A Árvore e O Título de Quem

De Enigma
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Silêncio sob Os Paraluzes -- Capítulo Dezoito -- Sol Cajueiro

Um livro de Future Pop Adventure -- Estágio -- O Grande Jogo

Nota: Todos os Direitos reservados.

Este Capítulo foi publicado no dia 30 de Maio de 2019.

Dedicatória

À minha filha, minha motivação; aos meus pais, irmãos, de sangue e de caminho; aos amigos, de coração, a quem sempre deu o apoio, em corpo, mente e espírito, e está agora digno de minha eterna gratidão.

–– Obrigado.

Cap 18 -- A Árvore e O Título de Quem

O monstro com formas de sombras sujas das quais saem tentáculos veio a toda velocidade para atacar. Enquanto isso, a mulher vestida de destino andava calmamente sob o luar. Então, Nina gritou – “Cuidado!”, a todo pulmão; mas a mulher se movia de maneira lenta e tranquila. No caminho, o monstro derrubou os bustos de bronze, furioso, e parecia poder destruir toda a vida na Terra, para então saltar preparando o seu ataque pesado e esmagador.

Mas foi interrompido – duas vezes.

Outro monstro, maior e emanando fedor eterno, o interceptou no meio do ataque e depois se preparou para o combate contra seu aliado.

Mas não aconteceu! Todos eles urraram e Tomi ficou paralizado. Não sabia mais se mover. Achou que a magia de Asha o havia afetado também! Mas todos pararam, nas sombras da noite tenebrosa que invade a mente, que causa dor no corpo e o torpor do espírito. A razão dorme. Se contorcendo de dor, o atacante assume a forma de pessoa e o outro também, implodindo calmamente.

O segundo avançou. Pegou o atacante pelas roupas rasgadas e o levantou, arremeçando-o na parede de pedra da Torre de Meditação.

– Idiota! – gritou – Aella é uma Níksian, e nós não podemos atacá-la! Rahat! Agora você é um inútil nesse lugar imundo, sem as suas Trevas! – depois ele berrou com todas as forças: Seu bastardo imbecil! Fique quieto...

O sotaque era estranho em inglês comum. Ele se virou para Aella, com uma expressão de pesar, ódio e, ao mesmo tempo, respeito.

– Nós respeitamos A Convenção, Senhora da Noite. Ele irá pagar por ter ousado lhe atacar; e eu vou garantir que isso aconteça.

Disse isso em meio ao som de explosões, que acontecem em toda a escola capela. Asha, a mais experiente ali, pensou em quantos eram.

“Trinta, talvez”, conclui. “Nenhum deles sai da forma de monstro; estão em missão, esperando... Elliot?! Mas como eles sabiam?”. Fazia esforço para manter o círculo junto de Sibel, pois essa magia é muito poderosa. Nem ela tem aptidão o bastante para mantê-la por tanto tempo. Elliot e a princesa, envolvidos por essa energia esquisita,... “Ele vai morrer, se nós não,... Eles estão atrás de quem?! Dessa tal princesa ou de Elliot?! Quem é o alvo?”, duvida ela.

– Não me importo com o que vai acontecer a ele – diz a mulher, cheia de noite, calmamente – Mas a sua missão acaba aqui, ou eu vou negar todos vocês por treze luas – a ameaça pareceu verdadeira, pois os outros três nas sombras da noite emitiram sons terríveis como a condenação eterna; e houve uma resposta vinda dos outros lugares, onde o ataque deles também acontece.

“Najka!”, Asha se alegra – “É ela que veio nos defender”.

– Aella, você pode me ouvir? – sussurra a bruxa – Elliot está muito ferido e se a gente não levar ele pra enfermaria agora, ele vai morrer.

– Você precisa ir para os planos – sugeriu calma a mulher.

Agora, o monstro ficou calado, os outros sem se mover. O silêncio só era quebrado pelos sons distantes do combate, caçada e fuga.

– O que você está dizendo, Níksian? – diz o monstro, que está em forma de pessoa. "É isso!", e Asha respira fundo, tentando ver o que deveria fazer, pois teve uma ideia; aquele tipo de ideia ruim – muito! – mas que era a única.

– Atacar uma escola para crianças só pode ser um ato de desespero. O que a Escola tem para vocês? Só pode estar nos planos, isso é óbvio – resume Aella – É o ponto quente. Devo avisar: eu consegui uma trégua entre todas as entidades do mundo; e vocês estão ameaçando isso! O Futuro está doente. Vocês sabem que o Futuro é a primeira entidade níksian que sente o peso da guerra; e vocês atraíram A Ceifadora até uma escola para crianças! Eu invoco as Leis da Grande Convenção de Bucareste, e ordeno a sua retirada desse território, sob pena de maldição, pelo absurdo de envolver crianças em sua guerra sem motivo – mas fez uma pausa, fechando os olhos; e Asha percebe: Aella disse tudo, ao dar o xeque mate – Agora a sua única opção é dizer o que vocês vieram fazer aqui.

Asha se virou. Era verdade, a única saída era atravessar o Véu. Olhou para Nina, mediu. A pobrezinha estava tão apavorada que não perdia nem mesmo a respiração de cada um que estava ali; e era óbvio! Eles tinham uma missão.

“Mas é nossa única opção,...”, pensa, com dó da amiga.

Ela chama a atenção de Nikolai, mexendo a cabeça. Faz “Owh...”, umas duas vezes, até o garoto ver. O filho do artífice deixou Elliot com Nina e chegou perto. Enquanto isso, os monstros pareciam julgar, com barulhos abomináveis, se uma maldição era melhor ou pior que interromper a sua missão assim, seja o que quer que eles tenham vindo fazer; os únicos pontos quentes são as escolas.

Asha conclui que Aella está certa: não restam muitos, pelo mundo.

– Troca comigo (sussurra ela), que eu vou tirar a gente daqui.

– O que você vai fazer? – questiona o garoto, com expectativa.

– Vou invocar O Inominável.

Ele não acreditou, olhando para ela como se soubesse agora que preferia enfrentar os monstros! Mas não havia outra saída.

Tapas bem de leve no rosto e ele voltou a si sacudindo a cabeça.

Assim, Tomi se livrou da paralizia causada pelos monstros, vendo Asha fazer sinal para não falar nada e Nina aterrorizada observando tudo.

A menina não havia perdido nem os movimentos dos cabelos de cada ser presente, nesse picadeiro do pavor. Sentia medo, era só o que sabia, e segurava Elliot,... Nunca havia imaginado nada tão medonho quanto monstros.

Agora, Nina sabia do que, oculto, submerso, ela tinha medo.

– Sim, Níksian, nós estamos atacando uma escola para crianças. E não, não vamos dizer porque estamos aqui.

Havia pelo menos doze monstros atacando só o Anfiteatro, e se via que se não tivessem sido avisados, teria sido terrível. Mortal. O ancião Sabarba cuida de mantê-los bem longe do palco. Odéle centraliza as ações coordenadas e aos poucos todos foram levados, mesmo com avassalador dano de lucidez, para a passagem planar que há atrás do palco – daí para o Edifício Núcleo e para as mansões. Santiago levou Elyfa para a enfermaria e lá ela ficou, pálida; mas antes de ele se voltar para a defesa do Edifício explicou em voz baixa à monge Mikaela o que aconteceu. Asal, Tamara e Llaw estavam defendendo a entrada do alto da Torre de Meditação; mas não demorou muito, perceberam que esse não era o alvo, pois os monstros se concentravam no chão ao redor; e foi aqui que o jovem professor mandou tomarem outra decisão: há algo oculto lá embaixo.

Estava claro que os prisioneiros não eram o alvo, mas Llaw se recusou a sair da sua posição, enquanto Tamara foi designada por Odéle para a proteção da Torre da Biblioteca. Foi quando chegou a bruxa baixinha, Esmeralda. Veio por teleporte: é ela que ensina essa arte. As salas de aula planares, onde as aulas de verdade acontecem, hoje estão todas cheias; mas, dessa vez, de comuns.

Sem dúvida Béalae já sabe; e toda a Tropa de Elite bruxa deve chegar logo, mas a urgência da defesa contra seus próprios medos tira, por uns instantes que parecem as areias infinitas do deserto astral (que fica na direção de Marte) estar caindo, fina, por uma pequena passagem, em uma ampulheta do tamanho do mundo; a concentração dos velhos, experiência, memória viva. E, além disso, os velhos – apesar da causa – se cansam muito mais rápido que os jovens.

Do palco, Abbel Sabarba luta contra sete monstros de uma vez, mantendo os invasores fora da passagem planar nos bastidores.

Fora do Anfiteatro da Tragédia, ou melhor, na entrada que fica a leste do palco, dois monstros carregam uma caixa pesada. Três outros monstros lhes dão cobertura, e foi porque Llaw se manteve firme em sua posição, que ele os viu – "Gusa!", diz Llaw com a mão reta ao lado da boca – "Eles têm uma caixa, grande e pesada. Estão entrando com ela agora no anfiteatro". Asal, ao ouvir isso,... Os monstos abrem a caixa: dela, sai um sem número de ratos, como se a caixa fosse um poço de causa mortis. Eles se espalham pelo teatro como, é claro, ratos; e se infiltram rapidamente em todos os buracos, correndo e trazendo com eles um fedor tenebroso – abissal – que apenas viajantes planares reconheceriam.

Asal quase grita – "Sabarba! É uma armadilha! Saia daí, recue! Vá para os construtos!", mas o professor bruxo não ouviu a resposta, e sim, outra coisa.

De repente, Sabarba vê que os monstros recuaram e, a seus pés, o mar de ratos vai em todas as direções, mas... ele ouve um "Bip!", de dentro deles.

Fogo e destruição, era o que ele via à sua volta.

– ..,. e você estará encarregada da defesa, Tamara, se o pior acontecer comigo – havia dito lá atrás, enquanto Santiago organizava os funcionários em meio ao fogo nos construtos.

– Porque você vai entrar lá? O Anfiteatro explodiu!

– Tenho de salvar todo o nosso futuro! Sabarba,... (não conseguiu dizer).

– Será?... que ele...

– Ele é o guardião do nosso maior tesouro, Tamara: o verdadeiro e maior tesouro da Nação Mágica! E eu tenho de recuperá-lo.

Tudo destruído. Isso não o afetava, já que se protegeu do fogo; e respirar também não é nenhum problema com a magia de oxigenação. Mas estava se concentrando ao máximo, movendo as pedras e as ferragens do que havia sido o palco com muito cuidado, e constatando que haviam sido bombas. O palco foi arrancado, chão e pedras, até a sétima fileira de cadeiras também. Então, ele encontrou um corpo, de um homem – monstro – cuja a cabeça e o braço direito tinham sido separados do resto, e a conclusão veio: “Se isso fosse previsto pelas profecias, o Conselho saberia disso. Tem algo errado”, raciocina o mestre.

– Sabarba! – grita ele, de repente.

Ergueu meia tonelada de escombros e o encontrou.

O velho estava ensanguentado. Suas roupas sempre brancas, herança da união que ele mesmo havia feito, sujas. Aliança entre as Nações da Magia, dos arcanistas de nascença de diversas origens, com a Deusa das wiccas, com os santos do Candomblé, com os Flux caoístas do aglomerado, os xamãs urbanos e os especiais das tribos urbanas, além dos vampiros de energia, que queriam seriamente investigar suas aptidões, de forma ciencífica. Hoje sua técnica se une à Nação, como conjuradores psíquicos; tudo sob a orientação dele.

Ali estava Sabarba.

Perfurado por uma viga e sem uma perna. Sua varinha quebrada em sua mão, ele agonizava esperando a morte, que viria afinal lhe separar da carne; ele parecia estar preparado para isso há muitos anos.

– Sabarba! – o professor tentava ver o que podia fazer.

De repente, a mão do homem o segurou, e ele se viu nos olhos dele. Era o fim, ele sabia disso. Não sobreviveria, sabia que não.

– Não, Odéle. Eu,...

– Não se esforce, Mestre! Vou tirar você daqui.

– Não,... – ele segurou seu braço – A totalidade me alcançou, e A Ceifadora Nga já me escolheu,... amigo. Está na minha hora,... agora,... eu... sei disso.

– Mas Sabarba,...

– Deixe,... – a dor evitava que ele falasse muito – ..,. ser. Você cuide,... bem,... dele,... pois,... o nosso,... futuro,... depende disso.

Odéle sabia muito bem o que seu mestre queria dizer.

– Aqui,... está – diz o ancião, com esforço.

Todos os seus pertences assumem forma física – Odéle rapidamente reúne todos e os protege do fogo, mesmo que fossem objetos de tanto poder que o fogo não toque. Mas, o Livro se defende: sua magia foi negada. O maestro ergue as sobrancelhas, solenemente, virando-se para Sabarba ao segurar O Livro em suas mãos – "O Llonggrimoire", diz Odéle; o maestro sabia, sentia isso ao tocá-lo, que o futuro estava ali, muito presente, mas cauteloso, a observar.

– Não quero dividir a morte,... com você, minha amada – diz o velho, agora já de olhos fechados, um tanto fúnebre, segurando o anel de vala, a prata planar, esbranquiçada e opaca. Odéle secou a boca, afinal sabia o que seu Mestre queria dizer – o anel que ele herdou: ele divide tudo com sua esposa.

Estava acabado, não havia mais como salvá-lo.

– Adeus, minha Karla – e Abbel retira o anel.

Abriu os olhos, tentando focá-los, as órbitas já como vidro.

– O Livro saberá escolher, Odéle. Eu mesmo já deixei... o testamento,... Você tem um caminho difícil pela frente, meu,... amigo. Asha,... Akael!,...

E tossiu sangue à sua direita, respirando fundo para falar.

– Asha,... ainda não completou o seu supertreinamento,... mas você,... pode deixar as pistas,... para que ela encontre,...

– Do que você está falando, Mestre?

Estava morrendo, sabia. Odéle Olanguèe ficou em dúvida se o seu antigo Mestre já estava alucinando, ou o que ele queria dizer.

– A Profecia,... está tudo,... no Livro – tossiu sangue; e fungou, firme – Três são os Pássaros. Um corpo, um meio, um final e um início – tomou fôlego – A Escolhida deverá decidir o Destino de toda a humanidade. O Condenado deve pagar por todos os Pecados, quando chegar a sua hora. Os Outros são a Chave. As Luzes, o Portão. (parou, fungando, e cuspiu um pouco de sangue, mas o seu ainda discípulo ouvia). O Dragão e a Serpente, os lados opostos, deles só um poderá ficar e vencer. Aquela que vencer A Guerra receberá a maior de todas as honras e, depois, Os Mil Impérios da Morte, A-Um – revela Sabarba.

Agora, sorrindo e feliz, ele olhava para o infinito.

Odéle ficou em silêncio, entre os escombros, sob uma série de luzes vindas de cima, as quais valorizam os tons questes, devido ao incêndio. Não havia mais nada a se fazer, apenas velar seu antigo Mestre, ali. O mestre segurou sua mão; e já não podia mais falar, agora a olhar cego para dentro de si mesmo.

Ele entregou o anel ao seu melhor aluno.

Agarrou sua mão, firme. Uma lágrima fica dependurada nos olhos do seu discípulo, atingido pelas palavras, entregue a sua missão.

– Mo-... -jubá,... Toolu,... Odéle O-languèe.

E olhou para a via eterna, oculta, a enfrentar O Outro Lado. Odéle abaixa a cabeça, a mantém baixa um instante para, então, erguer novamente.

– Mojubá, Abbel Sabarba – diz ele, a se despedir.

Fechou os olhos do ancião e magicamente cortou a viga, reunindo tudo e voltando à guerra, que cai sobre ele e a Escola como uma tempestade.

Ouvia-se explosões, tiros e sinais de incêndio nos muitos construtos. E foi neste momento que ele decidiu. Decidiu devotar sua vida aos jovens, inspirado pelo seu finado Mestre ali mesmo e saiu, decidido e triste, do Anfiteatro da sua Escola, carregando o seu corpo e levitando os pertences dele.

Ao chegar nos bastidores, a imagem de Maýra parou de orientar Tamara e, aos poucos, todos os presentes pararam o que faziam. Explosões a distância eram tais como canhões. O Maestro de Defesa atravessa a passagem dos enforcados em silêncio e todos os que estavam nos construtos abaixam a cabeça; mas as explosões continuavam ao longe. O maestro logo chegou às Armadilhas, onde encontrou Karla. A esposa de Sabarba, que também é a Vice-Diretora, olhou para o corpo que Odéle pousou sobre uma mesa, por apenas alguns instantes, mas se vira para o maestro e murmura: "A defesa, Odéle: a segurança dos alunos e dos convidados. Vá". Ele só abaixa de leve a cabeça e vai.

O Maestro de Defesa deixou os pertences de Sabarba com a esposa, que desliza os dedos sobre seu próprio braço até a mão, segura e retira o Anel de Vala; ela os reuniu à mão direita ao peito. Sua outra mão vagou pelo rosto do seu amado – ela era velha, ele, ancião – com quem dividia a sua vida.

Africa, Bonnie e Lucrécia vieram lhe consolar. A Vice-Diretora olhou para Lucrécia, murmurando: "Elyfa, Lucrécia. Eu vou ficar bem; vá ficar com ela", então a garota trocou olhares com Africa, que abaixa a cabeça como quem diz – "Eu cuido dela" – mas Africa viu a vice-diretora envelhecer calada. Karla ficou ali até a Tropa de Elite bruxa chegar à Escola, velando seu amado.

Há mais caminhos que pés para pisá-los.

Adeus, Abbel Sabarba.

– Oh, Inominável, eu venho pedir passagem e atravessar o Véu. Abro mão das minhas capacidades especiais de Terra, o meu elemento, pelo tempo padrão de um ciclo, e peço que nos leve além da Névoa, pois não há tempo para realizar nenhum ritual – os monstros estão atrás de nós. Abençoado seja o Arcano Treze. Abençoado seja o Sonho. Oh, Sonho, venho pedir pela sua estrela guia, em sua Forja Infinita. Não temos tempo, e nenhuma opção. Aqui jaz a nossa sorte. Em nome da Magia, entrego minha Terra tão preciosa. Em nome da Magia, eu rasgo o Véu; e o atravessamos. Oh, Sorte, abençoado seja seu sorriso; Você, Cega, olhe para onde vamos. Oh, Inominável, dê-nos o alívio deste destino e abra sobre nós o encurtamento do caminho, O Astral, sob o Manto Eterno do Enigma.

Nina observava, congelada, até mesmo sem respirar.

Junto de sua amiga bruxa, ela e Tomi haviam organizado Elliot, a princesa louca e o terrorista paralizado para sempre ao redor do centro da magia feérica de Sibel, enquanto ela e Nikolai se concentram para manter o círculo das fadas ao seu redor. Do lado de fora, cinco monstros e a entidade da morte discutem, em falas muito distantes umas das outras – mas ficou claro que estavam procurando alguém em específico naquele lugar, um "inimigo" terrível; e vão matá-lo.

Asha tentava ignorar as linhas do diálogo, mas não era possível.

Não podia acreditar! Sabia que suas suspeitas ficavam claras, à medida que o Arcano XIII evitava que eles fizessem qualquer tipo de investigação no lugar; e isso significa que Aella também sabia! "Ela veio salvá-lo". Mas como é possível eles saberem o que aconteceria ali? Só havia uma explicação possível.

Uma Profecia.

Tinha de ser isso, não havia outra possibilidade.

"A pior coisa de uma Profecia é que", Asha conclui, "muitas vezes, quando alguém tenta evitá-la, acaba fazendo com que aconteça".

Sabarba lhe disse isso, só não se lembra quando.

Os monstros vieram para impedir a tal Profecia de se tornar real; mas agora ela sente o seu pedido sendo atendido. Uma Profecia,... O Véu começa a se abrir, devagar,... Sibel e Nikolai vão se aproximando, lentamente. E o monstro ameaça reunir todos os transmorfos do mundo contra esse aglomerado, se o Arcano XIII tentar impedir. Essa era a hora de maior tensão. O monstro em forma de pessoa deixa claro que escolheram os bruxos como inimigos porque eles são aliados dos vampiros; e a Arkkana-Sem-Nome não poderia mais evitar o ataque.

Nina e Tomi arrastam os incapacitados, com esforço.

Ficou claro que a ajuda dos vampiros significava que a nação mágica era aliada de seus inimigos, e A Vendeta é de ambos os lados. A discussão continua, lenta – hora ou outra algum deles arrancava um arbusto do chão para eliminar a vontade da ira. Talvez como parte gramatical da conversa em si.

Talvez, impossível saber. Um a um e, com o máximo cuidado, todos passam pela abertura da invocação feita por Asha, deixando os monstros para trás.

A abertura no Véu foi se fechando, bem devagar.

As coisas não poderiam estar piores.

– Grupo dois, onde está o líder? Já é a sexta vez que pergunto. Onde está o portal? Grupo cinco, dê cobertura ao grupo dois: vamos precisar de espaço para investigar a área. Sim, Harish? Me dê uma boa notícia.

– Encontrei sinais de um ritual kau, mas é só o eco. Ele está sendo feito nos planos e é provável que seja magia negra; ou pior, Corrupção pura.

Enfim,... mas seria difícil encontrar uma passagem. Este não é seu território, mas também não é o deles. Ela conhece a Escola, os outros não.

– Najka, há um monstro enorme tentando invadir os construtos onde estão os refugiados, próximo da área onde houve a explosão, e há um homem lá no meio do fogo. Há janelas se abrindo no ar e sai fumaça delas, também.

“O que vieram fazer aqui, kau dos infernos?”, pensa ela.

Do alto das sombas de uma árvore velha, a mais alta da região, Najka sabe que este ataque foge totalmente a todos os padrões de ação dos seus inimigos. Alguém mais está liderando, só pode, porque eles não agem assim; nem atacam com todo o clã como estão fazendo dessa vez.

– Alice, você tem linha de tiro?

– Bem, Najka... O teatro explodiu. Há nuvens de fumaça em toda a região e o incêndio que tenta invadir os construtos não ajuda. E mais, parece que o fogo está subindo pelos ares e as luzes confundem a visão de qualquer um, nesse lugar. A Magia do lugar afeta todos os equipamentos. Só vejo borrões. Você não tinha como ter aliados mais fáceis de defender, não, minha linda?

– Você tem linha de tiro?

– Tenho.

– Atire a vontade.

Tá! – ouviu-se o primeiro tiro. – Tá! (certeiro, na cabeça). Tá!, e de novo, Tá! O monstro caiu do construto em pleno ar; e Tá!, mais um tiro antes dele cair destruindo a parte sul da enorme mansão de Kamarati – No ar vale dois! – berrou Alice, parecendo feliz.

Durou muito pouco essa alegria.

– Najka, Sabarba está morto – disse Harish, pelo comunicador.

– Kau! – xinga Najka – Era isso! O alvo era ele.

Raciocinou sobre o que fazer, as opções que tinha.

Só havia uma solução: unir os esforços dos imortais com os bruxos, o que fazia mais ou menos cinquenta anos que não acontecia.

– Kammai, kammai, Samá – diz a caçadora.

– Oi – responde uma voz grave, e tranquila – Staela.

– Wa e kau, Samá – diz a caçadora ao ancião – Sabarba myte. Statia ile rön a me. Autäatios e odé mistka wa numon taki. Sama hitu?

– Hitu kyle, voahr. Sha a sa – o ancião abençoa a união.

A imortal dá um pequeno sorriso de canto de boca, pois acha que nenhum outro caçador no mundo teria essa resposta desse ancião.

Agora, com a liberdade de união entre os diurnos e os noturnos, ela então sintoniza todos os comunicadores.

– Najka e: odé a buboa da, Samá Dogger staela – diz a caçadora.

Dentro de instantes, vampiros saíram das sombras.

Vieram lutar ao lado dos bruxos, como irmãos mais velhos. Asal Gusa vê de repente uma vampira linda de cabelos brancos ao seu lado, com um rifle enorme, e percebe que é a primeira vez que ele vê Alice. Ela lhe cumprimenta, de leve, com um aceno de cabeça; e ele faz o mesmo.

– Harish, assuma o controle. Grupo dois, – diz ela segurando o fone – vocês ainda não encontraram o portal? Sabemos que eles precisam sair daqui, não há outra forma de irem embora. Harish, vou até a área onde o ritual está sendo feito para encontrar o lugar. Não temos outra opção: pode ser o líder.

– Aqui é Harish; cinco: informe a situação do Arcano XIII – assume ele a liderança. O vampiro corre, rápido demais para se ver, até sua posição.

– Dê cobertura ao Gusa, Alice – diz Najka – Mankoi, você vem comigo, mas fique a distância. Sem dúvida, é outro dos objetivos deles; e é um ritual. Deve ser o shamã deles, ou pode ser magia Kau; se for, vamos ter de ficar a distância até chegar o nosso Mon. E,... Não se envolva, Tomáz: mas esteja pronto.

Ela ouve o rosnado estranho dele – Mankoi, vá se juntar à defesa da Torre do Edifício principal, com Tamara. Tomáz, venha comigo, então; à distância.

– Você fala a minha língua, sua linda – o estranho ri, feliz.

– Harish, aqui começa a caçada. Ao encontrar o líder, eles vão todos tentar protegê-lo juntos, ou correr para a rota de fuga.

– Hitu, Najka – ele para, ao lado de Llaw – Aqui parece um ponto cego do ataque deles, bybka. Vamos montar uma base de cooperação? Precisamos achar o líder dos monstros, urgente. É a única coisa que vai tirá-los daqui.

O enorme Llawrence concorda e manda mensagens – "Asal, agora sou a base dois", e "Doutor Odéle, temos de localizar o líder deles".

Najka avança até a região histórica dos construtos. Sentia a imensa energia esquisita da área; era quase como se a natureza ali gritasse a existência da Magia, em todas as direções. Ali é onde ela está. Ali foi fundada a primeira indústria de equipamentos mágicos desta região, semi-artesanal. Deu lugar ao Museu secreto da Nação Mágica. É onde está a mais importante árvore do aglomerado sudeste, a única do mundo: A Árvore Astral da Juventude. Ela pensa em qual é o objetivo de usar a árvore em um ritual kau, avançando com muito cuidado.

Só poderia haver uma razão: invocação extraplanar.

Depois da passagem, havia um imenso nada.

Acredito que é necessário explicar que, para uma pessoa comum, sair do mundo do plano padrão pela primeira vez é horrível! Você se sente sem ar. Ele simplesmente não existe. Você só enxerga névoa, com um brilho que lembra a Morte em si mesma; e acaba realmente de ver A Morte. O chão que você pisa, ele é meio... parece um sonho... mais ou menos... Aos poucos, nós avançamos pela névoa espessa e, de repente, havia um céu, multicolorido; e a lua estava lá, rachada ao meio, oca! Daí dá pra ver a imagem da lua repetida, umas cinco ou seis vezes! O horizonte parecia um lago, indescritível! Mas,...

Havia uma imensa cidade e muito vapor, sobre a Escola.

Essa era a coisa mais impressionante que Nina já vira na vida; era quase como ver o mundo no céu! Mas havia essa,... cidade,... sobre suas cabeças, até o horizonte, tal como um presente terrível, ou adorno perfeito! As rochas flutuantes são tantas; e sobre elas, mansões e castelos! Há mais de vinte dirigíveis, lá no alto. Barcos. Há,... pessoas nesses barcos! Mas,... Nina tenta focar os olhos até a rocha mais próxima, que deve estar há apenas uns dez metros de altura, presa ao chão por uma corrente enorme, pesada, como aquelas de navios.

Ela vê uma menina a lhe observar, olhos nos olhos.

De repente, um menino,... não. Nina não tem certeza, mas acha que esse menino tem pelo menos uns oitenta anos de idade, pelos rosto dele – chega e abre a porta indo ver o que a pequena estava fazendo. Nina desejou mais que tudo na vida saber o nome dela, conhecê-la, ouvir a sua voz.

– Os Monstros estão atacando a escola – diz a menina. A voz dela parecia sair de alguma história antiga, conto, lenda, mito, daquele tipo que os pais lêem para pôr os seus filhos para dormir; mas que nunca se esquece.

– Precisamos erguer a Cidadela, venha – diz a voz do velho menino, mas ao contrário da dela, a voz dele é carregada de notas longas e tristes.

– Mas pai!,... – diz a menina – Nós temos de fazer alguma coisa! Você não vê? São crianças! E os monstros não são inimigos terríveis?! Você não esquece de me lembrar disso, toda vez que estudamos a vida dos mortais! Ah,...

– Eu proibo você de interferir nesse ataque! – e o pai dela faz um gesto, de leve. Nina vê, claramente, um tipo de símbolo à frente da mão dele, que brilha e se desfaz logo a seguir – "Waw!", Nina pensa, mas fica quietinha.

Assim, o pai sai, voltando pela pequena portinha, deixando ali uma menina muito, mas muito nervosa, ainda a olhar Nina bem dentro dos olhos.

– Um dia, pai,... um dia eu vou aprender a vencer essas suas magias; e eu irei conhecer o mundo,... Todo o mundo,... Ou eu juro que eu não me chamo Minnima A-líl-a Gwýllows – e ela, então, ajeitou um tipo de óculos de aviador, que tinha sobre o seu chapéu, sobre o que parecia uma aba lateral com um buraco, de onde saíam as suas longas orelhas para os lados. Suspirou, indo embora fazer o que quer que seu pai estava lhe ordenando; e Nina se acostumou.

Realmente, não havia ar – mas isso não lhe incomodava!

Enquanto isso, Tomi ajudava Nikolai a cuidar de Elliot, da princesa e rezava para Asha ter garantido que aquele terrorista não lhes fizesse mal nenhum.

Apenas Sibel e Asha pareciam tranquilas nesse lugar. Nem mesmo Nikolai parecia íntimo com isso.

Além disso, havia uma sensação sobrenatural. O tempo deixou de seguir o curso natural, linear. Dava pra ver parte dos construtos, invisíveis, corredores que existiam em pleno ar.

O ar não era ar e o chão não era chão. A vida era estranha, e havia uma árvore,... imensa! Foi então que Nina começou a surtar e se ajoelhou ali mesmo. Desesperada, agora que conhecia os seus medos, havia visto todos eles, e eram muitos, tão profundos quanto seu maior desejo – esquecê-los – o tipo de terrores sobrenaturais ou noturnos que ninguém deveria ter na memória.

Nina se sentia paralizada, diante da maior árvore do mundo.

– Tomi, você tá bem? – Asha segura seu braço.

– Não, to não; mas a Nina tá pior – ele aponta a pequena.

– A passagem se fechou – diz Sibel – Estamos seguros, agora. Parece que os alfas vão fazer isso, então, como sempre: nada.

– Sim, Sibel. Agora temos de levar o Iko pra enfermaria. Nós vamos ter de nos separar, pra garantir a missão. Sibel e Nikolai, vocês vão levar Iko, a princesa e o terrorista até as armadilhas; eu levo Nina e Tomi pelo labirinto.

Ela disse isso indo abraçar Nina.

Aquilo era demais pra ela, porque até Asha se sente submersa na energia do sobrenatural aqui; e Nina era comum, não havia feito nem mesmo um único ritual na vida. “Calma”, sussurrou, “Nós agora estamos salvos. Eu sei o caminho, e os monstros ficaram pra trás. Isso, calma”; Nina funga o nariz.

Asha olhou para Sibel e sua voz estava firme.

– Onde é a enfermaria, Sibel? Você sabe chegar lá? Nikolai? Eu vou pela saída nas ruínas planares, nas raízes profundas da árvore das fadas.

– Sei, sim – Sibel parou – É ali – aponta o alto.

– Nikolai, você e Sibel sabem voar. Eu não sei, porque eu uso Levita, e não Ergo; então, vocês têm de levar o Iko, a princesa e o prisioneiro.

Nikolai ficou em dúvida, limpando o suor em seu pulso.

– Mas, sua varinha,... – começa o filho do artífice.

– Relaxa, Nikolai – interrompe ela – Sei todos os segredos da escola. Agora, vocês vão; e a gente se encontra nos construtos, daqui a pouco.

Sibel parecia em dúvida, mas Nikolai concordou na mesma hora; a bruxa de cabelos de fogo e o filho do artífice ergueram Elliot, a princesa, o terrorista e se ergueram no ar. Nina viu eles sumirem. Sumiram, logo depois, atravessando os planos; mas Nina ainda estava de joelhos e tonta com as luzes.

Você não acreditaria na sensação.

O Astral é como estar dentro do sonho, mas sem ser o seu. Não, não é só o céu que é imenso e assustador. A aurora sob os paraluzes é uma imitação simples do Astral; e você não sabe mais respirar. A magia, bem, tudo é mágico. Não há apenas alfas no Astral; dá pra ver animais, além de espíritos, pra todo lado.

Este era o momento de ruptura, Nina sabia.

Resumindo em palavras, mais ou menos.

"Sabia que nunca mais o sobrenatural iria me assustar. Agora, seria como se tudo fosse natural; e sempre houvesse sido assim", delirava – "E então, por mais assustada que eu de fato estivesse, aceitei a verdade. A Magia. A verdade de que aquilo ali estava mesmo acontecendo; e não, não era um pesadelo: isso era real. Muito. Real. Mesmo",... – Nina se ergue, olhando firme para a amiga bruxa, como quem espera ordens a seguir, diante da sinfonia das escolhas.

Ninguém deveria ser exposto ao sobrenatural assim. A bruxa Asha estava certa em se preocupar. Asha tinha uma bola à mão: "É uma Orbe", disse ela.

Ainda em choque, seguiram Asha pelo labirinto.

– Onde estamos, Asha?

Afinal, Nina havia encontrado sua voz.

– No labirinto planar onde é construída a Escola. Tá. Eu sei o que você quer me perguntar, e é sobre a Cidadela. É a Vila dos alfas. Alfas são seres do Astral, e você não vai ver um deles andando por aí, como aquela fada que estava falando com o pai dela pode ter dado a entender. Ela deve ser muito jovem, só isso.

Mas bem, a resposta explicou quase nada a ela, ficando claro que a bruxa sabia o que estava fazendo e também para onde estavam indo.

Era um interminável labirinto de raízes, feitas de luz, que sustentava tanto as rochas flutuantes das fadas, quanto os construtos da escola em pleno ar, tal como se houvessem fios e muros invisíveis a sustentar tudo. No mesmo momento em que Nina achou ter visto um gnomo, que se escondeu bem rápido entre as raízes feitas de luz, Asha parou. Ela focou os olhos em sua orbe, preocupada.

– Isso é estranho – Asha lançou uma magia – "Ikjeo!", depois se virou para o caminho que seguiram até ali – "Drewa Tajannaba!".

Fez sinal pedindo silêncio, ao retirar a faca da bolsa. Parecia preocupada porque não tinha mais sua varinha.

Nina viu grandes construções a distância e um enorme ginásio; mas parou e ficou alerta.

O céu se abre direto para uma nebulosa, não havendo sinal dos imensos paraluzes, translúcidos, ali no labirinto. Apenas luzes em mutações de reflexos coloridos e tons quentes, devido ao fogo e fuligem que emana dos construtos em chamas; além de se ver raios e explosões, aqui e ali, pela escola.

– Tem alguém lá – sussurra a bruxa, preocupada.

Ela se concentra, olhando sua orbe, para tentar ver; Tomi se aproxima e até mesmo Nina sente que ele está quente, todo suado.

– Parece um ritual,... magia negra. Eu não estou conseguindo ver, mas me parece ser um homem. Ele me bloqueou. Parece ter uns trinta anos, branco, tem cabelos pretos, mas assume a forma dos meus medos quando eu olho. Acho que eu li nos lábios dele: "Eu adoro quando eles têm medo do medo", antes de algum tipo de força me bloquear. Ele não tem Profeta. Vamos ter de esperar aqui.

Mas o garoto balançou a cabeça negativamente.

– Não tem Profeta? Que tipo de pessoa não tem Profeta? – e se arrepiou, de repente, compreendendo quem Asha estava observando.

– É um monstro – revela Asha. Nina espreme o braço de Tomi – Não tem como sair por ali; e não tenho uma varinha. Vou tentar ver o ritual e esperar. Isso sem dúvida é o que A Morte estava falando. O objetivo deles, o que vieram fazer aqui de verdade.

Vou observar. Se a gente entender, vamos poder explicar depois pra Entidade da Morte saber o que é; mas fiquem quietos.

Assim, Nina e Tomi se sentaram numa pedra, enquanto Asha observava o ritual e via se conseguia entender o que acontecia, sem escolha. Ela deixa a sua mente limpa, sem desejo, vontade ou medo; sabe que é a única forma de não ser detectada pelo monstro. Suas vidas dependem disso. Ela segura seu mekket, que lhe permite não ser identificada: e funciona! O monstro não lhe percebe.

Subverte-se mais uma morte, fora do tempo.

Na verdade, era um Ritual desconhecido. Asha viu várias partes. O monstro fazia oferendas, para O Senhor das Trevas. Além de ser A Entidade das Trevas, o monstro conjurava uma maldição, Asha sabia disso. Ele assumia a forma de uma caveira, de cor opaca, mas parecia decidido a não parar o que quer que estivesse fazendo, à medida que sacrificava animais. Murmurava em resposta às próprias palavras. Então, para continuar o seu Ritual, da magia negra mais esquisita que Asha já havia visto: O Senhor das Trevas aparece, apenas seu rosto.

Asha pronuncia baixinho “Evado a Nemesis!”, Nina e Tomi sem voz, muito impressionados e assustados com o que viram.

À frente do rosto de Asha, com umas linhas bem fininhas, se formou um diagrama na hora que ela fez a magia: formas geométricas, na verdade lindas; "a imagem mais exata da harmonia que se pode imaginar", pensou Nina.

Por pouco a pequena comum não solta um grito.

Havia doze animais mortos, bodes, servindo de sacrifício; e ainda bem que Nina não é capaz de ver. Asha esvazia a mente. Tudo se enche de uma substância esquisita, azul anil, que a bruxa observa ser usada na maldição.

O monstro recita palavras esquecidas.

Tão claro quanto feitiços, pois a maioria deles são de línguas tão antigas quanto o tempo.

Isso acontece por cerca de doze minutos, até que ele se preparou para dar fim ao Ritual; e o azul se concentra. "Uma maldição", Asha conclui – "Mas o que é essa substância? Parece Corrupção, só que em forma física",...

De repente, uma silhueta de mulher passou por eles, fora do astral – uma caçadora, pela sua postura – e Asha quase soltou um gritinho.

– O monstro está nas ruínas, o fim do Caminho dos Escravos. Mas cuidado, porque a seiva dela torna você jovem de novo. Não faço idéia do que aconteceria a você, se tocasse nela. O Senhor das Trevas está lá. Tenha cuidado.

Ela disse isso com a mão ao lado da boca e parou. Olhou a orbe. Agora, o monstro lia um pergaminho: "Oh, Senhor das Trevas: eu, General Geshe, conjuro esta ruína", diz o monstro – "Dê-me o invisível. O Azul! A razão dorme, sob meu controle". O ritual envolvia a árvore, mas não dava pra saber o porquê; e esse tal de Senhor das Trevas deu o que ele queria – "Assim seja!", terminou.

Asha viu toda a energia e ou substância azul começar a se espalhar, e se tornar invisível, drenando a árvore.

"Hmmmh,... Ele usou a árvore de bateria", a bruxa conclui. De repente, ela se assusta.

Outra silhueta de mulher passou por eles, também fora do Astral. Mais uma vez, uma caçadora; mas não era a mesma!

– Tem algo errado – sussurra Asha, de olhos arregalados.

Então, rapidamente, a menina concentra sua orbe na mulher, para ver quem ela era: vendo claramente a filha da noite, Najka, sente um arrepio, como um tremor de aviso.

– Najka, – diz Asha, com a mão ao redor da boca – é um monstro. Ele está terminando o ritual agora: é uma maldição; mas tem outra mulher por aí. Não vi quem era; e acabei achando que ela era você! Então, toma cuidado.

Viu a filha da noite parar e fazer um sinal com dois dedos da sua testa para o ar, para que a bruxa soubesse que ela escutou aquilo, e avançar.

Asha não conseguia mais focar o ritual. Aquela deveria ser uma entidade de poder – extraplanar, talvez – pois sua orbe era o objeto mais poderoso que ela possuía e a única proteção que tinham agora, herança de sua avó.

– Nina, preciso te falar – disse a bruxinha – Nós vamos ter de passar por esse lugar onde esse Ritual está sendo feito. Tente não olhar. Você, Tomi, não acho que vai ter nenhum problema, ma-,...

– Porque?! – questiona Tomi, de repente – Aposto a vida que você não vai me dizer! Não é? Da mesma forma que não me disse na Base porque me atacou, nem disse depois! Eu te entendi. Você sabe tudo, mas guarda tudo só pra você. Não divide com ninguém, não é? Não precisa se preocupar comigo, não, porque eu sou das Tribos; mas eu ainda espero essa resposta, tá? Egoísta! Vamos embora daqui, de uma vez; e me poupe dessas palavras vazias!

Asha só suspirou, guardando a orbe e ficando com a faca ritual em mãos, girando-a como um soldado.

– Llawrence, onde está Asal? – ele ouve.

– Ele foi resgatar uma aluna, Tammítha King, que está no meio do incêndio na Torre da Camarilla, que estava recolhida como preceito; e eu estou ocupado, por quê? Estou coordenando a Tropa de Elite; o que você precisa?

– Reforço para defender a enfermaria! Derrubamos eles, só que são muitos! Uns trinta! Parecem querer destruir todos os construtos! Acabei de saber que os ciborgues do Pantanal estão para chegar; é verdade?

– É, sim. Vou mandar Oyá, com a Tropa – responde Llaw.

Asal deixou isso tudo para trás, quando Llaw viu a pequena aluna, de onze anos, desmaiada no meio do incêncio; e que havia um monstro lá.

Agora, Asal se infiltra, com muito cuidado.

Não está na hora de deixar ninguém para trás; e a morte de qualquer aluno significa que a sua Escola será fechada – nada iria servir de desculpa. Nenhum acadêmico burocrata estúpido daria voto de favor a uma escola sem segurança. O mundo exige isso, em primeiro lugar porque a aplegia obriga a todos a máxima garantia de que crianças tenham sua educação e vivam longe dos excessos, tanto da religião, até escolher sua nação, quanto do fanatismo aplegista.

"Ali está ela", ele consegue ver dentro do incêndio. Ele olha de um canto, por trás de uma porta quebrada. A Camarilla tem cinco andares. A fumaça dos outros andares está tornando tudo mais difícil ali no alto. Não conseguia localizar o monstro. À medida que anda, percebe que o teto irá desabar. Não tem tempo. Deve ir, mesmo que não consiga ver se o monstro está na Sala de Reclusão, ou se irá lhe atacar – ele empunha faca e varinha, como o soldado que é.

Esperando um ataque, ele avança.

– P-HWÓóughrwoaaahh!...

Asal conjura: "Tausthau!" e paraliza o monstro em pleno ar. O monstro nega a magia e pula para o teto – "Tenho de jogá-lo pra fora: é a única maneira, ou a menina morre", raciocinou, e olhando para onde concentraria o seu ataque.

O monstro ataca.

– Evado! – e a criatura erra o alvo.

A coisa não esperava, além disso, que este fosse o maior mestre em feitiços rápidos desta escola.

Passa por Asal-sã no vazio, enquanto este conjura: "Ghovvat!", a magia de escudos – o monstro erra, deixando um cheiro planar de atordoamento, mas a magia que o bruxo lançou tinha outro objetivo. A idéia do bruxo destrói a parede à frente; e era possível que Alice o visse de sua posição, da Torre de Meditação. Ainda assim, Asal vê que o ar acertou seu braço esquerdo, de raspão. A veste se regenera. "Não posso deixá-lo me morder,... A maldição do Veneno é terrível", pensa; então, o bruxo decide usar a parede do fundo como apoio do próximo ataque, enquanto o monstro pula de uma parede para a outra.

– Grebheo! – Asal grita. O monstro foi pego, em pleno ar. Tá! O tiro de Alice acertou em cheio a cabeça do monstro; e o bruxo se posicionou.

Teias verdes e negras se abriram no ar, desde sua mão, enquanto erguia a varinha na outra mão só para confundir. Isso mantém o monstro no ar tempo o suficiente para o maestro lançar outra magia, a mais poderosa. Ele se concentra. Essa é uma das magias proibidas. Será esse o que matou Sabarba? A parte mais importante de qualquer magia negra de dano está em que ela existe; e bruxos só as usam diante da guerra contra um inimigo terrível – tal como esses monstros amaldiçoados – e que faria o mesmo! Se prepara, faca e varinha em mãos.

Ele cruza a faca e a varinha, ao conjurar.

– Anathema! – o braço e o torso do monstro se quebram. Ele é jogado para trás com força, pelo enorme buraco na parede, nas chamas.

O dano cinético máximo poderia derrubar a camarilla, assim ele corre para a área em que está a pequena Tammítha, antes mesmo do monstro arremessado cair do alto do edifício no chão; e conjura – "Domus a Labor!". Mas o domo de energia vai precisar de mais força: as paredes não vão aguentar.

Enquanto isso, o fogo se espalha. O teto começa a desabar e Asal conjura um pano – "Otuve!" – sobre ela, cobrindo o corpo nú de ritualista.

– Ghovvat Qúwwa! – e o domo de força é reforçado.

O domo elementalista segura o teto, enquanto ela pega a pequena, enrola no pano e se concentra para fazer o teleporte – regalia de professor.

Sente o chão da camarilla desabar abaixo deles e aporta.

Tudo desaparece; e eles surgem na sala de teleporte. Pó e sujeira vêm ao mesmo tempo, inundando o chão: ouve-se o desabamento.

Ele se ergue, com ela nos braços.

Esmeralda se adianta, com um olhar doce, e a enfermeira Babka toma a menina nos braços, indo para a enfermaria.

Asal suspira fundo e sorri.

Conseguiu.

Asha contava apenas com a certeza de que Najka estava na área, para garantir a sua segurança. Isso deveria, se muito, impedir que o transmorfo fosse atrás dela, Nina e Tomi. Assim que o Ritual teve fim, (mas não era possível saber exatamente o que fazia), ela acompanha o homem sair. Era um ritual de maldição, vindo de um amaldiçoado. Tenebroso. Amaldiçoava o alvo “Sob o azul”; era uma das coisas que ela havia captado, pela orbe; parecia que ele queria alguma coisa da árvore, além de usá-la como bateria. Ela viu tudo, perfeitamente. O monstro pega suas coisas e vai embora. Ela aperta seu amuleto Mekhet.

Pegou sua faca ritual e se preparou.

De fato, pôde seguir o homem enorme pela orbe; e ele saiu dos planos pela passagem. Não havia muito o que fazer.

Do lado de fora, ela ouve o som terrível e agudo emitido pelo monstro; o dom sobrenatural de emanar o medo, a destruir todos os pensamentos bons.

Nina se encolheu, apertando Herói pelo braço.

O monstro foi embora.

Agora, o silêncio os abraçou. Asha deixou uns instantes se passarem, antes de falar com os dois comuns.

O silêncio se seguiu, tenso.

– Acabou – disse a bruxa – Acabou, Nina – disse, indo lhe abraçar. Aquela não era hora para todas as alegrias, ainda – Vamos. Temos de sair daqui.

Sabendo que uma mulher desconhecida estava por ali, mas sem querer causar uma nova crise de lucidez na amiga, ela pede pra serem silenciosos.

Ela explica que não pode usar Terra pra silenciar seus pés e avançou, com muita calma, até o lugar onde foi feito o ritual.

– Tainá, quero esse lugar gravado.

Sem ter de se preocupar tanto agora, Asha olha o ritual, analisando bem tudo, guardando na memória, para que possa pensar sobre isso depois.

Deixou os dois antes da passagem.

Não podia deixar a amiga ver os doze animais mortos, sacrificados. A saída ficava atrás de uma famosa cachoeira.

Asha murmura: "Tainá, eu quero toda a gravação, de tudo o que a gente passou hoje; a Hora, gravado em um arquivo oculto". Seguiram pela passagem e saíram. Nina respirou aliviada, pois a aura das coisas desapareceu. Tudo voltou ao normal. Podia ver as estrelas e os paraluzes; e sentia de novo o ar entrando em seus pulmões, sentia o ar! Era como nascer de novo, pra ela.

De repente, uma mulher apareceu detrás da rochas.

Nina quase teve um infarto, de medo. Tomi a segura, mas Asha vê que é Najka e faz sinal de que está tudo bem.

– Najka – Asha abaixa a faca – É através da cachoeira, a passagem. Não sei como vamos agradecer a vocês vampiros, filhos da noite, pela ajuda.

– Você disse que tem uma outra mul-,... – ia dizer a vampira.

Ao lado dela, caiu uma outra pessoa. Najka sacou a escopeta serrada, e acertaria, provavelmente. Mas a recém chegada era muito ágil, até mesmo mais que a vampira. Ela se aproximou tanto da filha da noite, que basicamente lhe abraçou, escapando do tiro, que soou alto, e até Tomi pensou que agora estavam mesmo perdidos e ela iria matar a todos; ele se preparou.

– Você não precisa atirar em mim, Najka – disse uma voz suave.

– Quem é voc-,... Sinistra – diz a filha da noite.

Mais um momento tenso: surge um ser translúcido.

– Não, Tomáz! – Najka grita – Afaste-se – e Nina viu um tipo de fantasma, ou qualquer coisa, que estava com duas adagas, uma no pescoço e outra na cintura dessa mulher, recuar; de repente estava há dez metros; e sumiu.

Najka afrouxou a posição de combate. Então, a mulher suavemente deixou os movimentos da vampira livres de novo e foi logo olhando para Asha, que não evitou e engoliu em seco. Nina saiu de sua cabeça de repente. A pobrezinha se encolheu mais uma vez, agarrando Tomi, tentando não chorar.

– Seu namorado é muito rápido,... como um vampiro. Não esperava isso de um estranho – afirma a mulher – As Adagas de Kippa,... Fico muito feliz de ver esse tesouro em suas mãos, jovem. Muito feliz mesmo.

A filha da noite não falou nada, apenas relaxou.

– Onde está a princesa? – pergunta a recém-chegada.

Najka a soltou e foi para o lado de Nina e Tomi; os dois perceberam que a filha da noite estava com uma expressão de espanto. Na verdade, eles não sabem quem é quem – "Estranho?", "Com uma vampira?", Nina engole o choro.

– Na enfermaria – responde Asha, sem dúvida na voz.

– Obrigada, Asha. Eu observei tudo que você e seus amigos fizeram para proteger a princesa, podem ficar tranquilos agora. O ataque acabou. O monstro que estava aqui convocou a retirada. A Ceifadora se foi.

– Você entende o que eles dizem? – Asha não acreditou.

– Sou a segurança da princesa, é meu trabalho saber tudo. Parabéns. Você salvou a sua Escola e isso já é um feito de honra. Vou indo, então. Estarei por aí, até tudo terminar. Nós ainda vamos nos encontrar, tenha certeza. Ah!, e,... sinto muito; fique pronta para más notícias – diz sorrindo triste, antes de partir.

Najka mais parecia ter visto uma aparição. Asha percebeu. O jovem skeita toma coragem e decide perguntar a essa mulher, Najka.

– Desculpa perguntar, mas quem era essa?

Asha vê que Najka parecia abalada. Tinha uma expressão que Asha não via o que era, muito menos Tomi entendia, nem Nina, que parecia querer acreditar que Asha sabia de tudo, mas não havia outro jeito senão perguntar.

Najka se vira, com uma forte expressão de entendimento.

– Essa é a Sinistra, garoto. Até mesmo entre nós imortais ela é um mito, um verdadeiro exemplo de lenda. Nunca achei que a conheceria um dia – e voltou às coisas práticas – Vamos. Temos de ir. Mesmo que os monstros já tenham ido, a sua escola está em perigo. Há incêndio em diversos construtos. Preciso achar Asal agora, Asha, e convocar o meu povo para a sua proteção, que deve durar até o amanhecer; então, vou na frente. Tomem cuidado, vocês.

Najka para por um segundo e olha o garoto.

Tomi, por um segundo, pensou ter visto o olhar de Asha refletido nos olhos da vampira, ainda que focassem dentro dos seus; e se arrepia.

Ela os deixou, se confundindo com a noite. A bruxa, então, abraça forte sua amiga comum, que já não chorava mais, mas que sabia que estava em choque de estresse; com dano de lucidez, provavelmente. Olhou para Herói, então, e sorriu um sorriso de amiga. Ele retribuiu e ajudou Nina a andar. Daí, em algum tempo vão chegar às piscinas. Nem dava pra ver as estrelas, que estavam apagadas, mas a experiência deles realmente nunca mais seria esquecida.

Isso serviu para outras coisas, além de tudo.

É impossível passar por tudo isso, e não se tornar próximo; como nós dados em uma mesma corda.

Dois minutos depois, a Tropa de Elite desceu ao lado deles e eles foram levados, em segurança. Asha os levou para o pátio, que fica entre os dormitórios femininos e onde todos estavam se reunindo. Havia mais, nas mansões. Ficaram sabendo que nenhum aluno ou convidado se feriu, mas ao saber da morte de Sabarba, foi a vez de Nina abraçar a amiga bruxa, porque durante uma hora inteira ela não parou de chorar. Santiago lhe deu a notícia.

Ele se aproximou, com muito cuidado.

– Asha,... – a pausa alertou a bruxa – Sabarba está morto.

– O quê?!,... – ela não queria acreditar. Santiago passou a mão sobre seus cabelos curtos, murmurando: "Sinto muito", e foi embora.

A Nação do Oeste chega, com especialistas em todas as áreas da medicina, mas Nina e Tomi não sabiam porque todos ficaram felizes ao saber que o Diretor seria "salvo". Asha só pediu a ela por um ombro. Ela e Nina se apoiaram uma na outra, sem palavras, por um tempo, como melhores amigas.

Tomi não conseguia evitar se sentir alerta.

Depois de um abraço apertado, elas se sentaram, mas demorou um tempo até a bruxa falar novamente.

– Sabarba era como se fosse meu pai, Nina – foi o máximo que conseguiu dizer, sem esperar por uma resposta, mas ela veio; a resposta que vem de onde menos se espera, trazendo conforto para o coração que sofre.

– Asha,... eu sinto muito – tenta Nina – Ninguém morre até você abandonar essa pessoa. Não se esqueça dele. Você é o herói. Você salvou a gente, o Iko, a princesa louca, âa,... ela é meio louca, isso é óbvio!,... sabe do que eu to falando,... e é isso o que eu vejo nos olhos de todos os alunos que passam por aqui, Asha, todos parecem lhe agradecer. Você salvou a escola, foi você.

– Eu não sou o herói – Asha estava séria – Vocês não vão entender, mas o mundo não é assim, feito de heróis e vilões.

Ela para de chorar e limpa as lágrimas. Nina troca um olhar com o amigo, e a expressão de Tomi diz que ela conseguiu, dessa vez.

– O mundo é feito de sofrimento; e da necessidade de superá-lo! Não de heróis e monstros. Tudo são pessoas; e o mundo não é preto e branco.

– Sua vida parece um conto de fadas, Asha, só que daqueles que me dão arrepios e não deixam a gente dormir. Você é o herói.

– Abro mão do meu título, se for melhor – disse Tomi, tímido. Asha olha pra ele, dura; depois sorri, triste, equilibrando uma lágrima.

– Me abraça – Asha diz; e afunda no ombro da amiga.

Nina lhe abraça, trocando um olhar de sucesso com Hieronimus, que joga a cabeça de lado e dá um sorriso torto, bem de leve; Nina suspira.

Tomi passa a mão no rosto, todo sujo.

A amiga Nina ri dele, baixinho. Asha suspira, deixando a magia da amizade lhe contagiar; e conclui que nunca esteve tão triste, mas tão feliz.

Assim nasceu a amizade, verdadeira e profunda, entre Asha e os seus novos amigos Nina e Tomi, para sempre.

Havia nascido já, mas esta foi sua consagração.

Do tipo que atravessa fronteiras entre o mundo das pessoas de poder e das pessoas comuns, entre si.

(Fim do Cap 18)