Ato, Sequência e Antecipação

De Enigma
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Silêncio sob Os Paraluzes -- Capítulo Dezesseis -- Sol Cajueiro

Um livro de Future Pop Adventure -- Estágio -- O Grande Jogo

Nota: Todos os Direitos reservados.

Este Capítulo foi publicado no dia 1 de Maio de 2019.

Dedicatória

À minha filha, minha motivação; aos meus pais, irmãos, de sangue e de caminho; aos amigos, de coração, a quem sempre deu o apoio, em corpo, mente e espírito, e está agora digno de minha eterna gratidão.

–– Obrigado.

Cap 16 -- Ato, Sequência e Antecipação

Anoiteceu.

Foram quase dez minutos de tensão para Elliot, que ouvia vozes, via cenas e de alguma forma conseguia ver coisas muito pessoais sobre cada um daqueles que a menina lourinha Elyfa apontava na platéia, falando coisas sombrias, seus segredos – e falava de um ponto de vista de Trevas, era o que ele percebia todo o tempo. Ela previa os mortos, sacrifício e dor. De dentro das suas visões, agora seu coração não tinha certeza se gostava muito dela.

Saber quais são as piores "coisas" das pessoas não deve tornar alguém um oceano de doçura.

Elyfa sussurra – "A Ceifadora,... Nga está aqui!", e então, silencia. Odéle lhe balança o braço e Elliot sai do transe; falta um minuto, agora.

– Pronto. Chega, Elyfa – ele segurou as mãos da garota, que se agachou segurando as mãos de seu mestre, para realizar o que parecia ser um exercício de respiração, pulando agachada. Depois ainda segura pelo seu disciplinador, parecia esvaziar a mente; e ela estava tão calma como sempre esteve em toda a sua vida – Não se preocupe, eu vou já preparar as defesas. Não pare o espetáculo, a não ser que o problema já esteja caindo sobre nós. Vou já avisar o Diretor. Você pode ter salvo muitas vidas hoje.

Vamos, vamos, é a sua vez.

Holofotes se acendem; e caixinhos de ouro entra no palco.

Muitos se levantaram para aplaudi-la antes mesmo de ouvir sua voz, que logo no momento que Elliot ouviu, parecia que tudo que ele havia visto tinha ido para algum lugar longe, distante, em que a beleza da voz dela fazia todo o resto desaparecer. Mas a seu lado, sério e preocupado, estava Odéle Olanguèe.

– Me conte tudo. Pode ser que nós estejamos para ser atacados; e qualquer das suas informações pode salvar vidas.

– Você é uma fraude, Asha.

Estavam ali fazia uns dez minutos. Haviam passado por diversos sistemas de segurança: todos mágicos, tecnomágicos, enigmas ou passagens secretas que guardavam um tesouro. Um espelho. Na Sala do Tesouro, depois de mais de vinte salas e espelhos; mas a menina estava certa de que aquele era o espelho que eles estão à procura, ela sabe, o maior tesouro do aglomerado sudeste: O Espelho da Emanação, escondido em uma sala pentagonal.

Porém, ela não sabia usá-lo.

Nina olhava assustada para suas roupas, onde um pouco do ácido de uma das armadilhas caiu; e só não caiu em cima dela por causa de seu amigo, que foi muito mais rápido que a bruxa mais inteligente da escola.

– Vamos embora – dizia Tomi – Foi divertido descobrir que você não é infalível, irmãzinha.

– Tomi – interrompe Nina – Não zoa ela, não! Isso é importante.

– Importante o quê? Diz! Correr o risco de ser processado pela Capela por causa de uma louca que nem mesmo sabia o que fazer quando entrasse na Sala do Tesouro secreto da escola? Mas uma coisa é certa: isso aqui é um mecanismo, eu sei o que estou falando! Olhe aqui: são ângulos e retas ao redor do Espelho, cinco animais, esculpidos por essa névoa estranha, em cada lado da sala,... Eles estão observando a gente. Se a gente está na sala certa, como a nossa amiga fraude acha que estamos, então esse objeto deve ser algum tipo de gerador; e se for isso, não tenho muita certeza de que quero saber o que é que ele gera, nem o que ele precisa pra fazer o que quer que ele faça.

– Eu tenho certeza que essa é a sala certa – defende-se Asha.

– Mas são vinte e cinco salas, fia! E você mesma viu que todas são modelos desse mesmo mecanismo – Tomi sentiu um arrepio – Vamos embora, de boa?

Asha estava certa de que iria descobrir.

O espelho, a lenda conta, fornece a informação que a pessoa deseja, de qualquer lugar do mundo. Mas ali estava, na frente de um espelho que só o que fazia era mostrar uma névoa densa, que não permitia saber o que havia depois. Ou seja, Tomi estava certo, muito certo mesmo, ao lhe chamar de fraude.

Ela era um fracasso total.

Vencida, Asha não conseguia acreditar nisso, que havia errado. Se sentia como no momento em que viu que havia ficado em xadrez.

Deprimida, vencida, acabada.

Neste momento, eles começaram a ouvir a música começando, lá onde eles e todos deveriam estar.

A voz que eles escutaram era simplesmente magnífica.

– Waw! – Nina para, ouvindo – Essa é a voz mais bonita que eu já escutei em toda a minha vida! Até parece que ela é mágica.

– E é. Não se deixe iludir pela voz. Lembra da garota que te atacou? Pois é, essa é a voz dela. A Magia te escapa, Nina,...

– ... e disso você deve tirar a sua primeira e mais importante lição quanto à Magia.

E desviou os olhos, resignada, da esfera-espelho central inútil. Recuar, para pensar o próximo passo.

– A voz dela é pura ilusão. Vamos. Não há mais nada o que fazer aqui; e vou ter de pesquisar o funcionamento dele com as anotações que vamos fazer, antes de voltar aqui da próxima vez – resumiu a bruxa, resolvida, mas Tomi não deixou de perceber o que ela disse.

O garoto levanta a mão, rápido, para discordar.

– Não vai haver próxima vez – disse ele.

A bruxa se sentia péssima o bastante para não querer discutir, mas sabia o que devia fazer, agora.

Será um semestre difícil.

Havia de descobrir como operar o espelho.

Mas, neste momento, seu amigo estava certo: ela era um fracasso. Mas como isso pode ser, se Iko havia lhe dito para levá-los juntos? Isso tinha dado a ela uma faísca de esperança, de que eles juntos iriam solucionar tudo.

Suspirou.

– Vamos. Temos de ser rápidos.

“Achei”, pensou exaltada, “O maior tesouro do aglomerado será meu, e com ele vou construir o meu Império; nele nem as rosas nem as lotus, nem laranjas nem o beija-flor serão apagados da história”. A casa é grande, pensa ela. Não por fora, mas sim por dentro; ela é um tipo de labirinto. É imensa a quantidade de corredores, que ligam secretamente aqui e ali, as estátuas parecem te ver, tudo isso disfarçado de uma simples Escola para alunos especiais.

Seguramente, esta é a entrada.

Deve ter armadilhas mágicas, pensa ela e o medo de ter de sofrer mutações, que sempre acontecem em contos de fadas, lhe vem à mente.

Agora, desvendar o Selo de Proteção,...

“Clác!”, fez a tranca.

O garoto fez o melhor resumo que conseguiu. Ainda está vendo imagens, muitos mortos, mais de duzentos feridos, o Anfiteatro e mansões destruídas. Em duas semanas, a Academia iria concluir uma investigação, a qual termina com a dissolução da Quinta Capela, pois a morte de tantos convidados – e de crianças – a torna obviamente falha na segurança que esta sociedade paralela se propõe a trazer aos alunos, convidados, ou qualquer pessoa que se coloque sob a proteção de sua Nação; e mais: visões interrompidas por ",... outros videntes?".

Várias pessoas, inclusive professores, morrem num ataque feito por “coisas”, as quais ele não consegue descrever, pois seu medo está no nível máximo. E é o seu medo que o alimenta, sempre foi, ele tem ciência disso. Monstros. Demônios. Seres feitos de mal puro e ódio, é o que ele vê. Elliot se segura em pé, mas o professor de Defesa Contra a Corrupção ouve tudo, de ouvidos atentos para, de repente, questionar. Mas a descrição foi rápida e deu todas as informações.

– E eu vejo O Nada. Isso é tudo – resume ele.

Ouvindo isso, o professor Olanguèe levantou a mão, para que ele ficasse quieto, e logo depois colocou a mão ao lado da boca, falando baixo.

Ao mesmo tempo, ele pega o profeta, tocando a tela.

– Sabarba, a situação é séria. Nós estamos para ser atacados. Não sabemos pelo quê, que tipo de criatura. Acabo de mandar mensagem à Najka, pedindo a ela todo reforço que ela conseguir. É sério. Temos que organizar nossa defesa, e eu peço a sua ordem. Precisamos pedir ao Doutor Diesel para entrar em contato com os ciborgues do oeste, mas só vão chegar talvez depois de tudo. Preciso de sua liberação, agora, para organizar tudo.

Na primeira fila do Anfiteatro da Tragédia, o Diretor Abbel Sabarba coloca a mão reta ao lado da boca, de forma simples. Sua atenção estava, ou parecia estar nesta menina cuja voz encantadora admirava a todos, e que agora começara a cantar a canção que todos esperavam, O Trinca Ferro. Ele murmurou muito calmo – “Você tem a autorização e o controle”, e dá um olhar quieto à vice-diretora, que parecia absorta na música, tal como ele; mas ambos agora estavam preocupados, se preparando para o pior e evitando o sono da razão.

– Asha vai morrer, professor. Eu estou vendo a explosão. Você entende que eu disse isso? O que posso fazer pra ajudar?

– Espere – e colocou a mão novamente ao lado da boca.

Todos ouviam a música hino da nação mágica do algomerado sudeste, criada na guerra de separação da sociedade secreta mágica européia, em 2162, quando os heróis da nação – a arcanista de nascença Tainá el Sauza, avó de Asha, martirizada, e o monge Nobuo Takamatsu Kota e Kosta – venceram os últimos magos, em Kampina, no centro-sul, algum tempo depois da tomada da Torre de São Paulo. A voz que ouviram agora, porém, traz seriedade ao momento, a todos os bruxos que podiam ouvi-la com clareza.

– Atenção – ouvem os bruxos – Esta mensagem está sendo dita a todos os Bruxos adultos presentes; e peço a sua discrição. Não chamem atenção a essa mensagem. Eu sou o Professor Odéle Olanguèe, Maestro de Defesa da Quinta Capela. Nós estamos para ser atacados. Não se sabe ainda por que tipo de criatura, mas precisamos nos concentrar na defesa da nossa Escola. A vida dos alunos e dos convidados, muitos deles comuns, está sob total responsabilidade de quem puder lutar; e a situação é séria.

Fez uma pausa, para deixar todos sentirem a necessidade desse momento. Elliot tentou falar novamente, mas de novo foi interrompido. Odéle continuou, com muito cuidado, preparando a defesa.

– Nossa prioridade é salvar nossas crianças e proteger os comuns que, como nossos videntes previram, entrarão em surto coletivo. Sabemos que o palco será aqui mesmo, no Anfiteatro. Várias mansões serão alvo de ataques, então, é preciso organizar a defesa em várias frentes. Identifiquem todos os funcionários e professores da Escola, que agora levantem a mão calmamente, e toquem a testa. Pronto. Todos vocês, do Corpo da Escola, estão encarregados de organizar a defesa e os grupos que vocês deverão formar, agora, calmamente, sem chamar a atenção. Não sabemos quem são os invasores. Não sabemos os seus poderes. Nós temos na Escola vários lugares para onde correr e proteger nossas crianças; e os comuns que estarão sob sério ataque de dano de lucidez. Este foi o primeiro passo, apenas. Volto a falar em alguns instantes.

E olhou para Elliot.

– Professor!,...

– Não estou pensando só em Asha, Elliot! Tenho de organizar todos; e fazer isso leva um tempo que não temos, pelo que você mesmo disse.

– Eu vou salvá-la! – Elliot decide – Nem que eu morra tentando, porque eu tenho certeza: a menina que está com ela não pode morrer. Eu sei. Se ela morrer, isso vai começar uma Grande Guerra! Enorme! Todas as sociedades paralelas vão se dissolver. Acabar! Não consigo ficar parado aqui sem fazer nada. Eu vou lá, vou salvá-la, não importa o que custar, até minha vida! Eu juro.

O rosto negro do maestro se fecha por completo.

– Elliot, – diz o mestre – essa garota é a princesa Klai. Ninguém sabe que ela está aqui. Foi parte do acordo com a monarquia. Ela é a herdeira de várias famílias importantes do mundo. Do Império bra, da monarquia Oranje, e que foi se misturar com a família Shah em São Luiz; ela tem sangue dos cinco cantos do mundo. Você tem certeza? Ela não pode morrer,... Você sabe que o nosso futuro depende disso. E eu também. Está bem, vá! Essa é a sua missão. Faça tudo o que puder e impeça esse futuro que você vê! Em nome da Nação da Magia ou do que quiser; agora! Abençoado seja!

Elliot saiu correndo, mas ouviu gritar o professor. Elliot vê uma engrenagem, e que parece que acaba de ser aberta, enquanto ele se vira para responder, ao mesmo tempo.

– Onde ela está? – retumba Odéle.

– Sei que vou encontrá-la perto da Torre de Meditação.

– Vá! Vou mandar reforço.

Tempo, uma coisa que não está vazia quando se tem propósito. Razão de ser e de existir. As emoções de Elliot se revoltam: ele se lembra da enfermeira, que viu ser assassinada, feita em pedaços. Ele vê a monge Babi, cuidando de feridos. Vê a guerra. A revolta das massas em um mundo governado por teias invisíveis. Cordas, marionetes. Magos! Vê ruir uma sociedade que deveria ser livre, e dizer a beleza que a Magia dá ao mundo. Dimensão. Cor. Profundidade, que emana do coração dessas pessoas que ele aprendeu a amar, e que o salvaram e trouxeram para perto deles! O coração se apressa, pois viu essa sociedade se desmembrar, agora há pouco; assim ele corre, uma tempestade de emoções.

Ele jurou.

E, agora, irá cumprir o juramento.

– Você virá estudar na Capela, Nina, mas não entende o que isso quer dizer pra sua vida; e pode ser um choque pra você. Da mesma forma que achou que a nossa tenda seria grande, quase um castelo, dentro da tenda, mas era só uma tenda. Sim sim, existe mesmo isso que você achou que ia ver.

E esperou alguns segundos antes de continuar. Nina estava muito tranquila, e Asha percebeu, desfazendo uma armadilha ao mesmo tempo.

Sendo assim, a menina bruxa continua.

– Existem feitiços pra fazer isso, sim. Há muitas coisas que dá pra fazer com magia, mas,... Ah, que seja! Dá pra acender fogo com um estalo dos dedos – ela estalou os dedos, saindo faíscas que tinham cores vermelha e branca. Nina solta um gritinho, afinal, ela veio aqui pra ver exatamente isso, a Magia; e acaba de ver e de presenciá-la novamente.

Ainda assim, ela sente seriedade no rosto da amiga.

– Sim – Asha continua – Dá pra chamar a atenção das pessoas, além de conversar a distância, teleportar; e isso você viu, já. Dá até pra soltar raios e matar alguém com eles! Sim. Tudo isso é possível. Mas, meu povo usa isso pra coisas do dia a dia, na maior parte das vezes. Nós não queremos chamar a atenção à existência do Segredo, pra tudo que nós lutamos para ser, viver e saber caia nas mãos dos comuns. Não sei se você conhece essa palavra, mas é assim que as pessoas presas no labirinto do mundo são chamadas pelo meu povo: de pessoas comuns; alguém sem nada de especial, o oposto de pessoa de poder.

– Você disse isso, no feriado – diz Nina, feliz – E quer dizer, também, que a cor da sua família é vermelha e branca. Eu tava prestando atenção! Eu só estava querendo ver de novo. Só pra acreditar que não era um sonho e que eu tinha imaginado isso quando tinha vindo aqui da outra vez. Imagino que magia deve ser uma coisa difícil de fazer, e que nunca vou conseguir aprender,... eu só queria ver, mais uma vez, pra acreditar. Só isso. Imaginei um monte de coisas – tentei até rezar – mas acho mesmo,... que... de verdade, você tá preocupada comigo. Eu sei. Não tenho como me defender. Não sou uma bruxa! Mas você tá aqui; e tudo isso é verdade, existe mesmo! E eu estou aqui. É isso que importa.

A bruxa estava atenta a tudo que Nina falava e pensava.

– Não. Eu entendi isso. Você tá certa – e respirou fundo – Tá,... Mas, você tá bem errada sobre um monte de coisas. Na verdade, você não precisa ser bruxa pra poder fazer magia. Não sei de onde você tirou isso! Claro, que você só vai ter tanto poder como eu se estudar muito, mas vai sim saber se defender, aprender a fazer rituais e tudo mais. E estou, sim, preocupada com você, porque fui eu que te coloquei no meu mundo. Fui eu: essa é a realidade. Eu sou a responsável por você saber que a Magia existe! Tenho obrigações com você, Nina.

Asha fez uma pausa, esperando por alguma pergunta.

– Eu,... vou poder,...

– Aprender? Sim. Isso é o que se chama Wicca.

A palavra lhe lembrou da experiência assustadora com o doppelgangger, lá na Base, mas tentou ignorar isso.

– E o que é “Wicca”? – pergunta a comum.

– É uma mulher comum que aprende magia. O masculino é “Suk”, mas tem também o sentido de "Sacerdote", da mesma forma que wicca.

"Sacerdotisa?", isso parecia com ser aceita no paraíso.

– Tenho que te avisar muitas coisas, mas agora é hora de você saber que é perigoso. A maioria dos comuns que decide do nada ir e aprender sem saber o que estão fazendo ou fica louca, ou morre, porque não têm a menor ideia do que é o invisível. Só pra te avisar isso porque eu gosto de você. Tu é muito avoada. Não tem concentração nenhuma. Isso é sério. Assim, a verdade foge de você, se errar a intenção, a palavra etc, e então – Pã! – você morre.

Asha parecia uma professora, pensava ela. Sua amiga bruxa estava séria, e aquilo parecia mesmo sério, então Nina concordou com a cabeça.

Haviam saído dos labirintos planares, dentro do Edifício Núcleo, além das últimas armadilhas; do lado de fora, a Torre de Meditação. Enquanto Nina e Tomi se esforçavam pra escapar de tudo, parecia que Asha passava por essas coisas como totalmente naturais – estava preparada para todas elas, como se tomasse o seu café da manhã – blasé – enquanto lia o seu agregador de notícias.

A pequena concorda, mais aliviada, agora. Ainda assim, via a seriedade de Asha lhe contagiar; e Tomi lhe salvou mais uma vez, antes do final.

– A coisa mais importante que você tem de saber agora é isso, mas tem umas outras coisas – e estalou os dedos de novo, fazendo as faíscas, brancas e vermelhas, mas Nina não acreditava que algum dia seria capaz de fazer isso também – É-agá. Isso quer dizer Energia Histórica. A Energia da História. Ela se acumula, ao redor de tudo. Nós estamos na Estrada Real, um caminho com muita história, visitado e revisitado, por muitas e muitas pessoas, e é por isso que a escola é aqui, pra facilitar o iniciado a aprender. É essa energia que eu vou e entro em sintonia, daí transformo em efeito, ou seja, Twata – essas faíscas.

Olhou para Nina, umedecendo os lábios e parecia tentar ler a mente dela, era o que a pequena pensava, na esperança de um dia se tornar uma wicca.

Do lado de fora, Nina ouvia a voz maravilhosa de Elyfa.

– Pronto. Essa é a primeira coisa que você deve saber. Agora, eu tenho que te pedir ajuda numa coisa, mas não posso te explicar o que vai ser, porque até eu sei ler a sua mente, (e olha que eu sou muito ruim nisso). Agora, vamos sair sem deixar rastros. Tomi, apague a gravação da câmera do computador central, do jeito que eu falei; vou abrir o selo de proteção. Vocês não devem nunca falar da nossa missão a ninguém, ou eu serei expulsa; ou pior, condenada.

A bruxa parou, por um instante. Asha sentia que "ensinar" era melhor que estudar.

– Vou te ensinar o Segredo, Nina. Você não pode se concentrar em querer aprender a Magia, porque isso não é um conhecimento racional. Ela foge. Daí, o Enigma. Se você solucionar o Enigma, você entende. Sabe. É seu. Eu não sou uma professora, mas estou na escola desde pequena. Meu pai morreu, era um bruxo, e filho de Santa Wicca. E minha mãe é comum; h´hm,... bom, nem tanto: ela pode mudar de forma. Não, não assim. Eu não sou filha de uma doppel! Affe!, como você é estranha,... Sim, eu sei o que você pensa. Isso é parte do Enigma, ele é o caminho e é único pra todo e cada ser vivo do Universo.

E a porta se abriu, sumiu, magicamente.

Clác.

Do lado de fora, uma garota, de uns desesseis anos, com roupas comuns, estava ao que parecia tentando abrir o selo da Sala do Tesouro da Capela, e ela arregalou os olhos, de boca aberta, sem saída, pega com o dedo no doce.

(Fim do Cap 16)