Nem toda Enganação, há

De Enigma
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O Outro Nome do Medo -- Capítulo Um -- Sol Cajueiro

Um livro de Future Pop Adventure -- Estágio -- O Grande Jogo

Nota: Todos os Direitos reservados (Sol Cajueiro).

Este Capítulo foi publicado no dia 13 de Agosto de 2020.

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Dedicatória

À minha filha, minha motivação; aos meus pais, irmãos, de sangue e de caminho; aos amigos, de coração, a quem sempre deu o apoio, em corpo, mente e espírito, e está agora digno de minha eterna gratidão.

–– Obrigado.

Cap 1 – Livro 2 – Nem toda Enganação, há

"Hoje é dia dezessete de Outubro, 2213 d.C., e faz calor nessa noite em São Sebastião, onde a noite de hoje, marcada, sela o destino do ser humano. Dor. Sofrimento. Paixão, desespero, e guerra. Amor, porque não? Sempre foi ele. A razão dorme, se o monstro somos nós. Além do Nada, que nunca será esquecido. Toda uma eternidade na prisão da carne, pagando pelo sonho da perfeição. Neste caminho nem todas as estrelas se apagam; nesta noite, umas com o devido temor, a que se dar ao destino.

Destino, de que nem estrelas escapam, de se consumir, subverter; e de, um dia, dar a luz a uma nova vida: esta também, para todo, todo o sempre, amaldiçoada, como todo ser humano, com a escolha – a escolha, a única constante.

Sobre as luzes observo, de minha órbita.

– Nós estamos esperando".

Kenerales Plypa, Arda Liber

Frota de Observação Lyène, em órbita de Arda, ou Terra

– Ano 200.815 de Arda.

"E nós, também", pensa ele.

Nesta noite quente, Allia Mojde el Sauza, 32, bra de nascer, que herdou o sobrenome de Tainá el Sauza, Santa Wicca, quando se casou com Ifar Boaventura el Sauza, o pai desaparecido de sua querida filha, tão dedicada, Asha. Na mesa de jantar havia pão, que seu futuro novo marido tanto gosta, e a tradicional culinária bra, arroz com gergelim, feijão preto, que ele ainda não se acostumou a comer, batata assada com brócoles (é claro que hidropónico), salsichão, picanha, farofa e couve refogada ao alho e óleo. Diz a lenda que o peixe se pega pela boca, era o que sua mãe dizia. Não quer contrariar a memória dela, agora.

O assunto era tranquilo, falavam sobre gastronomia.

Aklaus acredita que este é o único assunto no universo que não gera estresse, pois se alguém não gosta de uma comida em especial, tudo bem; mas ela anoitece ao perceber que ele está muito cauteloso, o que não se encaixa nada em um jantar para dois.

Assim, ela sabe que ele, quando estava desaparecido,... bem, ele não gosta de falar no assunto, mas sua vida se modificou por completo. Ele é muito atento. Parece perceber até mesmo quando a respiração de alguém se modifica. E hoje ele está mais uma vez com aquela expressão de que está esperando por alguma coisa. Aplegia? Magos?,... Ela tem medo de lhe perder, tal como perdeu seu antigo marido; mas faz o que Ifar a ensinou: esvazia a mente e, como se fosse bruxa, tenta observar tudo como se essa fosse a primeira vez; ele sorri, calmo. De repente, surge uma mulher, de sardas e terninho, ao seu lado.

– Desculpe interromper, mestre. Há uma chamada para o senhor, mas não entendi bem o que a prioridade da ligação quer dizer,... ela diz: Ediche.

– Oká,... Vou atender; mas peça para aguardar, Diana.

O homem, calmamente, pegou o guardanapo e olhou para sua noiva, que lhe deu o mesmo olhar tranquilo de sempre, dizendo a ele: “Tudo bem”.

– Vou atender no jardim, Mojde – e deixou um beijo na testa de sua amada, antes de sair. Aquela não era palavra que ele pudesse ignorar.

– Transmita a ligação, Diana – ordena, acendendo o cigarro.

Nunca se poderia descrever o seu rosto naquele momento, ele não sabia se aquilo era uma ameaça, mas era obviamente o que menos esperava.

– Olá, Aklaus. Como foi a viagem? – disse a nobre, em húngaro.

– Exxina,...

Soprou a fumaça, tenso. Deixou a respiração ativar seu treinamento, para que nada, nem mesmo o mínimo gesto dela lhe escapasse.

– Como conseguiu meu profeta? – ele decidiu evitar sua língua nativa.

– Calma, meu amigo. Eu não venho falar com você em nome da Ordos. E não, o seu contato não será passado a ninguém; fique tranquilo.

– O que você quer? Eu me desliguei da ordem.

– Eu sei, Aklaus – ela fez uma pausa – Eu sei de tudo.

Aquilo o fez passar o guardanapo na testa. Estava suando; e segurava o coração, mas acalmou-se, respirando fundo, preparado para qualquer coisa.

– Onde quer chegar? – ele pergunta.

– Sim, sim. Você sempre foi direto. Como foi a viagem à capital? Eu estou aqui para lhe dar um comunicado. Você não percebeu pela prioridade?

Agora, Aklaus não sabia o que responder, mesmo.

Respirou pela boca, incerto; ele precisava confirmar.

– Como,... voc-,... – ele ia dizer, mas ela lhe interrompeu.

– Indo direto ao ponto, meu amigo – diz a maga – Eu estou em contato direto com a General Plypa; e nós estamos em uma encruzilhada do destino, terrível. Sem volta. A Ordos agora foi longe demais. Eles nos condenaram, primo; e vamos ter que lutar agora pela sobrevivência, nada mais.

– Lyène,... Agora entendi a prioridade, minha prima. Me desculpe, se passei tempo demais sob as ordens erradas. Você deve entender isso, claramente, agora; o absurdo que não chega ao fim, sei disso, mas não entendo o seu papel,...

– A capital? – ela insistiu em saber.

– Ah, sim. Indescritível, Exxina. Não é possível dizer. Eu viajei por mundos, e mais mundos, impossíveis de explicar – ele diz, mas pensa "Preciso de evidências de que ela diz a verdade",... – Eu vi mundos que muitos sonham em conhecer, sei lendas que ninguém do nosso mundo conhece, vi seres e civilizações que todos apenas imaginam. Mas nada disso me convenceu de que a vida não seja uma maravilha épica. Ofereci meus serviços a Senhores, Deuses e Extradimensionais, e recebi o treinamento que só eles dão, nunca a alguém que não prove seu lugar na Guerra Contra a Corrupção; e não devíamos falar sobre isso.

A maga esperou, pensativa. Ele havia tocado agora no centro da discussão, tudo o que realmente está em jogo: A Guerra; e ela parece estar ciente.

– Você é o traidor – revela Exxina.

O mago umedeceu os lábios, e passou a mão atrás da orelha esquerda. Então, para sua imensa surpresa, ela passou a mão no rosto. Sua pergunta "O que você quer?", lhe foi respondida com "Fazer uma revelação", e assim, ele conclui – "Ela tem treinamento, e me parece treinamento regencial,... Isso em si já é uma revelação",... pensa, calmo. Não é hora de adiantar isso tudo, mas sim, a hora de fazê-la questionar – e, também, oráculos podem ver isso; ou não.

– Onde você quer chegar, amiga? – incluir "amiga" na sentença é um risco, mas se ele estiver certo, isso fará com que ela lhe faça a revelação.

– Vou tomar o seu lugar – diz Exxina – Tenho tudo planejado. Durante sua ausência, o mundo está se afundando, passo a passo. Dei o tempo necessário para você se ambientar e, só então, entrar em contato. Você já deve saber. Elliot é o hierofante, agora. Eu mesma não esperava que o melhor homem do Arcebispo ia ser,... – ela raspou a garganta, duas vezes, e ele logo arrumou a parte de trás da roupa, fazendo ela rir, mas feliz. Eles usam os gestos da única Ordos em que ele confia nesse mundo; se comunicam "Você já sabe?" e ele, "Sei,... Isso terá sua hora,... Estamos atrás da mesma coisa" – Vejo que seu tato, até pra situações de estresse, está intacto. Tinha me esquecido, Mal-ec. Bem,... Seja bem-vindo.

– Obrigado. Diana, mande Týr me trazer um uísque. Ah, sim. E polarize o holograma, para que ele não veja a minha visita, também, por favor.

Ambos ficaram calados, até o androide trazer e ir embora. Aklaus percebe que a sua prima está inquieta, esperando novos sinais; "Ela quer alguma coisa".

Desta maneira, logo depois dele ter bebido um gole, ele sabe que é impossível esconder o olhar maravilhado de um viajante de tão longas distâncias, e ela parece saber disso, pelo olhar. Isso é incrível, pensa ele. Ela parece ter sido treinada diretamente por um agente da liderança da Ordos Regente, 5B, muito provavelmente, ou 2Iota, e ele se lembra de que ainda não conhece o 2Iota, para saber as intenções dele no Evento. Se ele estiver certo, a antiga companheira de missões da Teocracia irá lhe revelar isso, agora.

– Não conseguimos evitar, Aklaus. A NT está quase operacional. Além disso, sob as ordens de Gogol, o herdeiro Kaole foi assassinado – ela esperou – Você deve ter lido nos jornais essa notícia tenebrosa. Ele nos condenou. O Coyote também; está morto. A Grande Convenção da Noite está impondo muita pressão sobre a Tática; e será impossível impedir que percebam tudo, mais ainda sobre a existência de um inimigo, Elliot. Até as Tropas de Elite intuem,... As Luzes, Aklaus, ninguém tem controle sobre elas.

E, sob O Comando da Ordos, ninguém pode estudá-las. Mas, eis que surge o Hierofante. Só que,... ele está sendo mantido em coma de forma a não usar A Voz. Ele caiu. O Evento está indo Abismo abaixo, primo. Mas ainda temos a Herdeira. Ainda. Mas é perigoso. Me garantem que ela tem uma personalidade incrível; deverá ser a Sinistra mais poderosa que já existiu. Nunca imaginei tomar parte em um Evento, só do pouco saber que tenho sobre o assunto! Mas Elliot,... você fica encarregado dele; e por isso eu preciso tomar o seu lugar no evento. Sem o Hierofante, ela irá morrer; Kalai quer trazê-lo de volta, e é aí que você entra, pois só alguém do Grande Conselho pode nos ajudar.

O arcanista fez silêncio para pensar. Ela lhe deu informações suficientes para concluir que está do seu lado; ou, ao menos, ela acredita fielmente que está.

– Você sabe muito, para alguém sem treinamento, Exxina.

– Eu te disse. Eu sei tudo. Tudo,... o que é possível. Você,... Sem dúvida eu tenho um papel menos importante que você, com treinamento do Conselho.

– Quantos faltam, agora? – ele se convenceu – Você precisa me dar as informações, e eu lhe garanto a viajem à capital; a General Plypa irá me ouvir.

– Três. Nga, eu estou encarregada Dela. O Fogo de Ahura Mazda, aceso já desde os tempos antigos, será deixado por último, e Oloyo, a última âncora. Isso foi longe demais, Aklaus. Você ouviu falar da explosão do Statbureau? Foi uma âncora, que a Ordos deixou passar de um lado ao outro. A Cornucópia. Eles vão destruir tudo, e ficar com o poder para si. Essa loucura deve ter fim. Você sabe disso; só que, em detalhes, você é muito mais importante do que eu. Eu sei disso também, Éjjelég; e, então, planejei tomar o seu lugar no evento.

– E a Grande Guarda? – quer saber o mago, esperando pela resposta.

– Está em tese finalmente instalada, menos em Neon Tokyo, na lua – diz Exxina – As várias Ordos estão divididas, mas sem dúvida estão impressionadas em receber informação vinda de uma fonte tão precisa. Há cinco Dinastias, já. Hussel e Kamarati, no aglomerado sudeste, Kopfer na Europa, Hah-Ammá entre os comerciantes, e Taiku, que enfrenta muita resistência no oriente por causa dos ninjas. Eles têm Ordos. Comum, mas,... Se os Deuses pudessem nos ouvir! Tudo isso foi feito com recursos locais, da maneira como isso é e deve ser feito, como manda O Grande Conselho Galático; não há dois mundos iguais no universo.

– Impressionante. Achei que seria mais difícil – reflete Aklaus.

– Não foi, nem é fácil – Exxina lhe relembra – Desde o veneno genético que matou Amadeu Lebeau, o maior e mais poderoso telecineta do mundo, em 2013, a Ordos elimina todos os rastros do que poderia vir a ser a Grande Guarda. Ela foi caçada, exterminada. Um absurdo. Terrível. A destruição da Escola,... Anktonnius Augustinus Eber Drakley Blut, Doutor Blut, morto, foi o ponto de partida. Temos de impedir essa guerra. Muitos morreram pelo futuro, Aklaus, não se esqueça. E não,... não diga que é fácil, pois não é fácil para ninguém e você sabe.

Fez-se silêncio novamente. O homem bebeu seu uísque, dando um trago demorado no tabaco. Ela parece perceber nele os sinais da viajem, pensa ele.

– A mídia não vai permitir, Exxina – ele começa – Você precisa me dizer o que você está planejando. E mais, Lebeau e Blut são lendas; não creia nelas.

– A mídia nihon e a mídia english, ambas estão sob as ordens da Ordos, mas meu espião me garante que Elliot viu: a solução da guerra. Entrei em contato com as tradições sob a mídia árabe. Eles até já estão usando métodos atribuídos ao Grande Conselho.

Claro,... Eles não sabem ainda – e vão ser gerações até isso acontecer, mas fiquei muito feliz em saber. Houve algum contato do Conselho com eles, mas eu não sei ao certo em que século foi isso, exatamente. Bem,... – ela faz uma pausa – Acho que talvez não goste do que vai ouvir. Vocês do Grande Conselho lutam com todas as suas forças na direção contrária. A única saída é envolver a todos, comuns e pessoas de poder, e sobreviver ao Evento de maneira totalmente pública. Tudo irá mudar. Mas você, você deve salvar o Hierofante.

Ele franze as sobrancelhas, pensativo. Sabe várias lendas, diversas delas, se lembrando do que sabe dos momentos da história em que magia, manifestação e poder se tornam públicos, e nada do que ele conhece são momentos adoráveis, no passado e história de nenhum daqueles mundos.

– Você não vê nenhuma outra maneira de fazer isso.

– Não existe – insiste Exxina – Se tentarmos fazer qualquer coisa sem o apoio da população, vamos ser esmagados.

– Quem está do nosso lado, na guerra?

– Está planejado que judeus, chineses e eslavos vão para as ruas. Cristãos podem apoiar a Ordos, num primeiro momento, devido à religião por trás da Ordos; você sabe do que eu estou falando, primo – ela abaixou a cabeça – Nós precisamos do Hierofante: você fica encarregado disso. Não vamos publicar as Profecias, para que o Evento aconteça de forma a favorecer a Escolhida que for mais dedicada. Mas Asha deve se preparar. Você sabe que os testes previstos nas Profecias são, bem, enfrentar a Morte,... Tenho informações sobre as outras, e você vai receber isso da Grande Guarda, mas ao fazer isso, a Ordos deve dar as informações aos tutores das outras. Isso deve conquistar a vontade deles, deve colocar a Grande Guarda, enfim, como fonte, eliminando a criptocracia corrupta da Ordos que gerou tudo isso, que você conhece tão bem quanto eu.

– Entendo – ele faz uma pausa – Quando vai ser?

– Agora. No Dia das Bruxas, 31 de Outubro – revela a arcanista.

– Faça o que for necessário, ediche, tudo que for necessário. Isso é a ordem que tenho, minha amiga; mas estou em dúvida,... Tornar tudo público,...

Mais um trago, do uísque e depois do tabaco, pensativo.

– Algo que eu disser vai lhe impedir de fazer isso?

Exxina não lhe respondeu, mas apertou os lábios, deixando claro que essa decisão já estava tomada; e parar isso,... só quer dizer perder, e perder significa a morte de todos os envolvidos, que agora são espiões, bem colocados, em toda a sociedade. Não.

Parece que realmente não há escolha, agora que a roda está girando. Fazer a roda girar é difícil, mas parar a mesma roda, já em movimento, é muito mais perigoso – "Eu preciso do espião dela", pensa ele.

– Meu espião me diz – revela o mago – que houve uma prisão. Na festa de entrega dos Segredos, mas não pode me falar mais nada. Sabe? Eu concluo que parte do Segredo o qual lhe foi entregue, pelo falecido Sabarba, era sobre isso.

– Seu espião está certo, Aklaus – diz Exxina – Não sei além disso.

– Preciso,... – ele suspira – Preciso saber o que a Intervenção Tottémica irá fazer, e se o Antigo Tratado será cumprido, pois isso está nos meus planos.

– Os alienígenas astrais estão sob controle; e o tratado garante aos monges o poder para proteger as passagens planares. A Intervenção Tottémica irá manter os monges. Todas as passagens estão sob o controle dos monges. Só as fadas não sabemos o que vão fazer, os alfas não se importam com o mundo.

– Com o mundo, não,... – diz Aklaus, pensativo – Me diga quais as Escolas estão do nosso lado e me garanta que Nga será mantida a salvo. Nós precisamos da Morte, Exxina. A Ceifadora é nossa prioridade: perder a Morte para a Ordos, não. Se eles conseguirem o poder dela,... o Evento termina; e as escolhidas,...

– A Grande Guarda vai garantir isso, mas isso significa manipular os Kaole, o que você deve imaginar agora que não será possível. Bem,... Não é impossível. Faremos tudo o que pudermos para evitar, mas os oráculos já estão vendo, e aos poucos revelando aos seus mestres a guerra sem proporções que está a caminho. Tudo. Tudo o que a Ordos fez, e você sabe, desde a sua fundação, acabaram por condenar o mundo; e, sem uma nova Sinistra, você já sabe o futuro.

Aklaus olha para baixo, parecendo muito concentrado.

– E nós também,... Recebi a resposta – diz ele – Plypa está esperando por você; e você vai adorar o Egito. Há mais uma coisa que você precisa me dizer?

– Sim – ela abaixa de leve o rosto – Você precisa saber que Najka, a filha da noite seguidora do Arcano XIII é o que falta da Profecia desconhecida. Você deve conquistar a confiança do bruxo Asal Gusa, também. Ele tem as partes que faltam das Profecias.

Saiba que isso lhe foi uma informação enviada pelo Arcano da Força, que também recebeu um dos Segredos de Sabarba, e identificou que O Hierofante caiu, naquela noite. Não sei qual é o papel exato do Professor Gusa nas Profecias; e A Roda da Fortuna está fazendo o máximo para não me dizer o que é, mas eu acho que a função dele é desfazer o que fizemos. Isso, na minha opinião, há mais Profecias do que devia, e precisamos saber, sobre a Escolhida,... se ela falhar, o mundo morre; e ela irá enfrentar e terá de vencer A Morte,...

A traidora fez uma pausa, antes de concluir a sentença.

– ..,. sete vezes.

– Seria possível,... que o tal vidente Elliot ou o vidente dos vinte e dois livros consigam prever o que os bruxos devem fazer para corrigir as Profecias?

– Hmpf,... Você acaba de dizer uma coisa muito possível.

– Garantam A Ceifadora – pede ele – Eu cuido para que as outras Nações e Escolas se unam, mas preciso que árabes, eslavos e chineses decidam rever os conceitos de sua coisa pública, são as nações mais numerosas. Tenho certeza que os indianos não serão nenhum problema, a África também, mas a Europa,... ela é o centro da Ordos. Só a Amerika vai resolver isso; precisamos deles. Vocês têm alguma coisa a ver com os assassinatos? São mais de setenta, agora,...

– Não – ela torce a boca – Não sabemos quem é o assassino.

O mago olha para baixo, e percebe que ela viu que isso era uma resposta que ele precisava, mas também baixa o olhar. "Ela não sabe", conclui ele.

A noite tem brilhos brancos leitosos, abaixo dos paraluzes.

– Só uma última coisa, Exxina – ele avalia as próprias palavras – Como o seu espião consegue saber o que um vidente está vendo?

– Noção – ela respira fundo, enquanto Aklaus decide e, então, ao balançar a cabeça, confirmando, ele e sua prima se entreolham, uma última vez.

– Faça uma boa viajem, Mal-ec – ele dá fim à conversa.

– Sou honrada de ter lhe conhecido, Aklaus Éjjelég.

Aquilo já estava decidido. Sabia reconhecer quando a voz de alguém indica o fato, o tom de despedida, que ele foi treinado a reconhecer, tão claro.

– A honra será lembrada, Exxina Víz Egy – despede-se ele.

E o holograma se desfez enquanto ela pousava a mão sobre o coração. Sem esperar, ele invocou Diana, que aparece imediatamente, pronta.

– Nká te kokkým twilá fer Diannia tága beg Klég-ec – diz ele. E, a seguir, conjura uma magia – Tassammaka! – e da canhota saem três faíscas. Seu suspiro de alívio demonstra sua alegria, pois esta magia, dourada, lhe diz que há apenas três seres inteligentes na área: obviamente ele e sua noiva, Mojde, a lhe esperar à mesa, inocente; ele esvazia sua mente de tudo isso, e vai terminar o jantar.

Sua dúvida se aventura em quem é o terceiro ser inteligente, porque seu peka sabe se esconder dessa magia, e ele pensa em um protetor de sua amada, que ele espera fazer a proposição, pois ele não é nem será um traidor.

– Você é um guardião? – pergunta ele ao ambiente, e ouve "Exatamente", dos jardins da casa de sua amada – Vou voltar para dentro de casa.

A mulher de sardas, sua avatar, ele vê seus olhos serem fendas alaranjadas e a pupila piscar; ela abaixa a cabeça, depois suas orbes voltam ao normal.

E sua avatar, então, desaparece.

Ao voltar, Mojde havia aberto uma garrafa de vinho. Servindo-lhe uma taça, ela fez um silêncio que só uma pessoa de poder sabe fazer.

– Você está preocupado com meu guardião.

– É um dos azuis? Sabia que a natureza não iria deixar você sem algum tipo de proteção.

– Vou te ajudar.

– Você não tem treinamento, Mojde. Estar ao meu lado já me ajuda mesmo, e muito.

– Mais treinamento que você pensa, traidor – ela disse; Aklaus mexeu a taça de vinho bastante desconfortável e, de repente, feliz.

– Você me surpreendeu – conclui.

– Eu era amiga de Sabarba e sou de Tamara, e eu recebo toda semana uma anotação sobre o que Asha aprende. Se eu não tivesse isso, teria tirado ela da escola, tudo teria dado errado. Tamara me explicava tudo, porque Sabarba havia dado a ordem a ela de me explicar, e eu tenho um espírito guardião que protege tanto a minha casa quanto eu mesma, quando tenho de ir a algum lugar, e por isso, não pude deixar de ser informada de que você seria um traidor, mas que a sua prima Exxina vai tomar o seu lugar, e você tem supertreinamento.

Eles deixaram o silêncio acalmá-los.

– Como você quer ajudar, Mojde?

– Acredito que a Terra é Ter1ka, e não Ter5ka. Precisamos de embaixadores, e eu estou na lista há algum tempo; assim, a Aliança sempre tenta influenciar as guerras e eventos de outras Ter, e precisamos mantê-los fora disso. Estou mesmo pensando em me tornar diplomata; isso me torna pessoa de poder, e não só a família de uma pessoa de poder, minha filha. Eu conheço a Nação da Magia tão bem quanto um aluno de uma capela, não tem como não funcionar.

– Embaixadora ou Diplomata? – Aklaus bebe do vinho, deixando a saudade do vinho de flores de Toj1ka, ou Akkoya, em paz – Entendo. Alguma coisa que eu disser vai fazer você mudar de idéia? Me parece que você já decidiu.

– Decidi – Mojde se levanta, com a taça e a garrafa, e leva Aklaus para a sala de estar; a família dela não é pobre. A família de Mojde tem uma gravadora musical, uma rede de lojas que vende de tudo e também uma linha aérea, mas é uma trasportadora, então ela não precisa se preocupar – Acredito que existe uma pergunta esperando para ser feita, e uma resposta que já foi dada.

– Antes de relaxarmos – diz Mojde – Alguma notícia sobre qualquer tipo de Ilha de Realidade?

– Não, mas vão aparecer.

– Sem dúvida, vão.

– Na verdade, se tivermos Ilhas de Realidade, isso seria quase um tipo de bênção sobre o evento, mundos tomando o nosso lado no evento.

– E é exatamente por isso que eu perguntei.

– Você precisa me dizer qual é o grande problema, Aklaus.

– O herdeiro de uma raça foi assassinado, na aplegia.

Mojde passa a taça de vinho por detrás da taça de Aklaus, e sente que tem de ser ela a fazer a proposição; sendo assim, ela se decide.

– Eu já fiz a pergunta.

– E eu já aceitei.

– Eu acredito no amor verdadeiro.

– Eu também.

Nina acordara no meio da noite, e reconheceu Santa Wicca ao pé da cama, vendo que nenhuma outra moradora estava presente. Nem Africa, que é chata, mas é tão boa em ser organizada, que todas concordam: ela é a chefe, e é isso. O avatar o computador estava ao lado da cama de Asha, e chamava "Asha",... baixinho. A única coisa que se poderia dizer, a wicca tem essa noção agora, é que todas as coisas estão de fato ligadas, exceto aquilo que é separado.

Dois dias antes da reunião na Sala Oval de Attenta, Capítulo dois.

Nós estavamos todos juntos, assistindo. Inicialmente, era uma das coisas mais chatas de se assistir, e parecia que nada, nada mesmo acontecia.

A wicca estava só observando, até Oyá Matambalesi começar a falar.

– Nina – diz a feiticeira – Como era a sua vida, antes de conhecer a magia?

– O que? Ah. Ãã,... – Nina não é muito boa em explicar, ali sem entender, e se concentrava, pra manter sua mente vazia. Evita pensar. Asha também chamou Tomoe para, nas palavras dela, ser sua "Guardiã", a murmurar coisas desconexas, como "Merda,... como é que eu, logo eu, vou chamar a maldita da Elyfa, sem parecer estranho?" – Era legal – diz ela, só que não foi o bastante – Quer dizer, não era. Não sei. Eu estudei a minha vida toda, e a única coisa que me importava era deixar meus pais felizes, porque meu pai é doutor em matemática, e considera que a única profissão digna é a de cientista. Não gostamos de coisas estranhas. Não sei, eu acho hoje que não tinha magia. Não. Nenhuma magia. Era, era isso.

Seu amigo, Tomi, com um moletom de grafeno, com propagandas da Soft Corps, a se mover, está ali calado desde o começo. Parecia um duelo de titãs, muito estranho.

– Cavalo, C6, come peão, E5 – avança ele, mais uma vez.

Nina começou a comer as unhas, e Oyá bateu em sua mão, fazendo cara de que era feio fazer isso, e ainda era umas dez horas da manhã. O mundo estava explodindo, na cara de todos. Via-se outros alunos, que passam pelas alamedas, e os jardins de bronze, mas nenhum deles parecia tranquilo. Todos com telas às mãos. À margem de tudo que pode ser e acontecer, ali estão. Nina, que sabia o que estava acontecendo – ou imaginava saber. Oyá e Doutor Diesel, mantendo a todos ocupados, com perguntas. Tomi, seu melhor amigo, Kate, a intercambista, era meio avoada, mais ainda que Nina, Sibel estava lá, o que incomodava a pequena, muito, mas ainda mais era a presença da caixinhos dourados Elyfa. Sua presença, pensava Nina, e ela tenta esconder, não era bem vinda, mas vai saber,... "O que é que está acontecendo?", pensa, e só aposta em esvaziar sua mente, o tempo todo.

Branca cruza os braços, tensa. Fif, que não sabe de nada, ou é o que Nina pensa, parece um urubu estranho nesse ninho, vestido de preto, na Alameda das Trepadeiras, no jardim de bronze dezenove, de onde é possível ver ao longe as delícias do Bar da Tia Braga, ele observa o combate.

– Bispo come cavalo – ela age. Herói não perdia um único movimento.

– Rainha, B2, come bispo, E5. O que você quer, Asha? Seus movimentos, em todas as duas partidas de treino até agora, eles não fazem o menor sentido. Parece que você esqueceu, de tudo que eu te ensinei em todas as aulas.

– Você deveria saber, Iko.

– Não sou telepata, já te disse isso. Esconder a minha mente é uma coisa, sim, mas sua mente está perfeitamente oculta, você devia se orgulhar disso. Sabarba iria se sentir muito orgulhoso de você, agora.

– Não ouse falar dele,... – Asha ameaça Elliot.

Hoje o Herói acordou com uma menina batendo à porta, Asha, que entrou em seu dormitório, que ele divide com Elliot,... mas Elliot estava em coma. Há um mês e meio, ele sofreu aplegia, e desde então, não acordou mais. Asha lhe pediu para não fazer perguntas, agora,... "Tão típico dela,... ficar sem falar comigo dois meses, e entrar em seu quarto pra vasculhar cada centímetro, a procura de",... Ela encontrou um livro. Era um tipo de tomo, preto, sujo e velho, que ela pegou com uma luva alaranjada de couro, do mesmo tipo que são feitos os mantos da escola, finos, macios e flexíveis, de debaixo da mesa do professor, ensacou, e saiu. Havia uma estrela de nove pontas de prata na capa, foi a única coisa que deu pra ver, e ela não gostou do seu olhar. Ela disse – "Vem comigo; e sem perguntas". Ele, agora, nesse exato momento, percebe o olhar de Elliot pra ele, e então engole em seco, pois sabe que o garoto é capaz de saber até quatas vezes o coração das pessoas bate por minuto.

– É simples. Se eu ganhar, eu vivo. Se eu perder, sou sua. É o meu teste, e é por isso que eu te desafiei, quando você saiu do coma, hoje.

Nina estava tensa, e levou a mão à boca de novo. Oyá deu um tapa na sua mão, mais uma vez, e ela pensou em protestar. Um pedaço do cachorro-quente estava incomodando entre os dentes. Ela percebeu. Os olhos azuis de Hieronimus Tomi encontraram os seus, e ela desviou o olhar, quando viu. De repente, a sua própria pele, seus próprios olhos bem claros, e os cabelos tão emaranhados lhe incomodaram. Tomi desviou o olhar. Oyá também viu, e a pequena Tomoe era sua guardiã; a camisa branca e saia preta também incomodam. Ela acertou a coluna. O garoto estava olhando para o chão, mas sentia que ele olhava seus pés; Sibel pegou um bolinho, e parecia se divertir com ela, Nina,... a atenção do Herói foi desviada para a ruiva, que está sentada ao lado do Mestre dele, Amadeu, no lado oposto da mesa de xadrez.

Sua ex-dona começou a preparar sanduíches, dócil e meiga. "Às vezes, é tão fácil tirar a atenção de alguém do que realmente importa", pensa a wicca.

– Como é a vida sem Magia? – Oyá mudou o foco.

– Ah, ehr,... – Nina foi pega de surpresa. Tossiu – Não sei, quer dizer,... Ao mesmo tempo não faz diferença nenhuma, ou faz, é aleatório; mas não saber que a Magia existe e viver nessa dúvida se existe ou não é assustador.

Os tons areia e celestes quentes iluminam a manhã, abaixo dos paraluzes, na sexta dimensão. Não precisa de muito para se concluir que os tons pastéis, e também alguns quentes, gostam da escola.

Essa noite a iniciada, a única novata no dormitório, viu Asha ser acordada pelo seu computador, e pedir pra deixar ela dormir, mas – "É uma chamada de prioridade, Asha, e você deve atender", disse seu avatar, de calças de cânhamo e janquetinha, então, ela resmungou alguma coisa e se levantou. Asha arregalou os olhos, pos a mão sobre o coração, e fez uma reverência longa, dizendo – "Ancião Cinzento,... Eu esperava por isso",... ao ver a imagem do holograma à sua frente. Ele é um homem de rosto redondo, não tem cabelo no alto da cabeça, uma penugem bem branca de orelha a orelha e atrás da cabeça, um olhar muito, mas muito impressionante, poderoso,... antigo e poderoso, foi o que Nina pensou.

– "Você sabe qual é a sua missão, Sauza" – disse ele – "Acredito que Sabarba era um pai pra você, pequena,... Hoje você vai cumprir o Segredo que ele lhe deixou".

– "Quais são as chances de eu falhar, Kalai?" – Asha questiona – "Eu sei que nem Sabarba, nem o Senhor, nunca iriam me permitir tentar o impossível sem que eu tivesse ao menos uma grande chance de conseguir",...

O Ancião ergue uma mão, com dedos nodosos e velhos.

– "Sim, Sauza",... – Kalai percebe que Nina lhe observa, também – "Se você provar que isso é possível, isso muda a história do mundo,... para sempre" – ele fecha o punho e, então, olha pra pequena wicca, que pressiona os lábios, e de volta a Asha – "Você não pode ter nenhum tipo de dúvida, Asha. A Sessão Secreta reúne coisas muito piores que Magia Negra, agora você sabe. Sabarba acreditava em você. Ele me deixou um tesouro, e que deve ser entregue ao ser Herdeiro, mas a Corrupção lhe tomou, ele caiu. Ninguém nunca teve sucesso no que você irá tentar e se não conseguir ele deve morrer".

– "Ele é – ela sufocou um "era" – meu melhor amigo, Ancião. Eu me recuso a permitir que ele morra, ainda mais agora que eu sei que A Voz também tem limites. Aceito a missão, mas não quero que ninguém interfira. Só se eu permitir, e isso é imperativo" – exige a bruxa.

– "Sabia que você iria exigir isso",... – ele pareceu pesar, pensar no que dizer depois disso, com calma – "Eu tenho uma solução pra isso. Sabarba nos permitiu um Saber que nunca existiu, e vou lhe enviar agora o que nós conseguimos. Infelizmente, não posso lhe revelar tudo, agora. O pergaminho deverá queimar, depois de você ler".

– "As pessoas que vão estar comigo, Ancião",... – Asha parecia preparada para essa conversa, e sabia exatamente o que dizer – "Se eu estiver certa, uma delas não pode estar presente, ou ao menos, ninguém pode perceber isso. O senhor está falando disso? Tenho certeza que ele irá aceitar retornar à Tropa, se o pedido vier de mim,... mas diga que ele não deve interferir, a não ser que eu mesma peça".

– "Isso não é um teste, Asha el Sauza, é uma missão. Se você falhar, minha ordem será eliminar O Mal, e ele terá minha faca" – Kalai pareceu falar como um guerreiro, o que deve ter sido mesmo, quando jovem – "Então, está bem,... Irei falar com ele. Você sabe qual será a consequência, se você falhar",...

– "Sabarba acreditou em mim, e eu acredito em você, Kalai" – conclui Asha, deixando claro que sabe que pode morrer, ou talvez, coisa pior.

O Ancião Cinzento cruza o braço direito sobre o outro, mão à boca, e ficou algum tempo parado, bastante pensativo.

– "Eu acredito em você, Sauza. Sua missão está entregue. Por favor, Asha, não falhe a essa loucura de Sabarba,... Quero acreditar que ele era o bruxo mais inteligente que a nossa Nação já teve, e não um jogador de apostas com a vida alheia. Se você falhar, você sabe o que o Major deverá fazer. Eu posso impedir isso, e cancelar a mi-",...

– "A missão está aceita, Conselheiro" – encerra a bruxinha.

– "Então, assim seja" – Kalai tem uma expressão sincera de preocupação, como se essa menina fosse sua filha, era o que Nina sentia – "Vou acionar o Suporte, da forma que você pediu que seja, não preocupe. Aí está o pergaminho, tenha cuidado. Boa sorte".

O holograma do Grande Conselheiro desaparece, deixando uma Nina acordada e de olhos arregalados, e mais, sem entender absolutamente nada.

Imediatamente, um pergaminho surgiu, à frente de Asha, que pegou, e então, olhou para Nina, dizendo – " Tomoe irá guardar esses seus pensamentos, Nina, mas você precisa se preocupar. Jure, e se esforce para manter a mente limpa", e olhou ao redor. Nenhuma das outras moradoras estava lá, nem Tomoe. Por algum motivo, todas estavam recolhidas, para realização de rituais de última hora – "Levante-se", pediu a bruxa.

Asha mandou Nina vestir a roupa da escola, saia tartã e camisa, com vários detalhes a escolha das alunas, como se nada estivesse acontecendo, e foram para a Sala de Rituais do dormitório encontrar Tomoe. A menina, finalmente vestida em vestes de monge, marrons no caso dela, e não vermelhas. Nina a vê finalizar o ritual estranho, pois havia uma energia alaranjada que lhe impedia de ver o Ritual totalmente. De repente, Tomoe ficou de pé, e pegou um tubo de arquitetura, passando a faixa sobre si, os símbolos já apagados, esperando ordens de sua amiga, mas Asha só baixou o queixo, um pouquinho.

Depois disso, Tomoe acompanhou Nina a manhã toda.

A melhor aluna, então, Nina não sabia onde estava ou o que fazia, mas recebeu a mensagem dela, para ir tomar um lanche, e assistir a sua prova de xadrez.

– E você, Herói? Como descobriu a magia? – questiona Oyá.

Nina sentia a mente de Tomoe, que parecia não agressiva, hora nenhuma, e sentia um pouco mais de tranquilidade, desse jeito.

– Quê? Olha, Oyá. Eu sei que a magia existe há muito tempo. Ela tá toda na rede, só não sabe quem não quer. Sou programador desde os oito, quando fiz meu primeiro showoff, para a empresa Quest, a gigante dos jogos. Saber magia é essencial, quando se é um busyboy, tá tudo lá, nos forums. Todo mundo sabe. Eu tou aqui por causa disso, ou melhor, da tecnologia.

– Impressionante – conclui Oyá, sem tirar os olhos de Elliot, e de Asha.

– Se fizer isso será xequemate em sete rodadas – todos fizeram silêncio – Você não está nem se esforçando, é o que dá a entender agora, Asha.

– Mais uma,... – Asha fez uma expressão muito séria – Eu sei todos os seus segredos, Elliot, e você sabe disso. Ah, ah,... Não fale. Sei aonde você pode errar, e conheço o poder que você tem, tinha, e se estou certa, terá depois de hoje. Não fale nada. Vou saber se você está usando esse poder que você tanto acredita ser o maior e mais vantajoso poder que existe, e você está errado; eu já sei, você está aí, eu sei, eu posso sentir você, em algum lugar.

– Você quer ganhar,... de mim,... n-isso? – ele ignorou o que ela disse.

– Elliot, você não vê que existe a chance de eu ganhar? Você é meu melhor amigo, Iko, você devia saber disso, e não ver é uma prova. Abra seu coração e volte a enxergar, porque vai perder tudo o que mais precisa.

O garoto, porém, ficou calado. Asha o ameaçou. Até Nina percebeu que ele ia olhar para o pequeno Tomi, para falar, mas a palavras de Asha devem ter feito sentido; Tomi apenas fez levantar as suas sobrancelhas, e engoliu em seco, parece que entendeu alguma coisa, evitando olhar para Nina e sem falar nada.

E assim, começou mais uma parte estranha. Asha demorava muito tempo para fazer a sua ação, permitindo a conversa quase comum, que se estendia a todos os presentes, ou mais ou menos isso.

– Kate, – começou Sibel, trazendo o lanche – Como é Seattle? – ela veio e entregou o prato, claro, com salsichas, para Tomi, se movendo suavemente.

– Meu prato favorito – diz ele, mas não estava olhando para o prato. Nina sufocou um grito de ódio, e a vontade de arrancar os cabelos da ruiva, e recusou as salsichas.

– Awn,... g’randje – responde Sura, com o sotaque carregado.

– Mas você não é uma bruxa, né, Kate? – Nina tomou coragem – E a magia? Como foi que você descobriu a magia?

– Awn,... não ssei. Ascho quie semp’re existiu, Neena.

– Não. Quero dizer,... “Como” que você descobriu que a magia existia?

– Ah, ascho que é como as est’rellas. Semp’re esteve lá. Só po’r’quee o meu method-o é djiffe’rente, nang’w quee’r deize’r que eu não sei na’da.

– Ai,... – Nina ficou sem jeito – Não era isso. V-você entendeu errado.

– Nang’w, prinsce’sza – não há acidez oculta, ela é óbvia – Você foi quiem entendeu e’r’rado. O mundo não é p’reto e b’ranco, do xjeito que voscê pensa.

De repente, Nina sentiu uma raiva sem tamanho dela. Ela, Sibel e Elyfa, pessoas que preferia que não estivessem ali. Mas bem, parece que Elyfa soube ler isso nela, e assim, a bruxa má, vilã, inimiga, a cantora principal do coral da Capela, a adorada caixinhos de ouro, Elyfa decide falar.

– Não sei o que foi que sua melhor amiga te ensinou, Nina, mas a Kate está certa, e o mundo não é feito de heróis e vilões. O mundo é cinza, com borrões de cores vivas que só você vai saber o que são. O Enigma é único, e único pra cada um. Acredito que ela veio te falando do enigma dela, e não se aplica a você. Sem ofensas. Asha é a melhor aluna, e deveria entender isso. Meu pai morreu, Nina – ela fez uma pausa – Enquanto vocês eram os heróis, e isso não me deixou nem um pouco feliz. Espero que você se dê bem na vida, que seja feliz, que entenda que magia existe, mas,...

E olhou para o lado, seus olhos úmidos, não conseguiu continuar.

Kate saiu do seu lugar e abraçou sua amiga. Coçou sua cabeça, e balançou os ombros dela, que sorriu, escondendo as lágrimas. Elyfa passa a mão no rosto, e funga. Então, a gringa olhou com raiva para Nina, que não sabia o que dizer. Não podia dizer nada, sentia a mente de Tomoe em contato com a sua dizendo isso, que aquela não era a hora de dizer nenhuma coisa mais inteligente do que ficar calada.

Algum tempo se passou, e Asha perdeu de novo.

O almoço ficou pronto, feito por Sibel. Depois de um tempo, os ânimos estavam de novo normais.

Oyá e Doutor Diesel conversaram com Elliot durante o almoço, e Nina percebeu a mente de Tomoe de novo, uma mente tranquila, calma como a água mais pura, a única coisa que a manteve sadia nessa tarde.

O Doutor duvidava que Asha conseguiria ganhar.

Então, a bruxa duvidou de que ele um dia tivesse sido um bruxo. Ele, que é o médico mestre da Capela, pareceu mesmo muito ofendido.

Até agora, Asha toma bomba nessa matéria, mais uma vez.

Tomi era o único que dizia não ter nenhuma dúvida de sua amiga, e que ganhar era apenas uma questão de tempo, resumiu ele.

E o combate, então, recomeçou.

De repente, foi Asha que tirou a atenção de todos.

– Ai, Tomi,... – a melhor fez uma pausa – Olha pra mim se tem algum satélite acima de nós, por favor, mas olha isso sem chamar a atenção,...

O garoto pega seu Profeta, abre umas duas telas no ar, com aquelas letrinhas verdes tipo fósforo, que Nina não faz ideia do porque isso existe. Ela tem medo. Aquilo lembra as telas do professor assustador de Defesa Contra a Corrupção, mas a mente de Tomoe lhe acalma, e ela se lembra de que deve esvaziar a mente, enfim, foi isso que a sua melhor amiga pedira.

– Tem não, mina – Tomi fez uma pausa – Mas teve uma grande explosão,... Na Europa Central,... Não to entendendo bem o que é que a galera tá falando.

Oyá fechou a cara, bastante preocupada, de repente.

– Tudo foi,... tipo,... arremessado. Mas,... não foi nuclear, não. Tem uma energia, cem por cento mágica, e até os comuns percebem. Tem uma bola de energia, enorme, em cima, do que parece,... ser... a pirâmide bósnia. E parece... que tá rolando combate entre as energias da pirâmide, e... não-se-sabe-o-quê,.. e eles são invisíveis. Achei as fotos, vou mostrar pra v-,...

– Agora não é a hora, Hieronimus.

A interrupção foi tão brusca que todos se assustaram.

– Quê? Mas eu,... só estava,... – ele ia se defender.

– Guarde essas informações para você, garoto – diz o Doutor Diesel – E escute o que Oyá diz, está bem? Não é hora de discutir isso.

Sua voz metálica ciborgue estava dura, e todos perceberam. Asha percebe a expressão do seu melhor amigo, por trás daqueles olhos, por um único instante, e decide que ela deve falar alguma coisa, respira fundo, e olha para os adultos presentes.

– Oyá, me desculpe, mas sou eu quem decide quem fala aqui, hoje, e não aceito nem você, nem o Doutor, nem ninguém, me questionar.

A inspetora abriu a boca, assombrada com a audácia da menina, mas Diesel ergueu a mão para lhe impedir, como quem diz – "Não interfira", e então a líder investigadora desistiu, fechando a boca.

Essa súbita mudança de "lado" do ciborgue pegou a todos de surpresa. Assim, Asha de novo captou o olhar de Elliot, um vacilo, uma dúvida,...

“É isso,... Jogo”,... deduz Asha – “É por isso que tinha de ser o xadrez,... Jogo,... Esse é o Segredo, Jogo de Poder, por trás da Corrupção, ou melhor, dos olhos de um Corruptor”; a melhor se mantém atenta. Seu treinamento todo, ela deve muito dele aos seus colegas da Escola, devido ao aspecto coletivo das duzentas e cinquenta e seis técnicas de educação do Conselho, foi todo ele voltado para a compreensão de detalhes, e só o detalhe revela o Enigma.

Nina olhou para Asha, prestando atenção em seu oponente, e Elliot baixou a sua cabeça, deixando um clima estranho no ar.

– E você – Asha apontou para Elliot – fica calado.

Aquilo era uma ordem clara, e a voz da bruxa era imperativa; todos se assustaram, a não ser a pequena Tomoe, calma, totalmente sem mente.

E então, aconteceu quando Asha desafiou Elliot para a sétima partida.

– Você acredita que vai morrer? – disse ele – Então, eu estou sendo a esfinge, que se você perder, morre. Você não deveria ter medo de morrer, Asha – e a reação chocou a todos os presentes. Ninguém esperava que, de repente,...

– Aaahh!! – Asha se levantou – Aaaah!! – Asha passava a mão nos braços, para retirar algo; poderia ser sugeira?... ou,...

Doutor Diesel se levantou, e ficou estático, imóvel. Oyá sacou a varinha, preparada e muito atenta.

– Olha aqui, Oyá! – Asha estava transtornada, com raiva – Se isso acontecer de novo, eu vou apelar! Tá?!? – soltou o ar, pesado, e estava ofegante – Não use a varinha.

– Asha, eu,... – a feiticeira ia se defender.

– Não. Tá bom – e balançou a mão, querendo esquecer alguma coisa – Tá bom, onde a gente estava, Senhor Gulanta? Vamos. Eu te desafio. Sim, – e se sentou, ainda um pouco ofegante – vamos ao enigma, de novo, então. Eu te desafio, de novo, e... não,... não é a hora, ainda. Eu,... só fiquei,... Espero que não aconteça mais, Elliot. Você fica calado, ou morre! É uma ordem.

Todos prestavam atenção em Asha, e deve ser por isso que ninguém viu o olhar, cheio de desejo, que Elliot por um mínimo instante demonstrou.

"Agora ele sabe que eu sei", pensa Asha, "E sabe que eu consegui resistir. Deve ter,... deve ter alguma coisa,... que ele já me disse",... Assim, despretenciosa, Asha se concentra, ou é o que parece, novamente em tentar ganhar do professor. Em teoria, mesmo com a reação que teve, ainda pode ser que Fif, Kate e,... não, Elyfa já percebeu. "Quem diabos é a Elyfa? Ela tem um treinamento estranho, desde que começamos a escola", e de repente, Asha se lembrou, e foi no dia do feriado, ela se lembra que ele disse que "Caiu alguma coisa em minha cabeça", ou algo assim, essa era a suspeita dele; isso era arriscado demais, contar com isso.

Nina viu o olhar de Elliot. Um sorriso, como se ele estivesse se divertindo, vendo ali a sua aluna tentando ganhar dele, mas Tomoe silenciou a mente dela.

– Mudou.

Todos viram, no rosto de Elyfa, o olhar do medo.

Seus olhos vidrados em Elliot. Ele captou o olhar dela, e enquanto todos ainda não tinham entendido nada, ele falou.

– Você está vendo? A Sombra?! Está vendo Ela em mim.

A pequena caixinhos dourados ganhiu. Abaixou a cabeça.

– Ss-sim – e chorou.

– Você! Não ouse usar isso nela, seu imundo!! – Asha grita para Elliot.

Elyfa olha para Asha, a defensora que ela nunca esperava ter.

De repente, Tomoe havia se mexido, mas continuava lá, ainda sem mente, ainda em um lugar que nenhuma das outras crianças ousava pensar.

Elliot olhou, avaliando todos de uma só vez.

– Entendi – diz Asha, olhando Elyfa, que chora – O desafio não acabou, e meu amigo ainda existe. Você vai jogar até o final, agora que a Sombra está sobre você, e você sabe o que ela significa. Não fale mais.

Ninguém entendeu nada, mas parecia ter sido argumento suficiente. Elliot parecia sem dúvida preocupado, agora, tentando olhar ao redor.

E assim, o combate continuou.

De repente, Elliot abriu a boca para falar. Asha levou a sua mão à faca, e ele ergueu a mão direita, para pedir para falar; ela esperou, muito séria.

– Você não tem,...

– Poder? – ela interferiu, imediatamente – Você não é burro. Sou eu quem vai decidir se você vive, ou morre; isso é poder. Eu não vou vencer você – ela interrompeu de novo, ao ver que ele ia tentar falar – com as suas armas.

Elliot ergue o rosto, alterado, franzido, e tenso.

– Vou vencer você com amor – Asha diz. Ele riu, se divertindo com isso, e começou a parecer macabro; como se fosse a coisa mais, mas mais engraçada possível e imaginável que poderia ser dita – a ele.

– Kate – Asha diz – Sei que você tem condições especiais de aprendizado, como eu mesmo tenho, também, mas... você pode explicar? Quero dizer. De como é pra você a magia, pra sua família. Como é?

– Awn, nang’w sei explica’r, Asha, eu só sei faze’r.

A pequena Nina teve uma dúvida, mas não sentia que podia perguntar, afinal a outra havia sido muito ácida; sem dúvida não eram amigas.

De repente, ela olhou para Nina.

– Po’dje pe’rgunta’r – afinal, Sura não era tão desligada, assim.

– Ai. É,... – solta o ar – Não tem a ver com línguas, não? Você já me disse que o seu pai fala, eu acho que, doze línguas, não é isso?

Sura sorriu, e balançou a cabeça, Nina parecia estar certa.

– Se você fizer isso, eu vou te dar chequemate em duas rodadas, Asha.

Ela estava parada de olhos arregalados, com seu bispo na mão. Assim, foi que Nina percebeu, então, o olhar. Nina nunca se esqueceria daquele olhar.

A gente aprende um pouco sobre as pessoas, depois de conviver muito com elas, e eu percebi aquele olhar, então; nunca vou me esquecer. Eu olhei pra ela, e de novo eu estava sendo ingênua. Só que dessa vez, eu percebi. O olhar. O olhar de uma predadora, observando a caça. Nunca havia visto isso nos olhos de nenhuma outra pessoa, em toda minha vida, pra dizer a verdade; ela é única, sempre foi, inigualável, e reconheci o olhar dela para o doppel na base.

De repente, Asha mudou de ideia.

Dedicida, voltou a peça ao lugar, e moveu outra. Ele parou. Estava preso, e sabia disso como se o tabuleiro de pedra, a mesa, fosse um leão solto, e ele, ele estivesse realmente amarrado – não havia mais como ganhar.

– Hmmmh,... Chequemate, em quatro rodad's-.

A voz falhou a Elliot, o que demonstrava que ele realmente estava mesmo tentando vencer todas as partidas.

– Eu sou única, Iko. E você também. Você já devia saber disso, mas relaxa, eu to aqui pra te lembrar disso – e, de repente, sem mais nem menos, ela se virou pra platéia, que assistia a sua prova – Kate, qual é o seu segredo?

– Quê? – Sura quase engasgou.

– Sim. Você veio pra cá pra estudar astronomia.

Elliot ia falar. Ele viu a mão de Asha segurando a faca, ao dizer isso, e até Fif, que era mesmo quem parecia estar ali como parte do cenário, percebeu.

– Você! Fica calado! – Asha gritou, tensa. Pareceu pensar consigo mesma – Tem uma coisa que eu acabo de pensar, e isso é uma coisa,...

O grito de Asha assustou Nina, Fif e Sibel, mas Tomi não. Ele captou. Elliot também, e parece ter visto pela mudança de posição do Herói, alerta, alerta como um bruxo nunca estaria, que estava em perigo.

– Qual é, Kate? – agora, a voz de Asha era suave, encantada – Seu segredo tem a ver com línguas, isso sem dúvida ficou muito claro. Qual é?

A menina avaliava a situação, em dúvida.

No meio disso tudo, Elliot estava com um olhar vidrado, sem saber o que ele iria fazer, a pequena Tomoe havia se mexido, parecia pronta, e Oyá estava de braços cruzados; só que, de onde estava, a pequena Nina estava ao seu lado, ela via, a feiticeira segurava sua varinha com a mão direita, sem ninguém perceber.

O professor estava encurralado, era tudo óbvio agora.

– A’dãu e Eva – agora, ela olhava para Elyfa, como que pedindo ajuda, mas até a sua amiga esperava que ela falasse; estava sem saída.

Não havia como escapar, então Sura Katalina decidiu dizer.

– OKay. Eo vi’ng akki’, Asha, p’ra estuda’r os seg’redos das língu’as, po’rque ezixte muinta coisa que as pesso’as nang-w sabem. A’dãu e Eva. A linguística é conside’rada a única pa’rte da let’ras que é uma ciência, com método rígido, mas acontece que pa’ra a magia a a’rqueolodjia linguísitica é um seg’redo pode’roso. Está bem, eu vou dizer. A palav’ra “adam”, na ve’rdade, significa “sangue”, e “eva”, ou “ewa”, co’m dábliouw, significa “sim”, e toda a a’rqueolodjia p’rova que esse conhecimen’to foi co’rrompido, aos poucos, ao longo da histó’ria.

Ela fez uma pausa, espantada: nenhum deles se movia, quietos.

– A Co’r’rupção fêiz iso dje p’ropózito, du’rantje millêni’os.

Nessa hora, todos pareciam tensos. O rosto de Elliot estava fechado, e Asha com a mão em sua faca ritual, pronta, respirando com o máximo do treinamento, e veio o movimento que ela devia fazer, sua próxima jogada.

– A’dãu foi c’riado p’rimei’ro, e Eva de su’a costel’a. Mas e as out’ras mulhe’res dele, que ningu’ém fala? Lilith foi a p’rimei’ra. Foi c’riada junta de A’dãu, e quando não quiz ma’is, fugiu do pa’raíso. Bél, nigu’ém fala dela. Foi c’riada na f’rente dele, e ele não teve co’rage’m de caza’r. Dize’m que fo’ram a vísce’ras. E entãung, Deus colocou ele pa’ra do’rmir, e fez Eva da colstela dele.

A jovem parou, e até Nina sentia medo, sem entender o que acontecia. Aquilo não só era confuso, como o sotaque dela era terrível.

– Isso tudo é menti’ra.

Doutor Diesel estava totalmente imóvel como todos ali. E os tons sob os paraluzes mudaram, de azulados para secos, e então, de secos para vermelhos.

– É um eno’rme disse-qúe-me-disse, isso. Po’rque Co’r’rupto’res nunca esc’reve’ram o que se diz deles.

– E qual é o segredo, Kate? O Segredo – insistiu Asha.

– Está be’m, Asha. A’dãu na ve’rdade é a mulher. E Lilith, Bel, e Eva são os t’rês tipos de homem que ela vai conhece’r. Pen’se na antig’idadje. O saber e o conhecimen’to, tinha de se’r explicado na p’róp’ria língua. Não se sabia nada de filosofjia, e a ba’rriga só podjia da’r em costela. Deus, ou "fo’rça desconhecida", t’ransfo’rmava a costela da mulhe’r em uma c’riança, que nascia dela. A’dãum també’m significava “família”, alé’m o p’rincípio feminino, també’m chamado de A Deusa, que é a mulhe’r, vi’rgem ou nang-w, a mãe, que tinha o papel educado’r, muito tempo conside’rada Eva, impossí’vel sabe’r, e a velha, que não era mais fé’rtil e devia se to’rna’r a mat’ria’rca; isso é a histó’ria celt’a, e de’riva disso.

De repente, Elliot estava envolto numa energia.

Sua aura era visível, translúcida, opaca. Sura engoliu em seco, sem saber o que estava acontecendo, mas sua amiga Elyfa fez um gesto para ela continuar.

– Então, Lilith é na ve’rdade o p’rimei’ro homem, que ti’ra a vi’rgindadje da mulhe’r, que é Adam. A a’rqueolodjia també’m p’rova que a linhage’m real, ao cont’rá’rio do que se pensa, semp’re foi feminina. A p’rinceza. “Ela” é o elo, a p’rimei’ra filha, e a nob’reza na antiguidadje e’ra passada po’r ela. Bel é o home’m que despe’rta o desejo, que a mulhe’r, A’dão, nungca podje conta’r a ningué’m que’m é, ele é O Amante, do Tarot, aquele – de todos – quem ela mais deseja. A inveja dest’rói. E Eva, ou Ewa, é o pai. Aquele que deixa descenden’te, feito da colstela de Ewa, que c’resce numa inexplic’ável ba’rriga, e ve’m ago’ra ao mundo como uma no’va pessoa. Esse é o seg’redo.

– Continue – ordena Asha.

– Si’m. Eu estou aqui p’ra estudar isso, só que també’m gosto muinto de ast’ronomia, mesmo. Nang’w é menti’ra, nunca foi, o tempo to’do, ma’as eu to estudando isso, em aulas especiais, pa’rticula’res.

– Porquê?

– Você não es'tá que’rendo demaiz, nang’w?

A bruxinha torceu a boca, mas ainda esperou pela resposta. Oyá estava se levantando, mas foi impedida pelo Doutor Diesel, tranquilamente.

– Eo tenño quêe c’ria’r uma língua. Esse é o seg’redo da minha famíliya. Meu p’ai fez antez de mi’n, ele fez a pa’rte dele, e ago’ra é a minha vêsz. O que est’á acon’tescendo aqui, ago’ra? O quêe é izso?!...

Havia uma energia ao redor de Elliot.

As peças de xadrez são arremessadas, Oyá sacou a varinha, e Tomoe tira uma espada de detro do tubo de arquitetura; Nina não aguenta, e desmaia.

– Não! Ninguém faz nada! Nada! – gritou Asha. Tomoe pula, de espada em mãos, para defender Nina, aparentemente, mas na verdade dos adultos, Diesel e Oyá, que iam até ela.

Essa energia, transparente, era a mesma que Asha havia visto, quando ele e a princesa louca se ergueram no ar, no ataque dos monstros à escola.

Todos sentiram. Sentiram, e ouviram, ao mesmo tempo. Não havia dúvidas, Elliot via, ou sentia, sim; e o augúrio de uma Revelação atinge a todos.

– Schtiakkum! – grita Elliot, erguido no ar – Addée sui!! – grita ele mais uma vez, e a energia translúcida se expande dele; era íntima, meio líquida.

De repente, Asal Gusa aparece; de óculos, impossível saber seu olhar. Era provavelmente um computador, sob a forma de lentes negras impenetráveis.

O bruxo ergue rapidamente a sua faca, e grita – Não façam nada! – ele veste as suas roupas da Tropa, que abandonou há coisa de dez anos atrás. Era possível ver a Veste, mas não é aquela que as pessoas usam, civis, a Veste de Sobrevivência, mas sim a Veste de Combate, e que só é usada pela Tropa, a manga recolhida por ordem mental até quase o meio do bíceps, mas tudo estava acontecendo ao mesmo tempo. Outros surgiram. Todos surgindo, saindo da sua invisibilidade mágica, mas ninguém falava, avançava ou interferia.

Surge também um dróide câmera, flutuando, ao lado de Asal-sã, que tal como todas as pessoas presentes, sente, sem a menor das sombras, agora.

A sensação da Corrupção sendo destruída.

Toda a energia presente, ninguém ali consegue pensar muito bem, mas a emoção é a coisa mais arrebatadora, um medo calmo, uma esperança viva e avassaladora, que faz até mesmo os soldados presentes se sentir como uma criança, a inocência recuparada. Toda a dor, ou todo tipo de sofrimento da vida adulta, da guerra, do passado, de repente parecem coisas de uma outra vida, fatos tão distantes como as estrelas, e a sensação do Infinito,... da existência.

E então, Elliot cai no chão, a energia se desfaz.

– Elliot! – diz Asal-sã. Todos ali ouviram sua voz como se fosse não apenas uma preocupação com a sua vida, mas sim como uma palavra de poder.

Ao mesmo tempo, Asha e Asal avançam, para ver.

Asha, ao lado de seu melhor amigo, tocou sua pele para verificar se ele estava vivo, a sua maior preocupação, forçando sua mente para ficar focada, ele vê isso nela e está assim também, ambos estão sem pensar.

– Ele está vivo, Mestre – Asha diz a Asal.

Seus olhos se encontram, a sensação da presença do Infinito em si mesmo ainda podia ser sentida, mas Asal apenas sorri para ela. Ele passa a mão direita no cabelo de Asha, e põe a mecha fora de lugar atrás da orelha, mas não deu tempo de falar nada. De repente, houve um tipo de sombra, estranha, uma presença terrível. A sensação de poder absurda vinha, Asal e Asha também olharam, de quem menos se esperava, Elyfa, a caixinhos de ouro, que aponta para sua colega, de olhos esbugalhados, e a sombra é afastada dela, expulsa.

– V-você,...

Aterrorizado, Tomi olha para Elyfa, também; que energia era essa? Seu olhos, ela está chorando, as lágrimas caem sobre sua roupa, tingindo-as de vermelho – e os olhos! Os olhos são vermelho-chumbo, e furiosos.

– V-você,... – Elyfa apontava Asha, e ela estava tremendo,... – Consegue trazer de volta,... um,.. Corruptor – inspirava, louca – É a Profecia! É v-Verdade! "Sobre as Trevas, e sob o Céu, tudo o que Ela precisa é de um motivo, Aquela que vencer a Guerra receberá a maior de todas as honras, Os Mil Impérios da Morte, A-Um!" Eu não consigo,... não consigo mais ver,... você c-cons-seguiu,... Conseguiu,... É você! TEM de ser você,... V-você é,...

Asal largou Elliot, e veio correndo segurar Elyfa. Oyá veio, também. Ambos tinham um cuidado muito grande de estar analisando cada som vindo dela, todos os seus pequenos movimentos, respiração, tudo.

"Ela está chorando,... mas é sangue", Asha não evitou pensar.

– V-você,... É a Escolhida! – diz Elyfa, apontando para Asha, a sombra agora longe dos seus olhos, as olheiras que lhe abandonaram, de repente. Asal ergue a mão, para que ninguém da Tropa ouse tentar interfir.

E ela desmaiou, nos braços de Oyá Matambalesi, sem pulsação.

– Doutor Diesel – chama Asal-sã, com urgência.

Imediatamente, o médico ciborgue avança. Ele analisa tudo de uma vez, e foi então que surgiu um holograma, projetado pelo dróide câmera, no ar.

– Inspetora – diz a mulher ruiva, bem mais velha – Major,... ou então, eu deveria dizer agora, Comandante Gusa – e olhou para Asha.

– Sim, general. Missão cumprida – diz Asal – Mas tenho de levar Elyfa à enfermaria, urgente, o pulso dela parou. Ela é nossa principal vidente.

– Doutor Diesel – pede a Inspetora.

– Sim. Eu levo ela, Oyá. Deixe que eu cuido disso.

Asha chegou perto de Nina, que estava com Tomoe, e abraçou sua amiga, que sempre lhe surpreendia, mas pra quem só agora era iniciada, havia sido demais.

– Ela só desmaiou – tranquiliza Tomoe.

– Você leva ela, Andrômeda, muito,... muito obrigada – Asha agradece, e se aproxima do rosto de Nina, enquanto a meio-nihon guarda a espada curta. Ela para, olhando o rosto da menina, sem dúvida ignorando que o Doutor já havia partido, carregando Elyfa, e desvia do rosto dela para colocar a cabeça lado a lado, e sussurra, calma – Está tudo bem, Nina. Me perdoe. Não previ que você não iria suportar tanta pressão, mas durma. Vai ficar tudo bem.

Nesse momento, Asal observa o olhar de Asha,...

A general observa a dupla e parece entender, balançando a cabeça.

Assim que Asha se afastou de Nina, a bruxa Tomoe, a única aluna monge elementalista dessa escola, ergue a menina sem nenhum esforço, e sai.

– Impressionante,... Você é mesmo única.

– Eu não ia deixar meu melhor amigo morrer – disse Asha – Estava disposta a ir até onde fosse necessário, General Kamarati.

– Matambalesi, – diz a general – seu relatório para o Comandante Gusa.

– Sim, senhora, será feito agora mesmo – diz a feiticeira.

– General Kamarati, eu tenho alguns pedidos a fazer, agora – a voz de Asha ficou um pouco diferente, agora que tudo acabou.

A general tinha a expressão dura, mas ainda assim Asha estava disposta a lhe enfrentar, mas "Qual é o segredo dela?", Asha medita sobre Nina. Decide não falar sobre isso. Sabia, ou melhor, sentia agora que existia, agora que ela estava estudando na escola. Não imaginava o que poderia ser. A general disse há pouco que ela era única, mas Elliot também era. Era isso. Tinha de ser, porque até mesmo uma general sentia que ela era especial – Nina – podia ver nos olhos dela, ainda que estivesse ali sob a forma de um holograma, era muito óbvio.

– Quero que tire seus homens de prontidão da nossa escola. Isso aqui é uma escola, sempre será. Você deve isso à memória de Sabarba, general.

– Entendo. O que mais?

– Quero acesso irrestrito ao Espelho. Só eu, e quem eu escolher. Descobri como ele funciona, e quero acesso direto, sem restrições. Também quero pedir pela vida do meu amigo, Elliot. Ele é nossa maior esperança. Sem ele, tudo vai acabar. Sei que ele diz, ou melhor, sempre disse, que as Luzes são nossa maior prioridade. Tire seus homens da nossa escola, e eu então, também vou ajudá-lo a investigar isso, além do Espelho.

Agora, a general estava pensativa.

Sim, o máximo que se percebe de alguém assim sendo pensativa. Asha decidiu, tinha de perguntar, ao menos isso; para manter Nina longe do foco.

– General,... – seu tom de voz se modificou outra vez, mas só Asal percebe, ali, imóvel ao seu lado, analisando sua discípula – A Sombra,... que Elyfa vê. É o Mensageiro da Morte, não é isso? Da Ceifadora, Nga? Ela é capaz de vê-lo? Esse é o poder dela. Se é isso eu entendi, também. Ela é nossa maior vidente.

– Você não é a única aluna especial, Asha, nem nessa, nem em todas as Escolas do mundo, e acredito que você deve saber disso já, agora.

– O que é isso que Elyfa disse? – Agora, Asha tinha ido longe demais, e a general lhe olhou nos olhos, deixou o momento passar, e não lhe deu resposta.

Não havia como esconder, havia um Segredo ali.

– Você é única, realmente, Asha Sar el Sauza – disse ela – Todos vocês, venha até aqui, e escutem – a Tomi, Sibel e Fif – Vocês estão todos proibidos de falar sobre isso, e guardem o que viram no fundo de suas mentes. Entenderam? Isso é assunto militar. Você, Asha, duvidei da sanidade do Grande Conselheiro, quando ele me disse o que queria fazer, mas você deixou claro que você não é nem um pouco comum, mesmo para nós bruxos. Nem todas as coisas estão ao meu alcance direto, mas tem a minha palavra de que será ouvida; o seu mérito está muito além do que uma menina da sua idade alcançou até hoje. Isso não era nem mesmo possível, há até alguns minutos atrás, e isso não será esquecido.

Então, olhou para Asal, de novo. As obrigações de uma militar voltaram ao seu rosto, de imediato.

– Relatório completo. Quero ele às nove horas, Comandante – a general tem um leve sorriso no canto da boca, coisa muito rara de se ver na Tropa.

Dito isso, então, o holograma se desfez.

Asha el Sauza olha para Asal, que percebeu que ela finalmente lhe chamou de Mestre, algo que nunca havia feito, e ambos abaixaram o queixo, bem de leve. Ele foi ter com Oyá. Ela, então, ajeitou o cabelo, curto atrás e longo à frente, à orelha, foi para a enfermaria, arrancando Tomi do torpor. Eles ignoraram Fif e Sibel, paralizados, mas sem dúvida e com certeza iriam encontrar Sura ao lado de Elyfa, e isso era uma verdade irreparável, Asha sabia disso.

Andaram em silêncio, ela não queria falar.

– Mina – ele ousou romper as não-palavras – Você é uma Deusa.

– Se qualquer coisa acontecer a Nina, eu nunca vou me perdoar.

Ela havia parado. Sendo obrigado a parar, ele pensa, aperta os lábios, e decide apenas apoiar de leve o ombro da amiga, que balança a cabeça, funga sem lágrimas e daí seguiram pra enfermaria. Não havia nada que Herói pudesse dizer, porque ele sabia que ela queria aquele momento para si.

(Fim do Cap 1)

Venha ler o Capítulo 2 – A Vida em Preto e Branco, neste link.

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