anos", mas o que mais, sem dúvida, incomodava a pequena wicca, era Sura. Um dia, Nina não aguentou e gritou – "Você não faz nada!", e a intercambista ficou tanta raiva, que parou de falar com a colega.

No fim do mês de Outubro, Tomi conseguiu seu primeiro zero. A sua amiga andou ao seu lado em silêncio até o bosque norte lá depois das piscinas.

– Eu não entendo – disse ele.

– Exatamente – Nina revela – Essa é a resposta.

– Do qu-... – ele se virou – Do que você está falando? Qual foi a sua nota? Eu sou um desastre, mesmo – eles se sentaram, à sombra do ipê-rosa.

– Eu,... tirei Dez, A-Um – ela relutou em dizer.

– Meu! Eu tô muito ferrado. Nota máxima?! Que inveja.

– Vamos ver,... – ela titilou o dedo no rosto, pensativa – Me diz quais são as suas respostas; então, eu tento corrigir.

– A pior é a treze: "Qual é o Segredo?"! Que tipo de escola é essa?

Assim, sem esperança, ele pediu uma tela no ar, e passou a sua prova para a amiga corrigir; ela foi ver o que ele respondeu, mas torceu a boca.

– Você fez trezentas palavras... pra isso?!

– Olha a pergunta! O que eles esperavam que eu respondesse? Eu disse tudo o que eu já aprendi e dei os maiores detalhes que podia. Olha aí.

– A resposta é simples. Eu respondi: "O Segredo não necessita ser falado; e muito menos revelado em uma prova, o que o deixaria exposto".

Herói se soltou, deitando sobre a grama.

Tinha a certeza de que devia ter era pensado muito bem, antes de aceitar a matrícula.

Enfim, pensar que está ferrado é uma coisa.

Há uma diferença entre isso e o fato.

Deixou Nina corrigir sua prova, mas não entendeu metade do que ela disse sobre o que era esperado que ele respondesse.

Ela, porém, tinha outras coisas a lhe preocupar. Nikoleta observava de longe para lhe importunar, todos os dias, e as aulas eram muito difíceis.

Todas as noites, Nina via Asha em seu canto. Telas no ar. Sabia que ela, de alguma maneira, passava a maioria das noites fora, e – "Eu não posso explicar, Nina; isso não. Eu tenho a minha educação nas mãos, agora! Mas eu posso falar aonde estou indo. É n-zblóbletch, ss-hssm hrstlet-merda! Tá,... Eu realmente não posso te dizer". Um dia, quase no fim de setembro, Nina ficou na janela, para ver aonde Asha iria, e viu que ela entrou pela Entrada B do Edifício Núcleo. Isso não lhe diz nada! Ela deve estar usando um dos aportes, rituais preparados pra uso de alunos especiais e professores, no final do Saguão de Pedra, em ambos os lados, mas daí a sua amiga, a Melhor, pode ir a qualquer lugar! Talvez outra escola.

O Malumbra Café, mais conhecido como O Outro Café, é vazio. Não que ele não seja um lugar incrível, como todo o resto da escola. Nina não entendia, só que os alunos evitavam o lugar. A senhora Hossein, a dona, bem mais velha – e diga-se velha, porque a terapia genética só para de funcionar totalmente apenas depois dos cento e quinze anos mais ou menos – é um amor de pessoa! Assim, Nina decidiu que é o melhor lugar para estudar – Ninguém te incomoda! – disse ela a Tomoe, um dia desses, enquanto o dormitório tentava ignorar Asha.

A melhor aluna tinha uma missão, todas sabiam; só não dava pra saber o que era, pois ela passou a usar fundo preto nas várias telas holográficas.

A tentativa de subversão encontra no poder o antagonista.

O convite chega, sem que nenhuma delas esperassem por ele.

– Mas, Asha – Nina fica de boca aberta; Branca, Tomoe, Bruna e ali meio de longe, Africa, a chefe, ninguém acredita – Você não pode não aceitar!

– Eu tenho coisas mais importantes a fazer do que ir aceitar os mimos de um político, e você, que é a minha melhor amiga, devia me apoiar – Asha parecia nervosa, mas Nina não se deu por vencida – não fazia sentido! – e insiste.

– Asha,... Não é um político qualquer: é o Chanceler – tenta Nina, e Branca até faz uma expressão de obrigação política, ali tentando ajudar.

– A partir do dia em que você entender, Nina, o que é uma missão, e que a missão define a vida e a morte das pessoas, então, a gente conversa – Asha viu que foi dura, mas ficou parada, sustentando o argumento – Nina,... – Asha passa a mão no próprio cabelo, para se esfriar um pouco – Não. Não tenho tempo pra bajulação do Chanceler, Grande Líder, "Grande Comum", o que for: ponto.

Aquilo e, certamente, a dureza com que Asha disse, afastou a pequena da sua melhor amiga; e então, bem, elas começaram a competir.

Assim foi que, sem Asha, Nina e Tomi foram parar em Bealae, e Nina viu lá pela primeira vez, O Edifício das Nações. Trata-se de uma série de construtos, planares, em que a região Praça histórica centro-sul de Bealae é transformada em uma outra cidade, com torres de magia, sedes de institutos como, por exemplo, o Instituto Mágico Legal, que tem a mesma sigla do seu equivalente comum para confundir os comuns. Praças, estátuas e bustos, tudo em honra a investigadores, educadores e políticos da Nação da Magia. Nina viu que todos se atrapalhavam com o pano xadrez, apesar de todos usarem. Aproveitando um momento único, ela questionou seu amigo sobre o tartã dele que era diferente; Tomi não disse que tartã era, mas – "Ah, sim. O Tartã começou a ser usado, na verdade, no nosso primeiro dia de aula; oficialmente, né? Então? Nada mais real e esperado que isso, as pessoas se confundirem", mas a pequena viu que ele não explicou.

Ela apenas ergue uma sobrancelha, e se prepara. O Chanceler não é jovem nem velho, mas a solenidade não se deu em edifícios bruxos, mas na antiga Praça da Estação, comum, enquanto banhistas se molhavam lá, muito felizes.

– Prazer – disse ele, apertando sua mão – Saber: O Futuro da Dedicação, esse é o lema da sua escola, não é? Você será uma grande cientista – e o político mais importante do mundo pôs a mão em sua cabeça, despenteando seu cabelo, descuidado. Rindo dela, então, o Chanceler Pål Kék ajudou a arrumá-lo outra vez, dispensando a ajuda do mestre de cerimônias da comissão acadêmica.

Apertou a mão de Tomi, muito descuidado, sem dizer nada. O olhar do seu amigo depois disso, ela sentia, era de inveja dela; ele, porém, não entendeu o olhar dela, como se não houvesse poder no mundo a mudar seu pensamento.

Hieronimus começou a ficar com medo de Nina, se sentindo alerta.

A cerimônia de entrega do título de Grande Líder, dado pela Academia só aos maiores representantes de uma Nação, no caso, As Treze Nações, foi dado ao herói e educador nacionalmente famoso, Abbel Sabarba, pelo Chanceler e Grande Líder da Academia, Pål Kék. Ele não discursou, o que é um hábito dele e isso foi uma surpresa. O representante de Imoh Kalai, Conselheiro, e que está na posição de Premiér, discursou por eles. O evento termina quando uma mulher, de vestido vermelho muito vivo, quebrou a champanhe no monumento, o que ele, famoso cientista político – e Chanceler, não conseguiu – quebrar a garrafa.

Ele também tropeçou no chão liso! Sorte que, e Nina viu, um bruxo pode evitar que ele caísse com a cara no chão; foi magia, é claro.

Daqui em diante, o Chanceler estava com cara de enterro.

Até Tomi, a estudante wicca notou, percebeu isso nele.

E então, Nina e Tomi foram levados pelos construtos até o local onde eles deviam fazer a travessia, o teleporte mágico. Ele sentia medo. Nina nunca deixou de ver em seus olhos o medo, o qual sempre sentiu, da Magia; e hoje ele parece entender que vai depender dela para sempre, é certo que não gosta disso.

Mas então, o homem que deveriria ativar o teleporte parou.

Eles observaram ele olhando um dos símbolos, depois dizer – "Autentia!", e então viu o mesmo símbolo à frente de Tomi. Ele comparou os diagramas, o que estava no chão e o diagrama de Hieronimus com calma, o olhar pesado.

– Algum problema, oficial? – Nina pergunta.

– Nenhum problema com que você deva se preocupar, jovem – até Tomi percebeu o tom frio, mas em dúvida, como quem diz – "Não é da sua conta",...

– Posso saber o seu nome, oficial? Eu estou inscrita como futura Repórter, e você pode ver a minha ficha na Escola. É meu direito, e você sabe.

O oficial apertou os olhos, segurando a raiva. Ela parecia ter feito o maior insulto que um oficial da Tropa de Elite poderia receber, e Tomi estava pronto para falar o que quer que viesse à mente para evitar problemas, mas,...

– Oficial João Borges, Quinhentos e oito, de Beaelorizont, do Edifício das Nações, Avatar Vítor – disse ele – A madrugada precede a manhã, jovem. Vocês dois parecem ser muito amigos,... Fiquem nos seus lugares, de pé sobre o seu símbolo, e tenham ambos provavelmente uma boa noite.

Assim, tudo se foi, e a Sala de Aporte apareceu.

– O que foi isso, Nina? Você quer complicar a nossa vida? – ele não esperou por uma resposta – Aquele era um soldado, mina,... Você pirou?

– Ele não é o primeiro que te olha estranho.

– Ah, me erra, Nina – Tomi se sentiu estressado – Tá, foi mal. Mas você pode me dizer o que foi isso? Me diz a resposta, pelo menos dessa vez.

– Asha – a voz dela saiu meio apagada, diferente do usual.

– O que que tem ela, fi'a? Você tá doida? – ele pergunta.

– O oficial tinha o mesmo olhar que ela tem quando olha pra você. O mesmo do dia em que ela te atacou. Agora, eu é que sou a doida? É? Se você vai ser grosso comigo, então, está bem! Continue sendo grosso, e boa noite.

Sem saber o que fazia, ela simplesmente saiu andando. Ela passou direto pela oficial do teleporte, Esmeralda, como um bicho.

Daí em diante, Nina se afundou nos estudos. Não fazia mais nada. Estava irritada, e como tem o hábito de dar patadas, ninguém lhe falava nada. Tomi não teve essa sorte, pois teve duas semanas maravilhosas.

As duas semanas que se seguiram foram, no ponto de vista de Herói, a imagem do paraíso, e fez amizade com dezenas de alunos. Ele ia mal. Mesmo com a ajuda deles, suas notas estavam no fundo do poço, em uma rua sem saída. A única que lhe olhava como se fosse um monstro era Lucrécia. Lhe disseram para não ligar, pois ela era mesmo um poço de, erh,... qual é mesmo o oposto de doçura? Afinal, todos lhe explicavam que ele e as suas respostas eram melhor que comédia. Como assim ele revela segredos numa prova, e espera que professores aceitem? Ele está no Ciclo Básico, e quer que sua resposta, de duzentas palavras, redefina a Magia, a Energia Histórica e a Cosmologia? Que comédia.

De repente, não, aos poucos, todos lhe olham estranho.

– Bom dia, Fif. Eu estou com uma dúvida,...

– Desculpe, Tomi – diz ele, seco – Não tenho tempo. Estou me preparando para a cerimônia de Entrega de Varinhas, eu e a Nina,... Não posso te ajudar.

– Sem problema, velho – ele começou – Quer dizer que a N-,...

– Sem tempo! – Fif lhe interrompe, no corredor, ao ver que todos lhes obseravam – Não tenho tempo, Tomi. Você vai ter de aprender sozinho.

Nessa hora, o Herói viu que seu melhor amigo e colega lhe deixou, e olhou, vendo que todos no corredor norte lhe observavam. "O que está acontecendo?", esse era o seu pensamento, e eles também pareciam saber o que ele pensava.

Vinha pelo corredor a segunda pior aluna, Kate, perdida nos cabelos de Elyfa, mas bem ao lado dela, vinha Lucrécia.

Tomi se virou e foi embora dalí.

Daí em diante, ninguém mais respondeu nenhuma pergunta sua, nem mesmo das mais simples, como – "Onde é a aula de Feitiços, hoje?", mas pode ser porque isso não é matéria do seu Ciclo, ou pode ser coisa pior. Ele sentia. Alguma coisa lhe dizia que nada disso era muito bom. E ainda, ninguém ousava lhe dizer, me diz, como é que você vai saber encontrar a solução, se não sabe qual é o problema?

Katamiramis Dão, da sala da Asha, ele viu passeando pela Capela, com bilhetinhos, todos eles brincadeiras e travessuras do Dia das Bruxas. Ela parou. Ao lhe ver, ela foi em outra direção e o ignorou, ou fingiu que ele não estava lá.

– Ei! – ele gritou – Alguém pode me dizer o que está acontecendo?

Mas ninguém lhe dirigiu a palavra, como sempre. Além disso, ele era o aluno que mais recebia correções de Llugýr, androide da sua sala, que aos poucos foi reconhecendo que ele não tinha o dom. Terrível. Nem mesmo um androide lhe reconhece como alguém com algum futuro,...

Acabado, ele vai para o Bar da Tia Braga. Todos os que entram, felizes, logo que lhe veem, desaparecem os sorrisos, e se tornam incomodamente formais.

Hieronimus, então, pegou seu fone de ouvido, e mandou seu Profeta ligar pra uma pessoa, totalmente fora desse mundinho. Esse mundo cheio de não-me-disse. Ele sai para uma das varandas, e vai para a última mesa, no canto. Ali ele acredita que só se alguém fizer magia, vai poder ouvir. Ele está quase não ligando pra isso, mais. Ele sempre teve as ideias no lugar, bem, ao menos entre as Tribos. Ele percebeu. Ele é das Tribos, e ter vindo pra cá pode ter sido um erro, que ele não devia ter cometido – o seu Profeta projeta o holograma na tela.

– Fala, Herói! – disse ela – Quanto tempo,...

– Oi, Fer – a voz de Tomi indicava claramente que ele estava na pior – Você ainda anda com o Duds? To precisando de um favor, mina,...

– Seu rosto tá péssimo – ela franze o nariz – O que que pega?

– Eu nunca entendi,... Vocês são irmãos? É que, tipo,...

– De pai – revela ela – O que é que você precisa, maluco? Acho que você deve estar metido em alguma merda grande, só pode,...

– É que,... Eu preciso falar,...

– Ah, ah,... – ela interrompe – É ele na segunda linha. Espera. Vou falar com ele e ver o que é, e a gente bluga em dois palitos; aguenta, aí.

Enquanto isso, Tomi vê que Kripadara, uma menina da sua sala que ele nunca nem mesmo conversou, também está no canto, do outro lado. Ninguém fala com ela. Bem, ele também percebe os olhares estranhos parecidos com os que lhe dirigem os colegas, na direção da menina, mas quando ia começar a se animar um pouco, Fer lhe chamou pela tela do computador.

– Meu,... Olha pra mim,... – ela chama. Ele olha – Você tá ferrado. O Duds mandou eu te falar que a Vidente mandou te dizer – "Você será testado. Você irá enfrentar todos os piores desafios do futuro que está à sua espera. Você tomou a decisão de aceitar, e o que lhe aguarda está selado pela sua decisão. Tudo o que as pessoas vão lhe dizer nesse momento são ilusões sob os olhos da alma, e a culpa é sua. Mas, você terá uma chance. Me diga: Quem é você?" – foi o que ela disse.

– Carranca,... Ela é uma Vidente mesmo,...

– Ow, tipo,... – sua amiga diz – Não quero ser chata, mas eu sou uma skeita, e eu sei que você tá ferrado, mesmo. A Mãe não manda mensagens a toa. Tá? Acho,... que se eu me meter a besta, eu vou me ferrar, mas se precisar é só ligar, viu? Eu tenho dezenove anos já, véi, o bastante pra saber que as Tribos precisam ficar unidas. Não se esquece das Tribos. Se cuida.

– É bom saber – ele esboçou um sorriso. De repente, a ligação foi cortada, e ele viu então o rosto da Professora Tamara na tela, séria e com raiva.

– Você deve ter permissão para acessar a rede externa, Tomi – diz a bruxa – Isso, se você não quiser problemas com a Escola, no futuro.

Não deu tempo de responder, e a tela voltou para o seu avatar, que ergueu as suas sobrancelhas, como quem diz "A culpa não é minha",... Klaura entra no bar. Entra, e para, a menina lhe vê, ali na varanda. O ar sempre feliz da menina, de repente, desaparece.

Longe, ao lado do supercentro de Beaelorizont, A Mãe faz uma invocação a das mais fortes, avisando a entidade necessária da necessária atenção.

Aella aparece, no canto do Bar.

Ninguém pode negar que ela não será vista, se não quiser. Com um tipo de movimento de corpo, sutil, ela impede que A Torre observe.

A Morte invoca o exu dessa escola.

De repente, toda a turma de Elyfa e de Lucrécia apareceram no bar, e elas fazem dele quase um alvo. A outra turma, o seu Ciclo, também apareceu. Meio dia e quinze, a hora do almoço, lhe colocou no centro dos olhares. Kripadara não estava mais lá. Ela veio muito cedo, e já terminou. "Ela é estranha", pensa. Todos se sentam para almoçar, em silêncio, e como se não pudesse piorar, Pylyp se senta à mesa bem ao seu lado, com aquele olhar de superior, que Tomi já odeia.

Pylyp põe o seu prato sobre a mesa, e vai até o calouro. Para, olhando bem nos seus olhos, pensativo.

– Você é o pior aluno da Escola, calouro – ele franze o nariz – Você não sabe, mas isso deve ter algum motivo. Não?

Tomi agarrou com todas as forças o mínimo de esperança de não ter toda a sua vida escolar destruída, e evitou dar uma resposta.

– Seu lenço está amarrado errado, calouro – diz o veterano.

Aquilo, como um cachorro latindo ao fundo da música que seu pai ouvia, quando você ainda era bebê, lhe trouxe a realidade à mente. Era isso. Ele não deu ouvidos ao seu, bem, parece que melhor professor da Escola, Asal Dlíam Gusa, quando ele foi perguntar como um idiota porque não podia ter uma varinha. Ele lhe avisou. O Tartã! Tomi só meio que mastigou os lábios, pois realmente não havia nada a dizer, agora. Era verdade, e todos eles estavam certos.

– Você precisa dos Professores, predador – Pylyp parecia se deliciar, com cada nota das próprias palavras – Tenha uma boa tarde.

E se foi, mas bem, então, o gordão seu segurança, se levantou. Tomi agora estava mesmo sem saída, mas se lembrou do dia que se se conheceram.

O gordão disse que ele era legal.

– Você é um mago – revelou o garoto, e olhou em volta – Mas e daí? – ninguém ali ia se aventurar a discordar do Mais Forte. Claro, talvez ele fosse tão gordo que as magias falhassem. Olhou para Tomi – Eu sou burro.

Tomi ficou sem palaras, ao ouvir isso dele.

– Eu sou burro, mago – ele disse, mais uma vez – Eu só passo de ano porque meus colegas precisam de mim; porque eu sou grande, forte e burro o bastante pra defender, ou quebrar em pedaços quem eu quiser.

Assim, Tomi só engoliu em seco, preocupado, agora.

– Qual de nós dois é pior, mago? Não tenta responder, não, que eu já sei que você tem notas piores que as minhas. Você,... Eu sou Iohannes Kjang – e o gordão olhou para todo o bar, intimidando a todos – Alguém aqui tem alguma coisa contra isso?

Mais uma vez, Tomi não entendeu nada. "Só tem doido", pensou. Parecia que ele estava perguntando a todos se concordavam que ele era o mais burro.

– Acho que o mago não vai ter os miolos pra te entender, Kjang. Você vai ter de dar algumas dicas pra ele, dessa vez.

A voz de Lucrécia ecoou naquele silêncio. Era ácida. Trazia com ela talvez as vozes perdidas no passado, de pessoas que Tomi nem imagina quem foram.

Iohannes demorou uns segundos até entender.

– Kjang,... – Tomi sentia que devia falar alguma coisa. Isso não era nada nada como uma escola comum, que ele conhecia – Eu sou um mago.

– Foi isso que eu disse – revelou Iohannes.

– Olha, obrigado por me dizer isso – agradeceu Herói – Eu já entendi, já. Vocês são todos bruxos, e eu sou um mago. Além disso, sou o pior aluno. Acho que você não têm noção de como seria isso numa escola comum. Eu sei. Estudei nas piores escolas que todos aqui podem imaginar, mas também sei coisas,... Não magia, não. Sei de coisas que ninguém aqui sabe, desmontar e montar uma arma, consertar uma prancha, e mesmo não tendo a idade que alguns de vocês já têm, trabalhei em vários lugares, já dormi na rua porque não tinha aonde ir; e tenho a minha história, que nenhum de vocês tem. Se vocês vão me excluir por ser diferente, isso não é diferente do que eu já conheço, porque a vida na rua, meu, pode crer, é bem pior do que a vida numa escola de magia.

Ninguém disse nem uma palavra sobre isso. Assim foi que Hieronimus Tomi se levantou e saiu. Todos o seguiram com os olhos, enquanto ele deixava o Bar da Tia Braga, que ouvia tudo sem falar nada, servindo os alunos que iam ao seu bar para comer; ele sentia o seu sangue ferver.

– Ele até que sabe lidar com os problemas dele – diz Preto.

– Preto, você como o exu dessa escola, tem uma obrigação de entender os alunos para planejar a proteção de todos que vivem nesse ambiente.

– Essa é minha função, Arcano Treze – Preto fica em dúvida – Mas porque você me chamou a atenção, pra prestar atenção no que é mais que normal?

– O nome que se usa e o nome que se dá, Preto – Aella parece pensativa demais, para um Arcano – Hieronimus não usa o apelido de Herói a toa.

– Êpa! – Preto internalisa – Ele é O Louco, então? Tamo perdido.

– Hieronimus não é O Louco, mas garanto que O Louco não vai ficar muito longe dele, Preto. Ele é a Descida ao Inferno da sua sociedade inteira.

Dessa vez, o exu ficou calado, simulando uma sinistra no canto do bar.

– Esta é a escola onde Elliot está vivendo e dando aulas de Xadrez, além de Estratégia nas aulas especiais; e eu preciso de você como meu ajudante.

Assim, Preto para um pouco para pensar, evitando as percepções de todos os alunos no bar sobre sua presença; como se Aella fosse permitir.

– Sei o que fazer, Arcano. Já estou levando ele aonde deve beber.

Tomi anda até a Oficina, meio tonto. O edifício é o coração da escola, e tem várias estufas, onde sabe-se que os professores ensinam os alunos inscritos nos cursos técnicos, Terceiro Ciclo, e agora o lugar perfeito para O Pior. É, também, a parte de cima da Passagem dos Enforcados, abaixo da Escada Suspensa, se é que se pode dizer que um construto está "sobre" outro. Tomi ignorou o que o droide que está à entrada disse, se é que ele disse, e andou diretamente até quem sabia que tinha poder ali para decidir, parando em frente ao Maestro Rei.

O professor de Arte ergue os olhos, com um monóculo que amplifica seu olho de uma forma canhota, e olhou para o professor de Tecnologia, Amadeu, na bancada um pouco mais à frente, de óculos de proteção, que também para os seus trabalhos, a espera; eles reconhecem o tartã diferente, na mesma hora.

– Eu quero me inscrever em Ofícios – Tomi diz, convicto.

– Hmmmh,... Em que ofício você quer treinamento? – pergunta Rei.

– Em todos – e dá pra notar raiva em seu tom de voz, mas Rei não se abala com o tom de voz do aluno – Vocês bruxos são todos loucos! Essa maluquice de Enigma comeu o cérebro de todo mundo, aqui! E a contar pela quantidade de amigos que eu tenho, e dá pra contar em uma mão, ou menos, eu vou é passar fome, esse é o meu futuro; então, eu quero aprender todos os ofícios,... Ehr,... quero dizer... Maestro. Todos eles. Sim, por favor.

– Sente na bancada ao lado da minha, e siga as minhas ordens, todas elas, de hoje em diante – assim, então, foi que Tomi encontrou o seu lugar, nesse mar de loucos.

Ainda que não tivesse o nível de treinamento de Asha, esse agora era o objetivo, e ela havia entendido o que significava missão. Depende só dela. Todos estavam agora se preparando para festejar. O dia das bruxas estava chegando, 31 de outubro. O Hallowmas. Nina nem percebeu que ignorou a orientação, decidiu passar o feriado na escola, quando podia passar com os pais.

Nada mais importa, já que seu Ritual será dia primeiro de novembro; quer dizer, durante a noite. As datas são diferentes nos dois hemisférios.

Ela seria o exemplo para todos os alunos. Foi então que ganhou o oitavo ponto, e passou Asha em um ponto, que a amiga a procurou, preocupada.

– Oi – deu início Asha, quando a noite no dormitório.

– Oi, Asha – Nina ergueu os olhos da tela. Sua amiga ficou preocupada, porque ela não parou pra conversar.

Nina fecha a tela e fica arrumando as coisas para ir dormir. E foi então que ela, Asha el Sauza, percebeu. Havia uma coisa errada, mas não sabia o quê.

A bruxa sentou em sua cama, esperando para falar.

E sua amiga, parou e pegou o suplemento alimentar, que passou a tomar para que conseguisse estudar mais, tomando os comprimidos, e indo se deitar, ela quase ignorou a sua melhor amiga ali parada.

– Você está bem, Nina?

– Nunca estive melhor, Asha.

– Não parece – Essas palavras de Asha lhe,... Surgiu uma raiva, não sabia de onde, mas engoliu a raiva.

– Heh. Acho que agora eu te entendo. (esperou). É sempre você que vem ver como eu estou, e sim, eu meio que surtei esse semestre, mas ainda não consegui,... tinha de fazer isso, porque na verdade ninguém mais poderia fazer por mim, e do que eu estou fazendo na Biblioteca Central de Beaelorizont.

A pequena Nina ficou em silêncio.

– Fiquei sabendo que você me passou nos pontos.

– Ã-hã.

– Parabéns.

– Brigada.

Asha realmente não sabia como ia dizer.

Era a única que podia dizer, então tomou coragem.

Iria retribuir tudo que a sua amiga sempre lhe deu, conselhos que nem os professores nunca tiveram nem a menor chance de conseguir lhe dar.

– Você não acha que está estudando demais, não?

Nina ficou vermelha, e seu sangue ferveu.

– Quero dizer. Eu tenho anos e anos de treinamento, e eu entendo quando você me diz que eu estou surtando, de tanto estudar. Faz bem pra mim, você me dizer isso, e queria retribuir te avisando a mesma coisa.

Ninguém nunca iria esperar a resposta que ela deu.

– Você está com inveja! – Nina ergue a voz – Só porque eu agora sou a melhor aluna, você está me dizendo pra parar de estudar.

– Nina,... Eu não estou gritando com você, hora nenhuma.

– Você não tem o direito de me dizer o que eu tenho ou não de fazer! – e então, Branca, além de Tomoe e Bruna, acordaram, e junto todas as moradoras do dormitório.

– O que é que tá acontecendo, gente?

– É a Asha, Branca. Só porque eu passei ela na pontuação! Ela agora quer que eu não estude, pra ela poder passar na minha frente.

Todas ficaram de boca aberta. Não conseguiam acreditar nessa discussão, mas todas ficam observando, como quem observa melhores amigas surtando uma com a outra – "Asha", diz Elliot no elo mental, "Cuidado com o que você vai dizer, porque estou sentindo a presença da Voz na mente dela".

– Nina,... Não é isso – Asha diz – Você está me entendendo errado.

– É isso, sim! Você está com inveja! Eu vou estudar, e vou me formar, e vou ser uma grande cientista! E você não vai me impedir! – grita Nina.

E então, Nina virou para o canto. Enrolou-se na coberta, e Asha ficou sem palavras, mas pensando rapidamente, viu onde estava o erro.

– Cientista? Mas você quer ser Repórter,... Você está surtando, Nina. Devia procurar o mestre de Defesa Contra a Corrupção.

– Humpf! – Nina não respondeu, e Asha foi para a cama.

Nenhuma das garotas entendeu isso que aconteceu. Talvez, Asha estivesse certa, ou pode ser que não. O silêncio, depois disso, deixou elas dormirem, mas sentiam que Nina estava certa, e não tiveram coragem para falar nada.

Asha também poderia estar certa, não sabiam a resposta.

E desde então, a pequena Nina não fala com sua melhor amiga. O Dia das Bruxas é um dia muito importante, o Hallowmas, especialmente para uma wicca.

E então, o trio se separou. Só uma pessoa ficou feliz. Ah, não foi bem ela exatamente, mas essa pessoa que não ficou feliz,... na verdade, sofre.

Seus cachos, sua única sorte.

O Dia das Bruxas chega, e a Quinta Capela se enche de magia, mesmo, e até os alunos que vão passar o feriado em casa querem passear um pouco pela escola, antes de se deixar ir para casa. Todas as escolas estão assim. Abóboras suspensas, com velas dentro, e doces mágicos, ou que te transfiguram em monstro, por apenas alguns segundos, mas para um observador negligente, hoje seria um dia de festa qualquer.

Todas as Escolas comemoram esse dia, e isso inclui as Torres da Bretanha, a Escola do Poder, Salem, Moskow, da Patagônia, além é claro da Escola do Cairo, djine, e as Escolas do Oriente, elementalistas. Todas. Todas as escolas do mundo, sem excessão comemoram o Hallowmas, e outras escolas, que não participam de nada, bem, de nada em termos internacionais, apenas, é sabido que as pessoas comuns comemoram esse dia, hoje, tanto no ocidente quanto no oriente, um dia muito especial, O Dia dos Mortos. O dia perfeito para Rituais,...

Asha foi acordada pelo barulho das colegas, mas também por um barulho que veio do seu computador, e ela foi olhar – e dizia "Procurando rede",...

– Feliz dia das bruxas, Asha! – foi o grito de bom dia de Branca.

– A Interface caiu – ela diz, ao olhar seu profeta.

– Quê? Ow! Hoje é dia de festaaaaa! – Branca diz, e ela é acertada pelo travesseiro de Klaura, enquanto Tomoe abre os olhos, meditando sobre a cama.

– Me larga, Branca. É sério.

– Ih,... Você também tá com problemas, Asha.

– Não. É sério. Olha – ela mostra o Profeta – Tô lendo a interface. Não é possível acessar nada. Caiu. Não dá pra ver nada, além de coisas inúteis, da rede velha.

– Ah! Não deve ser nada importante – Branca desconversa, feliz.

– Tenho certeza que é – e Asha realmente sente a certeza.

E assim começou do Dia das Bruxas, 31 de outubro, de 2213. Não demorou muito, até todos perceberem.

Todos os alunos estavam aos poucos falando uns com os outros, e estava óbvio que estava acontecendo uma coisa. Não era mágico. Não, ninguém sentia nada de errado, não na magia. Os professores, todos foram convocados. Nina estava recolhida, porque teria de fazer seu Ritual nesta noite. Assim, foi a única que não soube, que o mundo estava ilhado, e a Interface não funcionava. Tomi foi no canal de busyboys, e estava branco como papel, o que chamou a atenção de Pylyp, que foi almoçar no Bar da Tia Braga. Ele viu pela tela que o menino tinha acesso, e ninguém mais tinha. Esperou. O busyboy estava de olhos arregalados, e o veterano estava ficando realmente preocupado, agora.

Assim, ele chamou Lucrécia, com a mão, e ela trouxe Elyfa e Kate, e também mais uma das integrantes da elite da escola, Ofídia. Lucrécia ergueu a sobrancelha. Ficou muito claro o seu pensamento, de que – "Hmmmh,... Então, ele tem acesso",...

– O que que é, Tomi? – questiona Pylyp, Iohannes ao seu lado.

– Como é que o calouro tem acesso? – quis saber Nikolai – Você não está dizendo que tem mais segredos sobre você que a gente não sabe, é?

– Não vá tão fundo nos segredos das pessoas, Nikolai,... – disse Santiago, puxando uma cadeira – A não ser que queira se envolver diretamente neles, de fato.

Sabiam que Tomi era a única chance que tinham. Ele, porém, estava mudo de medo, e todos viam isso nele, enquanto ele lia o canal das Tribos Urbanas. Ele sabe, as Tribos alugam satélites velhos, tão velhos que ninguém se preocuparia em bloquear, nem mesmo isso que ele está lendo agora na Interface; engole em seco, pensando em o que falar.

– E entáão? Ow quêe é quêe s’tá acowntecendo, Toumi? – pergunta Kate.

– Olha, galera – Tomi estava de olhos arregalados – Isso é uma coisa que é muito difícil de explicar.

– A gente tá numa escola de magia,... mago – disse Elyfa. Isso soou muito esquisito, vindo de uma herdeira dos magos, das guerras de formação da sua sociedade oposta, a dos bruxos; mas bem, isso foi bom, todos entenderam que a bruxa agora era arcanista, sinal de abandono do passado familiar mago.

– Eu sei, Elyfa. Ehr,... Tem uma série de documentos secretos,... Não sei explicar. Tem uma, tipo, uma,... Ordem Secreta. Parece que é militar. E é mundial. Publicaram uma série de documentos dela na interface, e os militares mandaram parar a rede, para ver se é possível evitar o vazamento das informações, só que tem outras organizações lutando contra. É isso.

– Waaw. Que legal,... – disse Austero, aluno do último ano, ao lado do seu colega de quarto, Santiago Archangelo, que parecia focado em Elyfa.

O mago olhou para ele, com medo do que ia falar.

– Não é, não. Os documentos provam a existência da Magia, de vampiros, e que há criaturas de vários tipos, vivendo em meio às pessoas. (Aw! – exprime Kate). E, vocês não vão acreditar,... Nem eu to acreditando nisso,... Bem, é que,...

Como ele ficou em silêncio, nem todos ficam parados.

Os instantes se passam, precedendo a hora da revelação.

– O que é, mago? – insistiu Fif – Se você é o único que sabe, se eu matar você agora, ninguém vai ficar sabendo,..... É isso que você quer dizer?

– Hń,... é, Fif. Tá rolando isso, sim. Só que a mídia não tá mostrando nada, nem a mídia Nihon nem a English. De novo, não sei como explicar. O que tá acontecendo é que as mídias que tão publicando tudo isso são as mídias árabe, eslava e chinesa; o que não sei bem porque, afinal dizem que o material contraria tudo que eles acreditam. Eles estão revoltados, e tem pessoas indo pras ruas. Tá rolando revoltas num monte de lugares. Os aglomerados, as,... as Tropas de Elite estão decendo o cacete nelas, a causa é o que os documentos falam, eu não to entendendo muito bem, e ninguém do Canal também não.

– Vai direto ao ponto, Tomi – pediu Asha, comendo a sua sobremesa, e o garoto olhou para todos, ela e eles, sem muita certeza no rosto. Ela tinha no rosto uma expressão diferente, de admiração, vendo que ele é o único com acesso, ao pensar – "Você me surpreendeu, agora, Herói",... – Vai, diz logo.

– Deuses – diz ele – Os documentos provam a existência dos Deuses, e que todos eles foram mortos por essa organização.

Depois de meditar, horas e horas, Nina abriu os olhos; pronta para realizar o seu importante Ritual, e tinha muita certeza do que fazia. Não ouvia nenhum barulho. Ainda que fosse dia de feriado, Dia das Bruxas. Mal imaginava ela. Mas o mundo lá fora não era importante, só a missão. Essa palavra, ela havia entendido o significado, agora, e estava disposta a se tornar a bruxa mais poderosa do mundo. Uma importante Cientista. A ciência por trás do que os bruxos chamam de magia: Taumaturgia. Evitou de pensar na inveja da sua amiga, que queria que ela parasse de estudar só pra que ela continuasse sendo a melhor aluna, e deu início ao Ritual de Arcana, imaginando que o mundo não era importante.

Necessário dizer, que não imaginava o quanto estava enganada.

O mundo estava de cabeça para baixo, do avesso. O bagaço da laranja estava mesmo tenso, mas nem em sonhos ela imaginaria o que iria ver, agora.

Nina Donzel Blatt, então entrou em sintonia pela primeira vez. E, então, estremeceu com o que viu.

Sentiu e viu tudo que acontecia no mundo. Ouvia vozes, gritos de medo, e de ódio, vozes gritando, pedindo publicação da justiça. Tiros. Bombas. Ouvia um nome. Marcado para morrer, era o nome de uma mulher. Exxina Víz Egy. Tentou pronunciar, dizendo “Egu”, mas sentia que isso era um nome mágico. Sim, era uma Palavra de Poder. Tinha estudado isso, palavras que em si mesmas carregam E-Agá, Energia Histórica. Havia descoberto uma delas. Não acreditava nisso, mas sabia que era verdade, sim, era, e ela sentia também o mundo morrer lá fora, gritos, a guerra havia começado, e sabia também que a Interface havia caído.

E foi então, que começou a entrar em desespero.

Poderia ser? Estaria vendo o futuro? Ninguém havia falado nada sobre ver o futuro, ou sentir toda a dor do mundo, em estado de sintonia.

Isso era parte da sintonia? Estava no máximo do estresse, agora. Ela havia estudado demais, estava exausta, via a névoa ao seu redor, o elemento que compõe o Véu, mas não era possível separar o elemento. Não estava preparada, afinal. A verdade, porém, é que ela havia sido preparada, sim. Todo o recente treinamento, a Iniciação, aulas, tudo vem à sua mente, formando um todo por igual, como um quadro de repente definido, uma obra viva.

Tinha chegado no seu limite, ia desmaiar. Para não perder a concentração, respirava fundo, mas sentia uma presença poderosa, ao seu lado.

Se lembrou de Asha. Queria dizer o seu nome, pedir a sua ajuda. Ela havia tratado tão mal a sua amiga,... Gritado com ela. Como havia sido estúpida! Sentia uma energia poderosa, aqui, estava fazendo alguma coisa errada, e não sabia o que era.

Asha sem dúvida ia saber, e ia conseguir desvendar que sensação ruim era essa, e se isso era esperado ou não. Sentia a Morte. Não. Não era Aella que a pequena wicca sentia, a Mulher vestida de Destino, a entidade da morte. Era a Morte, mesmo. A Ceifadora. De repente, sabia ter ido longe demais pra uma iniciante, e o Véu ia se romper. Ia ficar louca. Para sempre! A dor, toda a raiva que pessoas no mundo inteiro sentiam. Ouvia cada grito sob ataque das Tropas de Elite da Academia, de todos os lugares. Eram árabes, chineses, eslavos. Via morte e destruição, revoltas, pessoas sendo presas, e não via através do Véu, o como lhe disseram, via em sua mente. Via em seu coração.

“Você é nossa melhor esperança, Nina”, ouviu a voz da Morte.

Esta era a voz da Ceifadora, terrível, e marcava a passagem entre tudo que ela sabia e conhecia, ela chegou no limiar, estava ouvindo a perfeição.

Sentiu que, se fosse perfeita, Ela a levaria.

– Porque eu? – Nina ouve a própria voz, e teme pela resposta.

“Você é a única pessoa realizando um Ritual hoje”, Nina sente, mas sabe que não existe outra opção. “Depressa. Veja isso”, e de repente a Ceifadora lhe transmitiu um Ritual, sentiu-se entrando em labirintos perdidos, dentro da sua mente, seu coração. A Morte não ousou lhe invadir. Apenas lhe transmitiu o Ritual correto. Nina, assim, se sente mais calma, e entende que a Morte lhe respeitou, ou talvez, se a Morte entrar em você, você morre, ou, bem, isso é parte de outra história,... vamos nos concentrar no Ritual, então.

A pequena Nina sente a presença da Ceifadora. Sabe que Ela está diante do Ritual de Arcana, e ela, dentro do Círculo,... mas Nina não a vê, além da névoa.

“Veja, Nina. Este é o Ritual. Você deve invocar Egu. Fui atraída até você, porque essa é uma palavra de poder secreta, que ninguém deveria saber. Você está vendo a Verdade, Nina, o que está acontecendo no mundo. Neste exato momento, pequena. Agora levante-se, e dê início ao Ritual. Ele é um Ritual muito antigo. Temos de aproveitar a energia do que acontece agora, em todo o mundo. Isso é um Evento, e é o mínimo de EH necessária para se concluir a conjuração. Isso. Levante-se. Não sinta medo. O medo é o inimigo da mente. A dúvida é a assassina da certeza. Invoque. Eu vou canalizar toda a energia do Evento para você, e o Ritual, então, será ativado. Você é a única pessoa realizando um Ritual no mundo, nesse momento, e não teremos outra oportunidade. Agora, vamos”, diz a Morte. Nina tem em mente, por pura intuição, que isso vai marcar a sua alma, mas decide não contrariar a entidade que separa os vivos dos mortos, pelo menos, dessa vez.

Ela faz tudo, certinho. Seu transe era tão profundo, que ela só pensava nas palavras de poder.

– Erkoilu Krengi! – diz, abrindo o Círculo, e tentando não esquecer nada. Todo o seu corpo estava em transe, a mente limpa, o espírito tranquilo.

– Kohailu krengi! – ela termina de abrir o Ritual.

Isso era assustador, impressionante, era aterrorizante. Desenhou o diagrama mais complexo que jamais veria. Esperou por uma confirmação. Estava certo? A Morte, porém, não lhe dirigiu mais a palavra, e a pequena wicca sente que ela tem a escolha, ela pode e deve ter a escolha, isso era uma Lei, e a Ceifadora não iria interferir mais.

Ela decide e, então, ouve sua própria voz.

– Eguthathugua.

No dia seguinte, todos já sabiam. Tomi ganhou algum dinheiro, vendendo tradutor de árabe para os outros alunos. Ele tinha acesso, ninguém sabe como.

As revoltas não pararam, e árabes, chineses e eslavos estavam nas ruas. De repente, os alunos começaram a temer que revelassem a localização das Escolas. Isso iria marcar uma nova Era, e isso sem dúvida é o tipo de coisa que não tem volta. Não. A magia, manifestação e poder estavam nos documentos, além de Deuses mortos, a localização de várias das sedes da tal sociedade, A Teocracia, diz-se nos documentos. Além disso, a Interface não voltou por bem; não houve como impedir o vazamento das informações, e durante a noite, todas as Nações registradas na Academia estavam prontas para se revoltar, ficando claro que existiam pessoas com acesso, e que existia uma coisa muito pior. Existiam pessoas, na organização, que estavam publicando isso, Exxina era o nome da líder, matar Deuses, o crime.

A Diretora Tamara convocou uma reunião, e Asal, Oyá, e Amadeu estavam presentes, os supersoldados em frente à Salão do Sigilo, o lugar da Quinta Capela mais forte e o mais protegido de todos. Silêncio,... Não foi um Dia das Bruxas perdido, apesar disso. "Acredito nisso também, Tomi", disse Elliot, "Essa é a chance das pessoas comuns saberem do mundo do segredo". Era como se a esperança de que as pessoas comuns participassem do mundo, mesmo, do jeito que ele é e de fato, se misturasse ao temor da revelação da magia para eles. Todos os alunos, aqui e ali, comemoravam. Havia um tensão no ar, e notícias que não chegavam. Revoltas. Espalhadas pelo mundo inteiro. Tensão, e a Tropas de Elite da Academia sufoca os revoltosos. Árabes, por religião, chineses e eslavos, por motivos políticos ou econômicos, ou então, "Estratégicos", talvez, sugeriu Pylyp, todos nas ruas.

Todas as Nações africanas de repente se manifestaram, deixando as pessoas saberem que as Tribos da África e Oriente Médio exigiam respostas.

Assim, as Nações foram, aos poucos, desbloqueando a interface, porque não se pode dizer que isso seja uma coisa impossível a elas. Os líderes das Nações tem poder. Apesar da Academia estar bloqueando a rede, a inteligência de cada uma das inúmeras Nações está, aos poucos, se comunicando com os seus. Ontem, as festividades deram lugar ao medo, e hoje, o medo dá lugar ao sentimento de ser parte de alguma coisa, de um povo, e que todos os povos são, na verdade, um mesmo povo, uma mesma voz, dito "Queremos a verdade!".

A Academia levantou a voz, para garantir que os documentos eram falsos. Nada do que está ali, nos documentos, é feito com rigor.

Não havia nada científico nestes documentos, era o discurso, e a mídia em inglês só defendia essa ideia, o tempo todo; mas o fato é: a queda da Inferface provava o contrário.

Os japonêses estavam começando a ficar mais cautelosos.

“Há documentos. Eles devem ser investigados. Não podemos descrever que isso não esteja acontecendo, fechar os olhos. A Nação Nihon acredita que eles devem ser entregues a autoridades. Todas as Nações devem ser responsáveis por esta análise. A princesa pede calma, a todos, e cuidado. A interpretação deve ser feita e, então, haverá um pronunciamento oficial nihon”, disse ao vivo o repórter japonês, logo que a rede ocidental teve acesso à mídia nihon; isso colocou um pano sobre a revolta, mas não sobre o temor, medo de que magia, manifestação e poder haviam sido expostos ao grande público, incerteza do futuro.

O Inconsciente Coletivo rapidamente se tornou a Voz que todos diziam ser a fonte da razão, e dizia que o mundo iria se modificar totalmente.

Rapidamente, a mídia em ingles deu o nome ao evento.

Assim, o Efeito Exxina, o nome da suposta "maga" que publicou o material, entregou não se sabe como, a noventa milhões de árabes, além também de uma quantidade de eslavos, e de chineses, e eles deram a turcos, gregos, bra, alemães, e outros, em todos os lugares, os tais documentos, as provas do crime.

Nina se encontrou com Asha, na hora do almoço. Havia ido dormir, depois de tudo, mas ao se levantar, a melhor aluna já havia saído, para ver as notícias.

Agora, Nina estava mesmo sem palavras, apesar de calma.

– Oi – Nina diz, e Asha sentiu-se feliz da vergonha, na voz dela.

– Oi, Nina,... – Asha pensa no que dizer – Como foi o Ritual?

– Achei que eu ia ficar louca pra sempre – resumiu a pequena wicca.

– H’ń, – riu sua amiga – mas então? Conseguiu? Entrou em sintonia? Você agora vai ter de explicar o que vê, a sua relação com a névoa, mas não se preocupe, porque o seu professor, Asal Gusa, é o maestro mais experiente que tem aqui,... Bem, ele é o mais jovem, também, mas isso não importa; ele foi voluntário da Tropa, e viajou todos os planos e dimensões da nossa região, do aglomerado, dos entreplanos, do agreste, das reservas e da Amazônia,...

– Não queria falar disso aqui, mas,... (Nina fungou),...

Ficou em silêncio, e sua amiga bruxa, mais experiente, sentiu uma energia ao redor da menina, e decidiu esperar pra conversar sobre isso depois.

– Desculpa – Nina, quando viu, já havia pedido desculpas.

– Tá,... Por você ter gritado comigo, ou por ter se tornado a melhor aluna?

– Ai, Asha,... – a wicca inspira fundo, e ergue a cabeça – Não tem nada simples no mundo, né?

– Quem foi que disse que era fácil?

Nina se lembrou de que devia manter a sensação da Sintonia, e respirou fundo por quatro vezes, e foi então, que percebeu.

A Sintonia lhe dizia, sem nenhuma dúvida, que a menina que está diante de si, a sua melhor amiga, Asha, é uma pessoa marcada. Não entendia. A sensação era de que Asha, e todos os que estão ao redor dela, estão envolvidos em um destino terrível, e isso foi quase um tipo de revelação, que Nina sente. Será isso? Ela sente o temor. Temor, porque foi pela sua amiga que veio a conhecer tudo aquilo, ou seja, ela já se envolveu, não há volta, e de tudo o que esperava no mundo da magia, este foi o momento de maior revelação – "Não tem como, não dá pra voltar. Eu passei pela ponte, e a ponte não existe mais", pensou.

– Tá, desculpa – Nina afasta os pensamentos, e balança a cabeça.

– N-hń. Agora, vem cá. Tá desculpada. Mas deixa eu te falar. Você ficou recolhida, e não sabe, ainda. O mundo tá de cabeça pra baixo – disse, comendo o seu pedaço de torta de maçã, querendo resumir tudo rapidamente, mas de repente, parou e viu que a expressão no rosto da amiga era estranha – Pera aí. Você sabe. Como pode saber, se essa noite estava recolhida? O que foi que,... Como?... Vamos pro dormitório, então. Agora. Você tem de me contar.

Demorou um tempo até Asha deixar sua amiga explicar tudo. A bruxinha ficou lhe fazendo perguntas o tempo todo.

– E como você disse que ele se chamava?

– Era,... Eguthathugua. Ai,... Fiquei com muito medo, quando ele apareceu. Ele tem mais ou menos dois metros e quinze. Não tem orelhas. Sua pele é meio alaranjada, e o olho é totalmente branco. O maxilar é estranho, não consigo descrever. A ponta dos dedos tem ventosas, e ele estava de toga. Ehr,... uma toga branca. Tinha uma mochila, feita de couro, parecia, mas era de pele, era verde esmeralda. Entrou um lagarto na hora que ele apareceu, e ele disse uma coisa estranha. Eu entendi, era "Aqui". A iguana foi e subiu até o ombro dele, então ele se virou pra mim, e disse que era pra eu sair de Sintonia. E eu achei que, na hora que saísse, ele ia sumir, mas não aconteceu,... Ele tava lá.

A verdadeira melhor aluna estava escutando cada palavra de sua amiga. Asha havia pedido para recontar a história, várias vezes.

– Você disse que ele tinha uma coisa, ao lado da bochecha,...

– Sim. Era,... eram,... tipo,... guelras – Nina passa a mão no pescoço.

– E o que você disse mesmo que ele falou?

– Foi assustador. Ele perguntou “Foi você que me invocou?”, e eu respondi que sim, daí ele olhou com uma cara estranha, e falou “Você é pequena. De que raça você é?”, e eu fiquei sem entender. “Como conseguiu esse Ritual?”, aí eu disse, “Ah, sim. Foi a Morte; ela acabou de me mostrar ele. O mundo tá um caos”, ele riu, e concluiu “Está certo. A Morte só me chama sempre pras festas mais interessantes. Tudo bem, eu vou ficar pra essa festa, então. Como você se chama?”, “Nina”, “Nome bonito. E qual é o nome desse lugar?”, “Quê?”, “É,... Desse mundo?”, “Ehr,... Terra?”, “Arda! Eu já conheço! Vim aqui há algum tempo atrás, e esse é o mundo ediche dos humanos, tons e sonhos. Setor Laranja, 52. Eu sei,... É bem perto da Fronteira Cinza, com as Ruínas Alfas. Então? Diz pra Morte que eu vou ficar. Da outra vez foi ótimo, e teve uma mulher sinistra que matou o líder o Inferno Oriental. Ela era linda,... Vou andar por aí, e ver o que tá acontecendo. Prazer, Nina. A gente ainda se vê por aí”.

– E?... – Asha pedia, mais uma vez.

– Ué. Aí, ele começou a andar, e se desfez no ar.

– Parabéns.

– Quê? Ele parecia ter uns vinte e nove anos,... Parabéns porque?

– Pera,.. Como você sabe isso? – Asha torceu o rosto.

– Sei lá – defende-se a wicca. Se sentiu insultada, pois "Como que essa doida quer saber como eu sei isso?", mas Nina se conteve.

Asha apertou os olhos, mas decidiu continuar.

– Parabéns, você conseguiu,... antes de mim.

– O quê?

– Ver um alienígena.

A pequena wicca ficou em silêncio, e parecia pensar sobre o que a sua amiga bruxa acaba de dizer, mas então muda de assunto.

– E agora? – questiona.

– Te mostrar uma coisa, então,... Erê – chama a bruxa.

Nina abriu a boca, ao ver uma nuvem se formar ao lado de sua cama, onde ela e a sua agora melhor amiga conversam. Erê é um espírito de menino e, no caso desse, nota-se um sorriso malandro, a cabeça careca bem lisa. Ele é transparente, ou não, uma forma de pessoinha, só que meio prateado, vestindo calças soltas de capoeira, obviamente brancas.

– Me chamou, fia? – diz ele, e olha pra Nina – Ah, sim, imaginei que um dia ia ver você, quer dizer, o contrário,...

– Nina, esse é Upepo, e pode fechar a boca, agora – pede Asha – Era só pra saber se ela tinha mesmo feito a Sintonia certo, Erê,...

– Vai me dispensar, assim, é? Na hora que eu posso conhecer e trocar uma prosa com a iniciada mais famosa da história arcana desse aglomerado? – e ele riu.

– Como assim? – Asha inclinou a cabeça, de leve, cerrou os olhos, mas sentiu que aquilo era verdade.

– "Dá quatro", "Dá quatro",... – e o Erê ensaiou uma dancinha.

O menino espírito sambou ao falar isso. Balançou os braços, à frente do corpo, só pra incomodar a sua amiga, ou porque sabia o efeito que isso deveria causar. Asha, então, olha pra Nina, apertando os lábios. Nina sabe que vai ter de explicar, isso e mais um monte de coisas, então, pra evitar problemas, ela decide mudar de assunto.

– Eu quero um gato – Asha inclina a cabeça para o lado ao ouvir isso dela, e se lembra que ela mesma quis isso, há muito tempo – Quer dizer,... É melhor que um peixe, não é? O que um peixe pode fazer, assim, além de nadar?

– O Dia do Peixe é dia dois de dezembro, é o Dia da Abolição da Escravidão e aceito por todas as nações mágicas, e também de manifestadores e de monges, do mundo todo, Nina. Não há por quê um gato ser melhor que um peixe, e eu tive um gato, que morreu por um erro meu – Nina franziu as sobrancelhas, e sabia que ela havia acabado de cometer uma gafe com sua amiga – Os animais mágicos, bem, agora que você sabe o Ritual de Arcana, vai aprender o Ritual de Ligação, que você quer pra ter um familiar. Os animais mágicos todos tem o seu dia, mas eu devo te avisar que você vai dividir a sua "alma", ou na magia, Essência, com o animal, e se ele,... – a bruxa, então, fechou os olhos e também abaixou a sua cabeça, como se ela fosse chorar,...

– Ai, Asha,... desculpa,...

– Não tem problema – ela balançou a cabeça, e fungou – Se o animal morrer, uma parte de você morre com ele.

A bruxa avaliou a jovem wicca, antes de continuar.

– Você e eu temos muita coisa,... – Asha para.

– Em comum? Tá; que hora engraçada pra dizer isso.

– Está na hora de eu resolver isso,... Você já está registrada como repórter, não está? Vou me registrar como policial, então.

– Decidiu do nada? Isso não parece coisa sua,...

– Olha aqui – e pediu uma tela no ar, dizendo "A Roda do Ano, por favor, Tainá", e mostrou a Nina – Esse é o Pentagrama, com a Cor de cada tipo de Magia, zero a dez, centro, dentro e fora. Os Métodos são as pontas: Balanço é Laranja, Mudança de Paradigma é Púrpura, Desejo é Vermelho, Necessidade é Verde e verde é esperança – não esquece disso – e o mais difícil, Não-Método, é Violeta. As Técnicas são: Amarelo é Defesa, Azul é Ego ou Riqueza, e o Turqueza é pureza nas suas intenções, Negra é de Ataque, e é o que recebe o nome de Magia Negra, Marrom é de Cura, e é a base metálica, e Magenta é Emoção, mas o que eu quero dizer é isso aqui. Olhe – e esperou – Viu? As datas? Imbolc é também a direção que você, wicca, um tipo sacerdote, deve fazer os seus Rituais. O leste; mas a direção da Nação é o sudeste. Esse é o Dia da Mariposa, mas isso é no hemisfério norte. Aqui é o Dia do Sapo.

– Eu não quero um sapo! – protesta Nina.

– Nina, nenhum animal mágico é melhor que outro, mas sim todos tem a sua magia, vão aumentar as suas percepções e te guiar pelos planos.

– Nina, ouve a doida. É verdade, fia – diz o Erê.

A wicca fez uma careta, mas logo olhou a tabela com algum cuidado, mesmo porque agora sabia que Magia era uma coisa muito muito séria.

– Copia pra você – e a bruxa passou o arquivo para a amiga – Pronto. Agora, vamos ao trabalho, que dessa vez você me deixou tensa. Vamos começar te ensinando a fazer a aritmancia desse nome. Não é todo dia que a gente realmente pode ver um alienígena de verdade. E, sem dúvida, a Morte deve ser a única no mundo que sabe esse Ritual perdido, então me explique tudo o que esse Ritual te obrigou a fazer pra que funcionasse, passo a passo.

Nina teve só um instante para pensar, mas quando disse, percebeu que já havia dito e, diz o ditado, dita a palavra não se tem volta.

– Tomi,... Ai, Formiguinha,... Porque eu sou tão estúpida?

– Ai, Mariposa. Não faz assim comigo, não. Logo ele?

Asha soltou o ar, um risinho triste. Acaba de perceber que os pensamentos da amiga sempre vão parar nele; Nina também notou.

(Fim do Cap 4)