O Disciplinário da Capela

De Enigma
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Silêncio sob Os Paraluzes -- Capítulo Sete -- Sol Cajueiro

Um livro de Future Pop Adventure -- Estágio -- O Grande Jogo

Nota: Todos os Direitos reservados.

Este Capítulo foi publicado no dia 16 de Dezembro de 2018.

Dedicatória

À minha filha, minha motivação; aos meus pais, irmãos, de sangue e de caminho; aos amigos, de coração, a quem sempre deu o apoio, em corpo, mente e espírito, e está agora digno de minha eterna gratidão.

–– Obrigado.

Cap 9 – O Disciplinário da Capela

O garoto está vestido com roupas negras. Seu olhar é de uma pessoa com quem não se devia brincar, nunca. Ele parece estar comendo o ar da situação ao redor: digerindo o contexto, para então dizer para que está ali. Ele sorri, sinistro. Então, ele se adianta até Asha, levantando a mão direita para impedir que ela falasse; isso tudo também se mistura com as sensações – o medo e o alívio – do que havia acontecido até ali; e Nina devora o seu chocolate.

Uma aluna mais velha, lá no outro lado, se levanta e veste rápido o roupão; o garoto olha de rosto em rosto e se vira para Asha.

– Ainda não acabou – diz ele; o tom de urgência na sua voz – Você precisa desfazer a "Senha" da Sala de Rituais.

– Eu... – começou Asha – não sei como é que você...

A mais velha chega: uma menina negra linda de um metro e oitenta e com uma expressão muito nervosa.

– Asha – interrompeu o garoto – Não é hora para discutir. Todos aqui estão em perigo, e você sabe disso!

Então, Asha saca a varinha, e corre para a sala de onde eles haviam vindo, pela porta, para a outra sala; ouviu-se ela dizer umas palavras estranhas. Todas as garotas parecem se sentir mais seguras agora, independente do que possa ser, seja relevante ou não, ou que deixe de ser; todas elas, menos Nina.

– Eu quero saber – diz a mais velha – o que é que dois homens estão fazendo no nosso dormitório?! E você... Como é que você se chama?

– Ele se chama Elliot Akael Gulanta – diz Asha, voltando.

– Gulanta?! O que é você está fazendo nessa Escola?!,... "Gulanta"...

O garoto inclina muito de leve a cabeça, mas Asha interrompe, porque via isso indo para o lado errado.

– Elliot é residente da Mansão Brìkkomi. Está aqui a convite do maestro Asal Gusa; e está doente. Iko, essa é Africa Bonner Cantagallo. Ela é a Chefe do nosso dormitório; e eu estou vendo que todo mundo acordou. Bom, bom! Porque o que eu tenho pra dizer vai explicar tudo, antes de vocês lerem O Oráculo, logo de manhã; e me dá um tempo, vocês, hein?! A gente quase morreu, tá?!?

O silêncio que se fez demonstrou o sucesso do discurso.

– Bem, Africa,... – Elliot ia começar.

– Cantagallo para você, por enquanto! – disse ela.

– Senhorita Cantagalo, – recomeçou – o Professor Gusa me mandou aqui, e eu tenho uma mensagem do Diretor.

Nina deu um suspiro muito leve e, surpresa, percebe que todos os olhares se viram para o seu lado: "Scheisse,... Que povo esquisito!" pensa ela.

– Agora, Iko – interrompe Asha – Você vai me explicar como é que você sabe essas coisas, enquanto não sabe de outras tão simples: como o que é um baralho; ou vai me deixar sem a lenda como sempre?

– Minha sugestão foi útil? – pergunta ele – Acho o Tarot incrível. Não há como negar que há um enigma por trás dele.

– Quê? Ah!,... Sim, se eu não tivesse tudo, nós estaríamos mortos.

O garoto nem sorriu, mas sim olha para Nina e Tomi por alguns segundos e parece analisar o que eles estão pensando. Dava a sensação de que ele sabia mais sobre você do que você! Isso causou um arrepio em Nina, suor, então ela começou a chorar de novo. Asha abandona a conversa com o garoto Elliot e vai abraçá-la, porque ela sabia que para uma comum tudo isso que aconteceu é motivo até para ter um ataque do coração, ou até alguma outra coisa pior: dano de lucidez; e, da cama, ela então continuou a conversa com ele.

– Você vai me contar?

– Isso – diz o garoto – eu não sei explicar. Mas, se você me ajudar, eu sei que vou conseguir entender como é que eu consigo saber.

A menina parou para pensar, enquanto acalmava sua nova amiga.

– Key – conclui ela – Eu te devo uma.

Mais uma moradora se levantou, e ficou ao lado de Africa.

– Estou esperando as explicações – diz a monitora.

Só então, o garoto se virou para as outras moradoras do dormitório e para a menina que se escondia debaixo dos lençóis, analisando o momento.

Ele acena calmo para a monitora, e se concentra nos novos companheiros da sua amiga bruxa. Sua visão é arrancada do corpo: ele vê uma sala ampla, mas há o rosto de Nina ao lado dele – "Hieronimus Oljo Tomi" diz o menino, e depois: "Vamos embora.

Foi divertido descobrir que você não é infalível, irmãzinha!". No instante seguinte, sua visão capta a Enfermaria, e ele vê um rosto conhecido, da cura Babi. Conhecido, mas preocupado. Surge um Avatar, que quase grita ao lado da cama – "Uma Varinha é uma arma! Vocês não deveriam ter o direito de dar uma arma a crianças!", e Asal lhe responde "Ela nunca irá se esquecer disso, Avatar, e tenha isso como certeza absoluta"; há um cheiro de carne queimada no ar, mas sua visão volta para o corpo.

Não parecia haver se passado mais de um instante.

– A Branca está assim porque o comum viu a Branca nua – disse, então, uma das meninas, a lourinha.

O garoto encara Tomi; parecendo que ia matá-lo naquele momento. Assim, Tomi percebeu que Elliot olhava através dele; na verdade Elliot dava um tipo de sensação de que sabia todos os seus pensamentos.

“Será que ele lê mentes?”, Tomi não conseguiu evitar de pensar. Então, o garoto de preto fez uma expressão rígida, de severidade.

– Se você bagunçar com as meninas, eu mesmo vou me encarregar de cortar fora seu saco, e fazer você comer ele antes mesmo de você dizer que a culpa não é sua – disse com muita frieza o tal Elliot, ou Iko, ou sei lá; e então, fez o formato de uma tesoura com a mão direita.

– Velho, a culpa é dela! Eu nunca vi um lugar em que as pessoas andam nuas normalmente, mas então elas magicamente têm pudor se aparece uma pessoa comum! Dela e dessa maluca! – Asha sorri, de leve – E se a magia ainda não comeu o seu cérebro, vai entender o que eu digo.

– Calma – a voz de Elliot era imperativa; parecia que todas as meninas prendiam a respiração enquanto ele estava presente.

O garoto olha para Asha. Retira um cartão de memória do bolso e, com a maior calma do mundo, o estica à sua frente entre dois dedos.

Nina vê a marca Soft Corps e um símbolo desconhecido; três elipses que se encontram no meio, vazando de dentro de um círculo.

– Asha, está tudo aqui – explica ele – O convite da Quinta Capela para seus amigos virem conhecer a Escola, passar o feriado na sua companhia e, além disso, uma mensagem assinada pelo Diretor.

Agora Asha estava realmente impressionada. Devia mais de uma a ele, sem nenhum resto de dúvida.

– Você não tem profeta? – perguntou Tomi sem pensar.

– Como você sabe? – questiona o garoto – Isso não importa, agora. Asha, eu estou aqui como Disciplinário; acabo de receber o título – explica, vendo que Asha ia dar a resposta por seu amigo.

– Meu! – lembra-se Tomi – É verdade! Nós desligamos os nossos profetas! E agora? Vamos ligá-los de novo, então!

Asha, Nina e Tomi pegaram os profetas e logo que os seus computadores foram ligados aparece um avatar que para analisando a situação. O disciplinário vê aqueles olhos como se fosse a primeira vez; a imagem não quer desbotar, tal como em geral acontece. Há uma barreira entre agora e o avatar gritando ao lado da cama; Elliot sente dor nos olhos, como se agulhas os furassem, e a única opção é desistir; mas percebe a expressão apertada de indignação da aluna mais velha, Africa – ele não vê nada sobre ela; porque? – que acabara de perceber sua autoridade; sim, Gusa acertou de novo. Se Asal-sã não insistisse para que ele fosse disciplinário com o Diretor, ainda que em teste, tudo daria errado.

– Nina – diz-lhe o avatar – seus pais devem estar preocupados.

– Desculpe-me, avatar – diz prontamente Elliot – A culpa foi minha. Eu sou o disciplinário da Escola, e só agora cheguei com a carta do Diretor, mas aqui está – extendeu o cartão de memória – Este é o convite da Quinta Capela para Nina vir passar o feriado com seus amigos. Tem também o endereço da Interface; e nós temos uma Sala de Holografia, caso os pais de Nina queiram falar com ela, à hora que desejarem. Ah, sim; há também uma mensagem e o número de registro da nossa Escola no sistema do Statbureau da Academia.

O avatar parou para ler. Então, fez uma pausa e também uma saudação diferente – uma volta com a mão, que Nina nunca havia visto.

Para cima, e de volta; a saudação é muito suave.

– Não estou conseguindo a conexão – disse meio em dúvida o avatar; e o menino sentado na ponta da cama, Tomi, sem dúvida achou que a inteligência do computador de Nina era meio burra; uns aplicativos extras iam bem.

– Ah, sim – diz o disciplinário. Fez uma pausa, muito parecida mesmo com a do avatar; na verdade, era a posição de Asal em sua visão há pouco – Você pode abrir uma tela aqui? – diz, mostrando o ar à sua frente.

– Você não tem Profeta? – questionou pasmo o avatar. Todos olhavam de um para o outro, e de volta.

– Veja bem, nós somos uma instituição de pesquisa, além de sermos uma Escola para filhos de ou para futuros cientistas especiais. Há uma longa lista no nosso site educacional. Você não pode se conectar por isso; aliás, não pode ficar ativo enquanto sua mestra estiver aqui.

O avatar ficou em silêncio um instante, antes de continuar.

– Vocês têm essa autorização da Academia?!

– Sim, temos. Aliás, o Diretor pediu para você avisar também quando os Profetas precisarem de conexão, Asha, o que significa agora.

Asha pegou seu profeta.

– Diretor, o Profeta da minha convidada está pedindo a sua autorização para acesso à Interface – a voz dela voltou a não demonstrar intenção.

Todos olhavam a situação, tensos.

– Boa noite, Asha – ouve-se a voz grave de um velho – Está autorizado. Desculpe o atraso: memória. Diga a Elliot que vá à Sala Oval. E vocês, descansem bem, para brincar bastante no feriado amanhã.

Aquilo era o que o avatar esperava.

Até sua expressão se modificou, espelhando agora as atitudes normais de um avatar.

Todos esperavam uma resposta, nesse suspense.

Elliot vê a imagem: O avatar reconhece a posição e diz: "Ele sabia... Vocês são esquisitos, bruxo", e Asal ergue a sobrancelha; o avatar continua, como se não houvesse parado: "Tudo o que ele faz é calculado, pensado... Se tem uma coisa que nós Inteligências não entendemos é isso: Magia. Tudo bem, então; mas ainda acredito que varinha é uma arma. Vou explicar aos pais dela que foi um acidente, mas que vocês estão preparados para lidar com isso"; Asal diz: "Gentileza", com a mão direita sobre o coração – "Perfeito!", pensa o oráculo ao voltar da visão com essas informações; conseguiu o que queria.

Alguns momentos se passam; tons verdes, à noite.

– Certo. Seu pai disse que você poderia ter avisado, mas está tudo bem. Ele vai estudar as informações que descrevem a Escola na interface.

Toda a tensão pareceu se aliviar.

– Gentileza – Elliot põe a mão sobre o coração. O avatar observa isso, na medida que parece intrigado, mas ao mesmo tempo cauteloso.

Ainda assim, Nina estava no seu limite de estresse. O seu avatar a estava observando, e parecia ter percebido.

– Você estava chorando? – questionou o avatar.

– São assuntos pessoais, Stephen – disse Nina – e você deve garantir minha integridade, sendo meu Profeta. Por favor, não conte isso aos meus pais.

– Sim, minha mestra. Estarei aguardando a sua necessidade – e se vira para o disciplinário – Estou aguardando ser desligado.

Nina pegou o computador e o avatar fez uma reverência a ela, enquanto era desligado, sua imagem desaparecendo logo a seguir.

Todos estavam quase sem respirar. Aquilo tudo tinha mesmo feito cada um ali suar. Até Africa viu que havia algo errado; e decidiu também que queria ouvir a história, enquanto Bonnie Stephen Llaw ao seu lado se senta na cama da menina sob as cobertas.

Em poucos instantes todas se reuniram: as mais velhas, ali no lado sul do quartão, Ffion Tabuer Braga antes encheu a sua garrafinha de água, Patrika se levantou, e Anja Holst Montenegro veio conferir a porta e fechá-la.

As colegas olhavam para Asha, que decide deixar as apresentações para o dia seguinte.

O disciplinário não tirava os olhos de Asha. Parecia estudar o que iria falar a seguir, mas não precisou: todas se reuniram na expectativa de ouvir.

– Então? – diz o disciplinário – Estamos esperando. Você vai nos contar o que aconteceu ou não vai?

Ela respira, se acalma e começa.

A narrativa de Asha não era interrompida por ninguém, e as meninas até quase paravam de respirar. Tudo começa porque ela sabe que as tribos urbanas são comuns, mas sabem tudo sobre o sobrenatural: eles têm caçadores – e nessa hora a menina indica Ffion, que diz: "Verdade. Eu sou uma Tabuer – e a Dinastia Tabuer nasceu das tribos". O Bowl, onde as tribos se reúnem lhe parecia o lugar mais importante a investigar. Asha diz que tem uma Teoria; está trabalhando nela, mas não disse o que seria. Tudo estava bem. Até que ela chamou o Erê e viu que Tomi o havia visto, e ela decidiu ir ver o que Nina disse ter avistado; afinal, se fosse um espírito livre, a chance de negociar informações era incrível.

Assim, Asha ergueu terra – concreto é muito difícil de manipular – da forma mais discreta que conseguiu e entrou no edifício abandonado. Desligou o alarme, que percebeu ser uma tecnologia que nunca havia visto antes e foi verificar do que ele era feito: o circuito era feito de Telluron. – "Santa Wicca!",... disse Africa; e isso fez algum sentido para todos, menos para os comuns.

Ela sentiu o chão e percebeu que Nina e Tomi haviam entrado.

Descreveu em detalhes tudo, inclusive que tinha de se manter ocupada em silenciar a terra sob os pés dos dois comuns. Ficou muito feliz que não encontrou o menor sinal de predador no duto de ventilação, porque sendo uma base militar, as salas eram separadas por barras pesadas, isso seria uma possível medida de segurança, mas não era. Então, encontraram um doppelgangger.

– Dop-o-quê? – foi Tomi quem interrompeu.

– Doppelgangger, Herói – repete Asha. Nina começa o choro de novo; Asha abraça-a outra vez, dando tapinhas em seu ombro.

– Shish,... Calma, Nina – disse ela.

– Não... não era... – mais lágrimas – Não era um alienígena?!

– Ninguém sabe, mas os doppels não vêm do espaço, – explica Asha – mas isso é o que se sabe sobre eles, no máximo. Existem há tanto tempo quanto os bruxos existem, ou seja, desde o início da humanidade! Então, eles não devem ser alienígenas. Ou, se forem, a nave que trouxe eles não pode levar de volta; nunca encontraram, também. Respira. Assim, eles são tão aliens ou humanos quanto os monstros; mas isso tudo eu to falando só pra você se acalmar, porque ninguém tem certeza dessas coisas.

Nina parou de chorar. Enxugou as lágrimas e deixou Asha continuar, agora com os detalhes da biópsia, além do assassinato do oficial.

Ela convenceu os dois a teleportar, e fez o ritual. Ocultou a cena tensa entre ela e Tomi, que ficou quieto, deixando-a continuar.

Terminando a parte do teleporte, todos ali sabiam o que podia aparecer do nada, que Elliot dissera – o que não explica como ele sabia disso.

– E então, você apareceu, Iko – concluiu Asha, finalmente.

– Asha, acabei de me lembrar – disse Tomi, assustado – As amigas da Nina estão lá, e o prédio vai desabar.

Eles tinham se esquecido disso completamente.

– Eu mando uma mensagem dizendo que vocês vieram pra minha casa, e que elas têm que sair dali porque o prédio não é seguro e que pode desabar a qualquer momento – disse Asha.

Todos fizeram silêncio.

– Hmmmh,... Não é uma boa ideia envolver os comuns. Me dá o Perfil público da Diva, Nina, que eu tive uma outra ideia.

Assim, Asha mandou a mensagem e logo depois veio uma resposta de que está tudo bem. Elas não estão mais no Bowl porque já está de noite, só que elas mandaram um endereço para a resposta e queriam saber o que aconteceu, pois o prédio abandonado acabara de desabar.

Asha disse a Diva que eles não encontraram nada lá, e que eles tinham saído do outro lado do quarteirão.

– Viu? Simples.

– Não é tão simples assim, Asha. Elas são comuns – avisou Iko.

– E você, Iko? Você foi incrível. Não vai me dizer como sabe essas coisas sem ter como você saber?

Todos olhavam para Asha e desviaram o olhar para Iko. Seu apelido o fazia parecer inofensivo, o que ele certamente não era. O disciplinário fez uma pausa bem prolongada; Elliot vê luzes no céu: são incontáveis viaturas, ao redor do tal prédio desmoronado – a Tropa de Elite Especial da Academia.

– Eu ainda não sei, mas tenho um palpite sobre o que acontece – disse ele, um pouco tonto, enquanto ouve: "Profeta, me liga com o Mikkael agora, antes que nossa comunicação seja cortada", e respira fundo para se manter de pé.

– Hã? – Asha não deixa mesmo as coisas passarem.

– Não chega a ser uma teoria. Uma das poucas memórias que eu tenho é do dia que a sala de holografia mostrou, quando eu desmaiei da última vez. O dia das bruxas, 31 de Outubro de 2211 – ele observa a reação de todas, mas percebe que só o garoto Tomi mudou o ritmo da respiração – Ele é o meu único palpite. Naquele dia, eu me levantei para ir para o pátio da clínica pela primeira vez. Era a presença do Arcano XIII que eu sentia, Aella, a Mulher vestida de Destino, e isso me fez levantar para ir tentar ver essa Verdade que eu sentia no pátio, mas...

O silêncio da descontinuidade disse: "É isso!" a Asha.

– Mas? – insiste Asha, pegando um chocolate do seu pote.

– O mais provável é que vocês não entendam. Eu me lembro que alguma coisa macia caiu sobre a minha cabeça.

Novo silêncio.

Ninguém havia entendido nada.

Profeta! Me liga com o Mikkael agora, antes que a nossa comunicação seja cortada! – grita o sk8ta, meio cego com a fumaça, a fuligem; e o barulho muito alto das explosões que vinham de baixo. Ele subiu na prancha. Teria de subir um pouco mais e voar acima da fumaça para conseguir respirar; então, foi o que ele fez.

Mikkael Gomes é o Melhor da sua Escola; e por ser um Melhor tem várias vantagens que lhe estendem liberdades que outros não possuem: como ter acesso a ligações totalmente livres à Interface – e acesso é tudo.

Hoje as aulas da Primeira Capela, próxima a São Lourenço, lhe renderam um dia cansativo; e ele está no Pátio o qual guarda a estátua de Anktonnius Augustinus Blut, fundador desaparecido das Capelas, durante a Guerra das Ordos, na virada do milênio. Mas hoje a sua meditação é interrompida. O seu avatar, Kosmos, lhe diz com urgência: – "É o skeita, filho da Vidente!", a mesma que lhe profetizou um político muito importante, em Bealae, ao nascer.

– Vou atender – Mikkael estica os braços, estalando-os.

– Velho! Abre o Canal do seu profeta pra mim! É urgente! Eu vou te mandar tudo o que aconteceu aqui durante a última Regra – Gomes sabe que os profetas gravam as últimas cinco horas do ambiente; e a Regra é usada como prova judicial. A transmissão se dá em um instante – Meu! O seu pai é o redator do jornal O Oráculo, do Seu Povo, num é? Manda isso pra ele urgent-...

A ligação foi cortada, de repente.

(Fim do Cap 9)

"Dê a uma criança uma obrigação; e ela vai se dedicar a estudar. Dê a ela a curiosidade; e ela irá buscar A Verdade por ela mesma".

–– Abbel Sabarba –– Assembléia Educacional, Aglomerado Sudeste –– Nação da Magia.