Dia após dia, Trama a Lagarta

De Enigma
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O Outro Nome do Medo -- Capítulo Cinco -- Sol Cajueiro

Um livro de Future Pop Adventure -- Estágio -- O Grande Jogo

Nota: Todos os Direitos reservados (Sol Cajueiro).

Este texto foi publicado em 11 de Outubro de 2020.

Dedicatória

À minha filha, minha motivação; aos meus pais, irmãos, de sangue e de caminho; aos amigos, de coração, a quem sempre deu apoio, em corpo, mente e espírito, e está agora digno de minha eterna gratidão.

Obrigado.

Cap 5 – Dia após dia, Trama a Lagarta

Ainda é cedo, esta noite, na divisa das montanhas, entre as nações romenas e seus vizinhos magyares, e faz bastante frio, hoje.

Bem longe do Castelo de Bran, onde há séculos se deu início à reunião que viria a formar a Grande Convenção de Bucareste, em que os filhos da noite, os vampiros, os montros, além dos estranhos, que formam a tríade em guerra, é claro, e as ninfas, com muita oposição dos lamias, filhos da noite cujas transformações de suas revelações lhe tornam monstros (mas não diga isso a eles, nunca) por um tempo, o auxílio dos pássaros de fogo, bennou, e também os raros licantropos, as sinistras, succubi e manccubi, asuras e djines, e todos os imortais em geral entraram em um acordo: a partir da Convenção, os imortais se retiram do meio público, e deixam de influenciar diretamente a vida e a política mortal, e as Entidades da Noite, ou também chamadas Níksian, (de Nix), são responsáveis por garantir o Tratado.

Naquela mesma noite, Scythius, O Antigo, o vampiro que conjurou essa Convenção foi, então, emboscado e assassinado pelos monstros.

Muito da cultura nekron de Arda morreu com ele, mas esse não foi o problema, e sim o que aconteceu, ou melhor, quase aconteceu, por causa disso. As coisas parecem fatos isolados, mas as revelações da língua nekron trazem das Trevas a Verdade que os mortais esquecem, e com isso, as últimas palavras do ancião – "Que... a sua traição não desperte o Uberlich de seu sono eterno, seu... monstro!", e ele morreu; o Sangue da Noite declarou guerra ao Sangue Monstro, então, como é desde tempos imemoriais.

Najka se apóia sobre a corda, soltando milímetros no mosquetão, com toda concentração, equilibrando seu corpo duas gramas para a direita.

Modifica sua visão, e observa o rasto de magia no ambiente. Sabe que não pode ter nenhuma mínima dúvida, em sua mente. Alice lhe envia mentalmente a posição, mais uma vez, de todos os inimigos. Harish, o mais velho, confirma que está preparado. Mankoi está quieto, com o ritual pronto. Tomáz está com as adagas de telluron em mãos, ele que é o mais rápido do seu grupo.

– Traga-me o mapa das instalações da Necrotática, que está sobre a minha mesa – diz uma voz conhecida dela: a voz do avatar na clínica onde Elliot estava.

– Sim, padrinho – responde o jovem mago. Najka inverte a direção, e sobe mais ou menos até o teto, e com apenas uma emoção, enviada a Mankoi, o filho da noite rasga sua pele e uma única gota sela a sua magia.

O jovem mago entra no escritório de seu padrinho. Acende a luz, – "Sh",... – e pega o que seu senhor lhe ordenou.

Depois que ele saiu, a luz automaticamente se desligou. A filha da noite fica feliz de ter um feiticeiro de sangue em seu grupo, e avança milímetro a milímetro. Se o vidente está certo, não há nenhuma marcação, nenhum sinal. Ela se posiciona, e voleia, parando em pé, em pleno ar, mas no lugar onde apenas Garl poderia estar – "Bujra!", ela mentaliza, e então, vê à frente uma passagem, aberta pela sua palavra de poder.

Assim, ela digita o símbolo mágico, no ar, e seu dedo se torna pó dentro da sua luva especial; muita dor, é o que ela sente. Sem um único som, a porta do cofre, então, se abre, e ela passa a mão para dentro da luva, que pertence ao vidente, feita pelas próprias mãos dele, que nunca havia tricotado na vida. A luva vai até o cotovelo. Muito cuidado, e sua mão, ainda com uma dor lascinante, toca a caixa. Ela, calmamente, movendo da forma como o vidente descreveu, várias vezes, retira o tesouro do cofre – "Uhr!", ela mentaliza, ao mesmo tempo em que, apenas com a outra mão, risca a pederneira, duas pedras escolhidas para isso, bem pequenas, imbuídas de seiva de cânhamo, e um grama de vala; e, então, "Ujat!", ela murmura com toda a sua vontade essa magia poderosa.

A faísca verde é produzida, com exatidão.

Desta forma, o cofre se fecha e some, mas a filha da noite ouve vozes, e rapidamente emite para Mankoi, e sobe para o teto antes do seu portal. Seu feiticeiro usa uma gota, apenas, de forma a não chamar a atenção do mago; sabe que ele é experiente demais. Ela gira, e a dor em sua mão lhe tortura; parte dos ossos também está se desfazendo.

– Não é possível,... Incompetente! – ruge Garlmagog ao entrar. Ele retira um livro de cima de um pergaminho, e sai do escritório – Eu mando trazer o mapa das Instalações, e o idióta me traz o mapa da Nação da Magia! Hülye! – ao entrar, ele não pediu para a luz se acender, mas parece que nem se deu conta disso, ele deixa o mapa e pega o que quer, então, Najka desce, com calma, e sem nenhuma dúvida; sabe que é importante não ter nenhuma dúvida. A dúvida não parece ser bem compreendida pela magia dos magos, e assim, é usada como gatilho de armadilhas, o que seu grupo todo sabe, agora, devido ao seu vidente.

A intuição diz a ela que que pegue a pederneira, e faça o mesmo truque, antes de pegar o tal mapa da Nação da Magia sobre a mesa. Ela reconhece que esse não é um tipo de pensamento que teria, mas não pode pensar. Todo e qualquer pensamento vai sem uma única dúvida, lhe trair. Feita a faísca, ela pega o mapa, e sobe.

Garl! – ela ouve a voz de um ancião.

Gogol! A que devo a hon-,...

– Você está sob ataque! – diz, provavelmente, o holograma de Gogol – O inimigo está em seu escritório!

Najka passa pelo portal, e mentaliza – "Dardet!", destruindo o portal depois de ele ser usado, ao mesmo tempo que todo o seu grupo se reúne ao redor do ritual de teleporte, todos tocam seus símbolos, e o ritual é ativado. Eles ouvem gritos. Sem dúvida, são magias para impedir que os inimigos saiam, fujam ou aportem. Bem, bem,... Os feitiços iriam sem dúvida funcionar, mas este tipo de aporte acaba de ser inventado, por uma pessoa que, a bem dizer da verdade, sorri quando Najka chega a Bealae, agora.

– Missão cumprida – diz a caçadora.

Assim, Elliot sorri, e Asal lhe dá a Poção da Múmia, que ela bebe para neutralizar o efeito da luz solar, gerado pelo uso do símbolo solar para abrir o mecanismo. Quase que no mesmo momento, seu dedo e parte da mão, em cinzas, se regeneram, e a dor lascinante chega ao fim. Ela tira a luva feita por Elliot, e olha. Perfeito. Sua mão, o dedo indicador, lá estão, reconstituídos por uma poção que ela nunca soube de sua existência.

– Parabéns, missão cumprida – diz o vidente.

A sala é pequena. Há uma porta fechada, e pela janela vem o barulho tranquilo do trânsito de Bealae. O papel de parede do refúgio, branco. O vidente está sentado, de pernas cruzadas, sobre uma almofada, e está de olhos fechados, calmo; ele aponta para as demais almofadas – Sentem-se – Elliot pede, em tom amigável – Vamos ficar em silêncio, enquanto os oráculos procuram por um lugar que não existe, como planejado.

Depois do que pareceu uns vinte minutos, ao lado de plantas alaranjadas e azuis, os tipos mais comuns de plantas fora dos paraluzes, Elliot abriu os olhos. Seus olhos estavam negros, mas também avermelhados. Havia almofadas de tecido sintético, os mais usados em roupas, com padrões muito equilibrados. Assim, foi um momento de meditação tranquilo, em que todos ali pesavam o que deveriam dizer, pois ninguém nessa sala está ali por acaso.

– Missão cumprida, eles não conseguiram saber quem foi que invadiu o castelo – diz o vidente – O que foi que você pegou? Eu tive esforço em dobro para lhe permitir a ocultação.

– Olhe – e Najka lhe entregou o mapa de Garlmagog. Elliot abriu o mapa, e olhou, erguendo as sobrancelhas.

Asal sente até a temperatura da pele do garoto se modificar, e vê de relance a aura do vidente, verde musgo, bem forte. O pensamento profundo dele é claro. Seus olhos vão de um ponto ao outro do mapa, como se tentasse decorar todos os pontos que se movem, reconhecendo os símbolos egípcios, que descrevem os pontos. Ele sabe egípcio, agora. O mapa se modifica, mostrando diferentes lugares da Nação da Magia, à medida que você pensa, sob forma de gatilho mental, e apenas não mostra as salas secretas dos bruxos, ou seja, aqueles lugares totalmente protegidos por magias que impeçam tabus.

– Então,... – diz o garoto – É assim que eles sabem tudo sobre os bruxos. Um mapa, feito em papiro, com a magia de Toth impregnada nele.

O vidente passa o mapa para Asal ver, e este rapidamente conclui.

– Isso é terrível,... – comenta Asal – Eles sabem tudo,... passagens planares, aonde estão as tropas, a localização dos edifícios,... mas não mostra as Capelas. Elliot,... Você sabe que eu devo levar isso ao Conselho, urgente, e ainda hoje, não é? Hmmmh,... talvez, não. O que você quer dizer com "Magia de Toth", que você diz que está impregnada no mapa?

– As Maldições,... – Elliot fala com tranquilidade – Ao decifrar todos os segredos de um Deus, para que possam lhe matar, os magos passam a ter uma maldição, e também o controle sobre o poder daquela divindade,... No caso, Toth foi o primeiro inimigo, mataram ele primeiro. Eles só falharam uma vez,.. Bom, na verdade não se sabe se falharam.

– E quando foi que erraram? – quis saber Najka.

Akhenaton foi assassinado, então nasceu de novo e pode ser enterrado corretamente, e mais, foi enterrado como pessoa do povo, de velhice. Não se sabe se ele foi assassinado, ou não. Se não, ele é o,... Ujat,... que palavra difícil de se dizer,... o que a Teocracia considera seu inimigo. Mas eu aposto que eles não fazem idéia do que essa palavra significa de verdade.

Todos ficaram em silêncio, algum tempo. Ao lado de Elliot, uma velha toda encapuçada, mas de pele castanha, aguarda. Asal está com seu grupo, Esmeralda e Llawrence, além é claro, de Tamara, que o bruxo faz questão de sua presença, afinal, ela é agora a Vice-Diretora da escola, e sua amiga. Najka está com Harish, e todo o seu grupo, também. Alice está com o rifle de atiradora de elite, e Mankoi com a bolsa de componentes, preta, de lado, como se fosse um bruxo. Há dois homens que destoam do grupo, além do belo e estranho Tomáz, como um espírito guardião, totalmente visível desta vez, meio cinzento, todos sabem que a Teocracia está matando Deuses.

– Nós precisamos,... – diz um dos dois homens – de todos os mapas. Se tivermos a menor chance de lutar contra eles, é isso que nós precisamos.

– Eu concordo, Anrik, e é por isso que eu me esforcei tanto para permitir que nossa infiltração fosse extendida. Acompanhei Najka todo o tempo, e quando ela se decidiu por pegar o mapa, apesar de eu não saber ainda o que era, enviei a ela uma sensação, como se fosse uma intuição – Elliot sente que é chegada a hora de tomarem decisões, daquelas que definem o destino, afinal, Exxina havia deixado claro, agora todos sabem – de que era o certo a fazer.

O segundo homem energiza sua mão, e toca o próprio peito. Asal reconhece a sua magia, o truque alfa de línguas, que ele também tanto usa.

– Achei melhor usar o truque – diz o homem – Eu não sou fluente em bra, mas eu vim, atendendo ao seu pedido; e, é claro, em memória ao seu pai.

– Obrigado por vir, Professor Jonas – agradece Elliot – A sua amizade com o meu pai, apesar de eu só saber disso agora, me surpreendeu. Você diz que ele foi levado? E que ele, provavelmente, está morto?

– Desaparecido, Elliot – relembra Jonas – Mas sim, provavelmente morto. Os magos nunca permitiram que ele tivesse um filho,... Eu era investigador, em Berlin, representando os interesses ingleses, e eu era amigo de Emmerich. Nós ingleses sempre demos muito valor à amizade com pessoas comuns. Seu pai conheceu sua mãe em minha casa, e eles só ficaram juntos aquela noite, ou seja, você é um milagre.

Isso fez Elliot, Asal e Tamara erguerem as sobrancelhas, e o vidente se moveu em sua almofada, um pouco inquieto dessa vez.

– Assim – continuou o mago inglês – Eu li uma boa parte dos documentos que a maga Exxina publicou. Não existe a relação entre você ser uma criança oráculo, ou servo, como você prefere dizer, e o seu pai. Mas isso não é explicado. Não sabemos o que torna uma pessoa um oráculo, ainda, e eu quero lhe perguntar isso. A Torre de Dublin, na qual eu dou aulas, e as demais Torres da Bretanha vão estar juntas na guerra, mas precisamos ser sinceros em todas as nossas palavras, para conseguir vencer.

Elliot respirou fundo, ativando suas percepções.

– A Teocracia acredita que é uma "Segunda Mente", mas eu vejo sinais claros de que isso vai muito além – responde o jovem.

Anrik sussurra para Najka: "A Associação Amerika precisa saber se você tem poder para garantir que A Corte de Seattle, ou melhor, se os vetalla da Corte que estava por trás do antigo Estado vão aceitar nosso acordo", e Najka vê que o diretor da Escola da Associação Amerika está se aproveitando de um encontro amigável com uma nekron para a pergunta, e diz: "Samuel, Albert e Michael estão mortos, Diretor", ela percebe que ele sabe disso, então continua: "Desde que o ancião sem memórias recuperou as memórias, no início do século vinte e um, que o espaço para a aliança entre nós é possível, mas a Torre continuou existindo de forma que o aglomerado Bos-Washingon tenha leis da noite".

O psiónico deu um sorriso pequeno, como resposta.

– Foi a Teocracia, mesmo – Elliot conclui – Eles o mataram para tentar evitar meu nascimento, mas não conseguiram. Eu sou profetizado. Não sei ainda qual é a profecia sobre mim que eles têm, mas sei que tem a ver com a ruptura entre os magos no início do século vinte e um. Existem magos que não são membros nem concordam com a Teocracia, mas os magos das Escolas do Reino Unido sabem que esta Ordem existe e não fazem nada. Isso permite magos que discordem do que outros magos fazem. Antes disso, a "ajuda" era obrigatória, e a penalidade, máxima; algo saiu errado, naquela noite em que fugi da clínica, e por isso os magos da Teocracia devem saber que porque mataram meu pai, para que eu não nascesse, foi um erro e me coloca no lado oposto ao deles.

– Emmerich Helmut Gulanta,... – diz o mago – Seu pai ficaria orgulhoso de saber que seu filho desvendou a razão de sua morte.

– Também acho – Elliot faz uma expressão séria, e continua – Você também acha, sem sombra de dúvida, que eles o mataram por minha causa. Na visão dos magos teocratas, ele traiu as ordens que tinha, ao ter um filho. As Profecias dizem que um Gulanta irá vencer a Guerra que chega, A Mãe das Guerras. Assim, eles também só não me mataram, então, porque eu me tornei mais útil vivo do que morto, ao me tornar um oráculo. Eu tenho certeza que, ao realizarem o meu sequestro, e apagarem a mente de minha mãe, eles nunca imaginaram que eu algum dia iria me virar contra eles, mas precisamos de um acordo. As escolas de todo o mundo precisam se unir, pois sabemos que os magos tem o controle da Academia, e por mais que tenhamos infiltrados, a Academia é a solução.

– Eu acho que a Nações Unidas são a solução – diz Tomáz.

Tamara se meche na almofada, inquieta. Asal percebe que ela, ao invés dos bruxos em geral, não tem seu nível treinamento, tendo estudado na Escola de Ouro Preto, onde os alquimistas recebem educação; ele decide evitar o assunto, ir direto ao ponto.

Asha – diz Asal, mudando o foco – Temos um problema. A ação dela, o sucesso dela, em te trazer de volta, Elliot,... Ela é o assunto, no mundo, em um paralelo com o que nos assombra, a revelação de Exxina aos comuns da Magia, Manifestação e Poder, da Ordos em controle do mundo, e seu plano de destruir todos os Deuses do mundo. Não tenho nem a sombra da dúvida de que todas as Escolas têm a foto dela, pra dizer o mínimo, e todas as pessoas de poder e as pessoas comuns do mundo vão saber quem ela é,... Coitada. Acredito que esse, sem dúvida, é o problema que vamos ter de discutir aqui, hoje.

Dessa vez, até mesmo Alice e Harish se mexeram, inquietos, nas suas almofadas, e nem mesmo a encapuçada deixou de coçar seu braço, calada.

– Isso,... – Elliot respira fundo – é verdade.

– Jovem demais pra tomar tantas grandes decisões, famosa antes de ter a consciência do que está fazendo,... – diz Najka – Ela é um problema sério, eu concordo. Sei que você tem planos pra ela, Elliot. Você precisa nos dizer esse segredo.

– Eu estou protegendo Asha, da mesma forma que protejo você, Najka, e Asal, mas não sei o futuro dela,... Ela quer o controle da Ordos pra ela. Só sei que ela, por causa da profecia, irá enfrentar os outros dois pássaros, que são pessoas como ela, provavelmente jovens como ela. Asha quer o Controle. Estou sabendo disso, e estou fazendo com que aconteça, com minhas visões, porque de uma forma diferente de você, Asal, e de você, Najka, ela sabe que a profecia sobre ela pode querer dizer que ela iria morrer tentando, e não quer seguir o que se diz na profecia; pode-se dizer que ela quer, na verdade, alterar a profecia que diz que ela precisa lutar e matar, adquirindo a liberdade que ela nunca teve.

Houve um momento de silêncio. Asal coça a têmpora, e o queixo, e respira fundo, para manter a sintonia.

– Uma criança quer o controle da Teocracia pra ela? – questiona Jonas; Elliot ignora, e continua.

– Sua discípula irá lhe colocar no controle militar.

Asha terá de enfrentar a Morte sete vezes – revela Asal – Acredito que a primeira vez foi para trazer você de volta da Corrupção. Isso era uma coisa acreditada como total e completamente impossível, até ela fazer. Os vinte e dois livros que eu tenho estão,... se modificando, como prova de que são mágicos,... Agora, o dia em que nós salvamos vocês dois, Elliot e Najka, e claro, Aella a Entidade da Morte, o dia das bruxas, o texto mudou, ou melhor, tem uma poesia nova e agora a poesia diz que: "Sob a chuva de almas, que cai dos céus, revelada sob os paraluzes, no refúgio dos réus", acredito que fala de prisão. Alguém será preso e irá desvendar a essência do problema. Você, Elliot, sabe o que é, antes dessa nossa reunião, hoje. Não faço ideia de como essa pessoa, esse Profeta, fez pra tornar as poesias e os livros um ítem de poder, que funciona como um grimório, como o que eu vi você receber ontem, do Diretor Odéle.

Elliot abaixou a cabeça, e fechou os olhos, por alguns segundos.

– O Llonggrimoire,... está dormindo – diz o vidente – Você sabe quem fez, ou melhor, se tornou os grimórios de poesia, Asal. Nós não temos,...

A mulher velha fala, sem retirar o capuz, numa voz traquila.

– Hmmmh,... Ele está prestando atenção na reunião, vidente. Tenho um tipo de acordo com ele para que O Jogo continue. Ikkomi tem uma mensagem para vocês três, Asal, Elliot e Najka: quando estão juntos tem os mesmos poderes de um Jogador, o que quer dizer que podem ter ativos. O Llonggrimoire está muito acima disso, não pode ser um ativo. O seu elo mental, feito quando precisam se comunicar sem que ninguém saiba, é o que faz isso acontecer.

– Você precisa do Livro, Elliot – diz a voz dura de Tamara – Nós precisamos. Ele foi feito para garantir a sobrevivência dos bruxos, e você não pode,...

Tamara,... – pede Asal, erguendo a mão, calmo – calma. Se o livro não quer ser lido, ele deve ter um motivo pra isso.

– Eu vejo Asha,... – Elliot faz uma pausa – morrer, ou ser condenada para sempre, à prisão na Câmara, onde ela se torna uma múmia, ou liderar ataques a instalações e bases da Ordos, pra tentar tomar o controle dela e morrer tentando, ou perdida como viajante planar, enquanto o mundo está em chamas, pessoas nuas e alucinando, nas ruas, zumbis parados à frente de geradores feitos de ouro e energia azul. Também vejo que, se todas as visões que tenho em que Asha morre estiverem certas, se ela morrer, o mundo irá morrer junto dela, não sei exatamente porque, mas concluo que é seu destino ser uma Sinistra, o que a Teocracia sabe, e não vai impedir isso, está nos planos do Controle. Assim, ela, em um primeiro momento, não é o alvo da Ordos, eles sabem que precisam dela, porém se me permitem, um documento de Exxina diz que "O Herdeiro Kaole foi assassinado", espero que algum de vocês saiba o que isso significa, e nos diga.

Todos ficaram calados, e a palavra "Kaole" paira no ar.

– Se me permitem,... – diz a encapuçada, erguendo a mão, e lentamente tirando o capuz, para revelar um rosto castanho, velha e jovem. A visão do rosto dela fez com que todos ali soubessem quem ela é, a Entidade da Força, o Arcano VIII – Kaole é um outro povo, distinto dos humanos elae. Eles vivem entre nós há milhares de anos, mas nunca interferiram na história, mas Odjo tinha planos,... Ele queria de fato envolver o seu povo nos assuntos políticos humanos. Desde o fim da Segunda Guerra ele vinha recrutando humanos para a sua ideia, anarquista e anti-teocrática, ele caçou e matou uma série de agentes da Ordos, nos últimos dois séculos. Ele não era inocente, mas é como se matassem o príncipe,... isso é muito mais que uma declaração de guerra, entendam.

A revelação do Arcano VIII gerou mais silêncio, na reunião. Só depois de todos ali pensarem um pouco, alguém continuou.

– Obrigado, Satar – diz Elliot – Você,...

– Você mudou de nome? – interrompe Asal, franzindo a testa.

– Senhor Gusa, – diz a Entidade – Fui eu que identifiquei que O Hierof-... Elliot havia caído, naquele dia. E foi exigência de Sabarba que eu mudasse meu nome, porque ele tinha suspeitas de que exista outro Corruptor no mundo.

– Se isso fosse o seu Segredo, você não poderia revelá-lo a nós.

Gusa – insiste Satar – Eu sou A Entidade da Força, eu faço o que eu quiser, e nenhum poder, mortal ou não, é capaz de me impedir.

Elliot ergueu a mão direita, pedindo para Asal entender. O bruxo virou de leve seu rosto para a direita, e pareceu avaliar o que a Entidade poderia dizer a mais sobre O Jogo; e o bruxo se concentra em que a revelação seja feita.

– Eu tive uma Revelação,... – diz Elliot, calmo – Sei que eu sou esperado para ser a próxima Entidade que ensina sobre o Sagrado, O Hierofante, mas ao retornar, eu tive um contato direto com Akkar, O Deus dos Deuses,... – todos se remecheram nas almofadas, e apenas Najka permaneceu imóvel – Eu tentei trazer comigo parte da Memória, eu vi tanta coisa que é impossível compreender, e tenho a suspeita de que Akkar não é exatamente o que acham que é, O Espírito do Universo é na verdade uma Memória. Dessa Memória, eu trouxe ao mundo uma nova língua, Akkia, que eu nomeei em homenagem a Ela.

Em meio ao novo silêncio, apenas Asal se moveu, fechando as mãos uma sobre a outra, e fazendo os pulsos se coçarem.

– Isso que você está dizendo, Elliot,... – Asal faz uma pausa – é uma das coisas mais estranhas que você já disse. E olha, isso é um bocado.

Ao contrário do que se podia pensar, Elliot sorriu. Respirou, aliviado, porque em sua mente, sabia que qualquer outro comentário poderia ter sido muito pior, então, se virou para Najka, para continuar.

– Asal fala Nekron – diz ele, de repente.

– Te staela Kfu – Asal interfere. Ele deixa claro que sim, Najka sabia disso, mas Harish e a vampira caçadora, Alice, ficam muito incomodados.

Os nekron ficam tensos quando mortais falam a língua.

– Exatamente, Asal – conclui o vidente – Eu acredito que você deve saber, então, que aprender uma língua, sem ter a condição natural necessária a ela é uma tarefa muito dura, áspera e ingrata. A não ser que você tenha um segredo,... Aprender Akkia será, sem dúvida, igual.

– O que você tem, mortal? – interrompe Harish, o mais velho – Palavras? Sons, letras, sílabas? Número de palavras, gramática. Nós precisamos disso, sem dúvida. Acho que nem mesmo os nossos anciões vão saber quando foi que Akkar foi contatada da última vez, e você sem dúvida terá o meu apoio.

Najka ficou quieta, em respeito ao mais velho. Elliot tossiu, duas vezes, e a filha da noite percebeu que ele está doente.

– Você está doente – diz a vampira.

– Mas é lógico, Najka,... Foram dezessete dias de coma, dois de inquérito, sob a presença também dos Antigos, numa sala fechada, no fundo da terra,... depois que Asha me trouxe de volta. Ela sabe jogar. Isso, fora que fui mantido em coma, para que tivessem como me estudar,... Ideia do Ancião Cinzento, Kalai, que é, ou deve ser, o maior sábio das Nações Mágicas, atualmente – ele fez uma pausa – Eu digo que, com toda certeza, eu teria feito a mesma coisa que ele, é isso que quero dizer.

– Eu também – Najka conclui.

– Eu também – Asal concorda.

O silêncio entre os momentos tensos desse conselho estranho, as pausas, todas elas são muito úteis, pois são assuntos no mínimo difíceis de lidar.

Akkia é a língua de um povo sem nome, – diz o oráculo Elliot – e que se encontra em sua busca pelo seu lugar no ecossistema.

– Povo sem nome?... – repete Tamara.

Asal percebe que ele planejou dizer isso, e que esperava que a alquimista também lhe perguntasse isso, agora sabe que a resposta também deve ter sido.

– Os Oráculos – Elliot olha para Asal, como quem diz "Nós somos aliados,... não me entenda mal, amigo", antes de continuar – Crianças Oráculo, é o nome que a Teocracia dá a esses jovens videntes, e eu fui um deles. Eu era o melhor homem do atual Arcebispo, o cabeça e líder religioso da Ordos, e sei todos os segredos dele. Não irei revelar. Não posso, pois ele saberia se eu fosse fazer isso, e me mataria; não duvidem. Eu me declaro um oráculo livre.

– Porque você insiste em falar um tabu? O nome da Ordos,... Porque é que eles ainda não nos acharam, depois de você dizer tantas vezes essa palavra?

Tamara, sei que isso pode ser complicado,... Eu sou um Oráculo, e saiba que um vidente com todo o treinamento que eu tenho pode, sim, bloquear toda a visão e a percepção de todos os outros videntes do mundo, e ainda poderia jogar xadrez, ao mesmo tempo.

Seu tom de voz convenceu. Não era um tom de voz nem agressivo, nem diminuía a questão, e nem também guardava qualquer viés, outras intenções.

Elliot sente vertigem. Ele vê cinco crianças, com seus respectivos donos e senhores atrás, lhe procurando. O Arcano VIII lhe toca o ombro. A imagem some. A sua concentração volta ao normal, só que meio ampliada. O Arcebispo, Gogol, e outros três grandes líderes estão reunidos em algum lugar. Aproveitando o toque da Força, ele olha onde está, e vê que ninguém está suando, suas rugas são de preocupação, a temperatura da pele indica tensão. O coração dos mortais, todos, estão apreensivos. E, tal como era de se esperar de uma equipe de conspiradores, todos eles limparam sua mente e também as suas emoções, quando o viram ficar tonto, e então, tudo acabou.

– Está feito – diz o vidente, sentindo o suor – Transmiti a eles que estou em um acampamento, não vão identificar onde é, lendo um livro de magia negra.

Asal fungou o nariz, e percebe que Llaw concorda. Isso é leviano, profano até, mas parece que, de repente, o bruxo concorda que foi uma boa ideia.

– As lágrimas,... Elyfa,... – começou Tamara. Parece que essa era mesmo uma coisa que ela queria muito saber, e Elliot não esperou para responder.

– Todos os videntes, Tamara, oráculos, e todas as pessoas com algum Dom específico, de ver o tempo e espaço, choraram sangue,... – confirma Elliot, e ele enxuga os olhos – Isso inclui também os oráculos servos da Teocracia, além dos djines das entidades. Não sei, Tamara. Minha teoria é de que isso pode ser um indício de que esse tipo de Dom vem de Akkar, mas não há como saber.

– Vamos usar a bruxa. Ela quer o controle da Ordos para ela. Eu digo que vamos dar a ela esse controle. Ao mesmo tempo, isso nos dá tempo de tomar as decisões e ações que podem garantir que a Mãe das Guerras seja vencida, é o que eu digo. Vamos ter de saber exatamente quem temos de matar, e quando, pois uma morte fora da ordem vai despertar a atenção dos videntes, e já temos problemas demais com a Grande Revelação. A tal bubka, "mago",... Exxina, nos condenou, mas ao mesmo tempo era a nossa única opção.

– Você pensou, antes de dizer isso, Najka?! – Tamara se exalta – Tem noção de que vai expor uma criança ao Inferno? Dor, sofrimento e desespero? Não consigo acreditar na sua frieza,... Como? Como você pode sugerir uma coisa dessas, assim tão fácil?

– Ela está certa, Tamara – diz Asal, em tom muito cauteloso. Ele conhece muito bem sua colega professora – A Guerra está sobre nós, e nós não temos escolha. Acredito que se, apenas se, a humanidade existir, daqui a,... sete anos,... é isso que está nas Profecias, nós vamos ter uma grande líder, e não a menina que você conhece hoje, Souta, minha amiga. Mas isso deve ser parte de um plano. Elliot, o que você vê? Qual é o futuro,... menos pior,... que pode ser planejado? Ou você ainda não tem visões sobre o caminho a seguir?

– Agora que você me pediu, eu tenho de dizer – Elliot diz isso com medo – Você, e Najka, se me fizerem perguntas assim, sou obrigado a responder.

Asal cruza o braço esquerdo por baixo do direito, apoiando, para colocar a mão em seu queixo, não faz barulho o seu manto, um couro muito flexível, na verdade marrom, e não negro, como parece ao observador desatento. Ele sabe que não deve fazer perguntas sem pensar, agora, e balança de leve a cabeça, dizendo que isso foi o suficiente para compreender – "Porque revelar isso?".

O bruxo olha ao redor, e só encontra uma pessoa deslocada. O convidado do vidente, amigo de seu pai, que também é professor.

– Temos de encontrar um álibi, uma forma de a Teocracia continuar, talvez mudar de nome, uma forma de alimentar a humanidade de Sonho – Elliot engole em seco, pois sabe que a pergunta foi longe demais – Vamos ter de enganar a população. Não, não há nenhuma outra forma de fazer isso. Árabes, chineses e eslavos estão nas ruas, agora, e as tropas de elite estão pesando a mão, sob ordens da Academia. Ela é o nosso alvo. Logo, o mais idiota dos comuns vai entender que o poder que foi dado ao Legislativo foi maior que o que deveria ter sido dado, e o Sonho de Liberdade vai nascer no coração dessas pessoas, mas bem,... Vejo uma guerra absurda à frente, e não sei quem é o Inimigo. Sim, existe um ser medonho, O Inimigo Sem Rosto, e,... se eu estiver certo, ele será terrível como a mais poderosa tempestade que já se abateu sobre esse mundo. É o que eu vejo; e eu vejo repetidamente London esmagada por nuvens gigantes.

Najka evitou dizer a Elliot lhe manter informada sobre isso, mas isso foi pensado com força, e todos ali perceberam a tensão.

– Herói,... Tomi,...

Ao ouvir essa palavra, como um pensamento profundo, de Asal, Esmeralda passa a mão sobre o colo, e todos olham para ela, inclusive seu amigo.

A bruxa baixinha percebe os olhares deles.

Decide falar, meio tímida.

– Eu,... tive um sonho, com ele – diz Esmeralda – Eu e ele estávamos dentro de um tipo de tanque, feito de uma superestrutura estranha, alaranjada, e eu sabia que lá fora havia uma explosão nuclear,... De repente, eu estava em uma festa. Era um tipo de galpão, ou instalação subterrânea, mas era uma festa. As pessoas comemoravam alguma coisa, e então, Asha, dançava, sozinha, fazendo uma história de roda, mas,... então,... de repente, seu rosto era triste. Vi uma instalação, aqui mesmo em Bealae, e Tomi tinha o controle de toda a base; Nina fazia anotações, com seu Profeta, sobre A Mãe das Guerras, e existia um tipo de energia por trás das ações dela, uma Fonte, foi esse o sonho.

– Não abandone O Sonho, mortal – interrompe Alice – Não se esqueça que o seu nome, Esmeralda, significa o símbolo da esperança.

Asha também significa esperança, em Akkia.

Elliot enfia a mão no bolso, funga o nariz, e parece que mudou de ideia, mas ao mesmo tempo, Asal tira uma garrafinha do seu colete negro.

Asal,... – pediu Llawrence.

– Ah, Llaw, você não vai me impedir – responde o bruxo – Essa conversa toda está me deixando nervoso. Ter sido alcoólatra não diz que eu nunca mais vou poder dar um gole, principalmente para me acalmar.

– Dois goles, então? – pediu o vidente.

Asal e os demais olharam para o jovem, e o bruxo balança a cabeça, e ele concorda com o pedido do amigo.

O bruxo dá um longo gole na garrafinha, e passa para o jovem oráculo que, antes, cheira o líquido, e dá também um longo e demorado gole. Ninguém mais pediu. Aquilo era como se fosse uma reunião de monstros, só que o oposto disso, todos sentiam que se não pudessem ter alegria, de alguma forma já haveriam perdido a guerra. Esmeralda tirou uma garrafinha de água da veste de sobrevivência. Sua água. A veste recolhe a água que está no ambiente, coletando e armazenando ali, mas fora dos paraluzes essa é a única forma de água que você pode beber.

Tamara aceita a cachaça, dá um gole prazeroso, e então, agora com os ânimos renovados, eles vão para a continuação dessa reunião.

– Não há como saber o que esse seu sonho quer dizer, Esmeralda, mas sem dúvida coincidências não acontecem por acaso – Elliot se sente melhor, ao dizer isso. Sente o corpo quente, por causa da cachaça. Move os ombros, estalando os ossos, e balança então a cabeça para os lados, se ajeitando na almofada.

Satar está parada, mas ao mesmo tempo e sem ninguém perceber, ela se levanta e vai até um visitante – um que ninguém conhece, exceto,...

– Você é Egutahthugua? – questiona Satar.

– É, esse nome me acompanha – responde ele – Essa festa é complicada, num é? (acende um cigarro). Mas diz aí, Satar. O que é?

– Não é todo dia que eu dou de cara com a Super Mitologia, Eguthathugua, mas isso quer dizer que estamos em um Evento complicado.

– Isso foi uma pergunta. Tem muito herói – ele fez silêncio.

– Se há mais de um herói, há mais de uma história.

– Exato! – sua pele alaranjada se estica, e os dois dentes externos laterais se movem, para dar um sorriso de dentes serrilhados – Há mais vilões nesta festa do que eu consegui contar, até agora. Até você poderia ser um.

– Eu farei de tudo para não ser maligna, e você sabe.

– Quem é a garota? Asha – o alienígena move a cabeça de leve, e tem uma série de movimentos suaves – Os movimentos? Satar, vocês como entidades que estão dando uma festa deviam saber um pouco mais. Os meus movimentos são suaves para que eu ouça o mundo, é um tipo de sintonia básica, mas vocês só conseguem fazer isso em transe. Ela é uma dançarina?

Satar apenas concorda com a cabeça.

– Uma dançarina bruxa chamada Esperança? Ela já tem tudo para vencer e vocês não sabem – ele ergue a cabeça com movimentos estranhos mas leves, de repente joga a cabeça para a frente e de volta ao lugar; ficando parado por uns dois segundos, ele continua – É verdade, ela trouxe um corruptor de volta, e ele se tornou o Hierofante, sim sim, ele já é o Sagrado. Parece ainda não saber, mas isso é questão de tempo; muito jovem ele, mas Akkar sabe escolher.

– Você não ficou interessado nessa língua, Akkia?

– Decidi aprender – ele dá um trago prolongado e pensativo – Isso é mais que prova de que esta festa afeta o multiverso. Acredito. Realmente, parece que essa língua foi criada no dia, no momento em que ele retornou. Mas também está sendo criada no passado; o que nos deixa com uma dúvida: se esse passado que os observadores estão observando é linear; pense nisso.

– Preciso deixar o tempo de referência voltar ao normal.

– A Roda da Fortuna me fez um monte de perguntas, e parece que decidiu esconder as respostas que possam levar ao tempo em que Arda é destruída, em primeiro lugar por alienígenas, depois,... A Roda acaba de me pedir para não te contar, e você sabe que O Herói respeita esta entidade mais que tudo.

– Então é Verdade: Você é o Arquétipo do Herói,...

Ambos se mantém em silêncio por uns dois segundos, e Satar volta ao seu lugar, ao mesmo tempo que Elliot se estica para relaxar um pouco.

Seguido por Asal e Llaw, que também esticam os braços, estalando os ossos de suas mãos, mas Tamara cruza os braços, tensa, e evita os olhos de Elliot. Vampiros, ela vê agora claramente, não têm a mesma necessidade de movimento que têm os mortais.

Hieronimus não vai passar – revela Tamara.

– Temos de dar um jeito nisso, urgente – urge Asal, mas se acalma – Ele não pode ser separado do seu grupo. Sei que ele tem problemas na escola. Ele é um mago. Isso os alunos sabem, mas eu sei que ele agora é discípulo de Amadeu e de Rei. Eu vou pedir a eles que dêem a ele cinco pontos, mas acho que eles dariam esses pontos, mesmo sem que eu pedisse, porque isso é certo; Rei já me disse que ele é um discípulo exemplar.

Nina pode ser a culpada – revela o vidente, calmo.

Assim, de repente, todos os olhares se viraram para o jovem que, com apenas cerca de dezesseis anos, tem a capacidade de dizer coisas assustadoras, às vezes de maneira mais direta do que o costume.

– O futuro em que a Teocracia vence,... – ele diz – Nina pode se tornar a culpada por esse fato, eu vi – ele para, e respira fundo, acalmando a mente – Ela desmaiou no dia em que eu recebi minha revelação, e Elyfa quase morreu, mas pode não ter sido só devido à tensão do momento. Tenho certeza que, porque eles três nasceram no mesmo dia, ainda possuem poderes que desconhecemos, e só eles mesmos vão desvendar. Eles precisam do método mais avançado.

– O Enigma,... – Asal se meche na almofada – É, pode ser,... Incentivar o grupo,... a entender o próprio Enigma. Boa idéia. Mas isso, acho que Asha mesma vai concluir sozinha.

– Sabemos que nenhuma Sinistra jamais teve grupo, Elliot. O que a Ordos sabe sobre isso? – pergunta Najka, e então, ela pega o cigarro eletrônico do bolso, para lhe testar. Ele não esboça necessidade do fumo.

– A Ordos,... sabe. Serão três os pássaros – ele sente urgência de calar – logo, são Três Escolhidas. A Ordos não tem nenhum interesse nelas, aliás, eles vão facilitar a que elas lutem entre si, e passem pelas provas. A Guerra das Ordos, de 1994 a 2018, em que eles caçaram e mataram quase todas as Sinistras foi o que lhes convenceu de que elas são necessárias, e que sem elas, o mundo morre, e foi isso que aconteceu. Surpreendente, sim, eles concluíram o certo.

– O que mais sabemos sobre o Triângulo das Bermudas?

– A Teocracia não sabe nada sobre isso, NajkaElliot diz isso com um tom que por mínimos detalhes deixaram a todos sabendo que ele, no fundo, odeia a Ordos que lhe manteve servo; sua voz treme, não evitando dizer o nome.

Asal, então, decidiu lhe dizer uma coisa, para lembrar o seu amigo disso para sempre.

– Nunca odeie o seu inimigo, Elliot. Repeite-o. Não se esqueça disso, e isso ainda vai salvar a sua vida, além da vida de várias outras pessoas.

– Vou guardar esse momento, amigo – o vidente sorri – Precisamos decidir se vamos usar do Mapa para garantir a Operação. Eu expliquei a vocês o plano. Mas, é impossível saber se vamos ter a ajuda de outras nações, até ter a resposta do Conselho, e também dos Anciões da Noite. Acredito que a minha princesa vai conseguir que o seu pai lhe permita enviar a sua guardiã à Operação, e eu só preciso enviar a mensagem a ela de que já está certo, pois digo a vocês, ela não quer me encontrar. Nunca mais a vi. Mas sei,... A Sinistra é a proteção que ela precisa, e bem,... Nem eu sei o que vai acontecer por termos dividido as minhas memórias.

– Eu vou ficar com o mapa. Eu posso garantir essa vitória – conclui Asal, e Najka só abaixou a cabeça; "Suber", pensa Elliot, aprendendo na sintonia uma primeira palavra em nekron – para concluir essa negociação da Operação.

Najka se preparou para se levantar. Todos foram surpreendidos, mas isso é alguma coisa que eles esperam dela, agir sem que se possa saber o que ela vai fazer.

– Você está com a caixa – diz a caçadora, como um fato.

– Sim – Elliot conclui – Obrigado, Najka. Você vai ao seu Samá, ou,... "Pai", se não me engano, e reportar o que aconteceu nessa noite.

Revelar a tradução de palavras em Kfu, todos sentem, cria um clima incômodo.

– Vou pedir a autorização para lhe ensinar nossa língua, mas eu não posso garantir que isso não dê uma revelação aos meus anciões, e eles não permitam. Você vai ou não vai me dizer o que é essa caixa?

– Ninguém sabe – Elliot sorri – Na verdade, ela tem muitos milhares de anos, além do que você imagina, e ninguém nunca conseguiu abrir. Essa caixa comprida tem uma cópia, usada por Garl. A dele não é original. Esta é uma das primeiras varinhas feitas. Quem tem esta caixa pode, ou abrir a caixa e usar esta varinha, que é o que eu vou fazer, ou criar cópias com energia histórica, só que a energia é falsa, bem, pouco importa. São varinhas de muito poder. Na escala que a Nação da Magia usa, de um a cinco, esta é uma nível oito a doze, talvez mais, treze provavelmente, uma obra prima que inspira o nascimento de uma nova linhagem de fabricantes de varinhas, o que, se Asha aceitar, vamos dar início a ela.

– Se você tem a Varinha, porque procurar a Asha?

– Veja bem, Najka, que o amigo dela, Hieronimus está estudando todos os ofícios, e isso inclui fabricação de varinhas; temos uma resposta, aqui.

Era muito mais que óbvio à caçadora o que ele acabara de dizer, e se dando por satisfeita, Najka e seu grupo se levantam. Asal se levanta, também.

– Vidu – diz Asal para a filha da noite.

– Vidu, Asal-sã – responde ela, e abre a porta da saída. Antes que todos se levantem, o vidente pede uma ajuda para se levantar, ao Arcano VIII, que ri.

Assim, todos se preparam, sabendo que as decisões tomadas ali vão definir o curso ou de sucesso, ou de extinção, de todos.

Esmeralda, – pede Asal – precisamos de dois Rituais. O que vai levar todos para a Capela, e o meu, que vou levar o Mapa até o Conselho, para ver se eu consigo algo a mais,... negociar. Vamos precisar pressionar.

– Antes, Asal – interrompe o vidente – Eu preciso que você diga ao Conselho que isso é uma compensação à Nação Attenta-Wa, em agradecimento por tudo que fizeram por mim. A Ordos. Não se esqueça de dizer isso, porque isso vai deixar eles sabendo que é verdade, que essa Ordos tem mesmo o controle sobre todos, mas praticamente todos os videntes do mundo.

– Você deu o nome da Escola à sua Nação? – Asal se sente orgulhoso – Pode deixar, meu velho, isso é o mínimo que faço por você e os seus.

Eles dão um aperto de mão, bem apertado, que o oráculo sente e se esforça para dar um mínimo de pressão. Asal é um guerreiro. Ainda que hoje seja um professor, Elliot sabe que ele ainda faz o treinamento diário da Tropa, duas ou mais vezes por semana e que ele está pronto para guiar sua discípula, Asha. "Dezenove",... pensa o vidente. Sem saber o motivo, ele sabe que a esperança é a única arma que vai precisar, então, ele vai para a sala da mansão de Satar, à espera do Ritual de Esmeralda, para ir embora.

– Você tem um treinamento muito pesado – diz a entidade – Não deixe isso tudo lhe tirar a alegria de viver.

A sala é alta, mas a construção é bem simples. Tem tapetes nas paredes, como não poderia faltar à casa de alguém cuja origem é o Oriente Médio, mas Safar, agora Satar, vai até um tipo de armário, de vidro e madeira marrom, e pega uma garrafa. Ele sabe que o vidente sem dúvida não vai aceitar, coisas de Entidade, pensa o jovem. Mas ao mesmo tempo, Elliot vê que o Arcano quer lhe perguntar alguma coisa e espera, tranquilo.

– Qual é o livro que você usou na ilusão? – ela pergunta.

Elliot sorri de canto, e solta o ar em um riso alegre. De todas as coisas que Satar, por mais que ele imaginasse as perguntas, podia perguntar, essa era uma das mais inesperadas. Ele sabe que este livro é uma raridade.

– Os Tesouros de Temonozor – revela o vidente.

– Acredita que é seguro revelar que está estudando os Infernos? Os Três Infernos vão saber que você tem esse livro.

– Nós vamos precisar de aliados.

Najka foi para o ponto de encontro mais próximo, ainda nas montanhas, e seu grupo também se prepara para o aporte. O Hau, bruxo de sangue, há um deles em cada um dos pontos de encontro da Nação da Noite, encapuçados, faz uma reverência e lhe indica seus lugares, morde seu próprio pulso, e uma única gota ativa o ritual. A filha da noite e seu grupo aparecem em seguida numa sala de aparência antiga, móveis de ferro sobre paredes velhas, uma janela que, acima de tudo, deixa a luz da lua entrar e abençoar os que chegam, e um Hau bem conhecido desse grupo, armado com o que parece uma mistura de lança com espada.

– Me esperem do lado de fora – diz a caçadora líder.

Assim, enquanto eles avançam para o corredor, Najka vai diretamente para a porta de ferro, esculpida pelas mãos dos anciões, e seu grupo para, antes. Ela avança, ao mesmo tempo em que o portão se abre, uma luz fria ilumina o lugar. Há uma piscina, à direita, onde há um pequeno número de lagostas; os vetalas, vampiros ancestrais, cultuam as lagostas, por serem imortais, como eles. A filha da noite avança, parando em frente de seu líder, sentado a ler, mais uma vez, algum dos livros mais antigos do mundo.

– Vidu, tronnika samá – ela cumprimenta.

O seu ancião lhe olha, sabendo que a energia histórica de um lugar sagrado deve ser difícil de enfrentar, para uma vampira tão jovem. Ele a admira, por isso. Não sente nenhum tipo de reação negativa dela, quanto ao fato do território sagrado lhe incomodar, sim, ele sabe que ela é a melhor caçadora do mundo atual, sua neta,... por assim dizer.

– Vidu – diz o ancião – Sinto que você está excitada quanto à notícia que vem me trazer, minha jovem, e isso já é uma resposta.

– Está confirmado, meu Samá – Najka revela – É verdade. A jovem bubka,... Asha el Sauza,... – os vampiros ao lado do ancião se movem, em total desconforto. Um deles, com vestes de servo, abre a boca, depois fecha, abaixando a cabeça – Ela o trouxe de volta, trouxe um Corruptor de volta, eu vi com meus próprios olhos. Elliot foi estudado. Enquanto eles não sabiam o que fazer, ele foi mantido em coma, e a Nação da Magia tem referências sobre isso que nunca foram reunidas, nem aqui, e imagino, em nenhum outro mundo antes, o que sem dúvida os coloca como alvos da Corrupção: a Guerra começou.

O ancião olha para a jovem caçadora, um olhar severo.

– Acredito que ele revelou informações suficientes para você vir fazer o relatório, hoje, diante de mim – diz ele, mas não era uma pergunta.

– A minha missão foi um sucesso – Najka não demonstra orgulho na voz, pois isso não é muito bem visto pelos anciões – Agora, Elliot deu a entender que a Caixa é o que o Senhor previu, Samá, sem dúvida é a Caixa de Pandora. Ele nos revelou que Asha, por não ter noção do que pedia a ele, lhe pediu o controle sobre a Ordos, em troca de lhe ajudar a libertar os oráculos que hoje são servos dos magos europeus, ficou claro. Além disso, em minha missão, consegui um mapa feito em papiro egípcio, que mostra toda a Nação da Magia, hoje, agora, e o tempo todo, e o entreguei ao bubka Asal Gusa. O Senhor sabe quem é, pois já lhe disse tudo o que sei sobre ele. Elliot convenceu Asal a tentar forçar uma ação conjunta entre várias das Nações do aglomerado, para enfrentar As Luzes, e então a Monarquia já aceitou, pois a princesa está apaixonada por Elliot.

O ancião passou uma página do seu livro, meditativo.

Ao olhar novamente para Najka, ele tinha um brilho nos olhos, como os de alguém que vê uma oportunidade única.

– Ele está apaixonado pela princesa Klai – afirmou o ancião – Isso é bom,... Ninguém deve se esquivar do amor, e isso prova que ele voltou. Nosso mundo não pode depender de ter apenas uma Sinistra,... Acabo de receber uma mensagem de paz da Corte da Europa, dizendo que a revelação feita por Exxina exige que todos nós tracemos um plano conjunto, porém, os nossos feiticeiros de sangue estão ansiosos, e isso indica más notícias. Vamos nos unir a jovens pássaros, pois deles será a nova Sinistra. A não ser,...

A pausa foi muito longa, mas Najka decide ficar impassiva. Não é bom demonstrar qualquer tipo de fraqueza diante de um Vetalla; eles facilmente interpretam isso como algum tipo de ameaça.

– A não ser que seja possível que tenhamos duas novas Sinistras,... – ele revela – Não vejo como vamos sobreviver às mazelas indicadas nas Profecias. Você quer a minha autorização para ensinar Nekron ao vidente – anciões vêem através das pessoas, Najka sabe, pois eles têm revelações vindas do entendimento da língua dos imortais – Isso tudo deverá aumentar a quantidade de energia negativa do nosso mundo, que também pode não existir mais, em poucos anos, mas vamos ter de interferir diretamente no Evento, dessa vez. Vejo em seu sangue que você esteve muito próxima da morte,... e também,... de uma revelação que deveria ter mudado a sua vida,... Não vai mais estar com ele. Os líderes da Ordos não vão mais confiar em nada, desse mortal que você viu hoje, mas as Profecias que eles têm estavam com ele, ele foi o profeta.

Najka não abaixou os olhos, pois demonstraria fraqueza, mas sabe que teve por muito pouco com todas as soluções diante de si, e não viu. Se tivesse matado esse mago, a Guerra não aconteceria.

O ancião sorriu, enigmático.

Ele ajeitou sua roupa negra como a noite, ao olhar nos olhos de Najka, sabendo que ela lhe é muito fiel.

– O erro não foi seu – o ancião franze o rosto, em dúvida – Foi de Elliot. Se isso foi um erro pensado, eu não sei, o treinamento dele é muito grande e ele consegue fugir da visão dos anciôes,... o que, em verdade, é bom. Esse auspitia está escondendo alguma coisa, e também, agora que ele voltou, o que era coisa considerada impossível até que foi feito, posso prever que ele será um grande líder, e sua Nação irá prosperar. O maior problema é a pequena bubka,... Ela sem dúvida será a notícia do século. Que pena,... Famosa antes mesmo de saber o Enigma a que ela mesma está condicionada,... Antes de conhecer o Amor,... Ela é perigosa, Najka. Ela, eu digo, que será conhecida no Multiverso, em todas as dimensões, e seu feito vai se espalhar tão rápido quanto notícia ruim,... Vamos receber notícias dos Vetalla de outros mundos sobre ela, em breve. Ela não pode ser a próxima Sinistra.

– Samá Dogger,... – Najka parou para pensar – Agir contra ela pode ser entendido de forma errada pela Nação bruxa bubka.

– Não vamos agir contra ela, Najka – diz o ancião Dogger – Temos um tesouro nas mãos, aqui mesmo,... Você já sabe – olhou os servos – Nós vamos ter de influenciar diretamente o Evento, pois eu consigo prever problemas demais acontecendo ao mesmo tempo, e isso vai nos servir como argumento para negociar com Cortes distintas, tanto de Saksa, que é Týr, quando de Tsuki, que é oriental, e eu também lhe digo, você terá um papel muito importante nisso. Se prepare. A revelação de que andamos entre os mortais irá tornar a vida mais difícil. Exxina nos condenou. Não há uma única facção que irá escapar a isso, e as revoltas estão aí para confirmar. Só me impressiona o fato de as principais Nações revoltosas serem árabes, pois isso me parece ter sido programado,... sim, sim, alguém tem uma agenda bem montada; os chineses e eslavos deveriam estar revoltados, também – ele parou, e olhou seu servo, se voltando a Najka a seguir – Você sabe que temos um jovem que também quer saber o que vai acontecer com a escolhida,...

– Eu estou preparada, Meu Senhor – diz Najka, pronta.

– Então, está na hora – conclui Dogger – Você será a ponte entre nós e os bruxos. E vai desvendar o meu segredo,... Interessante.,.. Te dou autorização para ensinar Kfu na escola, mas você deve conseguir ser a professora de todas as escolas, ao mesmo tempo, inclusive a de Bealae. Hmmh,... A jovem quer o controle da Ordos que foi revelada,... Interessante, também – olhou de novo para o jovem servo, que estava parado observando – Você precisa de influência. Vai se envolver com os bruxos, para que você consiga essa influência.

Dogger parou, sentindo as emoções dela. Ficou claro que ela não gostou, pois parecia mais uma pena, que um prêmio.

– Os estranhos não estão na nossa guerra, Najka, A Vendeta – lembra Dogger – Eles são a terceira ponta das nossas maldições. Na verdade, você deveria considerar isso como uma coisa boa, e que quer dizer que você será uma embaixadora. Eu vou conseguir isso. Será parte da minha negociação com a Tsuki, e em troca vou pedir a ela para interferir diretamente na vida da outra garota, que eu já sei que está lá. Levante-se – a filha da noite se ergue, calma – Você é a nossa embaixadora para as Nações da Magia, e os Ciborgues do paraíso do Pantanal, de agora em diante, mas a Europa, a África, e principalmente o Egito, e o Oriente, deixe que eu lido com eles; Tsuki vai manter Nihon do nosso lado. Me traga informações sobre as outras escolhidas. A Operação já recebeu permissão da Academia para acontecer, o que.,.. o que eu acho muito estranho.

Najka abaixa a cabeça, e e estende de leve o braço para o lado e abaixa a cabeça de leve em uma saudação, e sabe que isso tudo está decidido.

– Dia,... – o ancião espera – A sua anciã irá me representar. Acho que a monarquia e os ciborgues vão participar, e isso torna nossos refúgios frágeis, na ausência de Nekron, para que nenhum dos Oráculos os investigue, ou descubra a sua localização.

Najka raciocinou em um só instante.

– Dia tem quase dois mil anos, Samá,... Acredito que isso será prova da união com a Nação bubka.

Dogger pareceu sentir o cheiro do ar, antes de responder.

– O nome que ela decidiu usar tem apenas duzentos – ele não foi rude, mas o tom de voz que usou foi áspero – Ela vê o dia demais. Ver o dia enfraquece o Nekron que se acumula em nosso sangue, caçadora.

A caçadora sabe. Na verdade, isso quase soa como um aviso, mas isso é coisa para que os anciões guerreiros decidam, e ela não tem a tolerância da idade, para isso.

– Você se preocupa demais com os velhos – Dogger foi tudo, menos rude – Até que você entenda que morte, vida e paixão são a mesma coisa, você não irá sofrer a verdade por trás da sua primeira transformação, mas apenas me prometa que não vai procurar o sangue proibido, seu amor verdadeiro.

Agora, ela sentiu seu próprio coração bater, uma única vez. Rapidamente, ela o fez ser silenciado, e se acalmou.

– Nós temos o Sangue Escocês, desde dois mil e treze. Temos os Territórios Sagrados, e protegidos pelo Nekron dos anciões. Além disso, ou apesar disso, você como caçadora insiste em caçar, e sem matar,... Você é a maior caçadora, de,... hoje,... Mas insiste em uma tradição que não se adapta mais ao mundo, e você escolhe muito bem suas presas, principalmente por questões que nem os Anciões prevêem, em seu sangue,... Mude isso – sugere Dogger, e ele aperta seus olhos, analisando sua caçadora – Você se arrisca demais. Só me diga que você não tem um plano. Sempre jovens, de ambos os sexos, você prefere a beleza, e o cheiro,... É como abrir os melhores vinhos, e beber só uma taça. Você caça. O que lhe atrai? As memórias deles, é o que vem à mente dos velhos, mas não. São os Segredos do Sangue, não é isso? Você sabe que o seu futuro, se sobreviver, sabe que isso é raro entre caçadores, se aproxima, e você quer manter o poder, que você sabe que será superado pelas visões, com a idade,... Se sua segunda vida chegar, e ela irá chegar, tenha muita certeza, a transformação será aterrorizante para você com tantas memórias, jovem, acredite em mim mais uma vez.

Najka fica em silêncio, e ele parece olhar através dela. Sempre, sempre. Visões. Ela sabe que não pode prometer o que não pode cumprir.

– Vidu – despede-se o ancião; era como falar de sexo, tabu, ou crime, e ele não tem mais paciência do que ela, nesses assuntos.

– Vidu, Patronus – Najka gira sobre o calcanhar, e vai para o portão, que se abre a lhe dar passagem; ela sente que isso foi apenas um aviso, e não uma ameaça. Dogger nunca a deixaria exposta. Mas agora, tão próxima?

Será que isso os outros anciões também já sabem? Ela se vê como caça, por um instante único, e se acalma. O tempo pode estar se esvaindo, mas a sua caçada não terminou. "Sete anos", disse Asal, não, não há mais volta.

A sua caçada não pode mais ser interrompida, ela sente os tremores que a ameaça – que os anciões veem nisso – lhe causam.

Najka sabe que é irresistível a eles.

Nenhum mortal consegue desafiar a sua beleza, e isso aumenta com o tempo, a não ser que você se torne uma aberração,... Não, ele não sabe. Sabe o que, mas não porquê, e isso é a sua vantagem, pois ele não vai revelar aos outros anciões, não, não sem isso. Não sem saber seu verdadeiro motivo. Ela já sabe os Nomes do Sangue desde muito jovem, as Vozes vão lhe guiar.

Assim que ela sai, Dogger inclina a cabeça para o seu lado norte, e mal sabe o jovem que ali está, ansioso, o que se passa na mente de seu mestre.

O aporte para o Conselho tem restrições severas; Asal põe a mão ao lado da boca para dizer, os pés em seu diagrama – “Asal Gusa, Discípulo de Iostachus, Maestro Dlíam, Quinta Capela, Comandante; eu investiguei os magos da Ordos, e que estão presos, sob investigação da Nação. Agora, preciso de uma audiência urgente”, e então, recebendo a autorização, ele aportou.

O Salão Simples, nome do lugar onde os anciões bruxos se reúnem, bem, diga-se que o nome lhe é adequado.

Além do estilo rústico, do padrão dormentes das portas e janelas, também é possível ver a simbologia geométrica, da diagramação, nas paredes, no teto, e até nas várias gaiolas de pássaros, que ficam atrás dos assentos. Em suas poltronas, confortáveis, pois os velhos de uma forma geral têm necessidades especiais, eles olham para o bruxo que chega. O Ritual leva ao exato meio do Salão, e Asal cumprimenta, devagar. Ele põe a mão sobre o coração, a saudação que estes mesmos bruxos adotaram para a Nação, em sua independência.

– Saudações, Anciões – diz Asal Gusa. Ele traz o mapa em sua mão, e sabe, sente que os bruxos já perceberam.

– Boa noite, Gusa – diz o Ancião Cinzento, Kalai – Vemos que você tem um papiro, em suas mãos.

Todos os anciões bruxos estão sentados, exceto um, que alimenta a gaiola de pássaros, e troca a sua água, também, mas dá uma olhada para o que o Cinzento quer dizer. O mapa, que está aí mais como um tipo de álibi.

– Ancião Kalai – cumprimenta Asal, sem pensamentos – Eu venho aqui ter com vocês uma conversa que, acredito, vocês já sabem que é necessária.

– Sobre o quê? – pergunta Karla, calma. É óbvia a diferença entre ela e os demais, pois ela é muito jovem para estar nessa sala. Sem dúvida, distoa do grupo. Asal se surpreende de ter sido de repente, e ao mesmo tempo, ter sido ela a ir tão diretamente ao ponto, o que pode indicar coisas muito diferentes, durante a conversa.

– Asha Sar el Sauza, Conselheira – diz ele, olhando nos olhos de Karla. Nem ela, nem nenhum dos anciões esboçou uma reação visível.

Assim então, houve silêncio na sala.

– Vocês a tornaram a notícia do século – Asal olha para Kalai – Acho improvável que algum aluno, de qualquer Escola, tais como a que dou aula, não saiba quem ela é, agora, ou também, todos os grandes líderes dessas sociedades, e os inimigos.

– Você veio aqui como Professor, Gusa? – pergunta uma anciã, vestida de lilás, a mais pura seda, por cima de roupas grossas de lã, brancas.

Asal Gusa ficou calado, isso era importante.

Houve uma série de movimentos, ínfimos, como se de um momento para o outro os anciões, todos, se sentissem incomodados com algo, mas então,...

– Ahura Mazda! – conjurou Kalai e, no canto, a lareira se acendeu.

Ninguém com menos experiência que Asal iria perceber que houve uma votação, sobre se essa conversa aconteceria ou não, e foi decidido que sim.

– O supertreinamento dela está incompleto – Asal modela a voz. Tentou não usar uma voz de revelação, pois sabe que eles têm essa ciência.

– Eu sei, que – Karla se meche na cadeira – você tem motivos muito sérios para dizer isso em voz alta, diante do Conselho.

Mais uma intromissão da ex-esposa de Sabarba, e isso deixa Asal pronto. Ele sabe que pode esperar qualquer coisa, agora, e que não vai ser bom.

Os anciões não se movem, atentos a ele.

– Se eu aceitar que vim aqui como o Comandante Gusa, vocês vão saber que eu estou sob ordens, da Nação, de vocês, os Grandes Líderes.

– Mas não foi isso que você veio fazer aqui – afirmou o ancião com costeletas brancas, com um lenço verde e negro – cores da linhagem de Asal – mas não foi uma pergunta, o que ele já esperava, ou mais ou menos isso.

– Não sei, Hugo – responde Asal, apertando um pouco os olhos – Se Twig de Bastos, a nossa anciã responsável por Divinação não sabe,...

– Twig está com as percepções obliteradas pelo seu amigo, Elliot Gulanta – revela Kalai – Você sabe muito bem do que estou falando.

Assim, Asal deixou o silêncio fazer a sua parte.

Todos eles viam suas reações, sabiam que ele era fruto do trabalho deles mesmos, um guerreiro, o homem que neste momento representa a Nação ao falar, se dirigir aos líderes da mesma, em tom claro, voltando com respostas.

– Você vai nos dizer o que é esse pergaminho que tem em mãos?

– Isso, KalaiAsal respira, sentindo; alguém entrou em sintonia – é um ítem de poder, que pertence à Nação Wa, pertence a Elliot. É o mínimo que eu posso fazer por ele e seu povo escravo. Ele me confiou a guarda.

Aquilo era uma evasiva, isso era muito óbvio. Se eles soubessem o que ele tem em mãos, será que lhe permitiriam sair da Sala com o pergaminho?

Asal,... – o uso de primeiro nome chamou a atenção dele, e Karla mais uma vez fazia sua interferência, distinta da atitude dos demais – Eu sei que você é um ótimo professor, me perdoe por isso,... mas,... Quando,... o seu namorado desapareceu,... eu sei que você não podia fazer nada. Nem eu, nem ninguém. Trevor foi muito mais longe no Saber das Trevas que você imagina, mas eu sei. Sei que o buraco no peito que ele deixou vai arder. Para sempre. Não há como ocupar esse lugar, principalmente com a sua aluna preferida, não me leve a mal, Asal, não me leve a mal, mas o destino dela foi traçado ao nascer. Não é a sua vontade que vai mudar isso.

De repente, Asal teve de respirar várias vezes, para se acalmar. Ela acabava de lhe dar uma patada, e ele pressionou a testa, entre as sobrancelhas.

E assim ficou, uns instantes; nenhum deles falou nada.

Demorou segundos até Asal se acalmar, e sabia que não podia tomar o tempo deles, nem se perder, afinal, mas então, Karla falou novamente.

– Me desculpe, Asal. Altus Goder,... ou Trevor,... está .. além do seu alcance.

– Me diga, Karla – Asal se concentra para falar – Você esteve ao nosso lado, naquela cama da enfermaria,... quando ele,... sumiu, diante de nós. Me diga que você não sabe o que aconteceu a ele.

– Eu esperava que você pudesse nos dizer mais que isso, Asal – diz ela – Trevor não lhe deixou nada? Nenhuma anotação? Nenhum livro?

– Calma, Karla – diz o segundo mais jovem, de seus cento e um anos, e uma barba branca enorme, cabelos longos, prateados, vestido em mantos negros, começando a passar a mão direita à barba enorme – Acho que Gusa não precisa de tudo isso ... Vamos respeitar o momento dele.

Ainda abalado, Asal percebe que "tudo isso" quer dizer que ela está falando demais, e assim, ele respira fundo e se prepara, então, para continuar.

– Eu quero que vocês reabram o caso de Trevor – era mais que um pedido, era como se fosse obviamente necessário.

Houve movimento, incômodo, de todos.

Aos poucos, os anciões se moviam, uns olhando para o rosto dos outros, como se ele acabasse de dizer uma coisa proibida.

– Calma, Conselheiros – pede Kalai – Não, Gusa. Caso encerrado.

– Eu acho que o Caso poderia ser reaberto se ..

– Que absurdo! – falou outra anciã, de vestido pêssego, visivelmente desgostosa.

– Não, definitivamente não – disse outro, de vestes brancas.

Asal, bastante surpreso com o apoio, olhou para Karla. Ele moveu seu queixo, apenas um mínimo para baixo, agradecendo pelas palavras dela.

Asal para – "Então, existe um porém", pensa ele.

– Calma, calma – pede Kalai, e espera para falar – Não, Gusa.

– Eu sei que vocês têm as Profecias – revela Asal, pronto.

– Você insiste em não nos passar as que você conseguiu, Comandante – as palavras do ancião Kalai ressoaram, parecendo calmas, mas havia tensão ali.

– Então, está bem – diz Asal, definido – Eu tenho informações, sim, e elas parecem ser diferentes das que vocês têm. Eu não vim aqui como Comandante, vim como Mestre.

Essa palavra fez todos pararem para pensar.

Até o ancião que ainda cuidava dos pássaros veio e se sentou, pois isso era uma coisa que, dessa vez, talvez nem a anciã vidente houvesse previsto.

– Explique, Gusa – pediu Kalai, um oceano de calma na voz, áspera.

– Ancião Oýto Kalai, vamos ficar assim – Asal já havia decidido – Eu sou discípulo de Iostachus, como ele foi de Kenyon, e ele de Natalee, e ela de Kabriela, vocês sabem que eu sou de uma linhagem que, se for contar, vai até o século IX, tenho certeza. Vocês não acham que eu iria vir aqui por nada? Vocês não vão confiar as Profecias a mim?

– Está fora de questão, Dlaíomh – define Kalai. Ele usou seu segundo nome, o nome de Maestro; ele é um Mestre, oficialmente, nessa fala do ancião.

Asal se move, estalando os ossos, as emoções acalmadas, afinal. Isso lhe dá tempo para pensar em mais uma pergunta, uma ao menos.

– Então, porque Elyfa sabia parte das Profecias?

Todos lhe olharam nos olhos, mas sem esboçar nenhuma emoção visível, e ele chegou direto ao ponto; sabe sem a menor dúvida, sente que chegou.

– Está bem – diz Asal, mas com respeito – Foi ela que decidiu.

Os anciões esperaram que ele continuasse, muito sérios.

Asha me chama de Mestre. Eu não pedi. Asha decidiu que sou o Mestre dela, depois que Sabarba se foi – Asal faz um cumprimento a Marta de Karla, com a cabeça. Sabe que se ela pode falar de Trevor, não havia como não citar o seu ex-companheiro.

– Isso,... é peculiar,... – diz o ancião de barbas longas – Se ela escolheu, acho que nós devemos respeitar a pequena, é o que eu digo.

Isso era bom, ao menos um voto a favor já é alguma coisa.

Assim, houve vários movimentos mínimos, a votação.

– Não acho que vocês deviam votar isso – ousa Asal, sem oscilar a voz – Ela decidiu, e eu já aceitei, e eu vim aqui apenas para lhes informar do fato.

Agora, Asal viu uma raiva, contida, muito rapidamente, que passou pelos olhos do mais importante ancião, o Grade Líder, Imoh Oýto Kalai, e o ancião moveu a cabeça, de leve, agora sem opção.

– Assim seja,... Em nome da Faca, da Varinha e da Orbe – cumpre Kalai, mas parece que foi desafiado; ele estreita os olhos. Ainda assim, está feito.

– Senhoras e Senhores do Conselho – Asal faz uma reverência – Acredito que o que a nossa reunião pretendia já foi alcançado. Volto para a Escola.

Asal Gusa se posicionou em cima do seu símbolo, e se prepara.

– Conto com vê-lo, novamente – diz o ancião apelidado de Barba, devido à mesma, barba longa e cabelos cinzentos.

– Boa sorte, Asal-sã – cumprimenta Karla, baixando o queixo.

– Obrigado,... Nós estamos lutando contra videntes,... muitos!,... e espero que vocês saibam o quanto isso é profundamente perigoso. Boa noite.

Depois disso, o Salão Simples se foi, e rapidamente a sala de teleporte da Quinta Capela apareceu, Esmeralda esperando por seu melhor amigo.

Eles andaram em silêncio até a Sala Oval, onde Asal encontra Llaw a espera, e vai até a sua mesa. Abre o mapa. Rapidamente, repassa na mente a reunião.

Karla havia lhe dado o ouro, junto à ferida que não fecha.

O mapa não inclui a Sala Oval da Quinta Capela, nem a Sala do Direitor, da Capela de Glaura, nem a Sala dos Ovos, da Escola de Sampa. Asal-sã conferiu e viu que a Sala de Prata, no Edifício das Nações, também não aparecia, o que quer dizer que nenhuma sala de Defesa contra A Corrupção aparecia no mapa.

O Mapa pediu perdão, pois ainda estava aprendendo a língua para fazer a tradução de egípcio para bra – "Que os Deuses me perdoem, mas que coisa mais demoníaca um papiro que é inteligente", não evitou ele de pensar.

Ele teve uma ideia, Asha, Nina e Tomi nasceram no mesmo dia.

– Precisamos do mapa dimensional de Asha, Esmeralda – diz ele – Eles não me deram muito, mas foi muito melhor que eu pensei que seria. Vamos precisar também, Llaw, investigar se existe ou,... existiu,... se Trevor – Asal estende a mão para seu bolso, e pega a garrafinha de cachaça, abre e dá um gole. Llawrence decide ficar quieto – Se Trevor deixou alguma coisa, o que quero dizer é,... Marta de Karla nos deu a palavra, ele tinha um Grimório.

Esmeralda fez uma expressão triste, como se se lembrasse do dia em que ela estava ao lado da cama na enfermaria, era como se seu amigo Asal tivesse morrido, como se o horizonte lhe houvesse esmagado, ao lado da cama.

Apesar disso, Llaw apenas se adianta, e põe a mão no ombro de Asal, sem dizer uma única palavra; isso seria o suficiente; e assim, Asal respira fundo.

– Eu fui – diz Esmeralda, e Asal lhe olha, calmo – ver Elyfa. Sura Katalina não sai do lado dela, você entende, mas o Diretor a proibiu de dizer a qualquer um o que ela ouve.

Assim, o professor estreita os olhos, pensativo.

Elyfa diz, o tempo todo: "Só começa,... depois do amor", mas de vez em quando ela chama por Sura, dizendo "Su",... Você se lembra? O que isso quer dizer, Dlíam? Trevor dizia a mesma coisa, você ao lado dele...

– Não sei, Me – diz o bruxo a sua melhor amiga – Acho que Elyfa é uma vidente, e isso ficou claro, mas parece que o Conselho vem acumulando essas revelações, de alunos especiais como ela, a semelhança das situações diz isso,... é o que aconteceu,... e, bem, isso são as Profecias que eles têm.

Um arrepio passou pela espinha da ritualista, como um aviso.

– E eles estão fazendo isso há cinquenta anos – Asal está calmo, agora – Isso pode querer dizer,... Altus tinha uma parte, a que falta ao Conselho.

– Se isso é certo, Asal – apóia Llaw – vamos encontrar.

– Parece que todos estão escondendo alguma coisa – revela Asal-sã, pensativo – Bom, vamos ter A Operação, para saber se o que Elliot prevê está certo e, depois, vamos depender de um jovem que quer muito provar que está no mundo por alguma coisa. Vamos nos preparar. Se todas essas Profecias se cumprirem, e não parecem ser a mesma profecia, não sabemos o que vai acontecer. Elliot está me fazendo crer que podemos mudar as Profecias. Se ao menos pudermos ler o que Trevor conseguiu,... ele, eu tenho certeza que anotou certo o que vai acontecer.

Asal riu, tenso, mas mais porque essa era a primeira vez que falava dele, e depois de dez anos procurando pelos planos e dimensões, depois da bebida, e da oportunidade que lhe foi dada por Sabarba, essa era a primeira vez que falava de Altus Goderung, Trevor. Não era ruim. Não, como na hora que Marta lhe dirigiu aquela velha ferida com palavras. Dor. Seria muito bom descobrir que o seu amor perdido havia, de alguma maneira, contribuído para salvar o mundo.

Sem dúvida, seria incrivelmente bom, isso.

(Fim do Cap 5)